quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Dilma quer fortalecer intranet do governo, diz Paulo Bernardo

Ideia é blindar as comunicações contra espionagem de outros países

Tele.Síntese - 18/09/2013

Os desdobramentos no Brasil dos escândalos de espionagem nos meios de comunicação envolvendo a agência nacional de segurança (NSA) dos Estados Unidos estão ainda longe do fim. Diante das denúncias de de que até o governo federal brasileiro estaria na lista da NSA, a presidente Dilma Rousseff pediu medidas para reforçar a intranet do governo, conforme informou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

"Em alguns lugares já tem isso, mas precisamos ampliar isso. Estou falando de todos os ministérios que trabalham com informações estratégicas", afirmou Bernardo, nesta quarta-feira (18), que participou, em São Paulo, da mesa de abertura do VI Encontro Nacional da Associação Nacional de Inclusão Digital (Anid).

O ministro reafirmou que não há qualquer desculpa para um governo espionar o brasileiro ou as empresas nacionais. "Isso não tem nada a ver com o governo dos Estados Unidos. Isso é espionagem industrial e comercial, uma forma de levar vantagens em discussões diplomáticas, inclusive".



Paulo Bernardo: governo dos EUA fez espionagem industrial

Convergência Digital :: 18/09/2013

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse nesta quarta-feira, 18/09, que os Estados Unidos praticaram espionagem industrial contra o Brasil. “A partir do momento em que estão fazendo escuta e monitoramento de dados de políticos brasileiros, inclusive da presidenta da República, e de empresas como a Petrobras, isso não tem nada a ver com a segurança dos Estados Unidos, isso é espionagem industrial”, disse.

O ministro disse acreditar que as ações não têm respaldo na legislação americana. “É tentativa de obter informações que, na minha opinião, nem mesmo com a legislação que os Estados Unidos têm, que legitima a atividade de espionagem, isso é ilegal. A lei americana não prevê esse tipo de coisa”, acrescentou antes de fazer palestra no encontro da Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid).

“É evidente que se um país faz monitoramento de informações, atividades de inteligência, para se defender de eventuais ataques, principalmente se defender de ataques terroristas, com a história que têm os Estados Unidos, o mundo inteiro acha isso uma coisa razoável”, ponderou sobre os limites que seriam considerados legítimos.

Bernardo avaliou que o adiamento da visita que a presidenta Dilma Rousseff faria aos Estados Unidos em outubro era a única resposta possível, porque o governo americano não respondeu satisfatoriamente às denúncias. “O que o presidente [dos EUA, Barack] Obama deveria ter feito é dizer: 'Foi errado. Nós vamos redirecionar, readequar isso'. Infelizmente, isso não aconteceu. Eu acho, então, que não tinha alternativa [além de adiar a visita]”, ressaltou.

O ministro disse que o governo está pensando em formas de reforçar a proteção contra ações de espionagem. “Nós temos que reforçar os nossos investimentos em redes mais seguras”, disse durante a palestra. Entre as ações, Bernardo destacou o lançamento de um satélite previsto para o final de 2015. “A ideia é usar o satélite para as comunicações estratégicas do Ministério da Defesa e das Forças Armadas. E, também, para fazer provimento de banda larga nas regiões mais distantes”, explicou.

Pequenos provedores poderão oferecer 4G

Valor - 19/09/2013

O Ministério das Comunicações vai oferecer a pequenos e médios provedores de internet a possibilidade de comercializar os serviços de banda larga 4G na faixa de 2,5 GHz, que foi leiloada no ano passado. A medida foi publicada ontem no "Diário Oficial da União".

Quando o governo licitou essa faixa, apenas as grandes empresas do setor conseguiram arrematar o direito de prestar o serviço (Vivo, Claro, TIM e Oi). Nas regiões onde que houver espaço disponível, as empresas menores também poderão atuar. Para isso, terão de demonstrar interesse à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), passar por uma seleção e pagar uma taxa.

Mas essas empresas menores terão de enfrentar a mesma dificuldade das líderes do mercado: o alto valor de investimento. Nessa faixa é preciso instalar, pelo menos, o dobro do número de antenas usadas atualmente pela rede 3G.

Segundo dados do ministério, existem cerca de 3,8 mil provedores de pequeno e médio portes em atuação no país, funcionando principalmente no interior.

Se somados, esses provedores representariam a quinta operadora de banda larga fixa no país, com investimento superior a R$ 1 bilhão por ano. A portaria informa que até o fim de 2014 a Anatel vai estudar se destina faixas de frequência para novas operadoras de banda larga em nível nacional.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Brazil data plan aims to keep US spies at bay

Brazil is considering ways to make local use of the internet less dependent on US-based services, following leaks about Washington's cyberspy operations.



The South American nation has suggested forcing internet firms to open data centres in Brazil, which would be used to store locally generated material.

It is also pursuing a plan to build a new internet cable.

The project would offer a way for data to bypass the US.

Brazil's President, Dilma Rousseff, has postponed a state visit to Washington after allegations that the US National Security Agency (NSA) had targeted her emails and phone calls.

It has also been alleged that the NSA hacked state-run oil company Petrobras and intercepted billions of emails and calls to Brazilians.

US Secretary of State John Kerry has previously defended the NSA's actions, saying they were necessary to combat terrorism.

"Brazil and other countries will understand exactly what we are doing, why and how - and we will work together to make sure that whatever is done is done in a way that respects our friends and our partners," he said last month on a visit to the country.
Brics cable

Brazil's IT policy secretary Virgilio Almeida has suggested that internet firms would have to operate data centres in the country, which would make them subject to local privacy laws.
Continue reading the main story

In addition, he said, the government might move to ensure that its own data about tax information and other sensitive subjects would be stored locally rather than in the cloud.

Last week a Brazilian official specifically named Facebook, Google and Microsoft as examples of companies that would have to change their practices, according to a report by the Reuters news agency.

The three companies are among those that have acknowledged handing over data about "national security matters" after legally binding requests from the US authorities.

However, there is no suggestion that Brazilians would be barred from using US-based storage services.

Brazil is also backing a separate plan to create the Brics Cable.

This would see a fibre-optic link run from the Brazilian city of Fortaleza to Vladivostok, Russia. The link would pass through Africa and Asia and connect with cables running to mainland Europe and the Middle East.

There would also be a link between Fortaleza and Miami, but it would mean data would not need to go through Florida before travelling elsewhere.

At present the vast majority of Central and South America's internet data is routed through a single building in Miami known as the Network Access Point.

According to documents leaked by whistle-blower Edward Snowden, the NSA and its UK counterpart GCHQ have used cable taps to collect "vast amounts" of data passing though their countries, which are then analysed using encryption-cracking tools.

The Brics Cable's organisers hope to have their 34,000km (21,000 miles) link ready to use by the end of 2015.


Brazil's telecom firm Telebras is also planning to launch the country's first communications satellite in 2016. Its military currently relies on a system run by Mexico's Embratel.

In addition the country's postal service has announced plans to create an encrypted email service to offer the public an alternative to Gmail, Yahoo email or Outlook.com.
Limited effect

One expert warned that such measures would give Brazil only a limited degree of protection from the NSA.

"They are a step towards getting out the very strong control the US has over the internet infrastructure," said Dr Joss Wright, a cybersecurity expert at the University of Oxford's Internet Institute.

"But if you send an email from your encrypted Brazilian provider to somebody else who has a Gmail account then Google is getting to read the thread of information anyway.

Brazilian internet users Forcing firms to open data centres in Brazil would make the operations subject to local privacy laws


"Regarding the new cables, you can't say, 'My data should go from here to here across this particular path.'

"It's calculated on a very ad-hoc basis where it is going to go... which means you can't guarantee that just because there is a new high-capacity cable running from Brazil to Russia that all the data will go through it rather than an alternative."

He added that taking steps to make firms subject to local data protection laws might also be easier said than done.

"Look at the EU - it already has very strict rules about sharing and processing data and the general rule is that you can only share data if you share it with a country that has equivalently strong protection laws," he told the BBC.

"However, the US being the US has a get-out-of-jail-free card with what are called the 'safe harbour provisions'.

"They are an industry self-regulatory agreement which says they will treat data according to EU standards. But there is no oversight, there's no comeback if they do not live up to them."

Analysis


Wyre Davies Wyre Davies BBC News, Rio de Janeiro



The Brazilian president was caught between the devil and the deep blue sea.

Her decision to cancel (or officially, to postpone) the Washington visit will be seized upon by some as an act of petty nationalism.

Some Brazilian business leaders, worried by the precarious economic climate, will question the wisdom of antagonising such an important business.

But the political pressure was greater still. There was fury in Brazil, not only at the revelation that the president's own conversations and communications may have been spied upon by the NSA but that US interests were allegedly involved in blatant economic espionage against major Brazilian interests, including Petrobras.

Dilma Rousseff will have been aware of the feelings of ordinary Brazilians had her Washington trip gone ahead.

The perception here in Brazil is that the Obama administration has yet to give an adequate response or an apology.