terça-feira, 24 de abril de 2012

Sem banda larga, não há computação na nuvem

Convergência Digital - 24/04/2012

O Brasil tem muito a ganhar com o desenvolvimento da computação em nuvem, especialmente se conseguir viabilizar a infraestrutura que garanta alta capacidade no transporte de dados – e usar isso como diferencial de mercado para atrair investimentos para o país.

“Se não houver garantia de acesso de banda larga, não vai adiantar ter um processamento de alta capacidade, porque a entrega para o usuário final vai ter demora. Hoje, grande parte dos datacenters estão se alocando em São Paulo e precisamos de uma distribuição maior para que isso seja acessado de forma correta em outros pontos do país”, afirma o diretor comercial da Telebras, Rogerio Boros, que participou de audiência pública sobre Computação na nuvem, na Câmara, nesta terça-feira, 24/04.

Nessa linha, como lembra o presidente da Abranet, Eduardo Neger, a massificação da banda larga é essencial para o desenvolvimento da computação em nuvem. “Mas temos regiões onde não há mais de um provedor de acesso”, lamenta, insistindo que a existência (ou não) de competição tem impacto direto na qualidade e no preço dos serviços.

Na visão de um provedor de transporte de dados, a Telebras acredita que o Brasil tem um bom potencial de desenvolvimento da “nuvem”, a começar pela chance de concentrar aqui os conteúdos em português. “Vários países tem demanda e interesse em ter tráfego com o Brasil”, indicou, lembrando o recente acordo com Angola para a construção de um cabo submarino no Atlântico.

“Se pudermos explorar o que vai ser desenvolvido em conteúdo em português, teremos potencial para gerar competitividade, trazendo emprego e tráfego. Ao trazer tráfego, outros países querem interconexão e gera potencial econômico não só em TI, em aplicações, mas também em telecomunicações”, sustentou Boros. Com essa escala, ele acredita, o país também poderia se tornar hub também para os conteúdos em espanhol dos vizinhos latinoamericanos
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O país, porém, parece distante desse cenário. Basta verificar as distâncias mencionadas durante audiência na Câmara sobre computação em nuvem. Enquanto o sudeste concentra a maioria das conexões com mais de 2Mbps, no Norte, mais de 60% dos acessos não chega a isso. “O custo da banda de Internet no país ainda é alto, especialmente fora do eixo Rio-São Paulo”, emendou o diretor de projetos especiais e desenvolvimento do NIC.br, Milton Kashiwakura.

Governo vai criar grupo interministerial sobre computação em nuvem

O governo deve criar até o final de maio, um grupo interministerial para discutir internamente os princípios do que será a nuvem governamental, mas também para tratar de ações executivas com o objetivo de se chegar a um projeto-piloto e a prova de conceito dessa tecnologia na administração federal.

“A ideia é discutir as estratégias, os aplicativos que vão rodar nessa nuvem, em quais datacenters. Até para termos um diálogo direto unificado do governo com a iniciativa privada e mesmo com outros agentes federados”, explica o coordenador de software e serviços do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Rafael Moreira.

Paralelamente, o MCTI promete para maio a divulgação de uma Política Nacional de Software, onde parte das questões relativas à computação em nuvem começarão a ser endereçadas. E promete novos editais para o desenvolvimento dessa tecnologia no país. “Teremos editais de aproximadamente R$ 30 milhões, com recursos de Finep, Fapesp, etc, ainda este ano”, completou Moreira.

Na prática, a formalização de um grupo interministerial já teve um ponto de partida com os trabalhos que desenvolvidos pelo grupo que reúne o próprio MCTI, o Planejamento e estatais como Serpro, Dataprev e Telebrás, além do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) com vistas a estruturação de uma nuvem privativa do governo.

Orquestrador

Até aqui, as iniciativas em nuvem estão apenas começando no governo. O principal aplicativo talvez seja a suíte de comunicações Expresso, desenvolvida pelo Serpro e pela Dataprev – basicamente uma solução de e-mail, agenda e contatos.

De olho no futuro, o Serpro já planeja a contratação de um “orquestrador” capaz de garantir a interoperabilidade das diferentes tecnologias de nuvem. Mas aguarda o aparecimento de mais competidores nesse cenário.

“Naturalmente, queremos ser múltiplos, capazes de trabalhar com ‘nuvens’ diferentes. Por enquanto podemos esperar, porque rodamos somente em XEN. E queremos, para essa licitação, ver se aparecem outros além dos únicos dois orquestradores disponíveis no mercado hoje (na visão dele - Dell e CA)”, afirma o presidente da estatal, Marcos Mazoni. 

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