quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Não há banda larga móvel sem rede fixa, rebatem NIC.br e Telebras

Convergência Digital :: 14/08/2013

Se as operadoras de telecom deixam claro que o foco é a oferta de banda larga móvel para a continuidade do Plano Nacional de Banda larga, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – braço executivo do Comitê Gestor da Internet – e a Telebras, que foi reestruturada para atuar na oferta de atacado, ressaltam que o investimento na rede fixa é fundamental para o bom desempenho, inclusive das conexões sem fio.

“Quando a gente começa a olhar o Brasil, a gente vê vários buracos onde dificilmente vai ter Internet, ou seja, não tem condições de atender a não ser com redes móveis. Mas onde tem concentração, quer dizer, nas cidades, precisa de Internet fixa a ser instalada nas residências”, sustenta o diretor de Projetos Especiais e de Desenvolvimento do NIC.br, Milton Kashiwakura.

Como lembra o presidente da Telebras, Caio Bonilha, o acesso móvel depende do suporte da rede fixa. “O uso pessoal da banda larga pode ser encarado com mobilidade, mas tem aplicações que o móvel não comporta. Não adianta ter um sistema móvel instalado sem um backhaul adequado. E em muitas cidades do Brasil o gargalo é que ainda tem backhaul de voz, de cobre. O futuro está é na fibra óptica.”

A “preferência” das operadoras pelas redes móveis é justificada pelo movimento de mercado, pois é onde o crescimento é mais acelerado – nas contas das empresas, há 20 milhões de conexões fixas e mais de 85 milhões de conexões móveis no país. Além disso, preferir incentivos às redes sem fio está relacionado ao crescimento do tráfego de dados em estruturas que precisam de ampliações de capacidade.

Há, no entanto, considerações necessárias. A conta de que o país já superou os 100 milhões de acessos em banda larga leva em consideração os celulares capazes de acessar redes 3G – ainda que não estejam associados a contratos de serviços de dados. Além disso, a Anatel tem um resultado menor, próximo a 77 milhões, por não contabilizar aí os acessos M2M, que em grande medida não usam 3G.

Ainda assim, há muito mais acessos móveis que fixos. No entanto, o tráfego em si é largamente dominado pelas redes fixas. Em seu Barômetro da Banda Larga, a Cisco calcula que 70% do tráfego de um usuário móvel se dá em pontos de acesso sem fio ligados a redes fixas, como os equipamentos Wi-Fi em casa ou no trabalho. Apenas 30% do uso se dá enquanto o usuário está efetivamente em deslocamento.

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