sábado, 13 de julho de 2013

Brasil devassado

Sem um satélite próprio, o País depende de estrangeiros para proteger suas riquezas, fluir informações militares e até controlar o tráfego aéreo


chamada.jpg

IstoÉ 15/05/2011

Apesar dos avanços e recuos, uma das prioridades do governo brasileiro é reaparelhar as Forças Armadas. Pelos planos, em breve o Brasil ganhará um submarino de propulsão nuclear para patrulhar a costa, em especial a região do pré-sal, um grupo de caças de quinta geração para proteger o espaço aéreo do país; e armamentos de última geração para equipar os soldados que monitoram a porosa fronteira brasileira. Como em qualquer país com um poderio militar moderno, o plano do governo prevê que toda a comunicação entre as três forças seja feita via satélite, permitindo a troca rápida e segura de informações. Na teoria, a estratégia de defesa brasileira parece não ter falhas graves e obedece aos procedimentos das melhores forças armadas do mundo. Na prática, no entanto, existe um nó difícil de ser desatado e que, em tese, compromete todo o investimento bilionário que o País se prepara para fazer.


Ao contrário das principais nações desenvolvidas e emergentes do mundo, o Brasil não tem controle nem ao menos sobre um dos quase mil satélites que estão em órbita no mundo hoje. A Índia, por exemplo, tem seis deles dedicados a ela e a China, outros 60. Hoje, todas as informações brasileiras que trafegam pelo espaço – sejam elas militares, governamentais ou de empresas privadas nacionais – passam por satélites privados, controlados por uma única empresa, a Star One, do bilionário mexicano Carlos Slim. Na prática, o Brasil é um simples locador de um retransmissor espacial que tem como função principal gerar lucros para o seu dono. Em uma situação de conflito, seja ele militar ou econômico, em última instância o locador tem o poder de simplesmente cortar o sinal do satélite, fazendo com que todo o moderno aparato militar que o País pretende adquirir se torne completamente inútil.


Desde que o Brasil perdeu o controle sobre seus satélites, com a privatização da Embratel em 1998, nenhum caso semelhante ocorreu. Mas o que preocupa especialistas brasileiros em segurança é a mera possibilidade de que isso venha a acontecer. “Não há como negar, é uma ameaça à segurança nacional”, diz o engenheiro José Bezerra Pessoa Filho, do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e ex-diretor da Associação Aeroespacial Brasileira (AAB). Sua opinião é compartilhada por diversos analistas e autoridades. “São informações fundamentais para a proteção de milhares de pessoas”, afirma Thyrso Villela, diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB).

A dependência a satélites estrangeiros não é um problema restrito à área militar. O governo também depende da boa vontade alheia, ao custo de vários milhões de dólares, para obter dados meteorológicos vitais para a prevenção de desastres naturais como enchentes, furacões e tempestades tropicais. Ficam ameaçadas também a transmissão de dados bancários e as comunicações sobre tráfego aéreo, que em poucos anos terá de ser feito via satélite, conforme determina o padrão internacional.

Algumas vozes argumentam que os contratos comerciais firmados pelo governo com empresas de satélites, como a Star One que comprou a Embratel, contêm salvaguardas que garantem a prestação do serviço. Nesse sentido, o descumprimento das cláusulas contratuais prevê multas milionárias. No entanto, numa situação extrema, seja de guerra ou de catástrofe natural, quem vai pagar a fatura pela perda de vidas humanas? O histórico recomenda cautela.

img.jpg
FRUSTRAÇÃO
A base de Alcântara, no Maranhão, foi destruída após
tentativa de lançamento de foguete pelo governo brasileiro

Ao menos em duas ocasiões o Brasil sofreu os efeitos da dependência. Em 1982, durante a Guerra das Malvinas, um dos satélites meteorológicos que fornecia imagens para o governo foi reposicionado pelos Estados Unidos e deixou de fornecer informações sobre o clima em todo o Hemisfério Sul durante dois meses.

Em 2005, por conta do furacão Katrina, os americanos precisaram usar toda a potência de varredura de seus satélites para rastrear o fenômeno, reduzindo a frequência das imagens da América do Sul e do Brasil. “Se fossemos atingidos naquela época por um evento da magnitude do ciclone Catarina, que varreu a região Sul em 2004, ficaríamos no escuro”, afirma Villela, da AEB.


A história de dependência começou com a privatização do sistema Telebrás, em 1998. A Embratel, que operava os satélites BrasilSat, passou às mãos da americana Verizon e depois da América Movil, do magnata mexicano Carlos Slim, dona da Star One. Embora fossem satélites comerciais, o governo brasileiro detinha dois transponders de banda X, exclusivos para comunicações militares, instalados nesses satélites. Com a privatização da estatal, todo o controle passou para as mãos privadas.


Há, logicamente, salvaguardas pelas quais a operação desses satélites é feita somente por brasileiros. Mas os militares não têm controle sobre esses equipamentos, não podem desligar o satélite ou mudar sua posição. “As salvaguardas servem para mitigar o problema da soberania”, reconhece o coronel da reserva Edwin Pinheiro da Costa, chefe da seção de Telemática do Ministério da Defesa e responsável pelo Sistema de Comunicações Militares (Siscomis). Vale lembrar que a Verizon foi arrolada nos EUA numa polêmica sobre fornecimento de dados telefônicos de seus clientes ao FBI e a agências de inteligência do governo.

Uma das diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa (END) é o desenvolvimento do Satélite Geoestacionário Brasileiro, o SGB. Para tirar o projeto do papel é preciso empenho político e recursos financeiros. Uma das tentativas é construir um foguete próprio capaz de lançar o satélite brasileiro. As primeiras tentativas terminaram com a destruição da Base de Alcântara, no Maranhão, após a explosão de um protótipo. O mais próximo que o Brasil chegou para voltar a ter satélites próprios foi uma minuta de intenções para firmar uma parceria com a França. No entanto, as negociações para que o acordo saia estão paradas há dois anos. Enquanto isso, todo o sistema de comunicações do País continua nas mãos do bilionário Carlos Slim.






img1.jpg

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Empresas brasileiras na mira

Operadoras de internet e telefonia terão de provar que protegem seus clientes da espionagem dos Estados Unidos. Enquanto isso, o Governo acelera projetos de infraestrutura da rede de dados para reduzir a vulnerabilidade do País

IstoÉ Dinheiro - 12/07/2013

Nos últimos anos, as exportações agrícolas aumentaram de forma significativa, o etanol colocou o agronegócio na vanguarda dos biocombustíveis e a descoberta de uma imensa reserva de petróleo no pré-sal abriu caminho para que o País ingressasse no clube dos grandes produtores mundiais. Ao se destacar no cenário internacional, o Brasil despertou o interesse – e a cobiça – de outras nações, à frente o governo dos Estados Unidos. As empresas brasileiras, agora se sabe, também entraram no radar da maior potência mundial. Documentos vazados por Edward Snowden, ex-técnico de uma empresa que prestava serviço à Agência de Segurança Nacional (NSA) americana, publicados pelo jornal britânico The Guardian, mostram que dados que circulam pela internet foram bisbilhotados pelo órgão de espionagem. 
119.jpg
O governo quer criar leis que obriguem a manter os dados
de todos os brasileiros no país
Na semana passada, o jornal O Globo revelou, a partir de informações de Snowden, que o Brasil foi o maior alvo na América Latina, como parte de um esquema de monitoramento de mensagens e telefonemas que atingiu o setor corporativo, instalado numa estação da NSA em Brasília. O governo brasileiro protestou, pediu explicações, e ouviu do embaixador americano, Thomas Shannon, que os Estados Unidos não monitoram informações individuais, mas os chamados metadados, que registram, por exemplo, números de telefone e tempo de chamada de quem é alvo da vigilância, sem revelar o seu conteúdo. Segundo Snowden, no entanto, o programa de vigilância, batizado de Prism, permitia ler e-mails de qualquer pessoa, até mesmo do presidente Barack Obama, se ele tivesse uma conta pessoal.
Para o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, não há dúvidas de que boa parte desse monitoramento do governo americano tem interesse econômico. “Uma parte dessa bisbilhotagem é a espionagem comercial, industrial”, afirmou na quinta- feira 11 o ministro, em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, lembrando que a estrutura da internet é vulnerável, por natureza, ao vazamento de dados. “No caso do pré-sal, se colocarem uma informação na rede, há uma possibilidade quase total de alguém interceptar”, disse. Por isso, segundo ele, informações estratégicas para o governo brasileiro, como detalhes de campos de petróleo, não são tratados por e-mail nem por rede pública.
120.jpg
Força-tarefa: Amorim, da Defesa (segundo à esq.), participa com integrantes do governo,
em Brasília, de reunião para debater a espionagem 
Especialistas em proteção de dados avaliam que os alvos preferenciais da curiosidade dos arapongas estrangeiros são justamente as empresas dos setores nos quais o Brasil detém tecnologias mais avançadas. “Empresas brasileiras bilionárias tornam-se um alvo, tanto da concorrência externa quanto da inteligência militar”, diz Jeferson D’Addario, sócio da Daryus Consultoria. “Há interesse por companhias das áreas química, farmacêutica, financeira, de telecomunicações e agronegócio.” Dessa forma, Petrobras, Embraer e Braskem e bancos nacionais de grande porte estariam na mira dos americanos. Procuradas pela DINHEIRO, as companhias preferiram não se pronunciar, assim como entidades empresariais, como o Sindusfarma e a Federação Brasileira dos Bancos. 
A coleta de informações pode acontecer em duas frentes: redes de telefonia ou internet. Por isso, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou na segunda-feira 8 uma investigação para apurar se as teles sediadas no Brasil têm contratos com operadoras americanas que deem brecha à violação de dados. As operadoras TIM, Claro, Oi e Vivo, procuradas pela DINHEIRO, preferiram não se pronunciar individualmente sobre o assunto. Em seu lugar , o Sinditelebrasil, que representa as empresas do setor, negou qualquer colaboração com a NSA. “As empresas adotam uma política rigorosa para proteger a privacidade de seus usuários”, diz Alexandre Castro, diretor de regulação do Sinditelebrasil.
121.jpg
Olho gordo: empresas bilionárias, como a Petrobras (na foto ao lado, a Plataforma P-34,),
tornam-se alvo de espionagem
O presidente da Anatel, João Rezende, admite, em todo caso, que há uma zona cinzenta no País, uma vez que provedores estrangeiros ignoram as leis nacionais, alegando que cumprem as regras de seu país de origem. Dessa forma, não há condições de assegurar o sigilo de informações e os registros telefônicos dos clientes brasileiros – nem mesmo de integrantes do governo. Na mesma direção, o ministro Paulo Bernardo chegou a dizer aos senadores que nem os telefonemas da presidenta Dilma estão a salvo, uma vez que ela liga para o celular de seus auxiliares, cuja comunicação não é criptografada. Bernardo também lembrou que a estrutura da internet tem grande concentração nas mãos de poucas empresas. 

“Quase todas sediadas nos Estados Unidos, que concentram o tráfego e as receitas do setor”, disse. As operadoras do País, por sua vez, avaliam que ainda é preciso investigar em qual parte da rede a vigilância denunciada por Snowden ocorreu. De acordo com um advogado da área, as empresas estão tranquilas e, se houve monitoramento, não foi feito via operadoras. Apesar disso, Castro, do Sinditelebrasil, admite que a partir do momento em que as informações saem da rede privada das teles brasileiras não há como garantir que não sejam interceptadas em outro país. Para reduzir vulnerabilidades, uma das medidas em estudo pelo governo é a obrigação de instalar datacenters no Brasil, sujeitos à legislação local. 
122.jpg
Protesto em Paris condena a xeretagem internacional dos Estados Unidos
“Queremos prever a obrigatoriedade de armazenagem de dados de brasileiros no País”, disse a presidenta Dilma, no início da semana passada. No caso da internet, entretanto, a acusação de Snowden sobre a colaboração das empresas do setor é mais direta. Documentos fornecidos ao The Guardian mostram representantes da NSA afirmando que tinham acesso direto aos sistemas de gigantes da internet, como Microsoft, Apple, Google e Facebook. Procuradas pela DINHEIRO, as empresas disseram que fornecem informações às autoridades mediante determinação judicial. Na quinta feira, nova acusação do jornal britânico implica a Microsoft explicitamente, afirmando que a empresa ajudou o serviço americano a quebrar códigos de criptografia, incluindo o portal do Outlook.com e o Skype, comprado em maio de 2011. A empresa negou.
Embora a extensão dos fatos esteja longe de ser totalmente esclarecida, o governo brasileiro tenta tomar providências. Além de pedir uma investigação da Polícia Federal, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, quer levar o caso às Nações Unidas e à União Internacional de Telecomunicações, em Genebra, órgão que regula o setor em todo o mundo. O governo brasileiro também se mexeu para tirar do papel o marco civil da internet, uma legislação que promete aumentar as garantias de privacidade dos brasileiros. Na semana passada, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, tentou recolocar o assunto em pauta, sem sucesso.
123.jpg
Os projetos que preveem a construção de uma infraestrutura própria de telecomunicações também devem ganhar força. Entre eles está o programa de construção do satélite geoestacionário brasileiro, ao custo estimado de R$ 1 bilhão, atualmente em fase de seleção das empresas que fornecerão a tecnologia ao consórcio formado pela Embraer e Telebrás

Outra proposta em estudo é a instalação de um cabo submarino ligando o Brasil à Europa, com orçamento de R$ 700 milhões, com um ponto de troca de tráfego (PTT) em Fortaleza. Assim o País reduziria a dependência da estrutura americana. Em audiência no Senado na quarta-feira 10, o ministro da Defesa, Celso Amorim, lamentou que os sistemas usados no País estejam baseados no Exterior. 
“Essa é uma área que merece investimento redobrado”, afirmou Amorim. A verdade é que não é de hoje que os Estados Unidos monitoram as comunicações brasileiras. O embaixador Rubens Barbosa lembra que quando chefiou a representação do Brasil em Washington, e preparava uma visita do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2001, percebeu sinais de perda de qualidade no telefone da embaixada. “Uma empresa de segurança constatou que um cabo que saía do escritório brasileiro passava pelo Departamento de Estado, por onde provavelmente era feita a interceptação”, diz Barbosa. De lá para cá a tecnologia só fez evoluir, abrindo ainda mais brecha para espionagem. Os controles, no entanto, não avançaram na mesma velocidade. 
124.jpg
Brasil não pode aceitar 'xeretagem internacional', diz ministro das Comunicações

Valor - 12/07/2013

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse ontem que o Brasil não pode aceitar o que chamou "xeretagem no plano internacional". Para o governo, a resposta à denúncia de monitoramento mantido pelo serviço secreto americano não deve se limitar apenas a promover mudanças na legislação brasileira ou exigir explicações mais convincentes dos Estados Unidos. "Saber que existe essa xeretagem no plano internacional nos leva a não querer concordar com tudo isso", afirmou, durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Na audiência, Bernardo voltou a ressaltar que o governo brasileiro nunca fez qualquer tipo de tratado ou convênio com os EUA que legitimasse um esquema de monitoramento de informações trocadas dentro do país. Tal iniciativa, portanto, deve ser entendida categoricamente como ilegal. O ministro citou o fato de o ex-presidente Fernando Henrique Cardozo também haver assumido que não sabia da existência de qualquer sistema de espionagem na época em que governava o país.

Na avaliação do ministro, seria oportuno que a presidente Dilma Rousseff fizesse referência ao episódio em setembro, no discurso programado para a abertura da assembleia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O ministro ainda não sabe se o tema será de fato abordado pela presidente e diz, inclusive, que pode ser cobrado por dar palpites na fala da chefe. Considera, porém, que a assembleia seria o fórum ideal para chamar a atenção dos países para a necessidade de se instituir a governança multilateral da internet.

A expectativa do ministro é que, com o tema levado por Dilma aos chefes de Estado, seja criado um ambiente favorável à regulamentação internacional no âmbito da União Internacional de Telecomunicações (UIT). Na avaliação do governo brasileiro, a governança da internet é conduzida de forma unilateral pelos EUA, que concentram boa parte dos principais datacenters e pontos de troca de tráfego internacional de dados.

Bernardo disse ainda que o impasse envolvendo os governos do Brasil e dos EUA não será resolvido somente com a eliminação das brechas da legislação brasileira e nas tratativas bilaterais com os americanos. Para o ministro, o país precisa encampar ação mais enérgica em organismos internacionais.

Sobre a legislação brasileira, o ministro voltou a declarar apoio à aprovação do projeto do marco civil da internet, com alterações que reforcem a garantia de sigilo às informações dos usuários. Bernardo acredita que o monitoramento praticado pelo governo americano no Brasil não teve apenas viés político, mas também comercial, sob a vertente da espionagem industrial. "Além de violar os diretos do cidadão, também viola as regras de convivência democrática na concorrência entre empresas", disse o ministro aos senadores.

Para minimizar a vulnerabilidade da comunicação do governo, a Telebras poderá assumir papel preponderante na proteção contra ações de espionagem. Bernardo assegurou que qualquer esforço para elevar a segurança das redes de comunicação contará com a infraestrutura da empresa. O ministro disse que a Presidência já tem com a estatal contrato de serviço firmado, que pode ser estendido a outros órgãos. A empresa estatal conta com rede de fibra óptica de 25 mil quilômetros que interliga todas as regiões do país.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Telebras tem rede segura para governo e iniciativa privada

Telebras - 11/07/2013

A Telebras construiu uma rede de fibra óptica segura contra invasões, sejam de captura de dados para espionagem, como as denúncias recentes veiculadas pela imprensa, ou mesmo de ataques de hackers. Para garantir essa segurança, a empresa trabalha apenas com equipamentos desenvolvidos no Brasil e que não se submetem às leis de outros países, com acompanhamento direto de engenheiros da própria Telebras, o que permite um tráfego seguro de dados pela rede que atende diretamente o governo federal e também a empresas privadas que contratam os serviços da estatal, explica o presidente Caio Bonilha.

A rede de fibra óptica de alta definição da Telebras tem 25 mil km de extensão e interliga todas as regiões do País, conectando as administrações federal, estaduais e municipais e seus serviços públicos, além de atender a iniciativa privada e promover a inclusão digital das camadas mais pobres da população brasileira, por meio do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) do governo federal. “Garantimos total sigilo de comunicação em nossa rede, com tráfego de dados de forma segura”, afirma Caio Bonilha.

A Telebras também lidera o projeto de formação de um anel óptico entre os países sul-americanos. O primeiro ponto da interconexão foi estabelecido no mês passado entre o Brasil e o Uruguai, em Santana do Livramento (RS), por meio das operadoras Telebras e Antel (uruguaia). Essa rede permitirá um tráfego seguro de dados entre os governos destes países. A próxima conexão deverá ser com a Argentina, por meio da operadora Arsat.

Outro projeto estratégico da Telebras é a compra e lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), projeto conjunto com os ministérios das Comunicações, da Defesa e de Ciência, Tecnologia e Inovação. Para isso, a Telebras se associou à Embraer e criou a empresa Visiona Tecnologia Espacial S.A.

O parecer técnico das três empresas pré-selecionadas será entregue pela Visiona até o final deste mês de julho. Participam desta fase as empresas Mitsubishi Electric Corporation (Melco), Space Systems/Loral e Thales Alenia Space.

A pré-seleção baseou-se em requisitos técnicos, operacionais, econômicos e de transferência de tecnologia. A próxima etapa será a final e seguirá as especificações da Telebras, operadora do satélite, bem como do Termo de Referência elaborado pelos ministérios parceiros.

O SGDC será utilizado para ampliar a cobertura do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), do Governo Federal, levando conexão às regiões de difícil acesso por rede terrestre, caso da Região Norte, como também para uso exclusivo de comunicação estratégica na área de defesa nacional. O projeto está orçado em R$ 1 bilhão.
Espionagem leva governo a reestudar uso da Telebras para rede governamental

Convergência Digital :: 11/07/2013

Aparentemente assustado com a fragilidade das redes de telecomunicações nacionais, o governo federal começa a recuperar uma das ideias originais do Plano Nacional de Banda Larga: o uso da Telebras para implantar uma rede segura de dados governamentais.

“A Telebras está montando uma rede corporativa que vai atender o governo para não nos deixar vulneráveis”, afirmou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, ao participar nesta quinta-feira, 11/07, de audiência pública no Senado que discutiu as providências do país frente as denúncias de espionagem indiscriminada das comunicações brasileiras, e mundiais, pelos Estados Unidos.

Em verdade, a prerrogativa de “implementar a rede privativa de comunicação da administração pública federal” é a primeira das seis tarefas delegadas à Telebras pelo Decreto 7175/2010, que estabeleceu o PNBL. Essa missão, no entanto, jamais deslanchou como imaginada.

Apesar do que disse Bernardo aos senadores, essa rede governamental ainda não é uma decisão acabada. Como ele mesmo corrigiu logo depois, ao ser indagado especificamente sobre esse ponto, “existe essa discussão, se precisarmos ampliar uma rede corporativa do governo, vamos fazer com a Telebras”.

A “discussão”, na prática, existe desde a reestruturação da estatal. Embora o plano previsse que a receita de contratos com o governo acelerassem o equilíbrio financeiro da Telebras, nasceu junto com essa ideia a dúvida sobre a contratação direta desses serviços, sem a necessidade de licitação.

Até aqui, apenas o Ministério da Defesa e a Presidência da República fizeram contratos com a estatal – o primeiro no ano passado, o outro no início deste ano. Esse ritmo lento se deve àquela dúvida jurídica dentro da própria administração federal.

Segundo Paulo Bernardo, porém, o papel da Telebras na rede governamental voltou a ser discutido na esteira das revelações sobre a espionagem dos EUA no país, o que pode implicar em novo instrumento legal que dê a segurança jurídica para as contratações diretas.

Tanto existe a dúvida que, para resolver o papel da Telebras como fornecedora da rede de comunicações que atendeu a Copa das Confederações, o governo incluiu uma linha – via Medida Provisória – na Lei 12.663/12, a legislação que dispõe sobre os preparativos para as duas Copas.

Com isso, autorizou a contratação da Telebras sem licitação para “disponibilizar, por meio de instrumento próprio, os serviços de telecomunicação necessários para a realização dos eventos”. Ou seja, entendeu o governo que era preciso um instrumento legal específico para essa permissão.


Bernardo disse que governo pode contratar Telebras por uma rede mais segura

O ministro deu a declaração após participar de audiência no Senado dobre denúncias de espionagem eletrônica dos EUA

Tele.Síntese - 11/07/2013

O governo federal pode contratar diretamente a Telebras se decidir por usar uma rede corporativa mais segura. A possibilidade foi admitida nesta quinta-feira (11), pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, depois de participar de audiência pública promovida pelas comissões de Relações Exteriores e Ciência e Tecnologia do Senado para debater as denúncias de interceptações das comunicações brasileiras pelos Estados Unidos.

O ministro disse que a contratação sem licitação da Telebras é permitida por lei e que já foi efetivada pelo Ministério da Defesa e pela Presidência da República. No Decreto N° 7.175/10 que instituiu o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), está, entre as atribuições da estatal, implementar a rede privativa de comunicação da administração pública federal.

Mais recentemente, foi sancionada a lei 12.833, que consolida a possibilidade de contratação da Telebras pela administração direta e indireta para prestar serviços de telecomunicações à Fifa. A autorização já havia sido incluída na lei 12.633/2012 (a Lei Geral da Copa).

Xeretagem

Bernardo disse, na audiência, que as corporações conseguem redes de comunicações mais seguras e robustas, mas todo o aparato fica comprometido quando a empresa usa infraestruturas internacionais, nas comunicações com outros países. “Aqui não há interceptações porque é crime”, afirmou o ministro. Mesmo assim, ele disse que a Anatel e a Polícia Federal estão averiguando se não houve a participação de empresas brasileiras no monitoramento das comunicações de brasileiros.

“A Anatel está interpelando as operadoras, mas se elas fizeram alguma coisa nesse sentido não vai dizer, por isso que a Polícia Federal foi acionada”, disse o ministro. Ele adiantou que o embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, disse que as coletas dos dados foram feitos fora do território nacional.

Bernardo disse que as denúncias sobre interceptação de informações não foram novidades. A diferença é de que partiram de uma pessoa que ajudou a fazer o monitoramento, Edward Snowden. Ele afirmou que o governo, mesmo não tendo sido surpreendido, deve demonstrar sua indignação e discordância com a prática de “xeretagem generalizada”. “Os Estados têm direito de se protegerem contra a guerra cibernética e que mantenham um serviço de segurança na rede, mas fazer isso prejudicando a privacidade dos cidadãos não é aceitável”, disse.

O ministro defendeu a aprovação do Marco Civil da Internet e a lei de privacidade dos dados, mas disse que essas normas não servem para amenizar acontecimentos dessas naturezas. Para isso, defende, é preciso de tratados internacionais e alterar a governança da internet, hoje subordinada a apenas aos Estados Unidos. “É preciso uma gestão multilateral e multissetorial da rede”, enfatizou.

Bernardo espera que as denúncias de espionagem eletrônica, que atingiu todo o mundo, sirvam para fazer com que países adiram à reivindicação do Brasil de alterar a gestão da ICANN, apresentada em dezembro passado na reunião da UIT (União Internacional de Telecomunicações). “Naquele momento, muitos países deixaram de assinar por pressão dos Estados Unidos, que diziam temer que o pleito fosse uma tentativa de controlar a internet”, disse. E completou: “Seis meses depois ficamos sabendo que isso já vinha sendo feito pelos americanos há pelo menos sete anos”.
Brasil trabaja en tres frentes para asegurar la privacidad y seguridad de internet

El gobierno brasileño trabaja en tres frentes para tratar de asegurar la privacidad y seguridad de Internet en el país, tras la divulgación por parte de la prensa local de un supuesto espionaje por parte de los Estados Unidos a millones de usuarios brasileños de internet.


El gobierno brasileño trabaja en tres frentes para tratar de asegurar la privacidad y seguridad de Internet en el país, tras la divulgación por parte de la prensa local de un supuesto espionaje por parte de los Estados Unidos a millones de usuarios brasileños de internet.

Según informó el diario O Globo, las tres opciones en las que trabaja Brasil son el lanzamiento de un satélite brasileño, la construcción de dos cables submarinos y la instalación de un Punto de Intercambio de Internet (TTP) internacional (un centro de datos en el que todas las vías de internet se acaban encontrando).

La iniciativa más avanzada es el lanzamiento del satélite. En los próximos días debe ser divulgada la empresa que proporcionará el satélite geoestacionario de Defensa y Comunicaciones Estratégicas (SGDC), y la expectativa es que sea lanzado a mediados de 2015.

Para ello, las empresas Telebras y Embraer se unieron y crearon la Visiona Tecnología Espacial, que hizo una licitación internacional para el suministro de sistemas de satélites, con tres empresas fueron pre-seleccionados: Mitsubishi Electric Corporation-MELCO, Space Systems / Loral, y Thales Alenia Space.

La propuesta es la construcción de dos cables submarinos de fibra óptica de Telebras en asociación con otras empresas privadas nacionales o internacionales. El modelo puede ser el mismo que se utiliza para lanzar el satélite. El primero conectará la ciudad brasileña de Fortaleza (nordeste) con el Caribe y Europa, y el otro, Uruguay-Brasil-Africa-Europa.

El centro de datos, llamado PTT internacionales, se instalará en Fortaleza. Actualmente el país sólo cuenta con los puntos de intercambio nacionales. Los PTT internacionales en operación,instalados en los Estados Unidos, Japón y Europa, son los que pasan toda la información de los usuarios brasileños de Internet cuando tienen acceso a cualquier web cuyo proveedor es de otro país.

Además, el gobierno también quiere fomentar la construcción de anillos ópticos en América del Sur para tratar de prevenir que el tráfico de datos de Internet pase por los EEUU.

El primero en estar preparado fue el de Santana de Livramento, en el sur del país, con la estructura de interconexión de fibra óptica entre Brasil y Uruguay, una asociación entre Telebras y Antel, empresa de telecomunicaciones de Uruguay.

Según los expertos, las medidas no bastarán para garantizar la seguridad, pero o se aísla el país del mundo o siempre habrá el riesgo de invasión de la internet.
Enquanto o governo admite risco, Telebras afirma que redes são seguras

Empresa diz garantir sigilo total em comunicações do poder público, mas não para companhias e provedores

O Globo - 11/07/2013

BRASÍLIA - No mesmo dia em que no Senado o governo admitiu vulnerabilidade no sistema de comunicações do país, o presidente da Telebras, Caio Bonilha, garantiu nesta quarta-feira que as redes de comunicação privativas do governo são totalmente seguras contra espionagem e ataques de hackers. No total, são 25 mil quilômetros de redes, que se conectam por um único ponto, via Telebras, à internet. A construção de redes estratégicas de governo, lembrou Bonilha, fazia parte do decreto que reativou a empresa. Para garantir o sigilo das comunicações, disse ele, são usados equipamentos tecnológicos fabricados no Brasil, com tecnologia nacional.

- A existência da rede estratégica do governo depende também do controle dos equipamentos que estão nesta rede. Os equipamentos com que trabalhamos não se submetem às leis de outros países. Com isto, construímos uma rede onde provemos serviços para algumas áreas do governo onde podemos assegurar que o tráfego que passa pela nossa rede de maneira alguma seja bisbilhotado - garantiu.

Já a outra rede da Telebras que presta serviço para empresas e provedores, inclusive usada para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) - que pretende universalizar o serviço de internet de alta velocidade para todo o país - não é totalmente segura.

- Na hora em que a rede tem uma porta para a rede mundial da internet, não tenha dúvida que cai no lugar comum - diz Bonilha.

A rede tem três pontos ligados à internet: Rio, Brasília e São Paulo. O quarto ponto será em Fortaleza, mas ainda não foi ativado. A Telebras também tem um sistema para alertar contra um possível ataque de hackers. Ele funciona feito um alarme, explica Bonilha, e toca quando um volume muito grande de dados começa a trafegar pela rede de um cliente da Telebras. A empresa é imediatamente acionada para verificar o que está acontecendo. Se for um hacker, ele é bloqueado.

Será construído ainda em Fortaleza pela Telebras um data center, local de armazenamento de dados. Até o final de agosto, será assinado com a prefeitura da cidade o novo acordo para a cessão do terreno. Estão previstos para o ano que vem investimentos de R$ 60 milhões na obra. A ideia é acoplar o data center à rede da empresa.

Ministro reclama do baixo orçamento para a defesa cibernética

Em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, o ministro da Defesa, Celso Amorim, reconheceu nesta quarta-feira a situação de “vulnerabilidade” na troca de informações oficiais no Brasil, com uma possibilidade real de violação de dados por outros países. Segundo Amorim, “estamos ainda na infância, não é nem adolescência” em relação à defesa cibernética. O ministro reclamou veladamente do baixo orçamento do governo federal para os programas de proteção cibernética: menos de R$ 100 milhões previstos no Orçamento da União de 2013.

Amorim afirmou que o núcleo de defesa cibernética existente no Exército Brasileiro ainda é “jovem”, em funcionamento desde 2011. Depois da divulgação das informações sobre a suposta espionagem do governo dos Estados Unidos no Brasil, o ministro se reuniu com os chefes das Forças Armadas para dimensionar a fragilidade dos dados que circulam no país.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Brasil não é único país pego de surpresa, diz Amorim sobre denúncias de espionagem

Agência Brasil - 10/07/2013

Brasília – O ministro da Defesa, Celso Amorim ressaltou hoje (10) que a “fragilidade” e a “vulnerabilidade” do sistema cibernético não são peculiaridades do Brasil, mas de vários países. Amorim lembrou que a Alemanha também denuncia ter sido alvo de espionagem por agências norte-americanas. Para ele, um dos mecanismos que contribuirão para o controle é o lançamento do primeiro satélite geoestacionário brasileiro.

“O Brasil não foi o único [pego de surpresa], a Alemanha e outros países também informaram [sobre as denúncias de espionagem”, disse Amorim, no Senado. “Por isso o satélite geoestacionário é uma prioridade e será dedicado às comunicações de defesa.”

O primeiro satélite geoestacionário do Brasil pretende aumentar a capacidade de comunicação no país. A expectativa é ampliar o acesso à internet. A previsão é que ele seja lançado em 2014. Amorim não mencionou uma data específica para o lançamento.

O satélite não é fabricado no Brasil, mas será operado pela Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras), vinculada ao Ministério das Comunicações, na tentativa de aumentar o controle brasileiro sobre o serviço, algo considerado essencial para a segurança nacional.

Amorim, os ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores) e José Elito Siqueira (Gabinete de Segurança Institucional, GSI) participam de audiência pública da Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre as denúncias de espionagem de cidadãos brasileiros por agências norte-americanas.

Reportagens publicadas no jornal O Globo informam que por intermédio do acesso a dados obtidos pelo norte-americano Edward Snowden, que trabalhava para prestadora de serviços para a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, há indicações de que cidadãos brasileiros tenham sido monitorados.

As reportagens mostram ainda que havia uma espécie de escritório da NSA em parceria com a Agência de Serviço de Inteligência norte-americana (CIA) em Brasília. O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, negou a veracidade das informações, mas se comprometeu a investigar as denúncias.
Brasil aposta em satélite e cabos óticos para a segurança da internet

Objetivo é impedir que tráfego de dados brasileiros passe pelos EUA

O Globo - 10/07/2013

BRASÍLIA - O governo trabalha em três frentes para tentar garantir a privacidade e a segurança da internet no país: o lançamento de um satélite brasileiro, a construção de dois cabos submarinos e a instalação de um Ponto de Troca de Tráfego (PTT) internacional - centro dados em que todas as estradas da internet se encontram. Mas, apesar de minimizarem os problemas, para especialistas não há garantia de que as medidas acabem com a vulnerabilidade da internet porque trata-se de uma rede mundial.

A iniciativa mais adiantada é o lançamento do satélite. Até o fim do mês deve ser divulgado o nome da empresa que vai fornecer o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), e a expectativa é de que ele seja lançado em meados de 2015. A Telebras e a Embraer formaram uma parceria e criaram a empresa Visiona Tecnologia Espacial. Ela fez uma licitação internacional para fornecimento do sistema de satélite, e três empresas foram pré-selecionadas: a Mitsubishi Electric Corporation-MELCO; Space Systems/Loral; e Thales Alenia Space.

A proposta é a construção de dois cabos submarinos de fibra ótica pela Telebras em parceria com outras empresas privadas nacionais ou internacionais. O modelo poderá ser o mesmo utilizado para o lançamento do satélite. O primeiro deles fará a ligação Fortaleza-Caribe-Europa, e o outro, Uruguai-Brasil-África-Europa.

O centro de dados, chamado de PTT internacional, deverá ser instalado em Fortaleza. Atualmente o país só conta com pontos de trocas nacionais. Os PTTs internacionais em operação estão instalados em Estados Unidos, Japão e Europa - são por eles que passam todas as informações dos usuários de internet brasileiros, quando vão acessar qualquer site cujo provedor esteja em outro país: por exemplo, ao conectar-se ao Facebook ou ao Google, está fazendo uma conexão internacional para os EUA.

Violação de dados já é crime

O governo quer ainda incentivar a construção de anéis óticos na América do Sul para tentar evitar que o tráfego de dados da internet precise passar pelos EUA. O primeiro a ficar pronto foi em Santana do Livramento (RS), no mês passado, com a interconexão da estrutura de fibra ótica entre o Brasil e o Uruguai, parceria entre a Telebras e a Antel, empresa de telecomunicações uruguaia. Está sendo negociada a parceria com os governos da região, a próxima é a ligação entre as redes da Telebras e da empresa argentina Arsat.

Para uma fonte do governo, as medidas não vão assegurar totalmente a segurança, mas ou o país se isola do mundo ou haverá sempre o risco de invasão da internet. Um especialista do mercado concorda. Ele disse que espionagem é crime, coisa de ladrão. Ele defende um trabalho conjunto em várias frentes, inclusive com cláusulas de sigilo nos contratos.

O ex-ministro das Comunicações Juarez Quadros disse que já existe penalidade prevista no artigo 5º da Constituição para quem viola dados, que é reclusão de dois a quatro anos e o pagamento de multas. Mas isto somente para a empresa que estiver instalada no país - uma vez que não se pode processar uma companhia estrangeira.

- A exigência de ter o Ponto de Troca ajuda porque garante que a empresa possa ser penalizada pela lei brasileira, mas não garante a segurança e a privacidade. A segurança será sempre violável em termos tecnológicos - disse ele.

Espionagem e Inteligência. Jogando o jogo

Forças Terrestres - 10/07/2013

*Marco Antonio dos Santos

A espionagem é uma atividade milenar. Surgiu das necessidades, objetivos, interesses e conveniências conjunturais, que pudessem motivar lideranças dentro dos grupos sociais, desde priscas eras, continuando ao sabor dos ventos dos tempos históricos.

Não vou citar textos bíblicos ou Sun Tzu Wu, o sábio, como a maioria o faz, a respeito de “espionagem”. Aliás, outro dia, um político afirmou, diante de câmeras de televisão, que seu livro de cabeceira era “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu (não sabia do Wu), e que os capítulos da obra se referiam à estratégias da 2ª Guerra Mundial. Muito bom, se o sábio Wu não tivesse existido 500 anos antes de Cristo! Mas…

Desde muito tempo conhecimento é poder. Talvez fosse até melhor dizer que o uso do conhecimento pode proporcionar o acesso e a garantia do poder. Evidente, de certa forma, porque o conhecimento oportuno e adequado permite a antecipação, a prevenção e, em tempos globalizados de ameaças difusas e poder disperso (*), precede, evita ou atenua o emprego da força, seja por Estados, organizações ou indivíduos.

Não deveria surpreender a ninguém, especialmente autoridades federais brasileiras que os EUA tenham feito ou ainda façam uso de algum processo de Inteligência no Brasil, mesmo porque sucessivos governos norte – americanos não se empenharam muito em esconder isso. Aprenderam bem a lição do “11 de setembro de 2001”.

Esse país, bem como a maioria das grandes e médias potências e mesmo potências regionais, regime político aberto ou não, nos dias atuais, tem como praxe buscar o conhecimento que garanta a segurança de seus cidadãos, a estabilidade de seus Estados, o bem comum de suas sociedades e vantagens econômicas, políticas, militares, tecnológicas e sociais. Talvez o Brasil seja a única nação no mundo que acredita que alguma outra vai lhe transferir conhecimentos sensíveis possam acrescentar poder. Oras!

E, no país da “grampolândia geral”, de “tuítes” e “faces”, de “big brothers” e “fazendas” como condenar a “invasão de privacidade”. Fala sério!

Apesar disso, ontem, 07 de julho, a fação do PT que há mais de uma década ocupa o governo do Brasil, teve sua segunda surpresa em menos de um mês. Primeiro, foi surpreendido pelas manifestações ruidosas que estão abalando as estruturas políticas do país, agora pelos fatos surgidos na “onda Snowden” de ações de ” espionagem” mundial promovidas por agências de Inteligência norte – americanas.
Nos dois casos, o governo brasileiro, e a sociedade como um todo, paga pelos erros de diligentes incompetentes em cargos e funções governamentais.

Faz mais de 13 anos, que o Sistema Brasileiro de Inteligência/SISBIN, embora materializado no estamento legal por meio da Lei 9883/1999, regulamentada pelo Dec 4376 / 2006, está tentando, na melhor das hipóteses, se articular.

O descaso para com a ABIN é tal, que até se poderia pensar em enquadrar, por prevaricação, funcionários que, em tese, deixam de cumprir funções previstas nesse diploma legal.

Mas não são eles, os operadores de Inteligência, os únicos responsáveis pelo “status quo” de desconhecimento das realidades internacionais, ameaças, vulnerabilidades e riscos que esta nação, potencialmente rica, corre diuturnamente.

O usuário estratégico principal do SIBIN não recebe o Diretor Geral/DG ABIN. Designou como interlocutor o Gabinete de Segurança Institucional/GSI. Bom, se este ministro pudesse ser visto sempre junto à presidente. Mesmo no gabinete de crises instalado durante o pico das manifestações, sua ausência marcou presença.

Oportuno lembrar que o primeiro “briefing” diário do presidente Obama é com o assessor de Segurança Nacional e com o DG da CIA, que lhe transmite a Estimativa Nacional de Inteligência.

O PT sempre julgou Inteligência “coisa de direita”, embora se saiba do uso de estruturas clandestinas para produzir conhecimentos que alimentam ações partidárias, como já ficou bem explicitado em casos tramitados no STF. O partido proibiu peremptoriamente o monitoramento dos movimentos sociais, por exemplo. Então não há como reclamar quando estes surgiram das trevas virtuais e cercaram os palácios.

Na cauda dessa decisão, o governo petista talvez tenha esquecido a quem serve, deixando de prover recursos de toda ordem para que a ABIN e os órgãos de Inteligência das Forças Armadas, ambos vocacionados para ações de contrainteligência, atividade que deve ter a seu cargo empreender a contraespionagem, e da própria Polícia Federal, instituição ao quem cabe a investigação criminal de atos de espionagem que possam ter lesado patrimônio nacional ou incidido em algum ilícito previsto na legislação brasileira.

Enquanto desmobilizava seus órgãos de defesa institucional, os governantes brasileiros, por intermédio de uma diplomacia praticada à sombra do Planalto e por um MRE submisso flertava com países e organizações reconhecidas como tendo ligações com entidades terroristas ou mesmo relacionadas ao crime organizado transnacional.

Como se indignar agora, com o fato de a mais poderosa democracia do planeta ter, em tese, realizado operações de Inteligência (algo diferente de espionagem) em território brasileiro no intuito de defender sua sociedade?

Dependendo das Técnicas Operacionais utilizadas, e eles são bons nisso, podem até não ter cometido crime algum. Ora, as companhias de telefonia são privadas, comercializam acessos, por onde transitam dados, que, em algumas vezes, são comercializados à revelia do usuário. Será que algum brasileiro, usuário de telefonia móvel, ainda não teve seu cadastro vendido a alguma empresa de “telemarketing”, que o acordou em um sábado, às 07 horas, para oferecer o acesso a um disque – abobrinha desses da vida? Fala sério!
Quem não tem estratégias definidas, nesse mundo globalizado, acaba parte da estratégia de alguém mais poderoso. É uma regra universal e que vale para indivíduos, organizações ou Estados nacionais.

No momento a questão pode se resumir a:
Os EUA desenvolveram operações de Inteligência no Brasil, assim como o fizeram em todo o mundo, ou não o fizeram. É lícito imaginar que fizeram.

O que o Brasil pode fazer?

Sentir-se indignado, protestar como a Europa está fazendo, e deixar para lá que daqui a pouco todo mundo esquece.
Tentar a condenação dos EUA, com baixa probabilidade de sucesso, em foros internacionais, e depois enfrentar as retaliações econômicas, políticas e sociais dos norte americanos.

Tentar impedir novas ações de Inteligência, não só dos EUA, mas de qualquer outro país que deseje algo do Brasil, como conhecimentos de biotecnologia, por exemplo, e somar mais um fracasso à vasta coleção nacional de insucessos petistas, pois o país não dispõe de estruturas de Inteligência para deter processos dessa magnitude. Com algum esforço, nossos abnegados operadores de Inteligência podem chegar a produzir conhecimentos de alguns aspectos da vida nacional.

Se as ações vierem revestidas de suporte tecnológico avançado então, aí o fracasso nacional será retumbante, pois não se domina, no país, tecnologias de 5ª geração, em estado da arte, para impedir qualquer operação de Inteligência com esse tipo de emprego de meios. A mídia está dando ouvidos a vários especialistas em Inteligência, alguns até falando em ter cuidado com senhas em computadores pessoais. Piada! Seria engraçado, se não fosse trágico. Basta pensar um pouco.

O Brasil não tem um satélite nacional sequer. Uéh, basta lembrar das privatizações “psdbistas”, para que não seja dito que só falo dos petistas. O país depende, para suas comunicações via satélites, de equipamentos privados, com nível de segurança muito aquém das ameaças, todos operados por companhias transnacionais. Aliás, cabe a pergunta, existe alguma operadora nacional de telefonia?

O país está pagando pelo descaso, pela incúria, pelo despreparo, pela falta de humildade, e pela arrogância (redundância proposital), para parar por aqui, de sucessivos governos, pós 1985, que nunca pensaram além dos próprios intestinos, ignorando o porte estratégico deste imenso Brasil, enquanto dilapidavam o patrimônio nacional.

Mas, “o tempo histórico se faz contra nós”, no dizer de Celso Furtado, em um estudo sobre o Brasil (**), o qual contou com um ministro petista, então oposição, entre seus formuladores.

Em Inteligência é preciso jogar o jogo! Poucos sabem fazer isso.

(*) Nye Jr, Joseph. O futuro do poder.

(**) Brasil para um projeto de consenso.

*Marco Antonio dos Santos é empresário e professor universitário.
Comissão da Câmara convidará jornalista e autoridades para esclarecer denúncias de espionagem

Agência Brasil - 10/07/2013

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira um convite para que o embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon, esclareça as denúncias de espionagem eletrônica no Brasil por agências americanas.

Shannon não será o único convidado a dar explicações. Também serão chamados os ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, da Defesa, Celso Amorim, da Justiça, José Eduardo Cardoso, das Comunicações, Paulo Bernardo, e o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, José Elito.

Na lista estão ainda os diretores das agências Brasileira de Inteligência (Abin) e Nacional de Telecomunicações (Anatel), da Polícia Federal, e da Telebrás, além do colunista Glenn Greenwald, do jornal britânico The Guardian, que divulgou as denúncias feitas pelo consultor em informática Edward Snowden, segundo o qual a Agência Nacional de Segurança Norte-Americana (NSA, na sigla em inglês) manteve escritórios no Brasil para monitorar a comunicação de empresas e de brasileiros.

Nessa terça-feira, o plenário da Câmara aprovou, por 292 votos a 86 e 12 abstenções, moção proposta pelo PT e assinada pelos líderes do PMDB, do PV, do PSOL e do PCdoB de repúdio ao governo dos Estados Unidos contra a espionagem de agências norte-americanas de inteligência sobre empresas e pessoas brasileiras.
Para prevenir espionagem e preservar o País, Deputado pede a total retomada do papel da Telebras

Insight - Laboratório de Ideias - 10/07/2013

Em discurso no dia 09 de julho no plenário da Câmara dos Deputados, o Deputado Federal Fernando Ferro se posicionou de maneira incisiva pela retomada do papel da Telebras como um garantia contra a espionagem estrangeira.

Leia o discurso:

"Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o escândalo de espionagem, que já foi abordado aqui por vários Deputados, revela um dado estarrecedor. É a possibilidade da constituição de um governo mundial.

Vejam bem o que foi aprovado no Congresso dos Estados Unidos. Para investigar um cidadão americano, para espionar um cidadão americano, é necessária uma decisão judicial lá nos Estados Unidos. Agora, para investigar qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, não é necessária uma autorização judicial. Esse é um escândalo sem precedentes, e não se pode aceitá-lo como natural.

Esse cidadão, Edward Snowden, é um benfeitor da humanidade. Denunciar esse esquema de arapongagem internacional foi uma benfeitoria para o mundo. E nós, que usamos Facebook, Skype, UOL, Apple, estamos com nossos dados disponíveis para interesses americanos. Há um risco na espionagem militar, na espionagem industrial, na espionagem científica, na espionagem comercial e nas questões individuais. Todos são suspeitos de serem terroristas no mundo contra os Estados Unidos. É essa a lógica que está aí colocada.

E por que isso aconteceu? Porque foi entregue a rede mundial a um país. O Brasil, quando privatizou as suas telecomunicações, o seu satélite permitiu, por exemplo, que as informações das nossas Forças Armadas passem pelo sistema da TIM, pelo sistema da EMBRATEL, que são multinacionais. Ou seja, não há segredo nas nossas forças militares. Nós estamos vulneráveis.

O Brasil precisa construir um sistema de satélite próprio para se preservar, para ter condições de avançar como um país livre e soberano. Todos estamos sob controle. Isso é uma vergonha. Até 2002 existia aqui no Brasil um escritório da CIA, que patrocinava e promovia essa espionagem, no Governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso, com concessão do Governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso. Esse é um escândalo sem precedentes.

Precisamos retomar o papel da TELEBRAS, precisamos construir ciência e tecnologia na área de Telecomunicação e temos que ter satélite geoestacionário para permitir que as nossas informações e a nossa segurança nacional sejam minimamente garantidas neste momento em que o mundo ficou sob o controle, mais do que nunca… Todos nós já sabíamos do poderio militar americano, da sua capacidade de intervenção no mundo, agora isso acontece no dia a dia. O pior tipo de guerra é a guerra silenciosa que aniquila as informações de um país. Qualquer conta bancária, qualquer segredo comercial, qualquer segredo industrial são vulneráveis aos interesses da máquina de espionagem americana denunciada pelo Sr. Snowden".

terça-feira, 9 de julho de 2013

As grandes lambanças

Jornal do Brasil - Mauro Santayana - 09/07/2013

O caminho encontrado pelos Estados Unidos para ampliar a sua espionagem no mundo pode ser definido com um vocábulo bem brasileiro: tratou-se e se trata de uma grande lambança. Dominada a República pelo fundamentalismo mercantil (a expressão é de Celso Furtado), o governo de Washington, já a partir de Bush, terceirizou a mais grave obrigação dos estados nacionais — a segurança de suas fronteiras e de seus povos. Depois de contratar mercenários para os combates, passou a contratá-los para definir a estratégia internacional do país.

Espionar os eventuais inimigos é uma prática universal, desde que se desenharam as fronteiras políticas. Os espiões têm que ser recrutados com extremo cuidado a fim de que se garanta a sua lealdade. Ainda assim, os riscos são imensos, porque não há só a espionagem; existe também a contraespionagem. Por isso mesmo, o mais famoso agente-duplo do mundo, o britânico Harold Russel Kim Philby, que chefiava uma das seções mais poderosas do M-16, era também o chefe da espionagem soviética no Reino Unido. Philby deu um sério conselho aos jovens que sonham com o romantismo e as emoções da espionagem: trabalhassem sempre por dinheiro, porque nunca saberiam a que país estariam servindo realmente.

Contratar empresas privadas para cuidar da segurança nacional pode ter sido a principal lambança de Washington, mas não foi a única. E contratar exatamente a Booz Allen pode ter contribuído para que a lambança fosse ainda maior, já que, seguramente a veracidade e a qualidade das informações recolhidas, e dos serviços prestados, certamente não devem ter sido de muita ajuda à Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos.

Por falar nisso: há alguns anos, essa mesma Booz Allen, que levou 25 milhões de dólares do governo Fernando Henrique, para identificar “os gargalos” regionais que impediam o desenvolvimento do país, foi encarregada de planejar a reforma do Serviço de Promoção Comercial do Itamaraty. A empresa apresentou o seu projeto, seguido à risca pelo governo: reduzir ao máximo os funcionários contratados e as atividades do setor, de forma a eliminá-lo, na prática. Seguramente essa conclusão interessava aos Estados Unidos. As embaixadas e os consulados americanos, pelo mundo afora, têm duas tarefas primordiais: espionar e exercer o seu papel de braço avançado do comercio exterior. E de ponta de lança de suas multinacionais.

A obsessão norte-americana pelo controle do mundo, mediante seus agentes, e da corrupção de servidores dos países periféricos, torna seus serviços de inteligência altamente vulneráveis. É impossível fiar-se na fidelidade 35 mil pessoas, entre servidores de carreira e pessoal contratado, no caso, pela Booz Allen, para colher informações e propor providências ao Poder Executivo.

Sabemos, agora, que somos um dos países mais vigiados pelos norte-americanos. Aos nossos protestos, eles respondem com a mesma cantilena: irão entender-se com os “parceiros e aliados” mediante os canais diplomáticos usuais.

Diante dos fatos, cabe-nos agir com lucidez e urgência... Se é impossível blindar as comunicações eletrônicas, vulneráveis aos hackers, oficiais ou não, e a satélites espiões, devemos, pelo menos, criar um sistema autônomo para as comunicações oficiais brasileiras. Não podemos continuar usando satélites alugados para o tráfego de nossas comunicações, entre elas, as telefônicas. Devemos fortalecer com rapidez a nossa Telebrás. Devemos adquirir, de fornecedor confiável (melhor seria se fosse de um dos Brics), sistema de satélites próprios, para que sejam operados por oficiais brasileiros.

Temos que desenvolver, com parceiros confiáveis, até mesmo no âmbito dos Brics, sistemas satelitais, de rádio e cabo, próprios. Em momentos como estes vê-se a falta que faz uma empresa estatal de telecomunicações própria. Essa companhia existe, e se chama Telebrás. Havia uma companhia que cuidava de nossos próprios satélites, a Embratel, que foi entregue ao mexicano Slim. A Telebrás foi esquartejada e seu mercado entregue aos estrangeiros.

Há outro fato, da mesma ou de maior gravidade: os Estados Unidos mantiveram (ou ainda mantêm?) um sistema de rastreamento das comunicações de satélites em Brasília, ao que se informa sem o conhecimento das autoridades brasileiras.

De passo em passo, de desastre em desastre, a credibilidade dos Estados Unidos despenca. Eles continuam a ser temidos. Mas deixaram de ser confiáveis.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Telebras e Arsat estariam próximas de interconectar suas redes

Insight - Laboratórios de Ideias - 08/07/2013

Segundo o boletim BNAmericas, em publicação do último dia 05, o próximo passo no futuro anel de fibra ótica sul-americano será a interconexão entre as redes da Telebras e da empresa argentina Arsat.

O anel óptico sul-americano

A construção do anel óptico foi estabelecida como uma prioridade pelos ministros das Comunicações dos países sul-americanos. Isso porque a solução vai possibilitar a seus cidadãos uma conexão mais rápida a preços mais baixos.

Atualmente, o caminho percorrido pelos dados numa simples conexão à internet é extenso e caro: se um internauta do Brasil acessa um site do Chile, por exemplo, a conexão segue até um servidor nos Estados Unidos, via cabos submarinos, para, então, voltar ao Chile. Com o anel óptico interligando os países sul-americanos, o tráfego circulará diretamente entre as redes locais.
Em 18/06/2013 foi inaugurado em Santana do Livramento (RS)  o que está sendo chamado de o primeiro caminho digital binacional, a integração das redes de telecomunicações entre o Brasil e Uruguai, o primeiro passo para a implantação efetiva do anel óptico entre os países da América do Sul. A rede comum foi resultado de parceria da Telebras com a Antel, empresa de telecomunicações do país vizinho.

Segundo o  ministro das Comunicações, Paulo  Bernardo,  que  participou  da inauguração, "o caminho está aberto para nos conectarmos com os países vizinhos e assim avançarmos para a grande interligação entre os países da fronteira".
Nota do Insight - Laboratório de Ideias: Essa espionagem é favorecida pelo fato de que, atualmente,  um e-mail do Brasil para o Uruguai, por exemplo, ao invés de apenas cruzar uma fronteira, precisa seguir até os Estados Unidos e então seguir seu destino. Com a construção da rede de cabos submarinos, do satélite geo-estacionário e do anel ótico sul-americano - todos geridos pela Telebras, boa parte das informações, estratégicas ou em claro,  não mais precisará passar pelos Estados Unidos.


'Brasil é um grande alvo', diz jornalista sobre vigilância dos EUA


Documentos revelados neste fim de semana mostram que o governo dos Estados Unidos espionou milhões de telefonemas e emails de brasileiros.
Fantástico - Edição do dia 07/07/2013
 
[Clique na imagem abaixo para assistir o vídeo]
Documentos revelados neste fim de semana mostram que o governo dosEstados Unidos espionou milhões de telefonemas e emails de brasileiros. A notícia põe o Brasil como mais uma conexão da rede de espionagem americana no mundo, que vem sendo denunciada pelo ex-técnico da agência de segurança nacional dos Estados Unidos Edward Snowden.

A informação, manchete da edição deste domingo do jornal "O Globo", foi obtida por um jornalista que recebeu os documentos e vem divulgando todas as denúncias de Snowden. O jornalista se chama Glenn Greenwald, mora no Brasil e foi entrevistado pela repórter Sonia Bridi.
Numa casa cercada de verde, no Rio de Janeiro, o jornalista americano Glenn Greenwald, que escreve para o jornal inglês "The Guardian", desvenda aos poucos os cinco mil documentos que estão abalando o governo Obama e as relações diplomáticas americanas com vários países. Greenwald mora no Brasil há oito anos.
Ele recebeu os documentos de Edward Snowden, um ex-técnico de uma empresa contratada pela NSA, a agência de segurança nacional dos Estados Unidos.
“Ele estava sendo treinado para saber como invadir os sistemas do outro país. E também ele está cuidando do sistema americano. Ele foi autorizado para saber muitas coisas que o governo está fazendo. Ele me mandou um e-mail dezembro de 2012 falando que ele tinha documentos”, conta Greenwald.
Quatro meses de conversas pela internet até marcar o encontro pessoal. Foi no começo de junho, em Hong Kong.
“E o primeiro dia quando cheguei a Hong Kong, eu o encontrei no hotel onde ele estava ficando e ele me deu um "pendrive" com dois mil documentos mais ou menos. E eu não dormi naquela noite e comecei escrevendo os artigos quase que imediatamente", recorda.
Foi só o começo. Nestes pendrives - que tem cópias em lugares seguros – estão, ao todo, cinco mil documentos que Snowden entregou a Greenwald ao longo de 11 dias.
Fantástico: E quantas vezes você encontrou com ele nesse período de Hong Kong?
Greenwald: Todo dia. Todo dia ficamos juntos por cinco, seis, sete horas.
Fantástico: Ele tinha consciência de que depois de entregar esses documentos ele seria um homem procurado no mundo inteiro?
Greenwald: Com certeza.
No quarto de hotel em Hong Kong, Greenwald gravou uma entrevista com Snowden. Ele explica por que decidiu divulgar a rede de espionagem americana.
“Quando você vê toda a informação, você percebe que algumas dessas coisas são abusivas. Sou só um cara normal que senta todos os dias para trabalhar, vê o que acontece e pensa: "Eu não estou em posição para decidir, o público precisa decidir se usar esses programas é correto ou não", disse Snowden na entrevista.
De volta ao Rio, Greenwald garimpou os arquivos. Há um mês, publicou no "The Guardian" os documentos mostrando como a NSA espiona os cidadãos americanos, coletando bilhões de dados de ligações telefônicas e comunicações via internet.
Em seguida, foi a vez de mostrar como a NSA espiona outros países. China, Alemanha, França. Houve uma reação internacional. Os americanos pediram ao governo chinês a extradição de Snowden, acusado de traição.
Fantástico: Quando foi o último contato de vocês?
Greenwald: O dia que ele saiu Hong Kong. Eu não falei com ele desde aquele dia.
Snowden conseguiu embarcar para a Rússia e estaria há mais de uma semana na área internacional do aeroporto de Moscou, esperando asilo político em algum país.
Fantástico: Você acredita que ele está mesmo na Rússia?
Greenwald: Eu não sei, mas eu acho que sim.
Nesta semana, o presidente da Bolívia, Evo Morales, voltava para casa depois de uma visita à Rússia. Alguns países europeus proibiram que o avião presidencial sobrevoasse seus espaços aéreos. Morales foi forçado o pousar na Áustria, quase sem combustível. Tudo porque havia a suspeita de que Snowden estivesse a bordo. O presidente Morales só pode retomar a viagem depois de 13 horas na Áustria.
E agora os documentos vazados por Snowden apontam que o Brasil também é alvo da espionagem americana.
Fantástico: Os brasileiros também estão sendo espionados?
Greenwald: Com certeza.  Muitas. O governo americano está fazendo espionagem para todo mundo. Mas com o Brasil tem várias razões, que é um alvo grande. Eles estão coletando uma quantidade muito grande desse país - o sistema brasileiro. Eles estão coletando mais do que quase outro país, mas com certeza do que outro país da América Latina, mas quase mais do que todos os outros países no mundo todo. Sem discriminação. Todo dia tem milhões de e-mails e milhões de ligações que eles estão coletando. Informação para quem você ligou, quem está ligando para você, para quem você está mandando e-mail, recebendo e-mail, quanto tempo você está falando. Eles estão manipulando o sistema brasileiro e temos muitos documentos que mostram isso.
Os documentos foram publicados na edição deste domingo do jornal “O Globo”, em reportagem assinada por Roberto Kaze, José Casado e o próprio Glenn Greenwald. E mostram que milhões de brasileiros ou estrangeiros em trânsito pelo Brasil, além de empresas instaladas aqui, se tornaram alvo da espionagem da NSA.
Não há evidência de que as conversas tenham sido ouvidas - que houve grampos a pessoas específicas. Mas é um registro massivo de ligações - o número que chamou, o número chamado, o tempo da ligação e, se for de celular, onde cada um estava no momento da conversa. No caso de comunicação por email ou redes sociais, fica registrado também o número do IP - a identidade do computador. Assim, a agência, se quiser, pode invadir o computador e retirar todas as informações armazenadas nele.
Documentos super secretos mostram onde estão instalados, pelo mundo, os sistemas de monitoramento de um programa batizado de X-Keyscore. Um mapa da NSA confirma que o Brasil está entre os países espionados por esse programa, que detecta a atividade de estrangeiros no país, através do idioma usado na comunicação - por telefone ou email.
Mas afinal, por que os americanos vigiam tanto o Brasil? Uma explicação pode estar na maneira como comunicação trafega pelo mundo.
Greenwald: Não temos acesso ao sistema da China, mas temos acesso ao sistema do Brasil. Então estamos coletando o trânsito do Brasil não porque queremos saber o que um brasileiro está falando para outro brasileiro, mas porque queremos saber que alguém na China está falando com alguém na Irã, por exemplo.
“Qualquer analista, a qualquer momento, pode espionar qualquer pessoa em qualquer lugar. Sentado na minha mesa, eu tinha a capacidade de grampear qualquer um, desde você até seu contador, até um juiz federal ou o presidente”, revelou Snowden, na entrevista a Greenwald.
Com outro programa de espionagem, chamado de Prism, a NSA acessa os servidores de grandes empresas de internet no mundo, como Google, Facebook e Skype. Nos Estados Unidos, as três empresas disseram que só fornecem informações ao governo sob ordem judicial.
“Temos uma lei que fala: o governo americano não pode coletar informação, ou comunicações, dos americanos sem um tribunal. Então, se eles querem coletar ligações, e-mails, dos americanos ou cidadãos americanos, eles precisam ir para tribunal mostrar evidência que a pessoa é suspeita de estar trabalhando com terroristas. Para estrangeiros, todas as outras pessoas no mundo que não são americanos, eles não precisam de nenhuma permissão do tribunal”, explica Greenwald.
Os documentos não deixam claro quantas e quais empresas de telecomunicações brasileiras têm seus dados sendo redirecionados pelas empresas americanas para a central de operações da NSA. E nem se essas empresas brasileiras sabem que isso está acontecendo.
As empresas brasileiras de telefonia e internet têm parceria operacional com as americanas - isso é normal, permite ligações internacionais, por exemplo. Mas segundo Greenwald, permite acesso das empresas americanas aos dados do sistema de comunicações do Brasil. Dados que estariam sendo transferidos para a NSA.
A central da NSA, que fica em Utah, nos Estados Unidos, armazena os dados por um ano, segundo Greenwald.
Fantástico: Eles podem, por exemplo, fornecer dados sobre uma empresa brasileira para um concorrente americano?
Greenwald: Por exemplo. Ou também, por exemplo, se você é jornalista, você começa fazendo investigação sobre o governo dos Estados Unidos. Eles podem a qualquer hora invadir o seu computador. Se você pergunta ao governo americano sobre qualquer coisa que eles estão fazendo em segredo, eles vão sempre falar: estamos fazendo isso porque queremos proteger nossos cidadãos contra terroristas, queremos saber o que as pessoas más estão fazendo. É a desculpa que eles usam para tudo.
Nos mapas da NSA, vazados por Snowden, que ilustram com cores a quantidade de mensagens e ligações rastreadas, o Brasil aparece em vermelho. O Brasil é o mais vigiado da América Latina. Estes mapas trazem a data de março deste ano. O Brasil está atrás apenas dos Estados Unidos, que teve dois bilhões e 300 milhões de mensagens e ligações interceptadas. 
Fantástico: São milhões de dados gerados todos os dias. A gente viu, por exemplo, o caso do atentado em Boston. Apesar de eles terem um aviso do governo russo de que um suspeito estava envolvido com grupos terroristas, eles não foram capazes de seguir e impedir que esse atentado acontecesse. Qual é a capacidade de análise realmente e de ação a partir desses dados?
Greenwald: É um pouco irônico, porque o problema foi que eles tiveram informação demais e eles não podem conectar essa informação. Porque eles não conseguiram ler todas as coisas. Você tem bilhões de e-mails todos os dias, como eles estão gravando agora. É impossível saber exatamente o que você está coletando. E para mim é muito claro que o objetivo não é para impedir o terrorismo, mas para aumentar o poder de governo americano.
Ainda há muitos documentos vazados por Snowden. Alguns serão publicados pelo jornal O Globo numa nova reportagem nesta segunda-feira. O próprio Greenwald ainda não pode avaliar o teor de todas as informações que recebeu de Snowden. Mas sabe que elas são suficientes para que o governo americano se esforce  para botar na prisão o técnico que trabalhava para a NSA, a agência de segurança nacional americana, e que hoje é considerado pela Casa Branca um traidor da pátria.
Fantástico: Ele está preparado para se esconder durante muito tempo?
Greenwald: Ele é preparado para esconder, ele é preparado para morar em outro país, ele é preparado para ficar o resto da vida dele na prisão.
Fantástico: Na prisão também.
Greenwald: Com certeza. Ele sabe que é um risco muito grande.