sexta-feira, 27 de abril de 2012

Rede de 10 mil km de fibra óptica faria conexão regional

Valor - 27/04/2012

A integração dos países sul-americanos não depende apenas de estradas de ferro, pontes e rodovias. Para especialistas da Telebrás, a unificação da região também pode ser costurada com conexões de fibra óptica. O projeto Interligação Óptica Continental dos Países Sul-Americanos, apresentado pela estatal brasileira no Fórum de Infraestrutura da Fiesp, tem como objetivos aumentar o conteúdo local para banda larga, construir cabos internacionais e fazer a interconexão entre países da América do Sul, com a diminuição do tráfego de dados para os Estados Unidos.

A iniciativa inclui uma estrutura de anéis de fibra óptica com mais de dez mil quilômetros de extensão, capaz de baratear os custos da internet banda larga na região e diminuir o fluxo de dados intercontinental. Hoje, um e-mail do Brasil para o Uruguai, por exemplo, ao invés de apenas cruzar uma fronteira, precisa seguir até os Estados Unidos e então seguir seu destino.

"A banda larga é uma das prioridades do governo federal e requer investimentos públicos e privados", diz Aldemo Garcia Jr., assessor internacional do Ministério das Comunicações. "A ferramenta pode servir para o aumento da inclusão social e para o desenvolvimento da América do Sul."

Os investimentos no projeto sul-americano de fibra óptica estão estimados em R$ 100 milhões. A conta para a fabricação e instalação de cinco cabos submarinos, para dar suporte à região e fazer ligações com linhas já existentes, ultrapassa US$ 800 milhões. A previsão é entregar 12 mil quilômetros de cabos, até 2014.

O Brasil tem quatro saídas para cabos submarinos, operados por empresas privadas, que conectam a América do Sul aos Estados Unidos. Estão em Fortaleza (CE), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Santos (SP). Com exceção do Paraguai e da Bolívia, que não têm saída oceânica, os demais países sul-americanos também têm ligações com esses pontos. O cabo que sai de Fortaleza para a Flórida pode ter novas conexões com a Colômbia, Guiana e Suriname.

Segundo Paulo Kapp, gerente de inovação e tecnologia da Telebrás, dependendo do Estado brasileiro, o custo do enlace internacional varia de 32% a 37% do total gasto com o acesso à internet. Na Colômbia, essa despesa sobe para 92% e, na Argentina, 75% do tráfego gerado estão fora do país. Na prática, um provedor de serviço de conexão à internet na América do Sul paga três vezes mais pela conectividade internacional do que um provedor localizado nos EUA.

"No Brasil, 77% do fluxo internacional de internet seguem para a América do Norte e 13% para a Europa", diz Kapp. "A novidade é que a movimentação dentro da América do Sul aumentou três pontos percentuais nos últimos 12 meses, com grande participação das redes de pesquisa. Mais uma razão para levarmos essa ideia adiante."

O projeto foi lançado em Brasília, no ano passado, durante uma reunião dos ministros de comunicações dos países da América do Sul. Foi formado um grupo de trabalho, com novas reuniões previstas para Assunção, no Paraguai, em julho; e em setembro, no Rio de Janeiro. Para dinamizar o diálogo entre os países durante a execução do projeto, foi criada ainda a Organização Internacional de Telecomunicações das Américas (Oita), com sede em Montevidéu, e associados regionais, como as estatais de telecomunicações da Bolívia (Entel), Uruguai (Antel), Argentina (Arsat), Telebrás (Brasil) e CanTV (Venezuela). Cuba e Costa Rica também participam.

De acordo com Bolívar Moura Neto, diretor da Telebrás, a iniciativa privada brasileira poderá participar da implantação dos anéis ópticos. "O backbone nacional é 100% da Telebrás, mas temos acordos com Petrobras e empresas privadas, como no aluguel de passagem de fibra em estradas", diz. "Podemos fazer acordos, inclusive com concessionárias, para investir menos em infraestrutura e avançarmos mais com a rede física."

A apresentação na Fiesp atraiu representantes de companhias, como o Grupo CCR, Copel e a Empresa de Energia de Bogotá (EEB).

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