sábado, 4 de janeiro de 2014

Mais de 70 satélites irradiam sobre o Brasil, mas banda larga ainda é muito cara

O lançamento de novos satélites em banda Ka pode reverter a situação, avalia o Mincom


O Brasil conta atualmente 72 satélites – das mais diferentes constelações – irradiando sobre o seu território, conforme o último levantamento da Anatel, de outubro de 2013. Para o Ministério das Comunicações, no entanto, a maioria dos satélites, por serem estrangeiros, acaba atuando em pequenos nichos do mercado brasileiro. A tecnologia usada pelos satélites brasileiros (que ocupam posições orbitais do país e que por isto têm como mercado principal o nacional) é ainda de banda C e banda Ku, propícias para a transmissão de sinais de TV, mas não para a de comunicação de dados. “ A banda larga satelital é ainda muito cara no país", afirma o diretor de banda larga do MiniCom, Artur Coimbra.

Segundo ele, o custo do Megabit de comunicação de dados em um satélite de banda Ka é 10 vezes menor do que os satélites de banda C e Ku. E um único satélite, desta constelação de mais de 70 tem esta banda para oferecer ao mercado brasileiro. Além da escassez de banda, ele aponta problemas com a alta carga tributária, transporte, instalação e equipamentos como fatores que contribuem também para os altos custos da banda larga satelital no país.

Conforme o levantamento feito pelo ministério, enquanto as ofertas de 1 a 18 Mbps da banda Ka podem ser encontradas no mercado mundial a preços que variam de US$ 30 a US$ 740 por mês, no Brasil, os preços praticados pela banda Ku para 256 Kbps a 3 Mbps (maior capacidade oferecida encontrada) variam de R$ 500 a R$ 3,5 mil por mês.

Mais oferta, menos preço

Para reverter este cenário, só mesmo o ingresso de novos satélites com tecnologia Ka, acredita o Minicom. A partir do próximo ano até 2018, estão previstos os lançamentos de seis novos satélites geoestacionários que vão se dedicar integralmente ao território nacional ( D1 e D2, da Star One; Amazonas 4, da Hispasat; SGDC, da Telebras; satélite da Etelsat e da Hughes) além da constelação de satélites de órbita baixa do Google/SES (o O3b), cujo lançamento, previsto para este ano, foi adiado para 2014.

Além dessas satélites, que deverão todos vir com transponders em banda Ka, a Anatel promete colocar na rua a venda de mais quatro posições orbitais até o início do próximo ano, o que garante a oferta de mais capacidade para dentro de quatro a cinco anos. O edital de venda das posições foi aprovado na última reunião do conselho diretor da agência, mas o seu preço ainda dependia de aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU), que só iria liberar os valores em 2014.

Centros urbanos

Para Coimbra, o incremento da oferta de satélites voltados quase que integralmente para o mercado brasileiro de banda Ka irá gerar um novo fenômeno, além de reduzir sensivelmente o preço da banda larga via satélite: ampliar a oferta da banda larga também nas periferias dos grandes centros urbanos. “Os novos satélites serão importantes não apenas para as áreas rurais e a Amazônia. Eles poderão também suprir com ofertas de até 10 Mbps as periferias das grandes cidades que hoje contam com ofertas de baixíssima velocidade”, afirmou.

Quem é Quem

Dezenove são ou pretendem ser os satélites que ocupam posições orbitais brasileiras. A Star One, subsidiária da Embratel, é a que possui a maior constelação. Conforme a Anatel, são oito satélites, e novos três ainda serão lançados para substituir aqueles com vida útil prestes a se encerrar ou aqueles ocupando novas posições orbitais compradas pela empresa.

A Echostar tem dois satélites brasileiros e pretende lançar mais um; a Hispamar tem mais dois satélites e lançará outro no próximo ano. A Telesat Brasil tem um satélite brasileiro e a Eutelsat ainda vai lançar o seu.

Da lista dos satélites internacionais que “chovem” no território nacional, a Intelsat Licence LLc e a Intelsat Brasil são as empresas com a maior constelação: 20 satélites. A canadense Inmarsat Solutions também tem forte presença no país, com três satélites, a Astrium Services Business também conta com três desses meios de transmissão e a Eutelsat com outros quatro satélites estrangeiros. A Hispasat, Xantic, Telecom Italia, Stratos, MorsvtazsPutinik, Telesat, Satelites Meixcanos, SES Astra, SES American, Skynet, New Skies e Direct TV Group também têm entre um a três satélites posicionados para o mercado brasileiro.