terça-feira, 28 de maio de 2013

Após 2 anos de silêncio, Telebras está pronta para falar com investidores

Caio Bonilha, presidente da Telebras: mais de cem contratos assinados com operadoras privadas e acordos para troca de capacidade em fibra óptica


A companhia estatal de telecomunicações Telebras está finalmente pronta para conversar com seus investidores, mais de dois anos depois de ser reativada como uma provedora de internet banda larga.

"Nós temos uma comunicação fraca com o mercado", reconheceu o presidente Caio Bonilha, em entrevista. "Nós teremos nossa primeira teleconferência com analistas no próximo mês [junho], após dois anos trabalhando em silêncio." Bonilha pode ter boas notícias para investidores, como a Telebras estar próxima de deixar o prejuízo operacional neste ano. Em 2012, a companhia reportou perdas operacionais de R$ 4,8 milhões.

A Telebras, antigo monopólio de telecomunicações desmantelado em uma grande privatização em 1998, foi reativada em 2010 como um veículo para instalar infraestrutura de internet para áreas distantes e pouco povoadas do Brasil, negligenciadas por outras operadoras. A companhia é controlada pelo governo, mas cerca de um quarto de suas ações está nas mãos de investidores privados.

A Telebras também se tornou responsável por equipar estádios de futebol brasileiros com redes de acesso à internet para a Copa das Confederações, neste ano, e a Copa do Mundo, em 2014. A empresa também oferecerá serviços de dados para a transmissão dos jogos.

A Telebras assumiu 25 mil milhas (402,3 quilômetros) de redes de fibra óptica que tinham sido colocadas em rotas de companhias estatais, como a geradora de energia elétrica Eletrobras.

Para a compra e instalação de equipamentos para ativar e instalar a rede de fibras ópticas, a companhia gastou R$ 240 milhões, disse Bonilha. Muitas das conexões potencialmente valiosas ficaram inativas por anos, pois as companhias do setor privado não mostraram interesse em estender as redes de internet de alta velocidade para áreas onde há poucas pessoas, e mesmo algumas cidades pequenas ou grandes cidades distantes da costa densamente povoada, afirmou o executivo.

Em vez de deixar a tarefa para o setor privado, o governo decidiu assumir a tarefa, em 2010. "Era uma questão sobre o ovo ou a galinha", afirmou Bonilha. "Conforme as áreas se desenvolvem, se tornam mais atrativas. A pergunta é: quem vai primeiro? O setor privado vai quando a região já possui infraestrutura. Nós, como empresa estatal, não temos essa necessidade."

A Telebras recuou das ambições iniciais. No início de 2011, estimou uma meta de investimentos de R$ 9,8 bilhões, mas Fabrício Santos Limoeiro, diretor de relações com investidores, disse que o número "não reflete a atual projeção de recursos para a companhia."

"Acreditamos que este não é o momento de emitir ações no mercado, pois estamos ainda no estágio inicial da operação", afirmou Limoeiro.

Mesmo quando disponível, a internet de banda larga pode ser cara. Em algumas áreas, usuários ainda pagam quase US$ 200 por megabit, disse Bonilha, ante US$ 40 por pacotes de 15 megabit disponíveis nas áreas urbanas.

As empresas de telecomunicações privadas têm sido muito ativas nas capitais densamente povoadas do país, mas não muito além disso. "No Norte do país, não há competição porque não há lucro", diz Alex Pardellas, analista na CGD Securities. Ele acrescenta que a penetração continua baixa em muitas áreas urbanas e as empresas privadas devem manter o foco nas cidades.

Bonilha disse que a Telebras assinou mais de cem contratos com operadoras privadas, incluindo algumas das maiores do setor, como TIM e Oi, para que possam usar o segmento principal da rede de telecomunicações (backbone) da Telebras em áreas pouco povoadas. Algumas vezes os acordos envolvem a troca de capacidade de fibra óptica ou uma tarifa de leasing paga à Telebras.

O conselho de administração da Telebras anunciou recentemente a proposta de reduzir o capital da companhia, de R$ 719,4 milhões para R$ 263,1 milhões, sem diminuir a quantidade de ações, com o objetivo de absorver o saldo de prejuízos acumulados. A proposta foi aprovada pelo conselho fiscal, informou ontem a companhia. Falta agora a aprovação dos acionistas da empresa.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o conselho fiscal da Telebras ponderou que a proposta está em conformidade com a Lei das Sociedades por Ações em seu artigo nº 163, e com o Estatuto Social da companhia.

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