quinta-feira, 11 de julho de 2013

Enquanto o governo admite risco, Telebras afirma que redes são seguras

Empresa diz garantir sigilo total em comunicações do poder público, mas não para companhias e provedores

O Globo - 11/07/2013

BRASÍLIA - No mesmo dia em que no Senado o governo admitiu vulnerabilidade no sistema de comunicações do país, o presidente da Telebras, Caio Bonilha, garantiu nesta quarta-feira que as redes de comunicação privativas do governo são totalmente seguras contra espionagem e ataques de hackers. No total, são 25 mil quilômetros de redes, que se conectam por um único ponto, via Telebras, à internet. A construção de redes estratégicas de governo, lembrou Bonilha, fazia parte do decreto que reativou a empresa. Para garantir o sigilo das comunicações, disse ele, são usados equipamentos tecnológicos fabricados no Brasil, com tecnologia nacional.

- A existência da rede estratégica do governo depende também do controle dos equipamentos que estão nesta rede. Os equipamentos com que trabalhamos não se submetem às leis de outros países. Com isto, construímos uma rede onde provemos serviços para algumas áreas do governo onde podemos assegurar que o tráfego que passa pela nossa rede de maneira alguma seja bisbilhotado - garantiu.

Já a outra rede da Telebras que presta serviço para empresas e provedores, inclusive usada para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) - que pretende universalizar o serviço de internet de alta velocidade para todo o país - não é totalmente segura.

- Na hora em que a rede tem uma porta para a rede mundial da internet, não tenha dúvida que cai no lugar comum - diz Bonilha.

A rede tem três pontos ligados à internet: Rio, Brasília e São Paulo. O quarto ponto será em Fortaleza, mas ainda não foi ativado. A Telebras também tem um sistema para alertar contra um possível ataque de hackers. Ele funciona feito um alarme, explica Bonilha, e toca quando um volume muito grande de dados começa a trafegar pela rede de um cliente da Telebras. A empresa é imediatamente acionada para verificar o que está acontecendo. Se for um hacker, ele é bloqueado.

Será construído ainda em Fortaleza pela Telebras um data center, local de armazenamento de dados. Até o final de agosto, será assinado com a prefeitura da cidade o novo acordo para a cessão do terreno. Estão previstos para o ano que vem investimentos de R$ 60 milhões na obra. A ideia é acoplar o data center à rede da empresa.

Ministro reclama do baixo orçamento para a defesa cibernética

Em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, o ministro da Defesa, Celso Amorim, reconheceu nesta quarta-feira a situação de “vulnerabilidade” na troca de informações oficiais no Brasil, com uma possibilidade real de violação de dados por outros países. Segundo Amorim, “estamos ainda na infância, não é nem adolescência” em relação à defesa cibernética. O ministro reclamou veladamente do baixo orçamento do governo federal para os programas de proteção cibernética: menos de R$ 100 milhões previstos no Orçamento da União de 2013.

Amorim afirmou que o núcleo de defesa cibernética existente no Exército Brasileiro ainda é “jovem”, em funcionamento desde 2011. Depois da divulgação das informações sobre a suposta espionagem do governo dos Estados Unidos no Brasil, o ministro se reuniu com os chefes das Forças Armadas para dimensionar a fragilidade dos dados que circulam no país.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você tem conta no Google, identifique-se e deixe aqui seu comentário, com críticas, sugestões e/ou questionamentos.