quarta-feira, 6 de junho de 2012

Uma isenção de R$ 16 milhões

Correianeto - 05/06/2012

Não sou bandido, como querem fazer crer que sejam todos os que, de alguma forma discordam de atitudes adotadas pelo poder. Não sou contra nem totalmente à favor do governo, como não tenho nenhuma participação em alguma das quatro empresas provedoras de Internet no Estado, mas não sou burro, nem cego.

Sou contra – e assim continuarei até que me provem o contrário- o governo do Estado conceder uma isenção de R$ 16 milhões a uma multinacional milionária, que não tem um centavo de capital nacional, para trazer banda larga através de fibra ótica, o que o linhão de Tucurui está trazendo para o Amapá, sem custo para o seu povo.

Banda Larga nós já temos aqui, recebida em Belém em fibra ótica, e transportada para o Amapá via rádio.

O ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, não viria ao Amapá para inaugurar o sistema de banda larga da Telebrás, se não existisse banda larga. E é preciso dizer que não existe diferença entre a banda larga da fibra ótica do rádio, nem em velocidade, nem em qualidade. A única diferença que existe é na capacidade de armazenamento do sinal. A fibra ótica armazena uma quantidade muito maior. Só isso. Nisso está o porque de eu ser contra a isenção.

Mas ainda existem algumas outras coisas, e quem estiver interessado em avaliar a questão, do ponto de vista dos reais interesses da população de um estado pobre como o nosso. Procure saber, por exemplo, o que aconteceu em Roraima, onde o verdadeiro interesse da OI era passar com o cabo de fibra ótica, trazido da Venezuela, para atingir seu objetivo real, Manaus, um mercado muito maior que o roraimense, onde ficaram apenas cento e cinquenta megas, no primeiro ano, suficientes para atender apenas o centro a cidade de Boa Vista.

Este é um assunto sério, muito sério, porque envolve gasto de dinheiro público, o que não pode ser decidido por um pequeno grupo de pessoas, sem uma consulta mais ampla ao principal interessado, o povo. É um tema que não pode ser decidido ao sabor de pequenas vaidades pessoais, por birra ou pirraça. 

Por conta de tudo isso, é clara a posição do governo brasileiro contra as isenções concedidas a empresas que receberam, praticamente de presente, as concessões hoje utilizadas para ganhar dinheiro no Brasil, e enriquecer países lá fora. Atenta a esse aspecto, a presidente Dilma Rousseff tem preferido estimular as pequenas empresas brasileiras, não só as do Amapá, que geram empregos e renda para brasileiros que vivem aqui. Este é um argumento que ninguém pode refutar.

Silêncio no museu
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo foi ao Museu Sacaca, na sexta-feira passada, para inaugurar a banda larga trazida pela Telebrás ate Belém, e transportada via rádio para Macapá. O ministro ia falar com uma família do bairro São Lázaro, a primeira assinante que vai pagar R$ 35,00, do Plano Nacional de Banda Larga. Antes da solenidade a Você Telecom testou todos os equipamentos, e tudo estava normal. Na hora do ministro fazer contato, o som do Museu Sacaca falhou. O sinal de imagem estava perfeito, o som do Museu, não.

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