terça-feira, 6 de agosto de 2013

Banda larga: fabricantes temem pela continuidade do PNBL

Convergência Digital :: 06/08/2013

Para os fabricantes de equipamentos, nativos ou multinacionais, o Plano Nacional de Banda Larga é um empurrão forte na demanda – seja pelo benefício direto nas encomendas às empresas brasileiras, seja indiretamente, pelos efeitos do programa nas redes das operadoras privadas. Mas entre avanços e insucessos, o maior temor é de que o PNBL permaneça.

“O principal desafio do PNBL é sua continuidade. Se pudermos fazer alguma coisa de útil a ele é assegurar que continue. Ajustes fazem parte da dinâmica, mas sem continuidade os investimentos podem não ter nenhum resultado”, avalia o presidente da Padtec, Jorge Salomão Pereira.

Mesmo sendo um projeto novo – foi formalmente apresentado em 2010, mas efetivamente só começou a investir efetivamente em ampliação de rede no ano seguinte – há sinais que alimentam a desconfiança. “A Telebras tem um orçamento de menos de R$ 100 milhões por ano. Até agora só teve R$ 19 milhões este ano”, destacou o presidente da Nokia Siemens Networks, Aluizio Byrro.

A Telebras é naturalmente citada por ser, na origem, o braço executivo do PNBL. O programa foi desenhado tendo a criação de uma rede de telecomunicações de abrangência nacional com “viés” neutro – ou seja, ser um insumo acessível para enfrentar as dificuldades de penetração no mercado diante da forte concentração nas ofertas de atacado.

A tarefa, no entanto, parece ter ficado pela metade. “Em que pese a pouca idade do PNBL brasileiro comparado a outros países, no que diz respeito ao backbone a Telebras está muito bem, tem mais de 15 mil km, é um dos maiores do Brasil e já passou por um primeiro grande teste que foi a copa das confederações”, destaca o diretor de relações governamentais da Ericsson, Alessandro Quattrini.

Ele ressalta, porém, que faltou dar a esse avanço na rede a capilaridade. “No objetivo de disseminar a banda larga, esse backbone não é correspondido no acesso, não é refletida no backhaul. No que diz respeito à rede da Telebras, o backhaul tem que ser revisto”, sustenta.

Ou, nas palavras do presidente da Nokia Siemens, a demanda é por acelerar o programa. “As medidas que o Brasil vem tomando vão na direção certa, mas temos que aumentar a velocidade. A Telebras precisa ter mais recursos, muito mais recursos do que tem hoje para atender aqueles locais onde ela é mais necessária”, insiste.

“O PIB da china cresce 7% a 8% ao ano. Disso, cinco pontos percentuais vêm da construção civil. Os outros dois ou três vêm da tecnologia, e deles, 80% de telecom. Portanto, o Brasil pode somar dois pontos percentuais ao crescimento de seu PIB com um programa como o PNBL, que leva ao desenvolvimento tecnológico e dá escala para competir no mundo”, conclui Pereira, da Padtec.

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