sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Falta de satélite faz Minicom renovar quinto contrato com Oi e Embratel

Convergência Digital - 30/08/2013

Desde 2008, o Ministério das Comunicações mantém um programa para fornecer acessos via satélite à Internet para telecentros. Batizado de Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão, ou simplesmente Gesac, consiste basicamente em dois contratos que vem sendo sucessivamente aditivados e que engolem cerca de R$ 4 milhões por mês.

Nesta quinta-feira, 29/8, o Gesac ganhou o quinto aditivo - mais R$ 16,6 milhões. Mas o Minicom jura que é pela última vez e que, em muito breve, fará uma nova licitação que deve mais do que dobrar o alcance desse programa – e, espera-se, ampliar significativamente a qualidade dos acessos à Internet. É que apesar do custo, as conexões não alcançam nem as velocidades de uma Internet discada.

“É ruim para quem tem Internet rápida em casa. Mas nesse país, em que metade do território é floresta, o Gesac é a única opção em muitos dos lugares atendidos”, defende o diretor de Infraestrutura para Inclusão Digital do MiniCom, Américo Bernardes. Ele afirma, no entanto, que edital em elaboração vai endereçar a questão da velocidade.

“Prorrogamos esse contrato por mais um ano porque estamos com a nova licitação pronta para sair. Ela já passou pela área técnica, estamos fechando os últimos detalhes e em breve devemos estar soltando. O ato tem caráter de transição porque a gente não quer que tenha descontinuidade. Por isso o aditivo garante que os pontos não ficarão sem conexão”, explica Bernardes.

Acontece que os contratos do Gesac venceram na semana passada – e, como mencionou o diretor do Minicom, uma nova licitação ainda está sendo preparada. Destaque-se, porém, que o contrato original venceu há mais de ano – a prorrogação atual é extraordinária. Além disso, foi diferentes vezes modificado e, inclusive, sujeito a tratativas que pretendiam alterá-lo completamente.

“Não funciona”


É que o próprio Minicom vê problemas. Em 2010, o então coordenador de projetos especiais da pasta, Carlos Paiva, sustentou que “o Gesac, como está, não funciona. Não tem conexão. Houve falhas na elaboração do termo de referência. O que é entregue permite que cada máquina conte com apenas 40 kbps, pior que uma conexão discada. Leva 25 minutos para abrir uma página de internet”.

Uma das encrencas dos termos originais é que o consórcio vencedor da licitação de 2008 – o Gesac é fornecido pela Embratel e a Oi – só se compromete com a entrega de 6% da velocidade contratada. Seis porcento. Mas há também um motivo técnico para que uma nova licitação não tenha sido feita até agora: simplesmente não haveria capacidade satelital para atender a demanda.

“O problema é a exiguidade de recursos, não financeiros, mas de satélite. A banda satelital disponível é restrita. Mas está melhorando. Já houve lançamento de satélite este ano, em breve teremos o satélite da Telebras. Ou seja, nos próximos anos teremos uma disponibilidade maior e esperamos quadruplicar a banda disponível”, espera Américo Bernardes.

Além disso, a licitação em preparação prevê mudanças. Nos termos atuais, apenas uma pequena parcela dos pontos é atendida por conexões terrestres. Isso vai mudar. Atualmente o Gesac prevê 13 mil pontos de conexão – sendo que 11 mil estão efetivamente ativados. Esse número vai subir para 31 mil, mas a maior parte – 26 mil pontos – serão de acessos terrestres.

Esse desenho significa que pontos atualmente atendidos por satélite receberão conexões fixas – os 31 mil pontos envolvem, por exemplo, cerca de 7 mil telecentros, 13 mil unidades básicas de saúde e 4 mil escolas. “Há escolas onde chegou o Banda Larga nas Escolas. E boa parte das unidades de saúde estão em áreas urbanas”, destaca o diretor de infraestrutura.

Nesse quadro, a ideia é de que 70% das conexões sejam de 1 Mbps – embora em polos da Universidade Aberta, por exemplo ela possa ser maior e em alguns pontos deva ser menor, de 512 kbps. Também será alterado o compromisso de entrega: dos atuais 6% para 10% da velocidade prevista nos contratos – que devem ser cinco, como os lotes da licitação, quatro terrestres e para satélite

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Telebras e EPL assinam acordo para integrar estruturas de comunicação

Telebras - 27/08/2013

A Telebras e a EPL – Empresa de Planejamento e Logística S.A assinaram nesta terça-feira (27/08) acordo de cooperação técnica visando promover o compartilhamento de infraestrutura de comunicação de alta velocidade e a ampliação da rede de fibra ótica brasileira, possibilitando a integração dos modais de transportes por meio de sistemas de conectividade.

O termo de cooperação, assinado pelos presidentes da Telebras, Caio Bonilha, e da EPL, Bernardo José Figueiredo, prevê ainda o apoio conjunto nos processos de planejamento e execução de projetos visando assegurar conexão segura e a disponibilização de acesso a serviços de telecomunicações com altas taxas de transmissão de dados.

A criação de infraestrutura de comunicação de alta velocidade atualmente é prevista nos editais de concessão de rodovias e ferrovias publicados pelo governo brasileiro com o objetivo de estruturar uma rede nacional de fibra ótica, por onde o setor de transportes integrará os modais e possibilitará a disponibilização de informações para nortear as políticas e investimentos no setor.

A ampliação da rede de fibra ótica da Telebras, utilizando a infraestrutura das ferrovias brasileiras sob a coordenação da EPL, servirá para a expansão do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) nas regiões mais distantes do País e atualmente sem conectividade.

“O acordo é fundamental para a ampliação da rede da Telebras”, destacou Caio Bonilha. Também assinaram o acordo o diretor Comercial da Telebras, Francisco Ziober Filho, e o diretor da EPL Hederverton Andrade Santos.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Brasil vai investir R$ 1,5 bilhão em satélite para segurança de dados

Sistema produzido na França será lançado em abril de 2016, diz Telebras.
Com transferência tecnológica, país construirá satélite próprio em 2024.

G1 - 26/08/2013

O governo brasileiro deve assinar, no fim de setembro, um contrato de cerca de R$ 1,5 bilhão para ter um satélite que não possa ser monitorado por outros países.

Além de ampliar a capacidade de telecomunicações e de banda larga no Brasil, o satélite, que será administrado no país, terá faixas exclusivas para transferência de informações civis e militares que envolvam a segurança nacional e serão protegidas.

Atualmente, o Brasil não possui nenhum satélite geoestacionário próprio – todas os dados passam por sistemas que são alugados e controlados por companhias de outros países.

O sistema será produzido na França e lançado na Guiana Francesa em abril de 2016, segundo Sebastião Nascimento Neto, gerente da Telebras responsável pelo projeto.

O contrato com as francesas Thales Alenia Space, responsável pela fabricação, e Arianespace, que fará o lançamento do foguete, prevê transferência de tecnologia que permitirá às empresas brasileiras produzir um satélite nacional a partir de 2021, quando o governo pretende comprar o segundo artefato, afirma Nascimento Neto. O lançamento acontecerá três anos depois.

“Este contrato impõe uma série de condições para alavancar a indústria aeroespacial brasileira. Temos uma base nacional que hoje não tem nenhuma capacidade de produzir peças para este satélite de telecomunicações, porque são totalmente diferentes das dos satélites de baixa órbita, como os de meteorologia e de sensoriamento remoto”, explica ele.

Uma equipe de 100 técnicos irá à França acompanhar a produção. “O próximo satélite será contratado cinco anos depois do lançamento deste e, até lá, a base industrial nacional já estará fortalecida. A previsão é de lançá-lo da Base de Alcântara, no Maranhão. Esta é a nossa intenção, de termos um satélite que possa ser produzido e lançado aqui. O Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe) está assumindo o compromisso de capacitar Alcântara até lá”, defendeu.

Ainda não foi definido se a compra do segundo satélite será feita integralmente de uma empresa brasileira ou se será necessário comprar partes de companhias internacionais. Isso dependerá de como será realizada a transferência de tecnologia e a capacitação da indústria até lá, diz a Telebras. O objetivo é que todos os componentes do segundo modelo, ou pelo menos a maioria deles, sejam produzidos aqui.

Sebastião Nascimento Neto, gerente do projeto do satélite brasileiro “Alcântara hoje está sendo reconstruída devido a tentativas frustradas no passado e não comporta atualmente um foguete do tamanho deste. Esperamos que até lá tenha condições e capacidades para lançar um satélite deste tamanho. O primeiro passo está sendo dado agora com este contrato”, explica Nascimento Neto.

Há dez anos, uma explosão em Alcântara matou 21 profissionais civis e adiou os projetos do programa espacial brasileiro. No dia 22 de agosto de 2003, o foguete Veículo Lançador de Satélites (VLS) foi acionado antes do tempo. A torre acabou explodindo e matando os homens que trabalhavam.

Processo demorado

O projeto para a aquisição do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) teve início em 2005, com um processo de consultas de preços a diversos fornecedores internacionais. Em 2012, Embraer e Telebras firmaram uma parceria que culminou com a criação da Visiona Tecnologia Espacial, a empresa que será responsável pela compra e desenvolvimento do sistema.

No último dia 15, após o escândalo de que a Agência de Segurança Nacional (NSA), dos Estados Unidos, espionou e-mails e telefonemas de pessoas em diversos países, inclusive o Brasil, revelado por documentos do ex-técnico da CIA Edward Snowden, a Visiona divulgou, enfim, que Thales e Arianespace eram as escolhidas para o projeto, que buscará impedir qualquer tentativa de invasão a dados sigilosos compartilhados no país.

Segundo Nascimento Neto, o programa levou tempo para sair do papel porque envolve diversos órgãos - além dos ministérios das Comunicações, Defesa, Ciência, Tecnologia e Inovação, participam Inpe, Agência Espacial Brasileira (AEB) e Telebras. “Todo mundo queria ter um pedaço, uma participação, e isso dificultou fechar o processo”, explicou.

O SGDC atenderá às necessidades do Programa Nacional de Banda Larga, garantindo a chegada da internet a mais de 2 mil municípios do país, que, devido às condições de difícil acesso, não é possível por meio de uma rede de fibra óptica terrestre.

Já a faixa militar permitirá um aumento de dez vezes de potência em relação à atual capacidade de transferência e armazenamento de dados usada pela Defesa no Star One, que é alugado e administrado por uma multinacional mexicana desde 1998, quando satélites estatais brasileiros foram vendidos com a privatização da Embratel.

Desde então, sistemas de informações essenciais ao Brasil passam por controles estrangeiros. Com o lançamento do SGDC, o Brasil retoma a administração sobre uma infraestrutura própria. O modelo, que pesará mais de 6 toneladas e terá vida útil de 15 anos, será administrado em um centro conjunto da Defesa com a Telebras em Brasília.

“Haverá mecanismos de controle que irão impedir invasões à rede de dados”, garante o diretor da Telebras. As bandas serão protegidas por sistemas de criptografia.

Transferência de tecnologia

O contrato com a Thales Alenia Space prevê, segundo a Telebras, diversos temas que a indústria brasileira deseja aperfeiçoar para que possa produzir autonomamente partes do satélite na próxima década, como painéis solares, baterias, softwares, sistemas de controle e a parte mecânica.

“O programa tem uma lista enorme de temas específicos que serão tratados em um contrato separado para garantir a transferência de tecnologia. Estamos avaliando com diversos órgãos as pessoas que serão qualificadas e que podem contribuir com os projetos futuros. Neste período de dois anos, várias equipes de 100, 150 profissionais podem ser capacitados”, afirma ele.

“Está tudo sendo tratado ainda com muito cuidado e cautela, pois envolve escolher as empresas que poderão participar dos projetos futuros”, explica.

O diretor de desenvolvimento de negócios da Thales Alenia Space no Brasil, Sergio Bertolino, disse ao G1 que a empresa não quer “simplesmente transferir o conhecimento para produção de pequenos elementos, mas sim o conhecimento para o cérebro do satélite, para que a comunidade espacial brasileira, aos poucos, tenha autonomia para fazer o seu próprio satélite”. Conforme Nascimento Neto, este é um dos tópicos do contrato.

“Isso faz parte do plano de transferência de tecnologia, que o cérebro do satélite, os softwares de dados, sejam produzidos aqui no futuro. Mas isso demandará, no mínimo mais três anos após o lançamento deste (2016). Vai depender da capacidade da indústria brasileira absorver a tecnologia”, diz.
Procergs investe R$ 17 milhões e mira Interior com Infovia-RS

Expectativa é de estar presente em 44 cidades gaúchas até 2014, anuncia Aquistapasse

Jornal do Comércio - 26/08/2013

Com investimentos de R$ 150 milhões programados até 2014, a Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul (Procergs) quer acelerar os seus projetos. Por isso, a maior parte dos recursos será aplicada na modernização da empresa, a partir da adoção de novas tecnologias, como de Big Data. Outro foco, talvez o maior deles, é fazer com que a Infovia-RS chegue nas cidades do interior do Estado, com a oferta de infraestrutura e serviços de banda larga. “Queremos que a Procergs seja referência no País na geração de tecnologia que ajude a sociedade. O desafio é fazer com que as pessoas se engajem e trabalhem sempre com agilidade e criatividade”, relata o presidente da Procergs, Carlos Janes Aquistapasse, que está há quase três anos no comando da empresa.

Jornal do Comércio – O projeto Infovia-RS vai receber R$ 17 milhões de investimentos em 2013. Qual o foco da expansão neste ano?

Carlos Janes Aquistapasse – Já chegamos com a nossa infraestrutura própria nos arredores das cidades gaúchas. Agora, queremos entrar e oferecer o acesso à banda larga para a população. A expectativa é de fazer isso em 44 cidades até 2014.
Para apoiar essa estratégia, estabelecemos parcerias importantes com instituições como Telebras, Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), CEEE e Eletrosul. Isso está nos possibilitando chegar a praticamente todo o Estado.

JC – De que forma acontece a oferta de serviços e infraestrutura nesses municípios?

Aquistapasse – A ideia é marcar a chegada da Infovia-RS com serviços para o público em geral. Procuramos sempre estabelecer relações com a prefeitura local e com outros parceiros que nos ajudem a desenvolver projetos de inclusão digital. Em Livramento, por exemplo, estamos interligando 22 escolas estaduais com uma rede de fibra ótica. A instituição terá um computador por aluno e é importante um acesso de qualidade para poderem desenvolver os projetos de educação.

JC – Qual a importância da Infovia-RS para os projetos de governo eletrônico?

Aquistapasse – Temos um portfólio com 700 serviços de governo eletrônico e não enxergo possibilidade de avanço no acesso a iniciativas como a virtualização de documentos ou telemedicina se não tivermos uma rede qualificada. Às vezes, os representantes das secretarias de alguma cidade do Interior nos reportam que determinado sistema público não está rodando. Quando vamos analisar, percebemos que isso acontece pela má qualidade da internet.

JC – Como está a estratégia para essa oferta nas plataformas móveis?

Aquistapasse – A nossa diretriz é a de sempre prever uma interface móvel para todos os projetos que realizamos. Estamos sempre aperfeiçoando esse serviço. Agora na Expointer, por exemplo, vamos lançar uma nova versão do RS Móvel, que é o nosso portal de serviços públicos para serviços móveis. O sistema terá uma interface mais interativa. A população poderá acessar serviços como o de monitoramento do tempo por meio de um processo de medição de temperatura realizado pela Fepagro. Já é possível fazer denúncia pelo celular ou acompanhar processos. Dentro do programa do Balada Segura, os agentes públicos usam o dispositivo móvel para fazer a consulta de dados de algum veículo que tenha sido parado.

JC – Qual a sua avaliação sobre o nível do acesso à internet no Estado?

Aquistapasse – Na Região Metropolitana de Porto Alegre temos uma qualidade de acesso mediana. Mas, indo para o Interior, as condições muitas vezes chegam a ser precárias. O governo tem como fator limitante para investir a falta de recursos, mas tudo que puder fazer, deve fazer. Até porque as empresas não farão em função do seu modelo de negócios.

JC – Quais são os próximos projetos da Procergs?

Aquistapasse – Vamos desenvolver o novo portal do governo do Estado. A ideia é dar uma cara nova para esse ambiente, mais interativa e com recursos das redes sociais. A expectativa é de que esteja finalizado até o final do ano. Além disso, estamos apoiando algumas inovações do portal do Acesso à Informação. Novas funcionalidades serão acrescentadas, como a possibilidade de se estipular o que é gasto, por região do Estado, em saúde ou educação. Estamos trabalhando em parceria com a Unisinos e a Unilasalle para criar uma ferramenta mais visual e inteligente.

JC – Como uma empresa pública de tecnologia faz para acompanhar a dinâmica do mercado da tecnologia?

Aquistapasse – Temos uma área de inteligência, grupos de discussão e profissionais de fora que visitam a empresa para troca de conhecimentos. Incentivamos a educação, a participação em eventos e estamos sempre interagindo com a academia. Recentemente, fizemos um concurso público e muitos jovens passaram a fazer parte do nosso quadro de pessoas. Isso é muito bom, porque ajuda na renovação do ambiente e das ideias.
Pequenos provedores avançam no mercado de banda larga fixa

Valor - 26/08/2013

Os pequenos provedores estão avançando no mercado que presta serviços de acesso à internet em banda larga fixa no Brasil. Do total de 4 mil provedores desse serviço, 20% são de grande porte e 80% são pequenas e médias empresas, as quais já respondem por 9% dos 20 milhões de pontos de acesso no país. Estão fora dessa conta as grandes operadoras de telefonia e TV por assinatura, que também oferecem banda larga.

Somente no ano passado, essas pequenas empresas aumentaram sua base de clientes em 33%, um ritmo duas vezes mais forte do que os 16% do segmento como um todo, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Apesar do potencial de avanço, a continuidade do crescimento do subsetor esbarra na dificuldade que os pequenos provedores têm em financiar seus projetos de expansão.

A principal barreira, segundo os empresários do setor, é que pedidos de empréstimos inferiores a R$ 10 milhões, que representam a média da demanda dos pequenos, devem ser requeridos junto a instituições financeiras parceiras do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas, essas instituições exigem garantias que os provedores não podem oferecer. Em um dos casos, um empresário disse ao Valor que um banco estadual, parceiro do BNDES, exigia garantias reais de 130% em relação ao pedido de financiamento, de R$ 2 milhões. O empréstimo não foi realizado.

Alan Fischler, assessor especial do BNDES, disse o setor é caracterizado por não ter muitos ativos, o que atrapalha no oferecimento de garantias. "O problema é que o potencial que os pequenos provedores têm é grande, mas o nível de investimento que querem fazer é incompatível com o tamanho deles", disse Fischler. Além disso, as garantias são definidas de acordo com a percepção de risco de cada instituição.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), os cerca de 3,2 mil pequenos e médios provedores faturam de R$ 720 mil a R$ 7,2 milhões por ano. É justamente desse grupo que surgem as demandas de recursos inferiores a R$ 10 milhões, por empresa. Os pedidos acabam sendo remetidos ao financiamento indireto, por meio de bancos comerciais e estaduais que atuam como intermediários do BNDES.

Os pequenos provedores levaram seus serviços para quase todo o território nacional - só não estão presentes em 23 municípios. Até agora, cresceram com recursos próprios, mas para uma nova etapa de expansão precisam de apoio financeiro. Porém, não conseguem atender aos requisitos dos bancos, disse o vice-presidente da Abrint, Erich Rodrigues. A associação, que tem aproximadamente 500 provedores associados, pede maior flexibilidade dos bancos, para que sejam aceitos recebíveis - contas a receber por vendas, ou contratos fechados - como garantia de financiamento. Essa já é a maneira como o BNDES financia as grandes empresas de telecomunicações.

Nos financiamentos diretos, feitos pelo BNDES, os recebíveis são uma das alternativas de garantia aceitas pela instituição, mas nas operações indiretas cabe a cada instituição financeira aceitar ou não. Executivos de pequenos provedores ouvidos pelo Valor reclamam de desconhecimento, tanto por parte de gerentes de bancos, quanto dos pequenos provedores, sobre essa possibilidade. O sócio da Desktop Sigmanet, Múcio Camargo de Assis Filho, está buscando financiamento de R$ 9 milhões desde o segundo semestre do ano passado, mas não consegue justamente por falta de garantias.

"Ir a agentes financeiros pedir financiamento é uma roleta russa, pois, principalmente no interior, é difícil encontrar um profissional engajado. Depois da entrega da documentação, o processo entra em um limbo, e não sabemos o posicionamento da instituição em relação ao pedido", afirmou. No caso da Desktop Sigmanet, os recursos seriam utilizados para incluir a oferta da IPTV (televisão interativa) no pacote de serviços da empresa.

Para Fischler, do BNDES, a solução para a manutenção no crescimento dos pequenos provedores é não depender exclusivamente da obtenção de financiamento. "Acho que essas empresas vão ter que se juntar. Em algum momento vai ter uma consolidação de mercado para criar empresas um pouco mais robustas e, eventualmente, vai ter que entrar algum investidor financeiro", disse.

"Nem todos os bancos têm traquejo com esse esquema de garantias, por isso pode haver desconhecimento" disse o assessor do banco de fomento.

O diretor de banda larga do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra, disse ao Valor, por e-mail, que o ministério e BNDES chegaram à conclusão de que a solução ideal é que pequenos e médios provedores recorram à linha BNDES Automático, de financiamento indireto e que pode emprestar até R$ 20 milhões. Segundo Coimbra, ainda não houve pedidos a essa linha, possivelmente porque o trâmite ocorre nas instituições parceiras do banco de fomento. "O risco da operação não é um fator impeditivo, pois os pequenos provedores são empresas sólidas e com ótima capacidade de pagamento", afirmou por escrito.

Para divulgar melhor essas informações, o BNDES sugeriu a organização de eventos regionalizados para o setor.

Outra barreira para o crescimento dos pequenos provedores é a dificuldade em financiar fibra óptica. Essa tecnologia representa, em média, 23% do valor de um projeto padrão para levar a fibra até o domicílio do cliente, informou Coimbra, por e-mail. Segundo ele, são frequentemente cobradas altas taxas de juros nos empréstimos. Por isso, o BNDES afirmou que está analisando a inclusão da fibra no cadastro de itens financiáveis pela linha Finame.

Fischler, do BNDES, disse que o banco está ciente da questão que envolve também a fibra óptica e que está sendo providenciada uma solução para inclusão da Finame. O departamento de Banda Larga do ministério informou que busca solução efetiva para o gargalo nos financiamentos, pois entende que os pequenos provedores têm papel fundamental na oferta do serviço em áreas subatendidas por grandes operadoras.