segunda-feira, 8 de abril de 2013

À espera da 4G

Estadão - 07/04/2013

No fim deste mês vence o primeiro compromisso das operadoras que compraram as licenças da quarta geração da telefonia celular (4G). Elas se comprometeram a atender às seis cidades-sede da Copa das Confederações: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, tem dito repetidamente que a exigência será cumprida. "Não temos nenhuma dúvida de que as empresas vão cumprir esse prazo, até porque isso é cláusula que está no edital, ou seja, vira uma obrigação legal e elas podem ser severamente punidas se não cumprirem essa determinação", afirmou na semana passada, durante o programa de rádio Bom Dia Ministro.

Na prática, a 4G já chegou ao Brasil. A Claro oferece comercialmente o serviço em Campos do Jordão (SP), Paraty e Búzios (RJ), Curitiba, Porto Alegre e Recife. As estações radiobase (equipamentos que conectam o celular à rede das operadoras) mais modernas só precisam de uma atualização de software e de uma troca de placas para ter sua capacidade ampliada da terceira geração (3G) para a 4G. O grande desafio, no caso, não é cobrir as cidades, mas cobrir as cidades com qualidade.

No ano passado, durante o Painel Telebrasil, evento das empresas de telecomunicações em Brasília, eu testei um modem 4G da Oi, por dois dias. A experiência se compara a de uma conexão fixa, pelo menos numa rede com poucos usuários. Na prática, o que a 4G faz é trazer banda larga móvel de verdade ao mercado. Por mais que as operadoras chamem 3G de internet rápida, a experiência que se tem com a tecnologia ainda é inferior ao ADSL (conexão pela rede telefônica), cabo e, principalmente, fibra óptica.

A velocidade média da banda larga brasileira é de 2,2 megabits por segundo (Mbps). Para se ter uma ideia, a capacidade teórica da tecnologia atual de 4G é de 100 Mbps. Mas, na prática, os pacotes das operadoras não chegam a isso, mesmo fora do Brasil. Elas costumam oferecer pacotes entre 5 e 12 Mbps. O que já suficiente, por exemplo, para aplicações de vídeo em alta definição. Uma demonstração comum da 4G é usar a tecnologia como link de TV digital ao vivo. No lugar de as emissoras usarem uma van com uma antena, como acontecia na TV analógica, fazem tudo com um modem um pouco maior que um pen drive, pendurado numa mochila.

Muita gente tem perguntado: para que 4G, se nem a 3G funciona direito? Em primeiro lugar, com a 4G as operadoras ampliam a faixa de radiofrequência destinada ao serviço de telefonia móvel. Com mais capacidade de espectro, conseguem atender mais clientes. Principalmente nos grandes centros urbanos, a capacidade das redes atuais está chegando ao limite. Em segundo lugar, a 4G vai colocar o País em sintonia com o que existe de mais avançado no mercado mundial de comunicações móveis. Os aparelhos mais legais e as aplicações mais interessantes precisarão, cada vez mais, de uma rede 4G.

Mas quem faz essa pergunta tem razão. Se é difícil montar uma rede 3G com qualidade, fazê-lo com a tecnologia 4G é mais ainda. A versão da 4G que está chegando ao País opera em 2,5 GHz. A 3G está na faixa de 1,8 GHz. Quanto mais alta a frequência, menor o raio de cobertura da antena. Essa é uma questão física. Ou seja, para se ter a mesma cobertura da 3G, as operadoras vão precisar de muito mais antenas do que têm hoje.

No começo, isso não será um problema. Pouca gente vai ter aparelhos em 4G e a rede estará livre. Conforme as pessoas forem migrando para a nova tecnologia, as deficiências vão começar a aparecer. Não é por acaso que as operadoras têm anunciado parcerias na infraestrutura da telefonia móvel. A TIM fechou um acordo de compartilhamento com a Oi para a 4G e a Vivo fechou um acordo com a Claro, para 3G e 4G. Com isso, podem reduzir custos e enfrentar melhor a dificuldade de se conseguir permissões para instalar novas antenas e novas redes de fibra óptica.

Para que a 4G funcione, é necessário facilitar a instalação de infraestrutura, e que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) seja mais rigorosa na fiscalização das prestadoras de serviço e na exigência de qualidade.

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