terça-feira, 6 de agosto de 2013

Especialista aponta que empresas protegem mercado da banda larga fixa, encarecendo serviços de internet móvel

Companhias alegam que redução de preço da conexão via celular tira mercado do acesso tradicional


Reclamação comum entre os usuários de internet móvel, a qualidade do sinal não é mais o único motivo de descontentamento de quem usa banda larga no país. O Brasil tem agora o serviço mais caro da América Latina.

Levantamento da Associação Internacional das Companhias de Telecomunicações (GSMA, na sigla em inglês) aponta que, enquanto o preço de pacotes para smartphones nos últimos três anos caiu 60% entre latinos, no Brasil subiu 28%. Em um ano, o país saltou da sexta posição para o topo da lista de serviços com maior custo.

– A competitividade entre as operadoras, que fez o valor da ligação local cair, não tem o mesmo impacto na oferta de internet móvel. Em 2007, as companhias reduziram o preço do serviço, mas perceberam que essa estratégia de certa forma canibaliza a venda de banda larga fixa. A mudança de rota preserva o negócio mais rentável e talvez justifique o aumento de preços no Brasil – avalia Ari Lopes, analista da consultoria britânica de telecomunicações Informa.

Diretor-executivo do Sinditelebrasil, sindicato que representa as operadoras, Eduardo Levy minimiza o resultado do estudo, que leva em consideração os planos mais econômicos para smartphones com até um gigabyte.

– Para se chegar ao preço real da banda larga é necessário considerar todos os planos. O próprio levantamento mostra que nos planos para smartphones com 250 megabytes de download, o Brasil está entre os mais baratos – afirma.

Levy critica o impacto da tributação do serviço, que é de 47% em média, podendo chegar a 60% dependendo da alíquota de ICMS cobrada em cada Estado.

– Levar infraestrutura a locais mais distantes, com dificuldades naturais, também influencia no preço – completa.

Para Luis Minoru, diretor da consultoria de telecomunicações Promon Logicalis, o peso dos impostos pode ser apontado como razão do custo alto, mas não como motivo para o avanço de preço nos últimos anos já que não houve mudanças na tributação do setor.

– A demanda maior encarece qualquer serviço. As novas metas de investimento impostas pela Anatel também podem ter algum impacto para que o Brasil assumisse o topo da lista – avalia.

Dane Avanzi, advogado e especialista em telecomunicações, que dirige uma ONG de defesa dos direitos do consumidor, defende a realização de auditoria nas companhias.

– É preciso saber os níveis de rentabilidade das empresas. Tem de estar compatíveis com outros países. As operadoras falam em ampliação de investimentos, mas a qualidade não melhora. É uma caixa preta – afirma.





CPI da Telefonia ouvirá integrante da Anatel

Depois de ouvir entidades de defesa do consumidor e especialistas em telecomunicações, a CPI da Telefonia instalada na Assembleia em abril vai ouvir representantes da Agência Nacional de Telecomunicações. O próximo convidado a prestar esclarecimentos será o superintendente de controle e obrigações do órgão regulador, Roberto Pinto Martins.

Nesta segunda, na retomada das atividades após o recesso parlamentar, os deputados receberam o pesquisador do Centro de Estudos em Telecomunicação da PUC-Rio Gláucio Siqueira, que apresentou estudos sobre as radiações eletromagnéticas em antenas. O físico descartou risco à saúde.

– As restrições são mais rigorosas do que as normas estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde – garantiu, entrando em um terreno em que ainda não uma comprovação científica definitiva.

Controverso no meio científico, o assunto ocupa posição central nas discussões em torno da atual legislação de Porto Alegre, mais rígida que a lei nacional. No mês passado, o professor da UFRGS Álvaro Sales apontou possíveis perigos de alteração nas regras em vigor.

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