quinta-feira, 4 de julho de 2013

Rádio, satélite e aumento de capacidade na fibra estão nos planos da Telebras

Teletime - 03/07/2013

A Telebras está correndo para utilizar o anel ótico de 25 mil km que atravessa o País para atender aos 1.147 provedores de acesso (ISPs), mas ainda não tem conseguido dar conta da demanda de cerca de 500 Gbps existentes com a infraestrutura atual, de acordo com dados de junho. A estatal se movimenta para contratar fornecedores de rádio, aumentar as rotas para maior capacidade no backbone e realizar a missão que o governo lhe atribuiu de colocar em órbita o satélite geostacionário brasileiro para serviços de telecomunicações e defesa, conforme explicou o presidente da empresa, Caio Bonilha, durante a conferência Broadband Latin America em São Paulo, nesta quarta, 3.

A previsão da empresa é de chegar a 4.283 municípios em 2014, o que cobriria 89% da população brasileira. A Telebras tem cabos DWDM em toda a rede com lambdas de 40 Gbps. "Já temos projetos nas rotas de maiores demandas de colocar lambdas de 100 Gbps. Assim, conseguiremos atender tranquilamente (a demanda) com a rede que estamos implantando", diz Bonilha. Ele justifica que isso acontece porque, para as teles, o transporte de IP é um "negócio que deixou de ser muito rentável em função da grande concorrência". Isso permite à estatal chegar a lugares remotos. "Estamos indo onde as operadoras, por via de regra, não tinham interesse comercial", diz. "O interessante é que, quando chegamos, as operadoras vêm conosco."

Mas o acesso urbano também está nos planos. Segundo Bonilha, os anéis metropolitanos representam desafio, principalmente nas periferias. "O trabalho foi acelerado pela Copa das Confederações; e eu diria que foi um dos grandes legados do torneio acelerar o atendimento nas regiões metropolitanas", diz, citando obras em Jacarepaguá (no Rio de Janeiro), estádio do Itaquerão (em São Paulo) e o backbone de Belo Horizonte em associação com nove cidades da região.

A infraestrutura preferencial, diz o presidente da Telebras, é ótica, mas nem sempre é possível instalar o backbone com esse tipo de equipamento. "O problema é que existe demanda e colocar a fibra não é trivial", diz. "Por isso estamos comprando rádio, mas nós entendemos que é uma questão de curto prazo, atender com rádio não é solução definitiva", explica. Além disso, tem o problema de fornecedores: por não poder utilizar vários vendors ao mesmo tempo, em uma mesma região, o ritmo de trabalho é determinado pelo desempenho dessas empresas. "Hoje temos um grande trabalho para que eles melhorem o desempenho deles em vários quesitos, e já estamos em ritmo de quase 50 cidades por mês em backhaul", garante.

Satélite

Apesar dos esforços, o satélite geoestacionário brasileiro ainda não saiu do papel, mas a Telebras está progredindo. A Visiona, joint-venture da estatal com a Embraer criada para comprar o artefato, está com algumas empresas já selecionadas. "Estamos com uma shortlist de 3 empresas e possivelmente até o final de julho, a Visiona entrega para o governo a análise dos fornecedores", explicou Bonilha. Mas, para entrar em operação, o satélite pode demorar mais de 30 meses ainda. "Alternativamente, temos trabalhado com outras soluções de curto prazo, inclusive com a O3b (Networks)", diz.

A operadora de serviços satelitais, por sinal, tem plano semelhante ao da Telebras, de proporcionar infraestrutura para ISPs, mas utilizando satélites de órbita baixa operando em banda Ka. A constelação de satélites operada pela O3b que foi colocada em órbita equatorial no final de junho e proverá acesso à Internet a mercados emergentes na Ásia, África, América Latina, região do Pacífico e Oriente Médio, totalizando 180 países. "Temos aqui com a órbita baixa uma menor latência, além de throughput da banda Ka, no qual posso colocar links de 100 Mbps até 1 Gbps. Nossa ideia é, no mesmo modelo da Telebras, chegar a municípios com nossos terminais e criar um ponto de presença", explica o diretor de vendas da O3b, Paulo Berlinksy.

CDN

Por sua vez, a estratégia da Telebras de investir em Content Delivery Network (CDN), para oferecer o serviço a ISPs, ainda precisará esperar. Segundo Caio Bonilha, a empresa não vai comprar nem estruturar nada para a CDN até que toda a infraestrutura de telecom para a Copa do Mundo seja entregue até o final do ano. Feito isso, a estatal passará a tratar do projeto. No entanto, Bonilha garantiu que há funcionários da Telebras que já estão em conversas com provedores para entender a necessidade deles e o que a indústria tem a oferecer.

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