terça-feira, 9 de junho de 2015

Brasil apoia ligação com Europa por cabo submarino

Valor - 08/06/2015

O Brasil, vizinhos sul-americanos e a União Europeia (UE) vão anunciar apoio que consideram suficiente para deslanchar a construção do cabo submarino de fibra ótica ligando a América Latina à Europa, durante a Cúpula America Latina-Europa, esta semana em Bruxelas.

O Valor apurou que vários governos vão comprar 40% da capacidade futura do cabo, como forma de ajudar o financiamento dessa iniciativa privada.

Esse cabo passou a ter mais importância também na área de segurança, depois que vieram à tona as denúncias de espionagem praticadas pelos Estados Unidos, inclusive contra a presidente Dilma Rousseff e primeira-ministra alemã Angela Merkel.

Do lado latino-americano, a compra de capacidade ao longo de três anos será de € 33,5 milhões. O Brasil entrará com 18,3 milhões de euros, a Colômbia com € 8,4 milhões, o Equador com € 4,7 milhões e o Chile com € 2 milhões.

Do lado europeu serão mais de € 20 milhões nessa etapa inicial. Um fundo europeu de coesão regional, no entanto, poderá aprovar mais € 45 milhões somente para a construção de uma futura extensão de linha para a Guiana Francesa.

Segundo uma fonte, estudo concluiu que o cabo era viável técnica e economicamente. Mesmo com baixo índice de uso, teria retorno rápido. O consórcio detentor do cabo é formado pela Telebras, pela espanhola IslaLink Submarine Cables e por um terceiro investidor sem nome revelado. A expectativa é de que o impulso agora dos governos leve a uma definição do acordo de acionistas, que tem sido mais complicado do que se pensava inicialmente. Depois será possível iniciar a construção.

Com o cabo submarino de banda larga entre Fortaleza e Lisboa, haverá a criação do chamado anel óptico sul-americano e conexão com a África. Além de ligar 12 países da região, o cabo terá extensões para Praia (Cabo Verde), Ilha da Madeira (Portugal) Grande Canária (Espanha) e Guiana Francesa.

Hoje existe um cabo ligando o Brasil à Europa, mas de capacidade muito pequena, que é usado por operadores de telefonia. As comunicações digitais precisam passar pelos Estados Unidos. Quando um usuário de internet na América do Sul digita um endereço de site hospedado em servidor da Europa ou Asia, a rota é pelos EUA, de onde vai para o destino.

O novo cabo, com conexão direta com a Europa, diminuirá o tempo de resposta das transmissões. Com isso, a expectativa é de diminuição no custo da internet.

O ganho com segurança também é destacado, já que tanto brasileiros como europeus tem manifestado preocupações com espionagem dos EUA.

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