terça-feira, 28 de abril de 2015

Crise na PadTec acende sinal vermelho no governo e indústria de Telecom

Convergência Digital - 28/04/2015

A PadTec, fornecedora nacional de soluções para rede de longa distância e fabricante de equipamentos para comunicações ópticas, está enfrentando uma crise financeira e acendeu o sinal vermelho no governo e na indústria nacional de Telecom. Oficialmente, no entanto, os comentários ainda são bastantes cautelosos sobre o momento da empresa. Poucos se aventuram a falar sobre as razões para essa crise. 

"Ouvi falar, mas nada formal. Vamos acompanhar e especialmente o BNDES deve acompanhar, por razões óbvias. É uma empresa estratégica, que inclusive está no projeto do Exército na Amazônia e pode vir a ser fornecedora no projeto do cabo submarino para a Europa", disse o Ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, ao ser questionado sobre o assunto, em evento em Brasília.

Em São Paulo, em coletiva de imprensa, nesta terça-feira, 28/04, o CPqD não quis comentar sobre a crise da PadTec, onde é acionista. Mas fontes presentes ao evento, asseguram que a situação não é 'tranquila e preocupa muito'. Procurada, a PadTec assumiu 'que enfrenta dificuldades, mas que nem de longe passa por uma crise' e se comprometeu a falar com o portal Convergência Digital, fato que não aconteceu até a veiculação dessa reportagem. 

Um dos primeiros passos da PadTec foi o de encerrar a unidade de produtos GPon, um dos mais usados no Brasil, mas onde sofre forte concorrência dos chineses. "Competir com a Huawei não é tarefa simples", diz uma fonte do setor de Telecom.

Fato é que não se sabe ao certo o que aconteceu com a fabricante, que em janeiro de 2013, recebeu um aporte de R$ 138,9 milhões do BNDES, sendo a maior parte em dinheiro. Com esse montante, o banco passou a ter 20% do capital da empresa. À epoca do aporte, a PadTec, localizada em Campinas, no interior de São Paulo, prometeu pular de 360 para 700 profissionais. A empresa também recebeu um aporte do Grupo Ideiasnet, que no somatório capitalizou a empresa em R$ 167 milhões.

Ao governo, o destino da PadTec preocupa por conta da sua forte presença na Telebras. Em 2013, a fornecedora fechou um contrato de R$ 108 milhões para prestar serviços de gestão, operação e manutenção da rede da estatal. Também tem papel central no projeto de levar fibra óptica para a região norte. Um dos programas onde a PadTec está à frente é o Amazonas Conectada, iniciativa do Exército Brasileiro em parceria com o governo do Amazonas entre outras instituições públicas e privadas, que tem por objetivo levar conexão de banda larga ao interior do estado. A PadTec respondeu por 7 km de cabo óptico lançado no leito do Rio Negro em Manaus.

O programa prevê em sua totalidade o atendimento a cerca de 7,5 milhões de habitantes, disponibilizando serviços de internet e conexão de alta capacidade que permitirão aplicações como telemedicina e ensino à distância, além de interconectar órgãos nas áreas de saúde, segurança pública, trânsito e turismo.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Embraer estuda ampliar sua presença no programa espacial brasileiro

Agência Espacial Brasileira - 27/04/2015

A Embraer Defesa & Segurança estuda ampliar sua presença no programa espacial brasileiro e inclui a possibilidade de explorar projetos na área de foguetes.

A meta, segundo o presidente da unidade, Jackson Schneider, é ter uma empresa integradora na área espacial. “Isso pode incluir desenvolvimento de veículo lançador e de novos satélites”.

A empresa iniciou seus negócios na área espacial em 2013 com o projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), no qual é responsável pela gestão dos fornecedores e do lançador, além da integração dos sistemas.

O satélite é produzido pela francesa Thales Alenia Space e o lançamento será feito pela Arianespace, no segundo semestre de 2016.

O custo total do projeto é de R$ 1,3 bilhão. Para o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato, a decisão do governo de romper o acordo com a Ucrânia para o lançamento do foguete Cyclone-4, do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, certamente abrirá outras perspectivas para o programa espacial brasileiro.

“A Embraer tem demonstrado interesse no nosso Veículo Lançador de Microssatélites (VLM)”, diz o comandante. Indústria O projeto do VLM é um dos projetos prioritários do programa espacial.

O foguete é desenvolvido hoje em parceria com o Centro Espacial Alemão (DLR) e prevê a participação da indústria nacional desde as primeiras fases de concepção.

“Estamos interessados em avançar na área espacial, o que abre espaço para atuarmos junto aos principais participantes desse processo como a Agência Espacial Brasileira, Força Aérea Brasileira e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais”, afirma Schneider.

Por meio da coligada Visiona, joint-venture entre a Embraer e a Telebras, o executivo diz que a Embraer pretende ser mais ativa no segmento espacial e elogiou o trabalho que o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) realiza na área de lançadores. Segundo estudos já feitos por especialistas o VLM tem um potencial de mercado promissor, tendo em vista que ainda não existe nenhum outro foguete dedicado para atender a essa faixa de mercado (lançamento de cargas úteis de 120 a 150 quilos).

O VLM é um foguete configurado para lançar micro e nanossatélites de sensoriamento remoto, experimentos científicos e com aplicação meteorológica em baixa altitude.

Os concorrentes do VLM são foguetes de grande porte, que levam pequenos satélites. Seu custo de lançamento é baixo, inferior a US$ 10 milhões. O seu desenvolvimento é coordenado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).