sexta-feira, 5 de abril de 2013

Estatal do trem-bala mapeará 57 mil km de fibras ópticas em rodovias [que poderão ser agregadas ao backbone da Telebras]

Objetivo é transformar as vias em captadores de informação. Iniciativa é primeiro passo para a construção do 'backbone' da empresa.


Criada para ser sócia do trem-bala, a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) irá mapear 57 mil quilômetros de fibras ópticas instaladas ao longo de rodovias e ferrovias para transformar as vias em captadores de informação.O acordo para que os trabalhos comecem será assinado nesta quinta-feira (4) entre a estatal e Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), que será responsável pelo projeto.

A iniciativa faz parte de outra competência da estatal: planejar a integração logística do país. A ideia é aproveitar a infraestrutura de internet rápida para criar seu próprio backbone (espinha dorsal de uma rede de internet), afirmou Manuel Poppe, coordenador do Núcleo de Desenvolvimento Tecnológico da estatal.
Mapa fibra óptica (Foto: Arte G1)
A rede de fibras será usada para que a EPL possa integrar informações de entidades que captam dados em ferrovias e rodovias, como concessionárias, postos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Receita Federal. Com a integração, a estatal poderá ter acesso, por exemplo, ao fluxo de praças de pedágio e postos fiscais. As informações darão suporte à criação do Observatório de Transporte e Logística, projeto da EPL que conterá uma radiografia do sistema de transporte brasileiro.

“Há dificuldade de se ter informação em tempo real, que até existe, mas de forma não integrada. As coisas não se conversam. Não adianta ter equipamentos que coletam dados sem uma rede de alta velocidade que integre esse sistema”, afirmou Poppe ao G1.

Como exemplo dos desencontros tecnológicos, Poppe cita os sistemas da Receita, que monitoram a circulação de mercadorias, mas não se comunicam diretamente com as bases de dados das concessionárias. E fica difícil cruzar essas informações, já que os relatórios enviados aos órgãos do governo estão em papel, arquivos digitais em formato PDF ou em planilhas.

Isso não é um problema exclusivo do Brasil. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mais de dois terços das informações sobre transporte e logística produzidas no mundo não são conhecidas, devido à falta de integração dos sistemas.

“A EPL não pode passar a vida toda fazendo pesquisa. Precisa saber quais são as principais origens e destinos e quais os principais corredores logísticos para fazer um planejamento de forma integrada.”
Sem informação, o país age para “apagar incêndios, em vez de elaborar planos de longo prazo”, diz Poppe. “Hoje, uma rodovia só é duplicada quando está no gargalo. Demora dez anos até a obra ser concluída. Até lá, provavelmente a realidade será outra e talvez [a estrada] precise ser triplicada ou arranjar outro modal [de transporte].”

Segundo Ney Castro, coordenador de projetos da RNP, além do inventário, que deve começar até maio e durar até o fim do ano, a entidade fará o projeto de infraestrutura de rede, ou seja ligar as diversas fibras.

Além dos 57 mil km, a EPL também usará a rede da Telebrás, segundo Poppe. Já fechou acordos com a estatal e com o Ministério das Comunicações. Em troca, a estatal poderá utilizar o futuro backbone da EPL para o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL).

Atualmente, o projeto opera por meio dos 31 mil km de linhas de transmissão de energia, um problema, já que geralmente passam longe dos centros urbanos. “Com isso, pegam uma carona, porque as rodovias passam pelas cidades”, diz Poppe. Para as futuras concessões, o governo decidiu que as concessionárias construam dutos para que a EPL possa implantar suas fibras.


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