terça-feira, 12 de junho de 2012

4G tem potencial para revolucionar o acesso à internet no Brasil

Folha de São Paulo - 12/06/2012

Com o leilão de frequências para o 4G, aumentou no país o debate sobre implementação, desafios e vantagens em potencial dessa tecnologia.

Alguns especialistas argumentam que a discussão está sendo deixada para "última hora", mas a complexidade dela justifica que se discutam detalhes até o último instante -não se trata só de mais uma evolução tecnológica.

O 4G tem potencial para revolucionar o acesso à internet no Brasil, com velocidades dez vezes maiores que a atual, criando base de comunicação capaz de suportar a migração dos computadores fixos (desktops) para grande leque de dispositivos móveis -notebooks, netbooks, tablets, smartphones etc.

No Brasil, a implementação do 4G é discutida apenas cinco anos após a do 3G. É quase o mesmo prazo que economias mais maduras levaram para essa transição.

Um dos principais pontos é a necessidade de ampliação do número de antenas para a cobertura. Estima-se que seja necessário no 4G um número de antenas de três a quatro vezes maior que no 3G.

As operadoras reconhecem esse desafio e questões sobre a viabilidade econômica do investimento em infraestrutura em regiões distantes de centros populosos voltam à pauta dessas empresas.

A aquisição ou o aluguel de áreas para a instalação de antenas é um processo complexo. Envolve a insatisfação de munícipes e, em alguns casos, a necessidade de negociação com prefeituras, nas cidades com leis específicas para a emissão de autorizações de operação de antenas.

Outro ponto complicado é que hoje poucos dispositivos móveis suportam a tecnologia 4G e levará algum tempo para que isso mude. Inicialmente, essa possibilidade será limitada a aparelhos mais caros -planos de acesso serão provavelmente custosos.

Há também o temor de que, em face do investimento para o 4G, a ampliação e a manutenção do 3G sejam reduzidas, causando impacto na qualidade de serviço.

Estamos, entretanto, num momento adequado para essa transição. Uma implementação tecnicamente correta não deveria causar impacto nas redes 3G existentes.

O 4G coincide assim com a tendência de maior mobilidade. Pode fornecer melhor base para expandir o uso de plataformas móveis, reaquecer o mercado de hardware, melhorar a qualidade em banda larga e até possibilitar ganhos em inclusão digital.

ÁLVARO LEAL é consultor sênior da IT Data, especializada em tecnologia
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Carlos Slim diz que tecnologia 4G será sua prioridade no Brasil

O Estado de S.Paulo - 12/06/2012

O mexicano Carlos Slim, considerado o homem mais rico do mundo, coloca a expansão da tecnologia 4G no Brasil como sua nova prioridade, e garante que vai ampliar seus investimentos no País nos próximos anos em diversas áreas, incluindo infraestrutura para grandes eventos esportivos. Ontem, em Genebra, Slim também deixou claro que vê oportunidades na Europa, justamente quando o continente enfrenta uma recessão. "Essa é a hora de investir", disse.

As empresas de Slim já detêm 54% de todas as assinaturas de TV paga no Brasil. As três empresas controladas por ele no País - Claro, Embratel e Net - poderiam investir juntas cerca de US$ 10 bilhões, segundo informações do fim de 2011. Parte da ofensiva está na expansão do sistema 3G de telefonia celular, na busca de um número cada vez maior de consumidores.

Mas a principal aposta é mesmo o leilão do 4G, que ocorre hoje no Brasil e promete ser um dos principais eventos do setor em 2012 no mundo (ler abaixo). "Estamos muito ativos em telecomunicações no Brasil", disse Slim. Questionado se os investimentos seriam incrementados, o mexicano não hesitou. "Claro, vamos aumentar", disse. Segundo ele, o Brasil "necessita de 4G, de mais infraestrutura, de mais velocidade".

Slim aponta que, na América Latina, a penetração do celular já chega a uma taxa de 110%. Mas alerta que apenas falar ao telefone já não é suficiente. "Temos de impulsionar até 2015 o acesso à banda larga. Além disso, temos de ter novos aparelhos de telefonia, para mandar e receber informações." Ele lembra que, hoje, só 12% dos celulares no mundo são inteligentes. Nos Estados Unidos, a taxa já é de 50%.

"Temos projetos no Brasil para garantir a conexão de milhares de povoados com satélites. O importante é conectar", disse. Ao mesmo tempo, seu império se lança no setor de transmissão de eventos esportivos pelo mundo. Uma de suas empresas deve iniciar a construção de cabos submarinos para garantir o tráfego de dados entre o Brasil e os Estados Unidos. A meta é a de entrar com força no mercado nacional antes da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Tanto a Fifa quanto o COI insistem que o Brasil terá de oferecer a máxima tecnologia em termos de telecomunicações, em um tema que vem sendo alvo de debates entre as entidades esportivas e o governo. A Fifa, por exemplo, quer exigir do Brasil que o custo pelo uso de toda a tecnologia seja arcado pelo governo. Para o Ministério dos Esportes, tornar o sistema disponível não significa pagar a conta por seu uso durante o Mundial.

Europa. O Brasil não é o único objetivo do homem mais rico do mundo. Slim não deixa dúvidas de que está em busca de negócios pela Europa, um continente em crise há quatro anos. No mercado, rumores indicam que Slim estaria buscando oportunidades em diversos países europeus, enquanto bilhões de euros estão abandonando a região.

Uma dessas oportunidades estaria na Áustria. Privatizações na Grécia, Portugal e em outros países também estariam em seu radar. Slim, porém, se recusou a comentar sobre seus projetos.

Não por acaso, a solução que ele defende para a crise europeia é justamente a venda de ativos detidos hoje pelos governos europeus. "Os Estados estão esgotados na Europa. Devem vender suas estradas e seus aeroportos e dar lugar aos investidores. Isso criaria atividade econômica."

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