segunda-feira, 5 de março de 2012

Telebras vê cenário promissor para 2012

Insight - Laboratório de Ideias - 05/03/2012

O prejuízo de 47,9 milhões de reais em 2011, divulgado pela Telebrás no último dia 02, não trouxe nenhuma surpresa a analistas e ao mercado de ações. Afinal, após a reativação em maio de 2010, a estatal ainda não teve, na prática, receitas operacionais expressivas advindas de sua atividade precípua.

No próprio balanço anual, a empresa se autodefine como "em fase de reestruturação organizacional e inicio das operações".

Apesar do prejuízo, os números da empresa tiveram algumas melhoras sensíveis.

O Ativo apresentou uma evolução da ordem de 100%, quando comparado com 2010, decorrente do crescimento das rubricas do Ativo Circulante (evolução de 119%) e Ativo Imobilizado (evolução de 1.870%), embora essas variações tenham decorrido do aporte de recursos por parte do acionista controlador para o financiamento da implantação do Programa Nacional de Banda Larga, que não foram totalmente utilizados.

O Patrimônio Líquido apresentou forte evolução, passando de R$ 22,3 milhões negativos para R$ 338,7 milhões positivos. Com isso, o Valor Patrimonial por Ação (VPA = Patrimônio Líquido / nº ações) teve um salto de R$ 0,71104 negativo para R$ 3,08759 positivos.

Segundo a Telebras, os dados da estrutura patrimonial refletem uma situação que deve continuar sofrendo profundas alterações nos períodos subsequentes, uma vez que a atividade da empresa requer a utilização intensiva de capitais concentrados no seu ativo imobilizado e o processo de implantação de seu projeto foi acelerado ao longo do exercício de 2011, com reflexos mais fortes nos exercícios seguintes.

A estrutura da área comercial se encontra consolidada com segmentos de vendas, desenvolvimento de produtos, regulação, interconexão, parcerias, marketing, atendimento, faturamento e gestão de clientes. As atividades realizadas englobam a oferta de soluções com foco no PNBL para pequenos e médios provedores e Prefeituras, soluções de acesso internet e transporte para Grandes Clientes, Empresas e Administração Pública, interconexão, swap, compartilhamento e Parcerias com Cedentes, Operadoras e Empresas de Processamento de Dados Municipais e Estaduais.

Foram desenvolvidas ações estratégicas para o posicionamento da empresa no mercado, o mapeamento competitivo de preços e a compilação da demanda nacional distribuída geograficamente para priorização de atendimento, assim como pesquisa de mercado junto aos provedores e a participação ativa em eventos do setor de banda larga, como o patrocínio da Expedição WDC para investigação da qualidade de rede e serviços ao longo do trajeto da rede Telebras, além da participação da Telebras na Futurecom e ABTA.

Projeção de aumento significativo na capacidade instalada ao longo deste ano

Foi iniciada uma atividade de propaganda junto a todas as Prefeituras que se encontram dentro do raio de atendimento da rede. A área de gestão de clientes realizou a licitação do Call Center e toda a estrutura para atendimento foi formulada.

A área de desenvolvimento de produtos foi estruturada e formulou um amplo portfólio que inclui a oferta de IP PNBL, IP Corporativo, redes VPN/MPLS, enlaces Ponto-a-Ponto utilizando L2-VPN ou DWDM, entroncamento TDMoIP e anel metropolitano sobre tecnologia DWDM.

A Gerência de Grandes Clientes tem focado sua atuação no atendimento a clientes corporativos e governo. No ano de 2011, o destaque foi o contrato firmado com a SKY para fornecimento de acesso Internet para sua rede 4G, que iniciou uma nova operação em Brasília oferecendo banda larga aos seus usuários.

Ao longo do ano, foram mais de 70 oportunidades criadas e 39 propostas de serviço emitidas, o que constrói um cenário promissor para 2012, tendo em vista o ciclo de venda envolvendo clientes Corporativos e o segmento Governo. Apesar das dificuldades encontradas relacionadas às exigências de utilização da Lei 8666, diversos projetos se iniciaram e muitas parcerias foram consolidadas.

A Telebras firmou 20 Acordos de Cooperação, destacando-se os contratos firmados com a Rede Nacional de Pesquisas - RNP, Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social - DATAPREV, Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG, ETICE e Ministério do Planejamento. Estes acordos são de fundamental importância para a viabilização de redes de acesso em Estados onde a empresa necessita atuar. Foram iniciadas também diversas negociações com as empresas de energia elétrica e a Petrobras, empresas que hoje são responsáveis pelo fornecimento do backbone óptico utilizado pela estatal, assinando cinco contratos de cessão de infraestrutura.

Importante destacar a contribuição da Telebras no projeto da Copa de 2014. A empresa foi escolhida pelo Ministério das Comunicações para representar o Governo na execução das garantias assumidas pelo Brasil para a realização da Copa no País. A expectativa é de que sejam liberados mais de R$ 200 milhões de reais para a construção de infraestrutura em redes de fibra óptica.

O ano de 2011 terminou com 25 contratos comerciais assinados e 1,8 Gbps de banda contratada, um crescimento de 210% entre o 3º e 4º trimestre do ano. A média de capacidade vendida por provedor superou em até 3 vezes as expectativas iniciais. Durante o ano de 2011, foram desenvolvidas atividades comerciais junto a 221 clientes, e as vendas não foram concretizadas em maior volume devido às dificuldades enfrentadas nas viabilidades técnicas de atendimento ainda decorrentes da expansão da rede. A capacidade instalada em operação seguiu níveis ainda irrisórios, com projeção de aumento significativo ao longo do ano de 2012 à medida que a rede entre em operação.

Foram ativadas também as 6 primeiras estações do tipo terminal de rádio (ETR) que possibilitaram o atendimento às primeiras localidades do programa PNBL, já ativando 9 provedores de acesso a internet, garantindo assim o acesso a baixo custo a rede mundial de computadores .

"2012 será o ano da infraestrutura óptica no Brasil, com a ativação da maior parte da rede da Telebrás"

Em participação no programa ministerial do Mobile World Congress, um encontro fechado a autoridades promovido paralelamente ao congresso de mobilidade que aconteceu na semana passada em Barcelona, o ministro Paulo Bernardo disse que 2012 será o ano da infraestrutura óptica no Brasil, com a ativação da maior parte da rede da Telebrás. Disse também que serão contratados os fornecedores do cabo submarino para ligar Brasil à Europa, África e América do Norte, e também o fornecedor do satélite geoestacionário de comunicação brasileiro. Além disso, será o ano dos investimentos na infraestrutura de comunicações que suportará o tráfego de voz e dados da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos.

A afirmação de Paulo Bernardo corrobora assim o otimismo dos administradores da Telebras expresso no balanço da empresa e em entrevistas recentes à imprensa.

A partir deste mês, um total de 10,5 mil quilômetros de fibra óptica estará "iluminado" pela empresa em Estados de Norte a Sul do país. A rede usa a malha de fibra óptica que está instalada ao longo das linhas de transmissão de energia do sistema Eletrobras, mas que estavam subutilizadas até agora. Coube à Telebras instalar equipamentos ao longo dessa rede para, finalmente, torná-la ativa.

Com essa infraestrutura, a Telebras passa a ter capacidade de atender até 600 municípios do país a partir de março. Até dezembro, a estatal planeja chegar a 31 mil km de fibra óptica ativa no país. "Fecharemos o ano com a cobertura em todos os Estados e 21 mil cidades poderão ser atendidas em um raio de até 50 quilômetros do backbone", diz Bonilha. "Até lá, queremos ter ao menos 510 provedores plugados nessa rede."

Satélite, cabos submarinos, internet ultrarrápida e subsidiária nos Estados Unidos

Segundo o presidente da Telebras, neste ano serão investidos R$ 510 milhões em projetos de peso, como a instalação de milhares de quilômetros de fibras ópticas pelo país, a construção de cabos submarinos internacionais, a montagem de um satélite geoestacionário e a criação de centros de internet ultrarrápida para apoiar as cidades-sedes da Copa das Confederações. Os cabos submarinos serão construídos por uma empresa formada pela Telebras e pela Odebrecht Defesa e Tecnologia, enquanto que o satélite geoestacionário o será pela associação entre a estatal (49%) e a Embraer Defesa e Segurança (51%). É bastante provável também que a Telebras necessite montar uma subsidiária nos Estados Unidos para superar as limitações legais que exigem empresas norte-americanas na implantação de cabos submarinos.

Capitalização via Debêntures de Infraestrutura

O investimento para este ano já está garantido pela União, mas também são grandes as chances de a Telebras fazer uma emissão de debêntures neste ano para se capitalizar. O plano é usar a nova lei sancionada pelo Palácio do Planalto em 2011, que favorece a emissão de títulos de dívida por empresas ligadas a projetos de infraestrutura. "Com certeza vamos aproveitar esse mecanismo, que pode ajudar a nos fortalecer", comenta Bonilha.

Fornecimento de serviços a orgãos públicos sem licitação

O governo pode estar buscando uma alternativa para se desviar da atual legislação de compras. A possível estratégia em curso seria a Telebras atuar como Infovia Federal, nos mesmos moldes do Serpro que, em Brasília, tem prestado Serviço de Comunicação Multimídia através da Infovia Brasilia. Convém lembrar que tanto o Serpro quanto a Telebras já dispõem de autorização da Anatel para prestar o SCM em caráter nacional.

Com a declaração do secretário da SLTI de que a Telebras poderá atuar na Infovia Federal, não está descartada a hipótese de o Ministério do Planejamento - que controla a Infovia Brasilia - venha a casar as operações de TI do Serpro com os serviços de rede da Telebras, para facilitar a assinaturas de contratos. E isso poderá valer tanto para os organismos federais em todo o país, quanto para os governos estaduais e municipais - tudo sem sem licitação.

Participação na CeBIT dará visibilidade internacional à Telebras

A Telebras participa de 06 a 10 de março da Feira Internacional de Tecnologia da Informação, Telecomunicações, Software e Serviços (CeBIT) que ocorrerá em Hanover, na Alemanha. A ideia é mostrar a empresas e parceiros estrangeiros os produtos e as soluções de transporte em telecomunicações oferecidos pela Telebras. Também será apresentado o projeto de cabos submarinos, cujo lançamento está previsto para ocorrer até 2014. A CeBIT é considerada a maior e mais importante feira de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) do mundo e, nesta edição, contará com o Brasil como parceiro do evento. Segundo a organização, a Feira recebeu em 2011 4,2 mil empresas, de 70 países, e foi visitada por mais de 330 mil profissionais.

A grande feira de tecnologia digital contará neste ano com a presença de grandes empresas da internet e será inaugurada nesta segunda-feira à noite pela chanceler alemã Angela Merkel e pela presidente Dilma Rousseff, em um evento que tem o Brasil como convidado de honra.

A cerimônia de abertura contará também com as principais autoridades dos governos alemão e brasileiro, além de CEOs e presidentes das maiores empresas de TIC do mundo. O Brasil e sua marca ocuparão espaços nobres no recinto de feiras e na cidade de Hannover. O encontro atrairá mais veículos de comunicação do que eventos como as Olímpiadas e o Fórum Econômico de Davos.

A Cebit 2012 destacará o Brasil, promovendo-o como País Parceiro do evento. A participação no evento possibilitará visibilidade, projeção e perspectiva de negócios para a Telebras, abrindo um espaço privilegiado como plataforma de negócios e oportunizando a abertura de mercado internacional.

*Fontes: Balanço Anual da Telebras, Valor Econômico, Tele.Síntese, Convergência Digital, Teletime e Exame.

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