sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Band e Telebras firmam parceria de conteúdo


O Grupo Bandeirantes de Comunicação assinou uma parceria com a Telebras para distribuir o conteúdo da emissora pela internet, por provedores de pequenas e médias cidades. Essa foi uma das novidades apresentadas na Futurecom, a maior feira de telecomunicações da América Latina, que aconteceu no Rio de Janeiro.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

SDN é uma das prioridades da Telebras para 2014

Estatal se une a outras operadoras globais para estudar uso de rede definida por software (SDN)

Para reduzir custos e aumentar a vida útil dos seus ativos de rede, a Telebras está se unindo a outras operadoras globais para estudo, padronização e uso do software defined network (SDN)


Caio Bonilha, presidente da operadora, está convencido de que o conceito será a alternativa do setor de telecomunicações para melhorar a rentabilidade das redes, porque dá mais autonomia ao operador para a gestão dos seus ativos e da capacidade das redes.

“Quem está ganhando dinheiro hoje com telecom não são as operadoras. O SDN é uma capacitação das redes que nos dará maior controle e flexilidade”, dispara Bonilha.

A estatal, segundo ele, já está trabalhando junto aos seus principais fornecedores no Brasil para a adoção do conceito. “Estamos puxando eles para começarem a desenvolver. Inclusive assistimos a uma demonstração de um dos nossos fornecedores em Curitiba (PR), que funcionou muito bem. Agora a questão é levar para o ambiente operacional para ver se funciona”, comenta.

Bonilha acredita que SDN será importante para as operadoras retomarem a independência hoje perdida para as OTTs (over-the-tops).

O backbone da Telebras para atendimento às demandas do governo foi construído com ativos de fabricantes nacionais, sendo a Padtec e a Digicon os maiores fornecedores. Para a rede de acesso, a operadora adota dispositivos de fabricantes diversos.
Telebras fecha com Grupo Bandeirantes primeira oferta de conteúdo na rede

Caio Bonilha, presidente da estatal, informa que rede estará aberta para conteúdos de entretenimento, e-gov e educação a distância.


O presidente da Telebras, Caio Bonilha, anunciou nesta quinta-feira, 24, durante palestra no Futurecom 2013, o primeiro contrato da estatal com uma empresa de conteúdo, o Grupo Bandeirantes. A oferta, segundo ele, vai beneficiar o cliente da Telebrás, em especial os pequenos provedores, que se mostram extremamente interessados em oferecer conteúdo de vídeo em suas localidades.

“Este é o primeiro contrato, mas estamos abertos a outras negociações”, afirmou Bonilha. Segundo ele, em 2014, esta oferta de conteúdo deve receber novos conteúdos, inclusive os aplicativos de governo eletrônico (e-gov), das TV estatais, além do conteúdo de educação a distância e da oferta de outros provedores de conteúdo de entretenimento.

A iniciativa, diz Bonilha, visa reduzir os custos tanto dos provedores de serviços – clientes diretos da Telebrás, quanto dos assinantes, em uma resposta ao papel da Telebrás de redução do custo de acesso à informação.
Telebras vai distribuir conteúdo de vídeo para provedores

O objetivo é reduzir os custos para oferta de TV paga por pequenas empresas de internet


O presidente da Telebras, Caio Bonilha, anunciou nesta quinta-feira (24) uma parceria com o Grupo Bandeirantes para distribuição de conteúdo para seus clientes. O objetivo é reduzir custos principalmente para os pequenos provedores interessados em ofertar serviços de TV paga. A informação em primeira mão foi feita durante a palestra do executivo na 15ª Futurecom.

“Nós vamos trabalhar agora para preparar a rede da Telebras para receber o conteúdo e devemos concluir até o final do ano”, disse o presidente da estatal. Segundo ele, o contrato com a Bandeirantes não é exclusivo e que aguarda outros interessados em distribuir seus conteúdos para possíveis acordos.

Bonilha afirmou também que com a rede broadcast será possível distribuir conteúdos do governo e ensino a distância. O presidente disse que o conselho de administração da estatal já aprovou o projeto, mas ainda falta implantar o projeto piloto para dimensionar custos. “Os investimentos serão feitos maciçamente em 2014”, disse.

OTTs

Outra novidade da Telebras é a preparação da rede para que seja definida por software (SDN, na sigla em inglês), reduzindo a dependência das operadoras das empresas de OTT (Over The Top). “Essa é uma questão fundamental para assegurar as prestadoras a recuperar receitas, já que quem ganha dinheiro agora são essas grandes empresas de conteúdo”, disse.

Bonilha disse que já está trabalhando com fabricantes de tecnologia do Brasil e até já assistiram um teste de um modelo de um deles em Curitiba que funcionou muito bem. “Queremos agora levar a tecnologia para nossa rede de referência para ver como funciona na prática”, disse.

Cabos

Sobre o anel sul-americano, além da conexão com a Antel, do Uruguai, Bonilha disse que a rede da Telebras já chegou à Argentina há mais de seis meses e está aguardando a Arsat (estatal de telecomunicações daquele país). Ele acredita que poderá iniciar a ligação com operadoras privadas, que já demonstraram interesse na conexão.

“Nas outras bordas a situação é mais difícil, chegamos agora no Acre, mas ainda depende da construção de uma rede de 300 km para chegar à fronteira do Peru”, disse.

Em relação aos projetos de cabos submarinos, Bonilha disse que está finalizando os projetos para discutir com possíveis parceiros. Bonilha admite que a ligação com a Europa (Portugal) ganhou importância maior depois das denúncias de espionagem dos EUA. Porém, ressaltou que a prioridade é buscar a internet barata e se isso for melhor com a ligação para os Estados Unidos, ele irá atrás disso.

Sobre a rede privada do governo, o presidente da estatal disse que não houve avanços. E sobre o satélite, disse que a Visiona está negociando o contrato com a empresa selecionada, a Thales Alenia Space.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

BNDES vai dar prioridade a setores de infraestrutura

Valor Econômico - 23/10/2013

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai limitar o crédito mais barato e a prazos maiores aos setores de infraestrutura, às empresas intensivas em capital e aos projetos que tragam inovação tecnológica. Os outros setores, notadamente o de serviços e os voltados ao comércio exterior, passarão a arcar com custo de financiamento maior - o banco captará recursos no mercado e repassará parte desse custo aos tomadores.

"Essas são as três grandes orientações", informou, em entrevista ao Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Segundo ele, a compra de máquinas e equipamentos continuará sendo apoiada pelo crédito barato do banco, para não prejudicar a taxa de investimento da economia.

"Nas outras áreas, poderemos modular a oferta de forma que ela possa ser complementada pelo mercado. Se o empreendedor quiser, ofereceremos um pedaço a custo de mercado. Vai ficar mais caro em relação ao crédito para infraestrutura, mas não mais caro em relação ao mercado", assegurou.

As mudanças atendem à necessidade de redução da dependência das empresas dos recursos subsidiados do BNDES e, consequentemente, de diminuição dos aportes do Tesouro Nacional ao banco, uma agenda que vem sendo trabalhada por Coutinho desde 2008, quando os repasses da União começaram a crescer de forma mais rápida em resposta ao aumento da demanda das empresas por investimentos - desde então, a instituição recebeu R$ 300,25 bilhões do Tesouro e, ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou novo repasse, de cerca de R$ 20 bilhões, até dezembro.

Coutinho e sua equipe trabalham na criação de mecanismos para estimular a captação de recursos pelas empresas no mercado de capitais. Uma das ideias é baratear o custo de financiamento das companhias que lançarem debêntures, em operações casadas com a tomada de crédito no BNDES. O banco está disposto, inclusive, a comprar uma parcela desses papéis, com o objetivo de estimular outros investidores a fazerem o mesmo. Pretende, ainda, compartilhar as garantias das operações de crédito com as debêntures, uma forma de tornar esse tipo de investimento mais seguro e, portanto, mais atrativo.

O presidente do BNDES assegurou que o banco estatal não perdeu "um centavo" com a debacle das empresas de Eike Batista. Dos R$ 6 bilhões emprestados, apenas R$ 500 milhões remanescem em uma empresa do grupo, mas estão garantidos por fiança bancária.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

França convoca embaixador americano por caso de espionagem

Representante dos EUA será recebido ainda nesta segunda (21).
Jornal francês divulgou que a NSA fez mais de 70 milhões de gravações.

France Presse via G1

O chanceler da França, Laurent Fabius, anunciou nesta segunda-feira (21) a convocação de forma "imediata" do embaixador dos Estados Unidos em Paris pelo caso de espionagem citado pelo jornal Le Monde.

"Convoquei de forma imediata o embaixador dos Estados Unidos, que será recebido ainda esta manhã no Quai d'Orsay", sede do ministério francês das Relações Exteriores, disse Fabius antes de uma reunião europeia em Luxemburgo. "Estas práticas entre sócios, que atentam contra a vida privada, são totalmente inaceitáveis. Temos que garantir rapidamente que, em qualquer, caso, não aconteçam mais", completou Fabius.

O ministro reagiu desta maneira à informação do jornal Le Monde de que a Agência Nacional de Segurança (NSA) americana efetuou 70,3 milhões de gravações de dados telefônicos de franceses em um período de 30 dias entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013.

O ministro do Interior da França, Manuel Valls, considerou "chocantes" as revelações e pediu explicações. "Com as novas tecnologias da comunicação, está claro que são necessárias regras. Isto envolve todos os países", destacou Valls. "Se um país amigo, um país aliado, espiona a França ou espiona outros países europeus, isto é totalmente inaceitável", completou.

O Le Monde cita documentos do ex-consultor da NSA Edward Snowden, atualmente exilado na Rússia. Os documentos mostram que os alvos da NSA são pessoas suspeitas de ligações com atividades terroristas, mas também indivíduos espionados simplesmente porque pertencem ao mundo empresarial, político ou ao governo francês. Os documentos, revelados em junho por Snowden, descrevem as técnicas utilizadas para arrecadar ilegalmente dados secretos ou da vida cotidiana dos franceses, completa o jornal.

Segundo o Le Monde, a NSA dispõe de diversas técnicas para obter os dados.Quando, por exemplo, alguns números de telefone são discados na França, ativam um sinal que desencadeia de forma automática a gravação de certas conversas.Esta técnica permite também espionar os SMS e seu conteúdo com base em palavras-chave. Além disso, e de forma sistemática, a NSA conserva o histórico das ligações de cada objetivo, segundo o jornal.

Os documentos mostram que os alvos da NSA são pessoas suspeitas de ligações com atividades terroristas, mas também indivíduos espionados simplesmente porque pertencem ao mundo empresarial, político ou ao governo francês. O gráfico da NSA mostra a média de intercepção de três milhões de dados por dia, com picos de quase sete milhões em 24 de dezembro de 2012 e 7 de janeiro de 2013, segundo o jornal.

Responsável pela criação de um e-mail nacional antiespionagem conta como vai funcionar a ferramenta

Responsável pela criação de um e-mail nacional antiespionagem conta como vai funcionar a ferramenta Caue Fonseca/ZH
Mazoni comandou a Procergs no governo Olívio e hoje preside o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) Foto: Caue Fonseca / ZH

Enquanto o escândalo da espionagem americana mobilizou personagens como Dilma Rousseff e Barack Obama, as medidas práticas para reforçar a segurança dos dados brasileiros estão sob responsabilidade de um discreto técnico federal.

Gaúcho, 52 anos, Marcos Vinícius Mazoni é, desde 2007, presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Ligado a estatais de processamento de dados há anos — comandou a Procempa e a Procergs durante administrações petistas —, Mazoni confessa que foi surpreendido pela abrangência dos dossiês vazados por Edward Snowden.

Em acerto com Dilma, Mazoni tem a missão de adiantar a implementação do Expresso V3 — um email com tecnologia nacional. O que se daria apenas em 2014, ocorrerá logo.

Na virada do mês, o Expresso V3 será instalado na estrutura do Ministério das Comunicações e da Presidência. Em dezembro, será a vez do Ministério do Planejamento. Até o fim do mandato, será expandido a todo governo federal. Depois, pode atingir a casa de todos os brasileiros em projeto em parceria com os Correios.

Mazoni recebeu ZH, na sexta-feira, em seu gabinete, decorado com uma réplica do Beira-Rio e uma camisa branca do Inter autografada pelos heróis de 2006 — ele não esquece que teve de assistir à final da Libertadores em uma TV portátil, enquanto enfrentava uma crise que derrubou todos os portais do governo Roberto Requião, no Paraná. No domingo, seu time ficou no empate no Gre-Nal.

Zero Hora — O que leva o senhor a crer que os dados do governo estarão mais protegidos por um sistema desenvolvido no Brasil?
Marcos Mazoni — O sistema, sozinho, não é seguro. Ele é seguro por estar dentro da nossa rede. A gente cria uma situação de robustez muito maior. E, como todo ele é baseado em software livre, é auditável. Já o sistema americano tem o backdoor (um mecanismo que faz com que um software americano, mesmo comprado no Brasil, continue enviando informações para seu fabricante. E o governo dos EUA, alegando razões de segurança, pode acessar esses dados). A Microsoft faz isso porque a legislação dos EUA manda. O Estado americano diz a todas as empresas que ele se reserva a esse direito. É uma questão muito mais jurídica do que técnica.

ZH — Como o episódio da espionagem ao governo brasileiro apressou o trabalho de vocês?
Mazoni — Todo ano eu reúno, em Porto Alegre, os técnicos em projetos de software livre das 11 unidades regionais de desenvolvimento. E, lá, a gente faz opções do que vamos tocar. Em julho do ano passado, por exemplo, definimos que faríamos uma nuvem (um ambiente de armazenagem de dados na internet) própria. Sem usar nenhum produto americano. Trabalhamos com sistemas tão estratégicos, como sigilo fiscal, que não poderíamos optar pelas nuvens comerciais. O que aconteceu é que faríamos isso tudo até 2014. Tivemos de acelerar. Agora, a presidenta quer usar em novembro. Estou com uma equipe de 40 profissionais, 10 deles programadores, em Porto Alegre trabalhando especificamente nisso, no Expresso V3 (o e-mail nacional).

ZH — Houve um aumento de investimentos?
Mazoni — Assim que veio a demanda de acelerar nossos processos, passamos à Presidência a necessidade de investimento. Existe a necessidade de R$ 200 milhões para um novo centro em São Paulo, e isso já está no Congresso. Também estamos com concurso aberto para contratações.

ZH — O escândalo da espionagem surpreendeu o senhor?
Mazoni — Sim. Nem nas nossas maiores paranoias a gente imaginava que isso poderia ser assim. E olha que éramos tachados de paranoicos por defendermos o uso de software livre, que é mais seguro contra a espionagem. É muita informação monitorada.

ZH — O senhor considera algum aspecto do escândalo mais grave do que o debatido publicamente?
Mazoni — Considero a questão da legislação americana mais grave do que se imaginava. Temos produtos de software e de hardware que, muitas vezes, você contrata suporte em tempo real nos Estados Unidos. Temos, sem perceber, o backdoor. Nem passava pela minha cabeça que a lei de outro país pudesse ser um problema. 

ZH — Como o senhor avalia as respostas política e técnica do Brasil aos EUA? Foram adequadas?
Mazoni — Sim, acho adequadas. Uma delas é chamar a atenção sobre a governança da internet. Ao falar na ONU, Dilma conseguiu muitos aliados. Tecnicamente, o e-mail é uma parte da solução. Com ele, vem junto a questão da armazenagem de dados no Brasil. Não se usará mais servidores de fora. Outros aspecto é a auditabilidade dos produtos. Não estamos dizendo que não podemos mais comprar produtos do Exterior, mas vamos saber o que eles estão fazendo. Não quero ligar o meu Windows e saber que ele troca 500k cada vez que liga na internet — e ele troca. Que 500k são esses? Quero saber. Isso leva também a um debate internacional: os softwares precisam obedecer à legislação de onde eles estão sendo comercializados, não só dos países de origem.

ZH — A presidente pediu algo em especial para o sistema de e-mail?
Mazoni — Reforçar toda a parte de criptografia. Por exemplo, quando a presidenta manda mensagens para fora do sistema. A ferramenta vai criptografar todo o conteúdo da mensagem. Para ela ter segurança, a pessoa lá do outro lado vai ter de ter uma chave para abrir. Depois vai ficar gravado lá? Vai. Essa fragilidade permanece.
ZH — Além do e-mail, outros ambientes preocupam o governo em termos de exposição?
Mazoni — Sim, uma rede social é suscetível a passar dados a governos. Os centros de dados do Facebook, por exemplo, estão nos EUA e na Suíça. Eles têm backdoor. Qual é a nossa estratégia? Existem redes sociais também feitas em software livre por nós aqui no Brasil. Assim como tenho a equipe do Expresso em Porto Alegre, tenho uma equipe em Salvador que trabalha em um produto chamado Nosferu, que é uma rede social em comunicação com o governo.

ZH — Como funciona o projeto do e-mail brasileiro para o cidadão comum?
Mazoni — Toda a ideia começou com os Correios. O projeto é a desmaterialização da correspondência. Para isso, precisa haver uma caixa postal segura em que só cheguem coisas do Correios, para contas, multas, documentos... Portugal fez isso há 20 anos. Lá, cada pessoa tem duas caixinhas virtuais. Uma em que só o "carteiro" pode colocar correspondência, e outra em que pode colocar spam. É uma ideia inteligente. O nosso desafio é universalizar, provavelmente usando a tecnologia do Expresso.

ZH — Como funciona a armazenagem de dados do brasileiro pelo governo?
Mazoni — A nossa maior base de dados, no Serpro, é sigilosa, o Imposto de Renda, todos os dados de carteira de motorista... Temos três centros de dados: São Paulo, Brasília e Rio. Somos alvo constante de hackers. Durante a declaração de IR do ano passado, por exemplo, eles chegaram a ocupar 60% da nossa banda. Aí, temos softwares e pessoas mobilizadas durante 24 horas. É o período mais crítico do ano. É uma loucura o que fazemos com o IR.