sexta-feira, 17 de maio de 2013

Acordo entre MiniCom e empresa pública de logística garante mais redes ao PNBL


O compartilhamento com a EPL vai ajudar na criação do Observatório Nacional de Transporte e Logística

Tele.Síntese - 17/05/2013

O Ministério das Comunicações assinou acordo de cooperação com a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) para o compartilhamento de redes da entidade e as utilizadas no Programa Nacional de Banda Larga. Para o MiniCom, as redes devem ser usadas para expandir o alcance do PNBL. Para a EPL, o compartilhamento vai ajudar na criação de um Observatório Nacional de Transporte e Logística.

O observatório vai servir para a criação de um sistema de monitoramento que vai auxiliar na identificação do transporte de cargas no país, na fiscalização mais precisa e integrada dos órgãos de governo e na criação de um banco de dados do fluxo de mercadorias no país. “Além disso, vai facilitar a definição de políticas públicas para esse setor, especialmente que contemplem a integração dos diversos modais de transportes”, disse o diretor de Banda Larga do MiniCom, Artur Coimbra.

Também devem ser utilizadas nas iniciativas do MiniCom e da EPL as redes de fibra ótica que vão ser construídas junto com rodovias. Editais de concessão como o da ferrovia entre Açailândia, no Maranhão, e o Porto de Vila do Conde, no Pará, já trazem a previsão de construção de redes junto com as estradas.

A EPL é uma empresa vinculada ao Ministério dos Transportes responsável por estruturar e qualificar o planejamento da infraestrutura de logística no país, interligando rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Defesa quer 'pedaço' da faixa destinada ao serviço 4G no país

Folha de São Paulo - 16/05/2013

O Ministério da Defesa é o mais novo concorrente na disputa, com as teles, por espaço na faixa de frequência de 700 MHz, destinada ao serviço de banda larga de alta velocidade (4G) no país.

A intenção da pasta é usar parte desse espaço para implantar um sistema exclusivo de tráfego de voz, dados e imagem para fortalecer os serviços de segurança pública do país, dispensando a contratação de operadoras. O modelo permitiria, por exemplo, a transmissão, em tempo real, de imagens das áreas monitoradas em capitais ou regiões de fronteira do país, em um ambiente exclusivo de comunicação.

O pedido da Defesa foi protocolado na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e agora será submetido à área técnica e ao conselho diretor da agência. Se o pedido for acatado, o atual regulamento de uso da faixa precisará ser alterado.

Além de bater de frente com os objetivos das teles, que teriam menos espaço para operar o 4G, a ocupação da faixa com sistemas do Exército e das polícias também desagrada parte do governo.

A Folha apurou que não há disposição do Ministério das Comunicações em alterar o atual planejamento, que divide a faixa de 700 MHz apenas entre as teles. Como alternativa, o ministério propõe que o serviço da Defesa seja criado só nas áreas de fronteira, onde o interesse das teles é pequeno. Outra alternativa é disponibilizar uma nova frequência para atender Forças Armadas e órgãos de segurança.

O uso de uma nova faixa, porém, tende a encarecer e atrasar o projeto da Defesa, que já desenvolveu um modelo piloto em parceria com a Motorola Solutions.
"É um desafio de engenharia fazer o mesmo sistema operar em outra frequência", afirmou o diretor de Estratégias da empresa, Bruno Nowak. "O que propusemos já existe e é usado em outros países. Leva tempo desenvolver uma nova tecnologia, em média cinco anos."

A Defesa pleiteia espaço na faixa de 700 MHz desde o ano passado, quando ainda estava em elaboração na Anatel o relatório de viabilidade técnica e a destinação dos possíveis lotes da faixa.



ENTENDA A FREQUÊNCIA DE 700 MHZ Faixa é usada hoje pelas emissoras de TV e será destinada para a internet 4G
ENTENDA A FREQUÊNCIA DE 700 MHZ Faixa é usada hoje pelas emissoras de TV e será destinada para a internet 4G
Internet ainda está longe de ser instrumento de inclusão

Convergência Digital - 16/05/2013

Apesar do crescimento, a internet ainda não pode ser vista como um instrumento de inclusão social e digital. De acordo com números apresentados pelo Cetic durante a 7a edição do evento “Desafios e Oportunidades para os Provedores de Internet SVA e SCM, que acontece em São Paulo esta semana, os acessos e os provedores brasileiros ainda estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste.

De acordo com o gerente do Cetic, Alexandre Barbosa, a medição iniciada pelo órgão em 2005, em parceria com o IBGE, mostra que a concentração continua. Os dados apresentados nesta quinta-feira, 16, são ainda de 2011, mas o especialistas afirmou que as tendências apontadas não estão muito longe dos dados de 2012, que serão divulgados em junho.

“A internet reflete a concentração econômica do País. Hoje, 43% dos cerca de dois mil provedores de internet brasileiros estão concentrados na região Sudeste”, disse. Na outra ponta, a região Norte responde pela menor concentração, com apenas 120 provedores.

A mesma discrepância, ressaltou Barbosa, se reflete nas tendências de acesso: 49% dos domicílios brasileiros conectados à internet estão na região Sudeste, sendo a grande maioria já com banda larga. Os percentuais altos continuam na região Sul (45%) e Centro-Oeste (39%). Mais uma vez, as regiões Norte e Nordeste respondem por 22% e 21%, respectivamente.

“E a concentração não é apenas geográfica. Ela também existe nas classes sociais”, ressaltou. Não por acaso, 96% da classe A brasileira tem acesso à internet. Na B, esse índice é de 76%, e na C, 35%. Mais uma vez, as classes De E surgem distantes, com 5% de seus membros com acesso à internet. “O custo é a principal barreira apontada por esses usuários. É algo sobre o que precisamos pensar nos próximos anos”, disse Barbosa.
De 2005 a 2011, número de internautas cresce 143,8% e o de pessoas com celular, 107,2%, vê IBGE

Tele.Síntese - 16/05/2013

O contingente de pessoas de 10 anos ou mais de idade que utilizaram a internet aumentou 143,8% e o das que tinham telefone móvel celular para uso pessoal cresceu 107,2%. É o que mostram os resultados do suplemento “Acesso à internet e Posse de Telefone Móvel Celular para Uso Pessoal” da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2011, divulgada nesta quinta-feira (16) pelo IBGE. Nesse período, o crescimento da população nessa faixa etária foi de 9,7%.

Segundo a pesquisa, em 2011, 77,7 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade (46,5% do total) haviam acessado a internet nos três meses anteriores à coleta da PNAD. O acesso à internet continuava sendo maior entre os jovens, especialmente nos grupos etários de 15 a 17 anos (74,1%) e de 18 ou 19 anos de idade (71,8%).

Na análise da escolaridade dos internautas, observou-se que, de 2005 para 2011, no grupo dos sem instrução e com menos de quatro anos de estudo, o percentual passou de 2,5% para 11,8%. No mesmo período, no grupo com 15 ou mais anos de estudo, a estimativa aumentou de 76,1% para 90,2%.

Na série histórica, os percentuais de internautas aumentaram em todas as classes de rendimento mensal domiciliar per capita, especialmente nas mais baixas: no grupo sem rendimento e com até ¼ de salário mínimo, o percentual de pessoas que acessaram a internet aumentou de 3,8% em 2005 para 21,4% em 2011; no grupo de mais de ¼ até metade do salário mínimo, ele foi de 7,8% para 30%, no grupo de ½ a um salário, de 15,8% para 39,5%. Em todos os anos pesquisados, o percentual de internautas foi maior na classe de rendimento de três a cinco salários mínimos, ultrapassando, inclusive, a classe de cinco ou mais salários mínimos.

Em 2011, 115,4 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade (69,1%) tinham telefone móvel celular para uso pessoal (contra 55,7 milhões, ou 36,6% do total nessa faixa etária, em 2005). O percentual de mulheres que tinham telefone móvel celular para uso pessoal ultrapassou o de homens pela primeira vez em 2011: 69,5% das mulheres (60,3 milhões) tinham o aparelho, contra 68,7% dos homens (55,2 milhões).

Telebras convoca primeiros aprovados no concurso público

Telebras - 16/05/2013

Brasília, 16 maio 2013 – A Telebras divulga hoje em seu site o edital com a lista dos 25 primeiros convocados, aprovados no concurso público realizado em março. O prazo para o comparecimento à empresa é de dez dias corridos, a contar de hoje, data de publicação do Edital de Convocação nº 7 no Diário Oficial da União.

A lista com a documentação necessária para a contratação também já está disponível no site aos interessados, além de um email para sanar eventuais dúvidas.

De acordo com a Gerência de Gestão de Pessoas, dos 25 candidatos convocados, três serão lotados na Presidência, 13 na Diretoria Técnica Operacional, seis na Diretoria Comercial e três na Diretoria Administrativo-Financeiro e de Relações com Investidores.

Esse foi o primeiro concurso realizado pela Telebras após a reativação da estatal em maio de 2010. O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos, da Universidade de Brasília, (Cespe/UnB) foi a empresa contratada para a realização das provas.
Reunião com Telebras deve definir polo de Fortaleza

Reunião entre Prefeitura de Fortaleza e Telebras deve acontecer hoje ou amanhã. Para AJE, equipamento contribuiria com desenvolvimento da área leste da Cidade

O Povo - 16/05/2013

Um encontro marcado para esta semana entre a Prefeitura de Fortaleza e a Telebras, com data a confirmar, pode definir os trâmites à implantação do Polo de Tecnologia da Informação na Praia do Futuro. De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SDE), a ideia é que durante o encontro sejam consolidadas tanto as discussões sobre um possível centro de dados quanto à inclusão de três novos cabos oceânicos de fibras óticas.

Para Marcus Vinícius, coordenador geral da Associação de Jovens Empresários, a atração deste empreendimento tem sido o grande projeto trabalhado pela entidade. O momento, segundo Vinícius, requer uma união de esforços, não só do município, mas de outras esferas como a iniciativa privadas, entidades de classe e Instituições de Ensino Superior. “Cada um da sua contribuição para atingirmos esse objetivo em comum”.

Conforme o empresário, o ganho real será também da região onde o equipamento viria a ser instalado. Com sua natureza mista, o parque poderia, segundo Vinícius, atrair investimentos para a área leste da cidade. “Teremos a instalação de hotéis e toda uma cadeia produtiva envolvendo as pessoas que estarão trabalhando no parque tecnológico”, ressaltando a revitalização da Praia do Futuro como uma das consequências da ação.

Essas melhorias, na visão de Robinson de Castro, titular da SDE, complementam o plano de se conseguir a atração de grandes empresas no Ceará, de modo que estas tragam toda sua cadeia de clientes. “O que temos hoje é apenas um incentivo fiscal e isso é muito pouco para os nossos desafios”, reforça o secretário, reafirmando o claro interesse da Telebras em se instalar em Fortaleza, independente da viabilização do parque tecnológico.

Robinson afirma que a pasta está organizando um plano de negócios que crie as condições de infraestrutura necessárias às empresas que poderiam se instalar no parque. Técnicos da SDE visitaram o Parque Tecnológico de Andaluzia, na Espanha, para que ele sirva de modelo ao polo de tecnologia de Fortaleza. A receita do equipamento catalão chega a 1,5 bilhão de euro ao ano.

ENTENDA A NOTÍCIA

O Polo de Tecnologia de Fortaleza está previsto para a Praia do Futuro, de onde partem cabos de fibra ótica. A ratificação do local de implantação, entretanto, depende da reunião com a Telebras

O que diz a lei
De acordo com o artigo 21 da Lei nº 9.585 de 30 de novembro de 2009, que dispões sobre a criação dos Polos Tecnológicos de Fortaleza, será concedida redução de 80% no valor do Imposto sobre Transmissão Inter-Vivos de Bens Imóveis (ITBI) sobre a aquisição de imóveis situados nos parques tecnológicos e culturais desde que o comprados seja contribuinte inscrito no PTFor e utilize o imóvel exclusivamente para atividade-fim da empresa.

Segundo o artigo 23, como contrapartida aos benefícios oriundos do PTFOR, os contribuintes inscritos no programa deverão admitir e manter como estagiários alunos inscritos nos cursos de formação e qualificação tecnológica promovidos ou credenciados pela Prefeitura de Fortaleza, na proporção mínima de um estagiário para cada dez empregados.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Contrapartidas do leilão de 700 MHz vão resolver deficiência de backbone nacional, diz Bernardo

Teletime - 15/05/2013

O leilão da faixa de 700 MHz será uma ferramenta importante para o governo colocar em marcha a segunda versão do Plano Nacional de Banda Larga, também chamado de PNBL 2.0, que tem o objetivo de universalizar a banda larga. Para isso, é preciso ampliar as redes de backbone e backhaul. Nos cálculos do ministério, 1,8 mil municípios não têm backhaul em fibra, fora umas 200 cidades que não são "alcançáveis" por rede terrestre, e o governo pretende preencher parte dessa lacuna com as contrapartidas do leilão da faixa de 700 MHz.

“Nós já temos simulações que mostram que cabe no mínimo (nas contrapartidas da faixa de 700 MHz) todo o backbone que nós queremos fazer”, afirmou a este noticiário o ministro Paulo Bernardo. Nas estimativas já apresentadas à presidenta Dilma Rousseff, o plano desenhado para 10 anos consumiria recursos da ordem de R$ 127 bilhões, sendo que R$ 27 bilhões seria destinado à parte de backbone. O restante é para o backhaul e para levar a fibra dentro dos municípios, nas tecnologias FTTH (fiber to the home) ou FTTC (fiber to the curbe) - conforme o caso.

O ministro explica, contudo, que esse valor na contrapartida da faixa é menor. “Mas eu não estou falando de R$ 27 bilhões (em contrapartidas). Estou falando de alguma coisa que é o valor presente disso, o VPL desse negócio. Porque a empresa vai implantar, mas ela vai ter receita”, disse ele. Além da construção do backbone, as contrapartidas da faixa de 700 MHz devem ser compostas de obrigação de cobertura das principais rodovias e o custo de antecipação da migração da radiodifusão para a TV digital e limpeza do espectro.

Já em relação ao backhaul – que Bernardo chama de redes vicinais – o governo vai intervir onde a demanda do mercado não estimula as empresas a construírem as redes.

Essa intervenção governamental dentro do PNBL 2.0 acontecerá através da Telebras, que vai construir redes onde as empresas não têm interesse, a exemplo do que está sendo feito no Norte do País, e através de financiamento público. Está prevista para junho a conexão da rede estadual de Rondônia ao backbone da Telebras e para setembro a empresa deve chegar ao Acre.

De qualquer forma, o governo ainda não sabe qual o tamanho da conta que vai ficar com o governo e quanto ficará com as empresas. “O dinheiro nós vamos conseguir, porque ela (a presidenta) já disse que vai arrumar. Vou levar a conta. Se for financiamento, com certeza diminui a nossa conta. Posso dar financiamento para a empresa pagar em vários anos, tenho que considerar que ela vai ter receita, então o subsídio pode ser menor”, afirma. Ele disse que o uso do Fust é complicado porque requer mudança na Lei, e descartou a possibilidade de não antecipar a licitação de 700 MHz, como pedem as empresas de telecomunicações.
PNBL 2.0: investimento das teles será abatido de licitações

Convergência Digital :: 14/05/2013

Quando apresentar a proposta para levar o acesso à banda larga a 90% dos domicílios – que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, chama de PNBL 2.0, o projeto terá metas escalonadas para três e cinco anos a partir do início, que ele espera signifique a partir de 2014.

Segundo Bernardo, o projeto vem sendo desenhado de forma a contar com recursos públicos, financiamentos subsidiados e investimentos privados incentivados por editais de frequências – tudo para chegar nos cerca de R$ 125 bilhões que, calcula o Minicom, será preciso para levar fibras ópticas a quase todos os municípios do país.

Apesar de contar necessariamente com infraestruturas a serem construídas pelas operadoras privadas, em essência o projeto fará uso de recursos públicos, seja na forma de aportes diretos, como aqueles via Telebras; de financiamentos com juros subsidiados, a exemplo do que o BNDES oferece para diferentes setores da economia; e na precificação de obrigações a serem previstas em leilões.

“É consenso que vamos trocar obrigações por infraestrutura. Por exemplo, houve uma estimativa de que a oferta de acesso na faixa de 450 MHz custará R$ 9 bilhões. Dessa forma faremos estimativas da necessidade de investimentos [de metas de licitações] a serem abatidas do preço final”, detalhou o ministro.

Ao incluir a Telebras nos investimentos – afinal, a origem do PNBL – Bernardo inclui tanto a rede de fibras como o esperado satélite geoestacionário – ainda com alguma perspectiva de lançamento em 2015. “Parte do investimento será público. Teremos, por exemplo, uns 200 municípios sem fibras, mas com satélite, embora a Telebras vá continuar a expandir a rede de fibras”, explicou Paulo Bernardo.

A perspectiva é de que serão necessários aqueles R$ 125 bilhões ao longo de dez anos, mas à pedido da Casa Civil o projeto vai prever metas intermediárias. “O que nos disseram é que o período é muito longo. Ele continua, mas precisa ter marcos, pontos de checagem, trienais e quinquenais”, disse o ministro. Segundo ele, a pasta chegou a calcular que seriam necessários R$ 180 bilhões para levar fibras ópticas a todas as residências do país, o que acabou sendo considerado inviável.

Bens reversíveis

O ministro voltou a negar que haja uma decisão do governo de incluir os bens reversíveis das concessionárias na conta de investimentos necessários para dotar o país de uma rede de fibras ópticas de grande capilaridade. Mas admitiu que é algo a ser avaliado no futuro – talvez por um próximo governo.

“Pode ser que lá na frente o governo, algum governo, pense em fazer”, disse ele, que também reagiu às críticas contra a ideia. “Não pode ter proibição de se formular políticas públicas, elaborar possibilidades. Querer proibir o governo de pensar alternativas não faz sentido”, completou.

terça-feira, 14 de maio de 2013

A pedido da Casa Civil, PNBL 2.0 terá metas intermediárias, diz ministro

Teletime - 14/05/2013

O chamado Programa Nacional de Banda Larga 2.0, através do qual o governo quer levar o serviço a 90% dos municípios, terá metas intermediárias a cada dois ou três anos ao longo de dez anos. De acordo com o ministro Paulo Bernardo, a ministra da Casa Civil, Gleise Hoffman, achou o prazo de dez anos muito longo, então o que ficou acertado é que serão estabelecidas metas intermediárias. "A ministra achou o prazo de dez anos muito longo, então estamos trabalhando com metas intermediárias, pontos de checagem", disse ele, que participou do lançamento do Programa TIM Portas Abertas, nesta terça, 14 em Brasília.

Bernardo voltou a negar que os bens reversíveis façam – ou já tenham feito – parte dos planos do governo como alternativa para financiar o programa, orçado em R$ 125 bilhões. "A resposta final é que isso não está sendo discutido e não será feito", disse. Recentemente, a advogada da ProTeste, Flávia Lefèvre, disse ter recebido uma apresentação do PNBL 2.0, supostamente elaborada pela Anatel, em que os bens reversíveis entravam na conta. Não foi possível confirmar a veracidade do documento.

Parte dos recursos para o PNBL 2.0 será pública; basicamente o investimento da Telebras e o investimento no satélite geoestacionário brasileiro. A outra parte, viria de contrapartidas incluídas em leilões de radiofrequência, como, aliás, tem sido feito desde o leilão da faixa do 3G e repetido na faixa de 2,5 GHz/450 MHz. Este modelo é consenso dentro do governo, segundo o ministro. De qualquer forma, o governo ainda está "estudando as possibilidades" para o financiamento do plano, que poderá incluir empréstimos do BNDES.

Segundo o ministro, "algumas pessoas" calcularam que as obrigações de cobertura da faixa de 450 MHz tiveram um peso de cerca de R$ 9 bilhões. "As empresas sabem fazer contas. Fizeram as contas e participaram (da licitação)", disse ele.

Paulo Bernardo disse ainda que o governo não está beneficiando as teles em suas políticas. "Quando alguém disser que nós estamos defendendo o setor, falou a verdade. Nós estamos defendendo o setor, sim. Aonde eu vou, falo da alta carga tributária, da Lei das Antenas etc. Só não estamos ao lado das empresas quando as empresas não estiverem ao lado do consumidor".

LTE vs TV Digital

Em relação ao estudo do Japão que aponta um custo de US$ 3 bilhões para mitigar a interferência do LTE nas transmissões de TV, Bernardo ressalta que o padrão brasileiro de TV digital não é o japonês, mas sim uma versão melhorada e adaptadas às nossas necessidades. Além disso, se for necessário será aumentada a banda de guarda entre os serviços e outras "providências técnicas" podem ser adotadas. "Vamos olhar, vamos estudar. Mas o nosso sistema não é igual ao do Japão", disse ele.
Para levar nova frequência de 4G, empresas terão que fazer investimentos em banda larga

Agência Brasil via Folha do Maranhão - 14/05/2013

Brasilia - As empresas que participarem do leilão de frequência de 700 mega-hertz (MHz) para a tecnologia 4G, previsto para o próximo ano, deverão cumprir metas de expansão de infraestrutura, que servirão para a nova etapa do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL 2.0).

“Já está consensuado dentro do governo que as licitações serão trocadas por infraestrutura”, disse hoje (14) o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

A troca de recursos por investimentos em infraestrutura foi testada pelo governo no leilão de frequência de 4G ocorrido em junho do ano passado. Na ocasião, as empresas que ganharam a licitação também ficaram com obrigações de levar a internet móvel para o campo. Segundo o ministro, estudos do governo mostram que o custo para conectar todas as cidades com fibra óptica é cerca de R$ 27 bilhões.

O governo estima que serão necessários R$ 125 bilhões em investimentos nos próximos dez anos para viabilizar o novo PNBL. Parte dos recursos do Programa será pública, com investimentos da Telebras em infraestrutura nas regiões mais distantes e com um satélite, que vai atender cerca de 200 municípios onde não será possível fazer conexão à internet com fibra óptica.

Outra parte do PNBL poderá ser financiada com empréstimos a juros diferenciados. O ministro disse que a Casa Civil da Presidência da República pediu para que o Ministério das Comunicações tenha metas intermediárias para o novo PNBL, que pretende atingir 90% dos domicílios, com banda larga, nos próximos dez anos. “A Casa Civil disse que achava o período muito longo, que é importante ter metas para triênios, quinquênios”.

Segundo o ministro, a presidenta Dilma Rousseff encomendou estudos sobre quanto custaria para colocar fibra óptica em todas as residências, e ficaria em torno de R$ 180 bilhões. “Mas existem cidades em que nem vai conseguir chegar com a fibra, quanto mais nas casas. Então, temos que traçar uma meta realizável. Fizemos várias simulações que podem ser projetadas para dez anos”.
CIO Project: Procempa aposta em infovia com Internet gratuita

Convergência Digital - 14/05/2013

Com uma infovia de 900km, baseada em uma infraestrutura de cabeamento terrestre e conexão aérea, complementada com 16 torres, Porto Alegre está apta a fazer parte do seleto rol de cidades inteligentes. Na primeira palestra do CIO Project, realizada nesta terça-feira, 14/05, evento focado na troca de experiências de empresas de TI e 20 CIOS de todo o país, que acontece pela primeira vez em uma edição da BITS, Luis Canabarro Cunha, um dos executivos da Procempa, empresa de processamento de dados do município de Porto Alegre, mostrou que a tecnologia está nas ruas a serviço do cidadão.

De acordo com Cunha, hoje, Porto Alegre tem 76 hotspots, com acesso aberto, favorecendo o acesso à internet. “Abrimos a rede para facilitar a vida do usuário. Se ele está no ponto de ônibus, por exemplo, é fácil baixar os e-mails antes de entrar no coletivo”, comentou. A infovia desenvolvida pela Procempa também integra os sistemas das secretarias municipais e o corpo de bombeiros, com o objetivo de melhorar as condições de trânsito e prevenir acidentes em decorrência de catástrofes naturais.

“Montamos um sistema, o Metroclima (http://www2.portoalegre.rs.gov.br/metroclima/), em que é possível mapear 10 microrregiões climáticas e monitorar 5. Assim, é possível antecipar pontos de alagamento em decorrência de chuvas, por exemplo, e enviar avisos à EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação), empresa que controla o trânsito, que poderá bloquear esses pontos e evitar acidentes”, detalha Cunha.

A Procempa também instalou diversas câmeras por pontos estratégicos da cidade, além de pontos turísticos e parques, que são capazes até de realizar leituras inteligentes de placas de carro. “Este sistema pode ajudar a Polícia, por exemplo, em casos de sequestro ou outros ilícitos”, acrescenta Cunha.

A apresentação da Procempa foi a primeira das 56 palestras que fazem parte do programa CIO Project. Constantino Bäumle, diretor da Hannover Fair do Brasil e CIO da BITS, explica que a CeBIT sempre foi um grande ponto de encontro de ideias e troca de experiências em termos de inovação e queria trazer essa experiência para o Brasil.

“As feiras de TI não são mais as mesmas, tornaram-se grandes pontos de troca de ideias e ambientes para apresentar inovações. Percebi nas edições anteriores da BITS que os expositores precisavam de um espaço selecionado para apresentar suas soluções a um público muito específico. Queria aproximar a oferta da demanda”, diz Bäumle.

A ideia saiu do CIO da BITS não ficou só na nuvem e ganhou formato no CIO Project. A meta, segundo Bäume, era trazer 50 CIOs de todo o Brasil. “Chegamos perto. São 34 CIOS que neste três dias poderão conhecer soluções e trocar ideias e experiências entre eles”, comenta. A iniciativa já tem garantida na BITS 201
Brasil terá mais de 42,6 milhões de acessos banda larga em 2017

Teletime - 14/05/2013

O aumento da demanda por conteúdos e serviços digitais e mídias sociais tem impulsionado o mercado de banda larga e o que se tem verificado no Brasil é uma tendência de aumento das ofertas de velocidades intermediárias de 2 Mbps e também acima de 5 Mbps. O resultado é que a velocidade média dos acessos à Internet tem aumentado (encerrou dezembro em 4,68 Mbps) e o preço por megabit, diminuído; contribuindo para que o total de conexões fixas e móveis à banda larga no País chegue aos 42,61 milhões de acessos em 2017. A projeção é do Barômetro Cisco de Banda Larga 2.0, realizado pela IDC e divulgado nesta terça,14, que contabilizou ao final de dezembro de 2012 um total de 25,82 milhões de acessos fixos e móveis. A IDC considerou como conexões móveis os minimodems e cartões de acesso para computadores apenas – não estão incluídos navegação por celular e smartphones.

Do total de conexões banda larga em 2017, cerca de 31% (13,2 milhões de assinantes) serão acessos móveis; percentual que em dezembro último era de 26,2%, ou 6,76 milhões de acessos. As conexões 3G tiveram um crescimento anual de 18,7% em 2012; e 10,6% de aumento apenas entre julho e dezembro do ano passado.

Banda larga fixa

Daqui a cinco anos, serão 29,4 milhões de conexões fixas de banda larga, das quais 73,5% terão velocidades acima de 2 Mbps. Ao final de dezembro do ano passado, esse percentual era de 57,6%, ou 10,99 milhões do total de 19,06 milhões de conexões fixas. Entre julho e dezembro de 2012 o total de conexões acima de 2 Mbps cresceu 13,4%, enquanto as conexões entre 128 kbps e 2 Mbps caíram 2,2%, para 8,07 milhões ao fim de 2012.

Interessante notar que as conexões de 10 Mbps ou superior já respondem por 24,4% da base total de acessos fixos; as velocidades entre 5 Mbps e 10 Mbps, 14,9%; entre 2 Mbps e 5 Mbps, 18,4%. A maior concentração por faixa ainda está nos acessos de 512 kbps a 2 Mbps, com 32,5% das conexões fixas totais. Acessos de 128 kbps a 512 kbps ainda são 9,85% das conexões fixas.

Do ponto de vista de tecnologia, as conexões xDSL encerraram 2012 na liderança do mercado com 63,7% das conexões fixas (12,14 milhões de acessos), enquanto a banda larga via redes de cabo somou 5,93 milhões de acessos (31,1% da base fixa). Os pouco mais de 5% restantes estão divididos entre acessos FTTx (113 mil), wireless fixo (758 mil), dedicados (14 mil) e satélite (109 mil). Interessante notar, contudo, que enquanto as conexões xDSL cresceram 5% no último semestre de 2012, as de cable modem cresceram 12,8%, impulsionadas pela expansão da base de usuários da Net Serviços, a principal operadora de TV a cabo do País.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

RNP amplia rede metropolitana de fibra óptica em Brasília

Convergência Digital :: 13/05/2013

A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e a Universidade de Brasília ativam nesta segunda-feira, 13/5, a primeira expansão da rede metropolitana da capital federal – batizada de Rede Gigacandanga – que se estende por 180km no Distrito Federal, antes restrita à Esplanada dos Ministérios e áreas muito próximas.

“A expansão acontece em duas fases e terá a conexão a mais 380 km de cabos ópticos no total. Nesta primeira fase, serão entregues 180 km, que beneficiarão as cidades de Planaltina, Gama e Ceilândia”, informa o Diretor de Engenharia e Operações da RNP, Eduardo Grizendi.

Com possiblidade de conexão a uma capacidade de rede de 10 Gbps, essas regiões passarão a ter acesso ao desenvolvimento de pesquisas científicas e serão integradas a universidades e unidades de pesquisa, como a própria Universidade de Brasília e o Instituto Federal de Brasília.

Trata-se, portanto, da versão “candanga” do projeto Redecomep – Redes Comunitárias de Ensino e Pesquisa – iniciativa da RNP que busca dotar as principais regiões metropolitanas do país de infraestrutura de fibras ópticas para conexões em alta velocidade.

O projeto beneficia não apenas universidades – e entre elas, nem só as públicas – mas uma série de institutos de pesquisa. Por isso, no caso da capital, a rede alcança também diferentes unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), além de instituições como o Inmetro e a Fiocruz.

Além disso, vale lembrar que a RNP tem um acerto firmado com a Telebras, de forma que as duas instituições compartilham infraestrutura. Além dos backbones – as grandes redes de transporte – há acordo para compartilhamento da própria Redecompep.

Como explica a RNP, a principal motivação desse projeto é a interligação das instituições acadêmicas e de pesquisa em uma rede de alta velocidade, permitindo o desenvolvimento de projetos específicos que necessitem dessa infraestrutura.

Ou seja, projetos de ensino à distância, telemedicina, laboratórios virtuais, bioinformática, computação distribuída e grids computacionais (Grid Computing), armazenamento distribuído, colaboração remota (teleconferência, videoconferência), vídeo digital (vídeo sob demanda, TV interativa), telefonia IP, visualização remota (jogos, simulação e ambientes de realidade virtual), serviços de diretórios, segurança ativa, etc.
Em junho, Alvarez deixará a secretaria executiva do Minicom

Alvarez vai se dedicar à conclusão de seu doutorado. Nome do substituto não foi divulgado.

Tele.Síntese - 13/05/2013

Em meados de junho, Cezar Alvarez deixa a secretaria executiva do Ministério das Comunicações para se dedicar à conclusão de seu doutorado, que se encontra no limite do prazo para a conclusão. Segundo fontes governo, a saída foi combinada por Alvarez com o ministro Paulo Bernardo, que, no entanto, ainda não sinalizou quem será o sucessor. A notícia da saída de Alvarez foi divulgada pela seção Painel, da Folha de S.Paulo, e confirmada por este noticiário.

Ainda segundo as mesmas fontes, a saída de Alvarez não tem relação com a declaração que fez, em fevereiro, durante evento do setor, de que a consulta pública para a nova regulamentação do setor de comunicações não deveria mais sair neste governo. A afirmação, embora verdadeira, provocou situação de constrangimento para o ministro Paulo Bernardo, que foi cobrado publicamente pelo movimento em defesa da democratização das comunicações e acusado de ser o “ministro da mídia e das teles”.

Alvarez se envolveu com as questões relacionadas com as TICs no governo Lula, no qual foi assessor da chefia de gabinete e responsável pela agenda. Coube a Alvarez, economista, articular a desoneração para os micros, encabeçar o projeto Um Computador por Aluno e articular, junto aos ministérios envolvidos, o Plano Nacional de Banda Larga, no final da segunda administração do ex-presidente Lula. Foi com estas credenciais que foi indicado, por Lula e pelo ministro Gilberto Carvalho, a Paulo Bernardo para o cargo de secretário executivo do Minicom.
Chumbo grosso

Em entrevista, o ministro Paulo Bernardo ataca a concessão de rádio e TV a políticos, diz que as empresas de internet vão engolir as de mídias tradicionais e defende a regulação e a desoneração das teles.

"Hoje temos empresas de internet que vão engolir todas as mídias"

Brasil Econômico - 13/05/2013

Com um aparelho celular dotado da mais moderna tecnologia para Internet móvel, a 4G, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, recebeu a equipe do Brasil Econômico entusiasmado com o desafio de reformar a infovia no país. Mesmo antes de iniciar a entrevista, comentou a sobreposição da Internet aos tradicionais veículos. Questionou o conceito de oligopólio e concentração de propriedade, num momento em que a Internet ocupa o espaço de todas as formas de comunicação - do telefone à televisão, passando pelo jornal e o cinema. "O que é oligopólio se o poder agora está na Internet?", indagou citando o exemplo do Google, que se tornou o segundo maior recebedor de verba publicitária no Brasil. Mais tarde, ao falar sobre a regulação da mídia no país, insistiu no assunto: "Hoje nós temos empresas de Internet que vão engolir as telecom, as rádios, as televisões e todas as mídias", disse. Amante das novas mídias, mas também assíduo ouvinte de rádio, o ministro defendeu com veemência a implantação do novo marco regulatório. E disse que a lei deve proibir a propriedade de emissoras de rádio ou televisão por políticos.

Octavio Costa e Edla Lula

Maíra Coelho

O lançamento da tecnologia 4G para internet móvel veio acompanhado de fortes críticas em relação à qualidade do serviço. Há queixas de que o alcance não é bom e de que turistas não vão conseguir entrar na frequência 2.5 GHz. Como o senhor avalia a estreia do 4G?

Tem muita marola por aí, que mistura conceitos. Começamos a fazer pela frequência 2.5 GHz porque que é a que está disponível e já é homologada mundialmente, já há vários países usando, e também porque a nossa frequência de 700 MHz, que é mais usada no mundo, está hoje na TV aqui no Brasil. Então, sópos-so fazer por essa frequência quando a TV estiver totalmente digitalizada. O serviço está sendo implantado. É preciso que se entenda isso. Aconselho o norte-americano que vier para a Copa das Confederações a comprar um chip aqui. Ele tem a opção de usar o celular dele no 3G. Mas neste caso ele vai ser esfoliado, porque os preços do roaming internacional são altíssimos no mundo inteiro.

A Proteste fez uma crítica duríssima, alertando o consumidor de que ao adquirir um 4G estaria comprando gato por lebre, porque na verdade seria operado na 3G ou na 3G Plus. Como o senhor responde?

Isso é um equivoco total. Não há dificuldade alguma. Essas pessoas querem mostrar que sabem tudo e querem ensinar para o consumidor o que ele tem que fazer. O consumidor vai comprar se for vantagem para ele, se o serviço for bom. Se não for bom, no mês seguinte ele deixa o serviço. Esse negócio de ficar tutelando o consumidor não tem sentido. Às vezes essas críticas parecem mais lobby do contra.

Como o senhor recomenda que o consumidor escolha a melhor operadora ou o melhor pacote?

As empresas estão usando um truque mercadológico, dizendo que se usar um gigabyte de download na 3G ou na 4g é o mesmo preço. Mas é preciso explicar para o consumidor que nao 4G a velocidade é maior. Ele vai baixar um vídeo, vai assistir online, então, tem que explicar que ele está gastando mais. O melhor é negociar o pacote de acordo com as suas possibilidades.

As operadoras estão sempre no topo das reclamações do Procon. Com esse crescimento na venda de smartphones, o senhor não teme um congestionamento maior e mais queixas?

Nós não podemos parar de vender por achar que não vai funcionar. O que temos que fazer é investir em infraestrutura. Colocar fibra óptica, tanto nas redes de longa distância quanto nas de vizinhança, resolver o problema das antenas. As prefeituras têm que permitir a instalação das antenas. Outra coisa é baratear o custo. A carga tributária do setor é altíssima. Inacreditável. Tem casos em que a carga tributária corresponde a 65% da conta telefônica.

Falando em infraestrutura, quando o governo pretende implementar a nova etapa do Plano Nacional de Banda Larga, o PNBL2.0?

Nós estamos trabalhando. Fizemos um plano e apresentamos à presidenta Dilma. Fizemos várias simulações e chegamos à seguinte conclusão: o Brasil tem 5.564 municípios, dos quais quase dois mil não têm fibra óptica sequer chegando na cidade. Para fazer com que as redes de transportes, de longas distâncias, cheguem a todos os municípios que ainda não possuem fibra óptica e alguns outros onde precisamos reforçar a rede, serão necessários R$ 27 bilhões. E para fazer as redes vicinais, levando o serviço para dentro da cidade, vamos precisar de cerca de R$ 100 bilhões. Grosso modo, vamos precisar de R$ 125 bilhões para que a internet chegue a 90% dos domicílios urbanos.

De onde vão sair os recursos para todo este investimento?

Estamos vendo várias alternativas. Temos a ideia de condicionar a licitação de 700 MHz a investimentos em infraestrutura. Ao invés de o investidor pagar para o Tesouro para depois nós irmos atrás do orçamento, o investidor faz a infraestrutura e agente dá um prazo para cumprir essa atribuição. O mercado já está investindo. A Net está colocando fibra em cerca de 60 cidades grandes. As empresas vão fazer uma parte, onde tem interesse. Não preciso dar subsídio para fazer fibra em lugares considerados rentáveis. Mas o Estado tem que entrar naqueles lugares onde não há lucratividade para a empresa.

Em quantos anos essa cobertura de 90% dos domicílios seria alcançada?

Projetamos inicialmente em 10 anos. Mas a Casa Civil achou muito e solicitou um plano menor. Estamos fazendo uma modulação, com uma meta para três anos e outra para cinco anos. A nossa intenção é atingir 90% dos domicílios em cinco anos. Naquelas regiões mais complicadas, de mais difícil acesso - umas 200 cidades - chegaríamos num prazo maior, de 10 anos, cobrindo a totalidade dos municípios.

Para os municípios cuja infraestrutura é mais difícil a solução será o satélite?

É o satélite. Estamos com uma parceria com o Ministério da Defesa para isso. Os satélites modernos dão uma velocidade muito boa. Além disso, nas cidades pequenas nós achamos que com rádio 4G será possível atender em boa condição. Estamos montando uma estratégia com a visão de que precisamos fazer um grande plano na infraestrutura, assim como está sendo feito nas estradas e nos aeroportos. O número de passageiros nos aeroportos cresceu a uma média de 20% ao ano nos últimos quatro anos. A Internet móvel cresceu 100% em 2011 e 65% no ano passado.

E a tendência é que a Internet móvel cresça ainda mais, não é?

Com certeza. A tendência é essa. Para o consumidor, quem fica parado é poste. Você tem hoje o catador de papel que tem celular. Ele não vai poder gastar dinheiro com o celular e mais a assinatura da Internet fixa. Então, a tendência é crescer a Internet móvel, porque ele vai catar o papel com a Internet na mão.

0 senhor andou criticando o preço dos aparelhos. Ainda é alto o preço?

Sim. Existem vários problemas ligados a isso. O preço é alto e, na medida em que vai massificando o produto, é natural que o preço baixe. Quando quisemos inserir o computador na Lei do Bem, em 2006, o computador de mesa custava R$ 2.500. O lap-top custava R$ 4.000. Reduzimos impostos, deu escala e hoje se encontra computador por R$ 1 mil. A tendência do smartphone é essa. Pesquisa da GSMA, a associação mundial das empresas de tecnologia móvel, diz que vamos saltar de 65 milhões de aparelhos que usamos hoje para 130 milhões em 2014. Vai dobrar o número de aparelhos com tecnologia móvel.

O senhor é um amante das novas mídias. Tem os amantes da velha mídia, o rádio, que não conseguem ouvir uma emissora AM por causa do congestionamento. O rádio digital não vai ser implantado?

Eu também sou amante do rádio. Mais do que da televisão. O problema é que fizemos teste com três sistemas digitais, o japonês, o americano e o europeu. Chegamos à conclusão de que não temos um sistema de rádio digital que seja aplicável imediatamente ao Brasil. Hoje temos 300 milhões de receptores de rádio no país. Todos os carros têm rádio. Para atender uma mídia tão popular, será preciso fabricar aparelhos mais baratos, que custem R$ 20,00 ou R$ 25,00. Pelo lado das emissoras, para digitalizar, tem que haver um transmissor e um receptor que sejam viáveis para pequenas rádios. Uma rádio pequena não pode levar um transmissor que seja o olho da cara, porque ele não vai ter condições de pagar. A rádio AM, se não tomarmos providências, pode acabar. Por isso, estamos trabalhando com um Projeto de Lei para transferir o rádio AM para os canais 5 e 6 da radio-frequência, que hoje estão com a televisão. Vamos fazer a digitalização da TV e vamos deixar os canais 5 e 6 para o rádio AM. A minuta já está pronta e vamos enviar nos próximos meses para o Congresso Nacional. Acho que mais de 80% das emissoras vão querer migrar para esse canal.

E as FMs, vão ficar como estão?

Temos que fazer um modelo viável. Se não for baratinho, as pessoas não vão usar, porque elas hoje têm outras alternativas. É preciso criar um sistema que permita a essa mídia continuar existindo.

Quanto à regulação da mídia, qual é a sua posição? O PT criticou o senhor pela falta de regulação. O senhor acha que o Brasil necessita de uma lei semelhante à da Argentina, por exemplo?

Necessita, sim. Está previsto na Constituição. A mídia é um setor, do ponto de vista econômico, tão regulável quanto qualquer outro. Mas tem muita confusão nisso. Eu fiquei mais insatisfeito e protestei porque misturaram a regulação da mídia com a desoneração das teles. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Todo mundo concorda que o imposto é alto. Nós estamos reduzindo tributos para investir em infraestrutura e logo o PT faz uma nota contra. Foi um erro. A desoneração para infraestrutura de energia já existe há seis anos. Passou uma ministra de Minas e Energia por lá e determinou isso. Se você pode fazer para incentivar infraestrutura de energia, por que não de telecomunicações, quando está todo mundo falando que banda larga é importante?

O argumento é que o senhor protege as teles e, ao mesmo tempo, posterga a discussão da regulação da mídia...

Isso mesmo. Falaram que sou "vendido". Virei um agente das teles. O que aconteceu foi que alguns militantes digitais foram lá e convenceram os dirigentes do PT. E eles não refletiram sobre isso. É razoável ter a regulação. Temos diferenças sobre qual seria o modelo exato e qual seria o momento para ser deflagrado, mandar para o Congresso Nacional. Acho ruim quando recebo demandas cobrando marcos para impedir que as revistas façam capas contra determinada pessoa. Não vamos fazer marco para isso. Nós defendemos a liberdade de expressão. E a Constituição não prevê isso. Tem que fazer o que o Senado está fazendo: criar uma lei de direito de resposta. As empresas se expressarão como bem entenderem. Quem tiver incomodado, peça o direito de resposta. Agora, temos também um problema de conjuntura política. O presidente da Câmara já falou que é contra, o presidente do Senado é contra. O presidente do PT já falou que é contra. Como resolver isso?

Qual seria o formato ideal de regulação?

Por exemplo, determinar que Rádio e TV têm que ter conteúdo local, jornalismo regional e contemplar produção independente. Determinar também a proibição de propaganda que seja nociva à saúde.

Inclusive de cerveja? O senhor concorda comisso?

Acho que devemos discutir. A incidência de acidentes com motoristas embriagados justifica uma proposta como essa. Podem-se estabelecer regras, como a propaganda só a partir de meia noite.

O texto elaborado inicialmente pelo ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência Franklin Martins contempla uma boa regulação?

Franklin fez um texto muito bom. E não há nada de censura no projeto dele. Não está completo, mas é muito bom. Agora, tem coisas que temos que discutir. O que vamos fazer com os políticos que têm emissoras de rádio e TV? Em minha opinião, deveria haver uma lei para proibir deputados, senadores, governadores e prefeitos de serem proprietários de veículos de comunicação.

Mas essa proposta não passa na Câmara, passa?

Com os militantes mais aguerridos estou dizendo isso. Primeiro temos que criar maioria para votar um projeto desse. Ou vamos fazer um projeto que não olhe para isso?

O senhor acha que há conflito de interesses quando um político possui emissora de rádio ou TV?

Claro que há. Por que você acha que existe o horário eleitoral para dar espaço para os candidatos fazerem a propaganda? O deputado tem uma rádio e fica fazendo propaganda eleitoral para ele mesmo durante quatro anos, deitando falação. Não é justo.

Como o marco trataria o tema das propriedades cruzadas?

A Constituição fala que não se deve permitir monopólio e oligopólio para o setor de mídia. Significa que se um grupo tem TV, rádio, jornal e portal já tem um oligopólio. No Brasil há muitos grupos que atuam assim. Precisamos discutir como vamos fazer essa limitação. Acho que a limitação tinha que ser em torno do percentual aceitável de audiência. A Argentina fez uma lei que não permite que um grupo tenha mais que um terço do mercado. O México está discutindo um percentual de 40%. Se você comparar o poderio de uma rede de nacional de TV com jornal, é completamente díspar. Ser proprietário de uma rede nacional e ter um jornal acrescenta muito pouco em termos de concentração. Temos que verificar.

A outra coisa, muito importante, é que com o fenômeno de convergência de mídia, tudo vai virar uma coisa só. O Franklin (Martins) falava uma coisa que eu achei muito interessante e ele tinha razão no conceito, mas já está desatualizado. Ele dizia que se não houvesse regulação, as empresas de telecom iriam tomar conta do setor e engolir as empresas de mídia, especialmente televisão. Esse tempo já passou. Hoje nós temos empresas de Internet que vão engolir as telecom, as rádios e as televisões, e todas as mídias. Com essas ferramentas de Google etc., é possível fazer ligação, pode fazer televisão, pode fazer o que quiser. O Netflix é um fenômeno. Pagando R$ 15 ou R$ 17, o consumidor aluga um número enorme de filmes. Isto não tem nada a ver com televisão. É direto na internet. A presidente Dil-ma ficou impressionada com a informação de que o Google é, no Brasil, o segundo maior rece-bedor de verbas publicitárias. Só perde para a Rede Globo.

O senhor acha que a Internet é a tendência?

A tendência agora é a televisão, o rádio, toda mídia trafegar por dentro da Internet, seja no computador, no smartphone, no tablet, na TV. Daqui a muito pouco tempo a televisão será usada para ver Google Maps, para postar nas redes sociais, para navegar, jogar e até para ver televisão.

Daqui a quanto tempo?

No ano quevem 80% dos televisores fabricados no Brasil terão tecnologia para navegar na internet. Será possível plugar no cabo ou com uma tecnologia 4G. Com essas mudanças todas que vêm acontecendo, eu tenho um pouco de dúvida em relação ao conceito de propriedade cruzada. Mas a Constituição fala que não pode ter oligopólio, então teremos que ver como vamos definir isso.

Passando para o mundo da política, o que o senhor achad o namoro do PSD com o PT, comAfif Domingos compondo o ministério, mas, ao mesmo tempo, não abandonando Alckmin?

É... digamos que, por enquanto, nós estamos "ficando"... Mas eu gostei muito do discurso dele (Afif) na posse. Ele vai agregar muito valor para nós.

Como o senhor acompanha toda essa discussão emtorno da corrida eleitoral já agora?

Esse negócio de antecipar debate é complicado. É muito difícil concluir se antecipou ou não antecipou. Como você pode proibir alguém de fazer política? Tem coisas que são mais de política geral, outras de política partidária e outras de política eleitoral. Eleição sempre vai ter isso. E boas políticas ganham voto. Um governo que é bem reconhecido vai ter bons votos para reeleição. Isso é normal. A Dilma está muito forte. O governo tem muita presença e políticas comprovadas, a maioria vinda do governo Lula, mas muitas novas também. Este é um governo exitoso. E a nossa oposição não está bem. Na oposição mais tradicional, como o PSDB, a estratégia é assim: quando sai uma matéria na mídia criticando o governo, os partidários ficam batendo nesse mesmo assunto. Se for algo mais consistente, passam cinco dias falando disso. Se não, morre no mesmo dia. Não há uma alternativa política. Eles criticam o projeto dos portos, mas não apresentam alternativa. Temos que olhar muito para a movimentação do Eduardo Campos. Ele também é um governador exitoso, com uma aprovação extraordinária em Pernambuco, é muito bem articulado. E tem também a Marina, que no meu entender tem grandes chances. Ela tem muitas dificuldades pelo fato de não ter partido, nem tempo de televisão. Tem um quadro muito promissor para nós, nas não podemos dormir de toca. O eleitor que está insatisfeito com o governo do PT, com certeza não vai migrar para o PSDB porque o nosso governo é mais bem sucedido que o deles. Ele vai migrar para o Eduardo ou para a Marina. E a Marina tem grandes chances, porque ela se mexe bem. Ela tem as redes sociais. Eu acho que tem mais chances de a Marina ficar em segundo lugar.

E no Paraná. O senhor acha que faz o governador ou a governadora do estado?

No Paraná nós vamos ter que organizar candidatura contra o governador que está no cargo. Isso sempre é um problema, porque a reeleição dá muita força para quem está no cargo. Por outro lado, o governo lá não está tão bem. Não tem políticas reconhecidas ou marcas identificadas pela população. Acho que a Gleisi tem chances de ganhar lá. Mas ainda é preciso conversar com a presidenta para que ela seja liberada. Se não tiver problema para a presidenta que ela seja liberada, acho que é a melhor opção para o Paraná.