quinta-feira, 21 de junho de 2012

Entenda como funcionam os cabos submarinos

Folha de São Paulo - 21/06/2012

Na era dos satélites, as telecomunicações ainda dependem, e muito, de um sistema implantado em meados do século 19 e que vem se desenvolvendo desde então. Trata-se dos cabos submarinos, que interligam países e continentes e permitem que as pessoas se comuniquem por telefone e internet, assistam televisão ou que as empresas transmitam dados. 

No fim de janeiro, Índia, Egito e países do Oriente Médio viveram momentos de apreensão em razão de uma falha nesse sistema. Durante quase duas semanas, esses locais tiveram problemas no acesso à internet e telefone, devido ao rompimento de alguns desses cabos.
Divulgação
Segundo comitê internacional, cabos submarinos carregam 95% das informações de voz e dados transmitidas internacionalmente.
Segundo a International Cable Protection Committee, cabos submarinos carregam 95% das informações internacionais de voz e dados
O problema mais grave ocorreu em razão da quebra de dois cabos importantes que ficam no mar Mediterrâneo. Segundo o TeleGeography, um grupo de pesquisas dos Estados Unidos que rastreia cabos submarinos pelo mundo, o rompimento dos cabos afetou em 75% a capacidade de conexão do Egito e países do Oriente Médio com a Europa.

Atualmente, a maior parte desses cabos são dotados de fibras ópticas, que recebem uma proteção bastante reforçada para trabalhar sob o mar.E, para reduzir o risco de acidentes, os cabos são identificados em cartas náuticas e ficam localizados em áreas de proteção. Nessas regiões, atividades que podem danificar o sistema, como a pesca, são proibidas. 

Acidentes
Mas, de acordo com José Roberto Amazonas, professor associado da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), esse tipo de acidente é "mais ou menos comum". Ele afirma que o problema pode ser causado, por exemplo, por âncoras de navios --uma das principais suspeitas no caso do Mediterrâneo-- ou até tubarões. 

Entretanto, para que o fluxo de informações não seja interrompido, cada vez que um cabo se rompe, há uma "redundância" no sistema. Ou seja, caso o tráfego fique impossibilitado em uma rede de cabos, o fluxo é transferido temporariamente para outra banda. 

"Nesse caso [do último rompimento], esses países provavelmente não tinham uma redundância adequada", afirma ele. 

Eficiência
Apesar desse tipo de problema, Amazonas afirma que o sistema de transmissão por cabos submarinos é mais eficiente que por satélite. Isso porque o cabeamento tem maior capacidade para suportar o fluxo de dados e os transmite em menos tempo, além de proporcionar melhor qualidade de transmissão. 

Essa eficiência é, entre outros motivos, gerada pela implantação dos cabos de fibra óptica, iniciada em meados nos anos 80. Apenas um par de fibras ópticas --em um cabo submarino pode haver vários-- pode transmitir, de uma só vez, o equivalente a 150 milhões de telefonemas juntos. 

Segundo o International Cable Protection Committee (algo como Comitê Internacional para Proteção de Cabos), atualmente os cabos submarinos carregam 95% das informações de voz e dados transmitidas internacionalmente, enquanto os satélites carregam 5%. 

Grande parte de mares e oceanos servem de abrigo para cabos submarinos. De acordo com o comitê de proteção, apenas no Atlântico há 56 cabos em operação. No site da instituição é possível ver a lista com esses equipamentos. 

Brasil
No Brasil, esses cabos são de extrema importância, dadas as dimensões do país. Há cabos submarinos por toda a costa brasileira, que conectam regiões do país e também pontos no exterior. 

Em geral, esses sistemas são controlados por grupos de empresas de telecomunicações, como Embratel e Telefonica --a partir deles é que as empresas podem oferecer serviços de telefonia e internet, por exemplo. 

Mas há empresas que não são do setor que também possuem esse tipo de cabo. É o caso da Petrobras, que usa o sistema para transmitir dados das plataformas de petróleo localizadas na bacia de Campos, por exemplo, para os escritórios em terra. 

"Estamos bem nessa área. Temos uma grande capacidade instalada e uma boa redundância. Não é para a população ficar preocupada [com os recentes incidentes]. Esses cabos são feitos para funcionar mesmo em caso de acidente", afirma o professor da USP.

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