sexta-feira, 19 de julho de 2013

Governo prepara compra compartilhada de ativos de Telecom

Convergência Digital :: 19/07/2013

Conforme antecipou durante o Forum TIC Brasil, realizado em março pelo portal Convergência Digital e pela Network Eventos, a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento anunciou a compra compartilhada de ativos em Telecom. A primeira aquisição conjunta será voltada para ativos de rede (roteadores, pontos de acesso para rede sem fio, entre outros) que inclui demandas de 34 órgãos do Executivo Federal.

Estima-se que o valor total da aquisição ultrapasse R$ 100 milhões, revelou a secretária adjunta de logística e tecnologia da informação, Nazaré Bretas Lopes, durante o 1º Workshop de Conectividade, promovido pela Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (ABEP).

De acordo ainda com a secretária, a compra é uma das ações preparatórias do ministério para o lançamento da Central de Aquisições e Contratações Públicas. O processo faz parte do plano estratégico e tendo em vista o alto montante de recursos envolvidos, será precedido por audiência pública, conforme determina a Lei n° 8666 de 21 de junho de 1993. O cronograma prevê a publicação do edital nos próximos meses.

Ativos de rede são itens que fornecem a infraestrutura necessária para a comunicação de dados em uma organização. A especificação desses equipamentos, no caso dos switches e rede sem fio, deve estar alinhada à estratégia organizacional para que as necessidades de negócio sejam atendidas com qualidade, performance, segurança e confiabilidade.

Reveja o vídeo, feito pela CDTV, do Convergência Digital, durante o Forum TIC Basil, com a secretária adjunta de logística e tecnologia da informação, Nazaré Bretas Lopes sobre o assunto.
Sistema de internet por fibra ótica deve chegar a 65% dos municípios de RO

Ministro das Comunicações autorizou ligação de parte da Infovia.
Primeira etapa vai beneficiar órgãos públicos de 12 dos 52 municípios.

G1 - 19/07/2013

Um termo de ajuste que dá permissão ao Governo de Rondônia para acionar uma parte do sistema de internet através de fibras óticas implantadas no estado, a Infovia, foi assinado nesta quinta-feira (18) pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, presidente da Telecomunicações Brasileiras (Telebras), Caio Bonilha, e governador Confúcio Moura. Até o fim do ano, segundo a Telebras, cerca de 65% dos municípios devem receber o sistema.

Para fazer a interligação no estado, o governo vai usar o linhão onde o ponto de partida fica na subestação coletora Eletrosul, em Rondônia. Já estão prontos os primeiros 23 quilômetros de fibras que ligam a subestação ao Palácio Rio Madeira, em Porto Velho, onde alguns equipamentos para a montagem da central da Infovia já estão montados, além de outros 55 quilômetros dentro da capital, interligando escolas, delegacias e diversos órgãos públicos.

O presidente da Telebras contou que na primeira etapa do projeto 12 dos 52 municípios do estado, incluindo a capital, serão beneficiados pela ligação da Infovia. “Ainda neste ano devemos interligar mais 11 municípios e com isso, até o fim do ano, atenderemos 65% da população de Rondônia”, explica.

Confúcio afirmou que a Infovia, interligada à banda larga nacional, vai chegar a todos os municípios do estado, num primeiro momento, apenas para órgãos públicos. “Esse programa já está com o projeto definido que passará por toda rede da BR-364 onde percorre cidades como Rolim de Moura, Espigão D’Oeste, Guajará-Mirim e Nova Mamoré”, conta.

O ministro das Comunicações ressaltou a importância do investimento para a administração pública do estado e para a população. “A fibra vem desde Brasília até Rondônia e segue para o Acre, e isso dará condições de altíssima qualidade fazendo com que melhore muito a internet nas cidades de Rondônia”, enfatiza

O investimento é de quase R$ 4 milhões. Para o governo, proporcionará uma redução nos custos de comunicação e infraestrutura de suporte seguro na implantação de políticas públicas.
TCU fiscaliza aquisição do satélite geoestacionário pela Telebras

Convergência Digital :: 19/07/2013

Os ministros do Tribunal de Contas da União decidiram acompanhar mais de perto o processo de aquisição do Satélite Geoestacionário de Defesa e de Comunicações Estratégicas, bem como do acordo acionário entre Embraer e Telebras para a formação da Visiona Tecnologia Espacial.

A Visiona é a joint-venture da estatal de telecom e a Embraer Defesa, formalizada em maio do ano passado, para a compra e o desenvolvimento do satélite geoestacionário – que terá a função de garantir comunicações seguras às Forças Armadas, além de ampliar a capacidade de oferta de banda larga em regiões isoladas do país.

Segundo a Telebras, a aquisição dos componentes está se encaminhando para a etapa decisiva. Três empresas – Mitsubishi Electric Corporation (Melco), Space Systems/Loral e Thales Alenia Space – foram pré-selecionadas para o fornecimento do sistema do satélite geoestacionário.

Até aqui o satélite contaria com cerca de R$ 720 milhões em recursos do Orçamento da União. O projeto, porém, já foi adiado. Inicialmente o objetivo era lançar o satélite no próximo ano. Agora, a expectativa é de que ainda seja possível fazê-lo em 2015.

As três empresas foram escolhidas entre as oito propostas apresentadas, especialmente por conta das ofertas de transferência de tecnologia. Dentro da perspectiva do prazo mencionado, um posicionamento sobre as propostas deve ser apresentado até o fim deste mês. 
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Comentário do Insight - Laboratório de Ideias: Ou seja, o TCU não estará fazendo nada mais do que sua obrigação: fiscalizar as contas da União, como deve fazer em todos os demais gastos, inclusive quando o País perdoa dívidas ou doa milhões de dólares para Angola e Cuba, doa helicópteros para a Bolívia, e outras contas semelhantes, cujo valor sai do bolso do contribuinte. Espera-se, no entanto, que essa fiscalização não seja apenas para aproveitar dois assuntos que estão em alta na mídia e surfar no foco dos holofotes.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Telebras e Governo de Rondônia assinam termo para implantação do PNBL

Telebras - 17/07/2013

Brasília, 17/07 – A Telebras e o Governo de Rondônia assinam nesta quinta-feira (18), às 11h, em Porto Velho, um termo de ajuste para execução de projetos relacionados à cooperação técnica envolvendo intercâmbio de conhecimentos e informações, apoio para a cessão e compartilhamento de espaços físicos, de infraestrutura, de capacidade e de serviços de telecomunicações para implantação local do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) e da Infovia do governo do Estado. Participarão da solenidade o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo; o presidente da Telebras, Caio Bonilha; e o governador de Rondônia, Confúcio Moura.

Com a parceria, a Telebras disponibilizará conexão e banda de alta velocidade em sua rede de fibra óptica ao governo de Rondônia que, em contrapartida, disponibilizará cerca de 116 km de anéis ópticos municipais para o governo federal avançar com o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) na região Norte. Participa também do projeto a Eletronorte.

Iniciativa do governo federal em parceria com os Estados e municípios, o PNBL visa consolidar o acesso à internet de melhor qualidade e alta velocidade a baixo custo em todo o País. O objetivo do programa é expandir a infraestrutura e os serviços de telecomunicações, promovendo o acesso pela população e buscando as melhores condições de preço, cobertura e qualidade. A meta é proporcionar o acesso à banda larga a 40 milhões de domicílios brasileiros até 2014 à velocidade de no mínimo 1 Mbps.

Por meio dessas ações, o governo federal espera criar oportunidades, acelerar o desenvolvimento econômico e social, promover a inclusão digital, reduzir a desigualdade social e regional, promover a geração de emprego e renda, ampliar os serviços de governo eletrônico e facilitar aos cidadãos o uso dos serviços do Estado, promover a capacitação da população para o uso das tecnologias de informação e aumentar a autonomia tecnológica e a competitividade brasileiras. A Telebras, com seus 25 mil km de fibra óptica em todo o País, é estratégica nessa missão.

A Infovia (backbone) Rondônia é uma infraestrutura de comunicação, por meio de fibra óptica, atualmente em desenvolvimento para fornecer um conjunto de serviços convergentes de voz, dados e imagens em alta velocidade, desempenho e disponibilidade aos órgãos do governo estadual. O desempenho e a confiabilidade da atual infraestrutura de comunicação governamental serão ampliados para suportar diversas tecnologias emergentes que requerem troca de informações em tempo real e em benefício do bem-estar da população de Rondônia, com a entrada no PNBL em todo o Estado.

Ao longo da execução do Termo de Ajuste do projeto da Infovia Rondônia, a rede de fibra óptica será interligada entre a estrutura do Poder Executivo, em todos os municípios rondonienses, com melhor tráfego de dados (Intranet e Internet), voz (Voz sobre IP – VoIP e Telefonia IP), vídeo-monitoramento, controle de acessibilidade e maior segurança. Corpo executivo, secretarias estaduais, órgãos de apoio direto à execução governamental serão contemplados, além de 428 escolas estaduais, 13 Coordenadorias Regionais de Ensino, 187 postos da Polícia Militar, 71 da Polícia Civil, nove hospitais estaduais, seis Escritórios Regionais da Saúde, seis centros de saúde, 26 postos da Fundação Hemocentro de Rondônia (Fhemeron) e nove Agências de Vigilância Sanitária – Agevisa.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Telebras brilha e ganha força diante da espionagem dos EUA

 Blog do Irineu Messias - 16/07/2013

Antes mesmo de vir à tona o escândalo de espionagem nas redes de comunicações pelo governo dos EUA, denunciado pelo ex-consultor de inteligência estadunidense Edward Snowden, o Exército Brasileiro e a Presidência da República já haviam contratado os serviços da Telebras para cuidar das suas comunicações.

Agora a empresa torna-se mais do que uma opção de mercado, uma necessidade estratégica para todo o Brasil e a América do Sul. Quem tem informações sensíveis e não quer ser bisbilhotado fatalmente procurará a Telebras como fator de segurança. A integração de uma rede de telecomunicações própria dos países sul americanos também ganha prioridade.

A empresa e a política industrial do Ministério das Comunicações de fazer encomendas de equipamentos sob controle tecnológico nacional, acabou se tornando uma vantagem competitiva em relação às teles privadas que contratam equipamentos e serviços vindos de qualquer lugar do mundo, como caixas pretas, ficando completamente vulnerável à espionagem.

Telebras emitiu uma nota que acaba explicando com clareza cristalina os motivos do Exército Brasileiro e da Presidência República já terem contratado os serviços da empresa:

A Telebras construiu uma rede de fibra óptica segura contra invasões, sejam de captura de dados para espionagem, como as denúncias recentes veiculadas pela imprensa, ou mesmo de ataques de hackers. Para garantir essa segurança, a empresa trabalha apenas com equipamentos desenvolvidos no Brasil e que não se submetem às leis de outros países, com acompanhamento direto de engenheiros da própria Telebras, o que permite um tráfego seguro de dados pela rede que atende diretamente o governo federal e também a empresas privadas que contratam os serviços da estatal...
(...)
A rede de fibra óptica de alta definição da Telebras tem 25 mil km de extensão e interliga todas as regiões do País, conectando as administrações federal, estaduais e municipais e seus serviços públicos, além de atender a iniciativa privada e promover a inclusão digital das camadas mais pobres da população brasileira, por meio do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) do governo federal. “Garantimos total sigilo de comunicação em nossa rede, com tráfego de dados de forma segura”, afirma o presidente da empresa, Caio Bonilha.
(...)
A Telebras também lidera o projeto de formação de um anel óptico entre os países sul-americanos. O primeiro ponto da interconexão foi estabelecido no mês passado entre o Brasil e o Uruguai, em Santana do Livramento (RS), por meio das operadoras Telebras e Antel (uruguaia). Essa rede permitirá um tráfego seguro de dados entre os governos destes países. A próxima conexão deverá ser com a Argentina, por meio da operadora Arsat.
(...)
Outro projeto estratégico da Telebras é a compra e lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), projeto conjunto com os ministérios das Comunicações, da Defesa e de Ciência, Tecnologia e Inovação. Para isso, a Telebras se associou à Embraer e criou a empresa Visiona Tecnologia Espacial S.A.
Quando o governo Lula resolver recriar a Telebras, o PSDB e o DEM reagiram com ferocidade, chegando a recorrer ao STF contra a reativação da empresa. Imaginou-se no início tratar-se apenas de lobismo neoliberal a favor das teles privadas. Mas agora, será que não havia também pressões externas...?
Câmara debaterá banda larga como direito fundamental do cidadão

Convergência Digital :: 15/07/2013

A Câmara dos Deputados decidiu, depois de um ano, instalar a Comissão Especial que irá analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC nº 479/10), de autoria do deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), que pretende "incluir o acesso à Internet em alta velocidade entre os direitos fundamentais do cidadão". A sessão de instalação desta comissão e a escolha dos membros titulares e suplentes está marcada para a próxima quarta-feira(17/07).

"A importância do uso da internet como vetor da aceleração do desenvolvimento das nações já é corroborada inclusive pelas organizações internacionais de maior credibilidade. Segundo estudo divulgado recentemente pelo Banco Mundial, um aumento na penetração da banda larga de 10% tem o potencial de alavancar um acréscimo de 1,3% no PIB do país", destacou o parlamentar em sua justificativa.

Para o deputado, não obstante as iniciativas do governo federal, como os programas da internet nas escolas e o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) estarem surtindo os efeitos desejados de universalização da rede mundial de computadores no Brasil, a "escassez de mão-de-obra capacitada para lidar com as ferramentas da informática acarreta prejuízos irreparáveis à sociedade brasileira, em virtude da inibição do crescimento das atividades econômicas intensivas em tecnologias da informação".

Sebastião Rocha é da opinião que a demanda da população por uma Internet de alta velocidade é maior que execução dos programas governamentais de estímulo ao acesso à rede. "É imprescindível que o direito de dispor do serviço de banda larga deixe de ser considerado uma mera ação de Governo para se transformar em política prioritária de Estado", argumentou.
Telebras busca mais segurança para sua rede


Estatal abriu consulta pública para contratar soluções integradas e em camadas com o objetivo de proteger ainda mais os dados que trafegam em suas fibras ópticas


A Telebras abriu consulta pública de termo de referência para contratação de empresa especializada para fornecimento de solução integrada de segurança da informação em camadas que contemple serviços de implantação, treinamento especializado, suporte técnico e garantia. Entre as soluções propostas está a de utilização das fibras ópticas disponíveis nos órgãos do governo federal.

A decisão de aumentar a segurança da sua rede foi tomada pela Telebras após denuncias de espionagem eletrônica feita pelos Estados Unidos em mensagens pela internet e comunicações de voz de brasileiros. Antes disso, a estatal divulgou nota afirmando que construiu uma rede de fibra óptica “segura contra invasões, sejam de captura de dados para espionagem ou mesmo de ataques de hackers”. Para garantir essa segurança, a empresa ressaltou que trabalha apenas com equipamentos desenvolvidos no Brasil e que não se submetem às leis de outros países.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, chegou a admitir a avaliação da possibilidade de contratar rede corporativa da Telebras para atender os órgãos da administração pública federal, sem licitação, em busca de mais segurança dos dados do governo. Ele lembrou que já existem precedentes para esse tipo de contratação, como o realizado pelo Ministério da Defesa e do próprio Palácio do Planalto.

Poderão participar da licitação empresas brasileiras e estrangeiras, que tenham escritórios no país. A consulta pública vai até o dia 24 deste mês.

Soluções

As soluções de segurança foram propostas de forma modular com a finalidade de permitir a participação de vários fornecedores especializados em cada segmento. Está prevista, inclusive, a possibilidade de atender aos parceiros e clientes do Programa Nacional de Banda Larga com infraestrutura de Data Center capaz de apoiar o funcionamento de seus próprios sistemas e necessidade de Tecnologia da Informação.

Na avaliação da Telebras, os ciberataques estão cada vez mais sofisticados e a proteção de dados reservados ou sigilosos tornou-se um grande desafio para as equipes de TI. “Os ciberataques, muitas vezes, são originados no ambiente interno da rede e utilizam-se de dados fornecidos por pessoas da própria organização ou por acessos indevidos, conseguidos por meio de engenharia social. Tratam-se de ameaças vindas de usuários comuns internos, muitas vezes desavisados e/ou mal intencionados. A presente contratação tem como objetivo controlar este tipo de ameaça”, sustenta a estatal.

A empresa também considerou para o desenho da solução mudanças no cenário mundial de ameaças, onde os ciberataques têm ocorrido de maneira sofisticada e direcionada, com motivação política e até ideológica, como no caso dos hacktivistas (ativistas hacker). Além de muito mais frequentes, avalia a estatal, pela facilidade do meio, as soluções tradicionais mais conhecidas não são mais suficientes para barrar a “inteligência” dos códigos maliciosos. “Assim, mais uma vez, a solução em várias camadas de atuação, complementar aos tradicionais controles de IPS/IDS, firewall, entre outras, objetiva garantir não mais o tráfego de dados simplesmente, mas o tráfego de informações, tratar o conteúdo e não pacotes ou fluxos de dados, descer ao nível de usuário e conferir valor à informação, de acordo com o uso que é feito dos dados gerados, armazenados, custodiados e trafegados na rede corporativa”, diz a Telebras, no termo de referência.

A solução proposta pela estatal, além de proteger o parque computacional, regrar o acesso e uso de dispositivos móveis, atender às boas práticas internacionais de segurança da informação e cumprir normas brasileiras, também auxiliará a empresa no cumprimento de determinações por meio do controle, prevenção mitigação dos riscos atrelados à guarda dos dados e documentos classificados com algum grau de sigilo, os quais passarão a ser monitorados e poderão ser alvo de auditoria e análise

Adicionalmente, ajudará a definir critérios de classificação da informação sensível com base em regras pré-definidas, como também, combater a vulnerabilidade de vazamento de informações empresariais sensíveis e que possam comprometer negócios, traçando um cenário de comportamento do trânsito da informação e consequente manutenção da credibilidade da empresa, em dar o exemplo, bem como em garantir a qualidade das informações prestadas à sociedade e aos acionistas.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Espionagem e informação privilegiada

Insight – Laboratório de Ideias – 15/07/2013

Nos últimos dias, o Brasil foi surpreendido pelas notícias sobre a amplitude da espionagem americana. Por elas, o cidadão comum ficou sabendo aquilo que alguns já sabiam e que muitos suspeitavam: os Estados Unidos possuem meios de interceptar, gravar e analisar qualquer tipo de informação que transite pela esmagadora maioria das redes de fibra ótica e satelitais pelas quais fluem as comunicações brasileiras.

De imediato, os cidadãos tupiniquins se indignaram, por saber que seus e-mails e conversas telefônicas poderiam estar sendo grampeados, em flagrante e ilegal invasão de privacidade. De igual forma, as áreas responsáveis pela segurança nacional e diversos outros órgãos do governo que tratam com informações confidenciais e vitais à soberania do País também estão levantando sua voz contra o despropósito. CPIs estão sendo propostas no Congresso. Ministros e outras autoridades ocupam os espaços da mídia com declarações nacionalistas e oferta de soluções de todo o tipo. Enfim, quase que o País inteiro está esperneando contra a invasão criminosa e não declarada de suas comunicações pessoais, empresariais e governamentais.


Também pudera! Todos os satélites que servem às comunicações brasileiras são operados por empresas estrangeiras. Os seis principais cabos submarinos internacionais utilizados pelo Brasil são gerenciados por consórcios estrangeiros, sendo que cinco são subordinados aos Estados Unidos. Em síntese: todas as nossas comunicações estão nas mãos de estrangeiros, sejam eles americanos ou europeus. Mas Carlos Slim não é mexicano? Sim, é mexicano, mas uma parte de suas empresas de comunicações opera desde os Estados Unidos, o que a faz submeter-se também às leis americanas que permitem a bisbilhotagem.

Não, os americanos não são os únicos vilões. Chineses, russos, japoneses, coreanos, europeus e outros também fazem a mesma coisa, dentro de suas possibilidades e conveniências. Aliás, os chineses são os campeões da espionagem empresarial no mundo! No entanto, no caso brasileiro, nossos sistemas de comunicações, após as privatizações da Telebras e da Embratel, ficaram completamente subordinados aos estrangeiros, pois lhes entregamos as operadoras de telecomunicações e, principalmente, os satélites da Star One e os principais cabos submarinos em que participávamos (Americas I e II, Atlantis 2 e Unisur).

Principais Cabos Submarinos com presença no Brasil (Teleco)

Voltando às repercussões em terras nacionais, têm-se a impressão (verdadeira) que nem todos estão na mídia reclamando. Alguém já viu ou ouviu o presidente de uma grande empresa brasileira reclamando que pode estar sendo vítima de espionagem empresarial? A resposta é simples: este segmento dificilmente irá divulgar que seus segredos estão em risco. Se o fizer, estará evidenciando fragilidade aos investidores, clientes e concorrentes, e isso seria péssimo para seus negócios. Porém, internamente, a maioria está preocupadíssima e acionando seus departamentos de TI para reforçar a blindagem de suas informações confidenciais... como se isso fosse possível no atual cenário!

Por fim, um último questionamento: e o Mercado de Valores e de Commodities? Sim, pois se os gringos podem interceptar, gravar e analisar qualquer tipo de comunicação via fibra ótica ou satélite, nossos mercados estão sujeitos à mais sofisticada e dissimulada forma de obtenção de informação privilegiada jamais levada a efeito anteriormente. Por aí talvez se entendam alguns grandes negócios brasileiros que foram perdidos de maneira “inexplicável” no mercado internacional, ou mesmo a entrada e saída de estrangeiros na bolsa de valores ou de mercadorias, também de maneira “incompreensível” para os investidores tupiniquins. Aliás, nesse último quesito, um dos termômetros desses mercados é exatamente a entrada ou saída de estrangeiros, obrigando os nacionais a segui-los para não "ir contra a maré" e perder dinheiro. No mínimo, mais um fato a investigar.

Ideologias à parte, a privatização da Telebras e da Embratel, ao passar o controle de todas as comunicações nacionais para os estrangeiros, trouxe-nos um problema gigantesco, cujas consequências danosas só agora estão sendo percebidas. Uma delas é que boa parte dos bilhões recebidos e já gastos (onde, mesmo?) com essas privatizações tenha que ser agora novamente investida no setor.

Entre as soluções, a mais importante foi vislumbrada pelo engenheiro gaúcho Rogério Santanna dos Santos, que, como Secretário de Logística e Tecnologia da Informação, desde o início do primeiro governo de Lula já pregava a reativação da Telebras como forma de proteger as informações confidenciais do País em todas as áreas estratégicas. Vários anos depois, com o auxílio do economista gaúcho Cezar Santos Alvarez, Santanna foi ouvido e a empresa foi reativada em 2010, não só com este fim, mas também com o de proporcionar a inclusão digital de todos os brasileiros.

Hoje, apesar de todos os percalços enfrentados pela pressão contrária das empresas internacionais de comunicações e pela oposição política, os 25.000 quilômetros de rede exclusiva da Telebras se transformaram na única via por onde podem transitar, com maior segurança, as informações sigilosas e estratégicas do setor governamental e dos meios empresarial e científico brasileiros.



 Cobertura nacional com rede terrestre e satelital da Telebras


O País ainda continua sem satélites e cabos submarinos. No entanto, a Telebras já está em pleno processo para a construção do primeiro satélite geoestacionário nacional e para a implantação de até três cabos submarinos próprios, ligando o Brasil aos Estados Unidos, Europa e África. Além disso, está sendo concretizada a instalação de um inédito Ponto de Troca de Tráfego (PTT) Internacional em Fortaleza (centro de dados em que todas as “estradas” da internet se encontram) e de um grande anel ótico sul-americano, que prescindirá da base (e da bisbilhotagem) norte-americana para as comunicações continentais.

Ao fim e ao cabo (com perdão do trocadilho), ou o Brasil (e não apenas o governo) acorda agora para a Telebras e lhe destina todos os meios políticos, financeiros e humanos de que necessita para cumprir sua estratégica função, ou continuaremos, passivamente, sendo o mesmo país terceiro-mundista que tem seus segredos governamentais, empresariais e mercadológicos espionados e espoliados pelos Estados Unidos e por outros países detentores da alta tecnologia e do controle das grandes vias de comunicações.

domingo, 14 de julho de 2013

Porta aberta à espionagem

Comunicações de Brasil e região dependem dos EUA, o que põe até dados militares em risco

O Globo - 14/07/2013

O Brasil e outros 31 países da América Latina mantêm abertas suas redes públicas e privadas de comunicação. Essas nações têm em comum, além da retórica governamental, a ausência de políticas efetivas de proteção da infraestrutura de telecomunicações e do tráfego de dados nas redes de internet.

As revelações do GLOBO na semana passada sobre atividades de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) no Brasil e na América Latina aumentaram a percepção da vulnerabilidade. No caso brasileiro, até motivaram as Forças Armadas a uma análise de "dados militares ou dados de interesse militar que podem ter sido atingidos e obtidos" - segundo o Ministério da Defesa. Os resultados não são conhecidos. Sabe-se também que o sistema de comunicações diplomáticas está sob revisão.

O histórico de leniência dos governos da região na segurança dos fluxos domésticos de dados resultou em situações paradoxais. O Brasil, por exemplo, na última década se tornou um dos cinco maiores consumidores mundiais em serviços de telecomunicações, equipamentos, sistemas operacionais e aplicativos de computação. Mas, pessoas, empresas e instituições continuaram expostas a todo tipo de espionagem.

Pontos de troca de tráfego

Os documentos da NSA, aos quais O GLOBO teve acesso, foram copiados por Edward Snowden, ex-colaborador da agência. Eles mostram o Brasil como um dos países mais espionados, durante a última década, ao lado de China, Rússia, Índia, Paquistão e Irã. Provam, também, que até 2002 funcionou em Brasília uma das 16 estações de espionagem nas quais agentes da NSA trabalharam com equipes da CIA (Agência Central de Inteligência). Não se sabe se as atividades em Brasília continuaram.

O embaixador dos EUA em Brasília, Thomas Shannon, confirmou ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, no entanto, o prosseguimento da "coleta de metadados" (números discados, troncos e ramais telefônicos usados, duração, data hora, localização, endereços eletrônicos de remetentes e de destinatários de mensagens, assim como sites visitados).

O embaixador ressalvou, segundo o ministro, que isso acontece "fora do território brasileiro". Por essa versão oficial da diplomacia americana, a filtragem de dados estaria ocorrendo nos chamados Pontos de Troca de Tráfego. Ou seja, nas conexões de redes de dados nacionais com as supervias da internet, que facilitam a interligação entre usuários nos cinco continentes, de forma direta e em frações de segundos.

Aluguel caro, pouco gasto interno

Todas as redes da América Latina têm troncos-chave de conexão global operados por empresas instaladas em território americano. O Brasil paga cerca de US$ 650 milhões por ano pelo acesso de suas redes a essas supervias, a partir dos conectores nos EUA. O fluxo doméstico de dados ocorre por quatro delas, em cabos submarinos que passam pelo litoral do Rio, em Santos e em Fortaleza. Daí seguem para os Pontos de Troca de Tráfego instalados nos Estados Unidos, onde são feitas as conexões entre o Brasil e o resto do mundo.

O contínuo armazenamento de registros de comunicação (metadados), agora confirmado pelo embaixador dos EUA, é apenas um dos meios utilizados pela NSA na busca por informações privilegiadas. O acesso ao conteúdo das comunicações (por texto, voz e imagem) ocorre a partir de equipamentos e programas desenvolvidos pela agência em parceria com a indústria instalada nos Estados Unidos, e sob patrocínio da legislação de segurança nacional. Pela documentação da NSA, no Brasil e na América Latina foram aplicados vários sistemas de espionagem, entre o ano de 2002 e o último mês de março - não é possível afirmar se as operações prosseguem.

Em tese, poderiam ser consideradas mais protegidas áreas públicas e privadas onde as comunicações são codificadas. No Brasil, isso ocorre basicamente nos segmentos militar, diplomático, financeiro e energético (Petrobras e ANP). Na prática, a insegurança prevalece. É certo, por exemplo, que as representações diplomáticas do Brasil em Washington e na ONU (Nova York) estiveram no "alvo" da NSA - indica documentação da agência de setembro de 2010. Não foi possível confirmar se aconteceu.

São múltiplas as evidências das fragilidades brasileiras:

* No orçamento federal do ano passado, estavam reservados R$ 111 milhões para investimento em Defesa Cibernética, mas só foram usados R$ 34,4 milhões. Neste ano, foram R$ 90 milhões, mas até a última terça-feira (9/7) os gastos somavam R$ 11,3 milhões - informa a ONG Contas Abertas;

* Desde 1968, portanto há 45 anos, o país guarda planos para construção de um satélite de comunicações - atualmente aluga oito, todos de empresas estrangeiras. Decidiu-se para o próximo mês o início do processo de compra de um, ao custo de R$ 700 milhões;

* Dependente das redes, de equipamentos e software externos para manter seu fluxo de dados, o país sequer dispõe de padrões locais de segurança;

* Prevalece a burocracia. Pelas contas do chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general José Elito Carvalho Siqueira, as decisões sobre segurança em comunicações envolvem 35 departamentos de 15 ministérios e mais 300 organismos federais, estaduais e municipais.

Os EUA avançam na direção oposta: a lei protege a espionagem de estrangeiros, e políticas oficiais induzem a alianças entre a NSA e empresas privadas.

As parcerias corporativas da NSA foram intensificadas no governo George W. Bush. Há um acordo básico de segurança de rede ("Network Security Agreement") entre a agência e empresas como AT&T, QWest, EDS, H-P, Motorola, Cisco, Qualcomm, Oracle, IBM, Intel, Verizon e Microsoft, entre outras.

Em 2004, organizações civis protestaram na Justiça. Bush mudou a lei e blindou empresas. Seu sucessor, Barack Obama, expandiu o raio de ação da NSA: ela fez alianças com Yahoo, Google, Facebook, Paltalk, YouTube, Skype, AOL. A Apple aderiu em outubro do ano passado.

Essas 20 empresas foram procuradas nos EUA. Dezesseis não responderam. A Motorola e a Qwest preferiram não comentar. A Cisco alegou que não fornece a "nenhuma agência do governo acesso às nossas redes e cumpre com as leis e regulamentos dos países em que opera". Exemplificou com o software-espião "Prism" da NSA: "Não é um programa Cisco e redes Cisco não participam do programa. Além disso, a Cisco não monitora comunicações de cidadãos privados ou organizações governamentais na China, no Brasil ou em qualquer lugar."

A Google afirmou que seu acordo com a NSA é público há quase quatro anos: "Qualquer um pode baixá-lo no site da Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês). Abrange o cabo submarino "Unity" que corre entre o Japão e os Estados Unidos. Como sempre dissemos, não permitimos equipamentos do governo em propriedades do Google para coleta de dados."

Esse tipo de cooperação semeia ambiguidade nas relações empresas-consumidores. O Google diz aos usuários privilegiar "segurança e privacidade", mas o governo da Suécia proibiu o uso de seus aplicativos em ambientes de trabalho. A Microsoft, que fatura US$ 3 bilhões por ano em vendas ao governo brasileiro, é lacônica nos "termos de uso" dos seus softwares: "Sua privacidade é nossa prioridade".


No espaço, Brasil fica à mercê do espião


País investiu R$ 1,5 bilhão para ter próprios foguetes e satélites, mas nenhuma missão chegou ao fim

O Brasil não apenas tem ferramentas insuficientes para conter ações de espionagem operadas por satélites como está muito longe de conhecer os meios pelos quais informações estratégicas são capturadas pelos Estados Unidos ou por qualquer outra nação. Todas as missões de tecnologia de ponta "made in Brazil" para captar do espaço dados e imagens na Terra estão pelo caminho ou convivem com atrasos simbólicos de um programa que se notabiliza pela falta de planejamento de longo prazo.

Levantamento inédito feito pelo GLOBO permite afirmar que as cinco principais operações lançadas na última década para construir satélites ou foguetes - única fórmula para o teste completo de uma nova tecnologia no setor aeroespacial - já receberam R$ 1,5 bilhão. Porém, nenhuma missão foi concluída até hoje, o que torna o país incapaz de fabricar equipamentos que, ao menos, identificariam a localização do espião.

Como resultado, além da obsolescência de componentes e desperdício de tempo e dinheiro, o país é refém de quem o espiona para monitorar o que ocorre em território nacional. Pior: depende da boa vontade - ou não - de outros países para dar seguimento aos principais projetos neste setor, cuja marca é o rigor técnico e o controle de falhas.

Defeito difícil de justificar

Foi exatamente a falta de competência técnica que levou o Brasil a comprar dos americanos uma espécie de transformador que regula a energia de um satélite que deveria ter sido lançado no ano passado. Trata-se do satélite Cbers 3, o quarto de uma família de cinco equipamentos produzidos em cooperação com a China para o registro de dados e imagens da Terra.

Ocorre que este "transformador de energia" apresentou sérios defeitos. O lançamento está atrasado em pelo menos um ano. E fonte graduada do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) afirma: a compra do equipamento talvez "não tenha sido a melhor escolha" e "é difícil encontrar justificativa" para a quantidade de defeitos identificada nesse componente vital.

Curiosamente, o Brasil lançou há pouco menos de dez anos um projeto chamado de Plataforma Multimissão (PMM), cujo objetivo é exatamente o desenvolvimento do componente de suprimento de energia. Mas a missão da PMM ainda repousa em solo, dentro do Inpe.

O nó tecnológico se repete em sistemas ainda mais sensíveis, como a correção do rumo de uma câmera de vídeo a bordo de um satélite, que depende de um dispositivo para controle de atitude e órbita. Este mecanismo permite que o "dono do satélite" mude a rota de sua abordagem. Um sistema como esse, por exemplo, fez com que, na Guerra das Malvinas, os americanos mudassem o curso de um satélite e suspendessem o serviço de dados meteorológicos para o Brasil durante alguns dias. Só este ano o Brasil testará seu componente.

O ministro da Ciência e Tecnologia admite, sem rodeios, que o Brasil enfrentou graves dificuldades - seja por pressão externa ou por desorganização interna - para fazer engrenar o programa. E afirma que o país demorou muito a compreender que cabe à iniciativa privada, induzida pelo Estado, tocar os projetos que incorporam novas tecnologias.

- A marca do Programa Espacial Brasileiro é o atraso, não só na área de lançadores (foguetes) como de satélites. O Cbers está atrasado. Outros projetos estão atrasados. A minha opinião é que nós não temos um sistema eficaz de operacionalizar esse processo. Trata-se de repartições públicas de administração direta. O input de recursos é falho. Você não entrega os recursos na hora em que são necessários - afirmou ao GLOBO o ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp.

Oportunidade única perdida

Enquanto o Brasil patinou, China, Índia e Coreia do Sul fizeram seu dever de casa e usaram o que os técnicos chamam de "janela de oportunidade", criada com o fim da Guerra Fria, para se aproximar minimamente dos grandes detentores de tecnologia espacial: EUA, Rússia, França e Japão.

Como ilustração, não há exemplo melhor do que o antigo projeto do Veículo Lançador de Satélites (VLS), cuja marca é um incêndio sem explicação determinada que matou 21 especialistas no Centro de Lançamento de Alcântara, há dez anos.

O projeto foi aprovado em 1979, como parte de um ambicioso plano para que o Brasil ingressasse no seleto grupo de países que dominam a tecnologia de uso do espaço para fins pacíficos. O VLS daria ao Brasil o conhecimento necessário para posicionar equipamentos no espaço, a chamada tecnologia de controle de órbita. Sem isso, não há voo espacial para pôr satélites em funcionamento.

Porém, passados 34 anos, o Brasil já aplicou cerca de R$ 350 milhões no VLS e ainda não domina essa tecnologia. O orçamento claudicou e equipamentos deixaram de ser comprados ou ficaram obsoletos a ponto de perder a garantia operacional. O projeto passou a respirar por aparelhos.

- Considerando-se a pressão do mercado externo e a busca por resultados efetivos, é cada vez mais difícil a manutenção do projeto com recursos esparsos, os quais causam constantes atrasos e até retrocesso no desenvolvimento do veículo - admitiu o gerente do VLS-1 no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), coronel Alberto Walter da Silva Melo Júnior.

O cronograma indica que o VLS será acionado entre 2015 e 2016. Para tanto, será preciso planejamento contínuo. Caso contrário, o atraso continuará sendo a única certeza constante

Projeto mais caro é único que não agrega tecnologia

Plano de lançar veículo ucraniano de Alcântara deve custar R$ 1 bi

Enquanto a área espacial sofre com a falta de recursos e de pessoal - o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estima em 400 o número de novos engenheiros necessários para desenvolver as atividades no setor -, o Brasil aprovou em maio a duplicação do capital da Alcântara Cyclone Space, empresa binacional criada em 2006 para lançar do Maranhão um foguete de fabricação ucraniana.

Porém, a missão, que já recebeu mais de R$ 400 milhões do Tesouro e aguarda para os próximos anos novas remessas que alcançarão o mesmo valor, não prevê nenhuma transferência tecnológica e é desacreditada no mercado aeroespacial. Detalhe: por falta de dinheiro, o Consórcio Camargo Corrêa/Odebrecht, que constrói o sítio de lançamento, parou a obra no primeiro semestre deste ano por causa de um dívida de US$ 30 milhões.

O governo passou dois anos negociando uma fórmula para "absorver" tecnologia de forma indireta dos ucranianos, por meio da cooperação na fabricação de componentes e na estruturação do Centro de Lançamento de Alcântara.

- Você põe os engenheiros para desenvolver esses projetos em conjunto. Essa é a chamada absorção de tecnologia, que é mais eficiente do que qualquer outra coisa - afirma o presidente da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Coelho.

A "absorção tecnológica" também vai nortear a escolha do fornecedor que construirá o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC), aposta do Brasil para ter autonomia nas comunicações de Defesa, por meio da banda X, e concretizar o Plano Nacional de Banda Larga, por meio da banda Ka.

Coelho e o ministro Marco Antônio Raupp (Ciência e Tenologia) informam, no entanto, que no caso do SGDC as bases da colaboração já estarão previamente definidas. E o satélite de comunicações, orçado em R$ 700 milhões, também terá transferências de tecnologia, de empresa para empresa, o que não ocorre no caso do Cyclone 4, cujo lançamento estava previsto para 2010. Só depois deste voo, o mercado poderá saber se existe ou não um competidor para o lançamento comercial de satélites, a suposta razão de ser do foguete. 

'A NSA hoje pode praticamente entrar na mente das pessoas'

Olhos no mundo. Jornalista afirma que monitoramento de imenso volume de conversas não é a melhor maneira para conter ameaças terroristas

Autor, em 1982, do primeiro livro sobre a Agência de Segurança Nacional (NSA), ao qual seguiram-se outros três, o jornalista americano James Bamford diz que, em três décadas, as atribuições e a capacidade do maior aparato de espionagem do mundo cresceram tanto que a NSA é capaz hoje de "praticamente entrar na mente de alguém". Crítico desses superpoderes, ele aponta riscos no novo foco da agência, as guerras cibernéticas. Bamford não se surpreende com o monitoramento em massa das comunicações na América Latina. Diz que a vigilância começou nos anos 1960, com a interceptação de satélites, e, provavelmente, se ampliou a partir dos anos 1990, quando redes de cabos de fibra óptica passaram a dominar o fluxo global de informação.

O quanto a NSA é maior e mais poderosa 31 anos após seu primeiro livro?

A NSA cresceu enormemente, não só o tamanho físico, mas em particular em seu alcance e habilidade de capturar e vasculhar informação. Em 1982, sua atividade era basicamente escutar telefonemas fora dos EUA. Hoje, não só captura muito mais informação no mundo como o foco também está dentro dos EUA, interceptando, além de chamadas telefônicas, e-mails, dados, de Twitter a fax. E estas comunicações contêm imensa quantidade de informação privada. A NSA, hoje, pode praticamente entrar na mente de alguém monitorando o que você está digitando no Google, saber o que você está pensando.

A NSA pode monitorar, ver e ouvir tudo? Os EUA estão em todos os lugares?

A NSA só tem 35 mil funcionários, não pode ouvir tudo do mundo todo ao mesmo tempo. O que a NSA faz é colocar um filtro eletrônico ou computacional nos principais pontos de conexão da comunicação global e deixar os computadores decidirem o que capturar ou não. À medida que a comunicação passa por estes filtros, vai sendo capturada. Eles não ouvem e veem, mas têm capacidade para desviar esses dados. Os filtros são programados para responder a certas palavras, endereços de e-mails, números de telefone que são considerados suspeitos. Eles marcam o que querem, pode haver um nome ou milhões lá, ninguém sabe ao certo o quanto eles retiram deste fluxo global de informação.

O GLOBO revelou, a partir de material vazado por Edward Snowden, a existência de uma robusta operação de espionagem do Brasil e da América Latina, com reações furiosas dos governos. Estes países deveriam estar tão surpresos?

Na verdade, não. Eu não estou. Em 2008, escrevi sobre como a NSA espiona a América do Sul. Muita da comunicação internacional da região para os EUA e para a Europa, e para outros lugares a partir daí, passa por Miami, por um prédio, ao qual à NSA tem acesso, chamado NAP, National Access Point (Ponto de Acesso Nacional), operado por uma empresa privada.

Este monitoramento é feito há quanto tempo?

O foco doméstico da NSA começou a partir de 2001, após o 11 de Setembro. Não tenho certeza sobre o início das atividades na América do Sul, mas com certeza há mais tempo... provavelmente no fim dos anos 90, quando houve a mudança de comunicação. Porque desde os anos 60 a maior parte das comunicações internacionais era por satélite e a NSA as capturava, há uma imensa base para isso em Virgínia Ocidental. Mas no fim dos 90 os cabos de fibra óptica submarinos começaram a dominar o tráfego de comunicação. Todos os países têm esses cabos em volta e eles desembocam lá em Miami.

A NSA realmente tem acesso direto aos centros operacionais das empresas?

Sim. A NSA tem salas dentro das empresas. Lá em Miami tem. Em São Francisco, há um ponto de conexão operado pela AT&T em cujo prédio há uma sala secreta na qual a NSA mantém computadores. Todas as informações que chegam passam por um filtro que tem um software que cria dois "caminhos": um desce para os computadores na sala da NSA e outro segue adiante.

E esse sistema é legal?

É legal dentro dos EUA, mas não se aplica de jeito nenhum a ninguém na América do Sul. Com a mudança tecnológica, a NSA teve que arranjar formas de ter acesso aos cabos óticos, e por isso começou a trabalhar em acordos com as empresas de cabo e telefonia.

E, mesmo com todo este aparato, a NSA não detectou os planos de ataque em Boston. Como é possível?

Porque a NSA está colhendo informação demais, tanta que é impossível achar a agulha no palheiro. E o que a NSA faz hoje não tem nada a ver com a razão para a qual foi criada, que era antecipar quando a Rússia ia nos atacar. Não para achar terrorista ao redor do mundo. Está fazendo algo para a qual não foi desenhada e na qual não é muito boa. É muito difícil achar terrorista com uma chamada telefônica de alguém que você não sabe quem. Por isso grampeiam tudo. A NSA diz que dezenas de ameaças terroristas nos EUA foram abortadas devido ao seu aparato. Tenho minhas dúvidas. Provavelmente poderiam ter feito de forma mais eficiente do que a atual, bisbilhotando o telefone de todo mundo.

O senhor diz que o general Keith Alexander, diretor da NSA, é o mais poderoso chefe de Inteligência da História. Que perigo isso representa?

É muito perigoso. Ele é o chefe mais longevo da NSA, são nove anos, e é invisível para a maioria das pessoas. Agora, além de ele comandar a maior e mais secreta agência de inteligência do mundo, há uma adição à NSA, o Comando Cibernético dos EUA, que é capaz de lançar ciberguerras. Não só pode espionar, mas comanda uma organização que pode atacar e destruir sistemas de computadores e infraestrutura física de outros países. Nenhum outro país fez isso até hoje - só os EUA (interferência nas centrífugas nucleares do Irã). Como general, ele tem um exército próprio sob dele. É uma quantidade enorme de poder, e quase todo sob segredo.

Com este escândalo, o senhor acredita em alguma mudança na atividade de monitoramento dos EUA?

Não vejo nenhuma indicação disso. As coisas só pioraram depois da revelação dos grampos sem mandado (no governo de George W. Bush), as ações viraram lei.