sábado, 6 de agosto de 2011

Telebrás, 13 anos depois

Brasil de Fato - 05.08.2011

Os que defendem a privatização costumam dizer que o Brasil tinha um serviço ineficiente, que a linha custava uma fortuna e que foi a privatização que permitiu a expansão do serviço. Na verdade, poucos lembram que o serviço de telefonia era privado até 1962, e ali sim era muito ineficiente. A Telebrás estatal foi responsável pela grande expansão do setor, pela possibilidade das ligações intermunicipais e por fazê-lo chegar a áreas remotas do país.

O problema é que no final da década de 70 as estatais começaram a ser usadas para segurar a dívida externa e para controlar a inflação. Havia também um problema de modelo de negócio. O sujeito comprava a linha por um preço cara e depois pagava uma ninharia pelo serviço. A falta de investimento passou a conter a expansão e a gerar um mercado paralelo de linhas. Mesmo assim, de 1970 a 1990, enquanto a população brasileira cresceu 50% e o PIB 90%, a planta instalada de terminais telefônicos do Sistema Telebrás cresceu 500%.

O que aconteceu na preparação da privatização foi a revisão do modelo. O governo subiu a tarifa de assinatura básica mais de 1500% (!), voltou a investir (R$ 21 bilhões entre 1995 e 1998, como lembrou Aloysio Biondi, uma das poucas vozes críticas ao processo à época) e preparou o terreno para as empresas privadas assumirem. O que veio a seguir foi a consequência óbvia: a demanda represada gerou a expansão do setor, mas o custo aumentou absurdamente. A assinatura que era R$ 0,69 em 1994 é hoje mais de R$ 40, e o serviço já dá sinais de declínio.

Em resumo, a expansão percebida veio da mudança do modelo, e não da venda da Telebrás para quatro consórcios privados. Com a privatização, o Brasil perdeu o controle sobre suas redes e seus satélites, gerou um serviço caro para os usuários e agora pena para tentar fazer essas empresas atenderem ao interesse público. Não dá mesmo para dizer que foi um bom negócio.

*João Brant é membro da Coordenação Executiva do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social.
Rádios comunitárias querem ofertar internet

Observatório do Direito à Comunicação - 04.08.2011


Uma proposta em estudo pelo Governo Federal pode fazer com que as rádios comunitárias aumentem suas atribuições junto às comunidades. Para a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), além de continuarem a fazer o trabalho social que realizam, essas emissoras podem contribuir com a expansão da banda larga no país oferecendo internet para os cidadãos e órgãos públicos. Embora ainda se trate de uma ideia embrionária, membros do governo foram receptivos à possibilidade.

Pelo projeto, as emissoras comunitárias poderiam obter uma licença para oferecer internet em uma área específica, o que facilitaria o acesso à rede de pessoas de áreas rurais e periféricas. São mais de 4.200 rádios outorgadas no Brasil. E esse alcance pode aumentar, já que ainda existem muitos locais no país que têm direito a ter uma rádio. Segundo a Abraço, seriam cerca de 30 mil localidades.

As rádios provedoras de internet continuariam a atuar sem fins de lucro, o que significa que elas poderiam oferecer o sinal de forma gratuita ou mesmo cobrar uma quantia apenas para cobrir os custos dos investimentos de transmissão. Segundo estudo feito pelo Instituto Bem Estar Brasil esse preço ao consumidor sairia em torno de R$ 15 por 1 megabyte (R$ 20 a menos do que foi acordado com as teles no Plano Nacional de Banda Larga).

Segundo o coordenador da Abraço, José Sóter, o novo serviço interessaria às rádios porque essa oferta aumentaria a participação da comunidade na emissora, que poderia até criar espaços de formação para os cidadãos, como os telecentros. “Estaríamos contribuindo para universalização do serviço”, afirma Sóter. Além disso, as rádios teriam internet para seu próprio uso.

Embora o público a ser atendido por uma rádio provedora de internet deverá ser pequeno, o novo serviço criaria uma nova demanda que as emissoras teriam que dar conta para não prestarem uma internet de má qualidade. Para Sóter, essa é não é uma questão central. “Se você tem tecnologia e suporte técnico para orientar, não teria problema”, opina.

Licenças

Mas para que a ideia seja colocada em prática não é preciso apenas vontade política do governo. Atualmente a legislação cria empecilhos para que associações sem fins lucrativos consigam licenças para o Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), no qual está inserido a internet. Uma exceção foi criada para as prefeituras, por meio de um ato normativo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Essa mudança pode estar a caminho. Segundo o presidente do Instituto Bem Estar Brasil, Marcelo Saldanha, há um cenário favorável para isso. Um dos fatores é que está em discussão no Conselho Diretor da Anatel um projeto de revisão do regulamento do SCM. A conselheira Emília Ribeiro, relatora da proposta de novo regulamento, pretende diminuir o valor para licenças municipais de R$ 9 mil para R$ 400.

Outro fato que pode impulsionar a mudança na obtenção das licenças pode vir do próprio governo. Segundo Saldanha, se não houver uma flexibilização das regras para aumentar o número de provedores de internet no país, a Telebrás pode ter sua atuação limitada. Isso porque são cerca de 2,5 mil provedores e desses a maioria são pequenos e médios, que são os grandes interessados na utilização do link da empresa.

No entanto, segundo cálculos de Saldanha esses provedores não garantiriam a ampliação desejada da internet via Telebrás, forçando o governo a permitir entidades sem fins lucrativos obterem as licenças. “Se dobrar a capacidade de atendimento dos pequenos e médios provedores não chega a atingir 8 milhões de pessoas”, prevê. Não contabilizando, nesse caso, os cerca de 3 mil provedores clandestinos. No atual quadro, a oferta de banda larga no país é muito concentrada. Embratel/Net, Telefônica, Oi, CTBC e GVT controlam 95% do mercado de prestação desse serviço.
Televisão digital ganhará impulso é no campo público, com operador único, diz especialista

itvbr - 06/08/2011

A TV digital poderá dar sua maior contribuição à sociedade brasileira na medida em que forem priorizadas a diversidade de canais e a interatividade – e percebidas a sua facilidade de uso e utilidade. Neste processo, a criação de um Operador Nacional Único de Rede de TV Pública é fundamental. Para o engenheiro Alexandre Freire da Silva Osorio, diretor de tecnologia da Frente Nacional pela Valorização das TVs do Campo Público (Frenavatec), na TV digital o telespectador torna-se usuário e as TVs públicas têm papel central no cenário de digitalização da transmissão. A seguir, veja a entrevista que o pesquisador concedeu ao e-Fórum:

Por que a TV digital não “deslancha” no Brasil?

Alexandre Osorio: Entendo que estamos nos atendo à TV digital terrestre, de sinal aberto. Essa é uma questão que possui várias componentes. Para essa análise, prefiro adotar o ponto de vista do usuário (termo mais apropriado que ‘telespectador’, em se tratando de TV digital interativa). Segundo um modelo denominado TAM (sigla em inglês para Modelo de Aceitação de Tecnologias), os fatores que condicionam a aceitação de uma nova tecnologia por uma pessoa podem ser divididos em duas categorias básicas, a saber, a facilidade de uso percebida e a utilidade percebida.

Entre os fatores que influenciam na percepção da facilidade de uso, encontram-se aqueles que dizem respeito aos dispositivos eletrônicos integrantes dessa nova tecnologia – e aqui quero me ater aos terminais de acesso, termo que dou preferência ao invés de caixas conversoras, por remeter à interatividade e assim contribuir para que a TV digital finalmente deixe de ser compreendida como uma mera conversão de sinais (de analógico para digital, em alta definição ou não).

É importante que os terminais de acesso, quer seja embutidos em aparelhos de TV ou externos, sejam acessíveis. Essa é uma condição básica, necessária apesar de insuficiente. Um impulso importante seria dado com ações de fomento à indústria e à inovação, com intuito de valorizar a tecnologia nacional para esses dispositivos, como de resto, para toda a cadeia de equipamentos ligados à TV digital.

De que forma esses terminais podem ser mais acessíveis?

Alexandre Osorio: Quando digo acessíveis, não estou me referindo apenas à questão do preço. E aí me remeto ao segundo conjunto de fatores de aceitação, ou seja, aqueles ligados à utilidade percebida da tecnologia: em nada adianta termos terminais de acesso disponíveis na loja mais próxima e a preços baixos, se não percebemos utilidade neles.

A programação da TV digital aberta hoje é basicamente a mesma da TV analógica. Tenho dúvidas da capacidade que a alta definição tem de aumentar a percepção de utilidade da TV digital. Quanto à mobilidade, ainda temos que testar sua aceitação.

Na minha opinião, a TV digital dará sua maior contribuição à sociedade brasileira na medida em que duas questões forem priorizadas: o aumento da diversidade de canais e a interatividade. Não é exagero falar que o aumento de diversidade de programação é uma necessidade, e não só porque a quantidade de canais de TV aberta não passa de uma meia dúzia.

Em primeiro lugar, podemos citar uma questão de mercado estratégica para o Brasil – serviços audiovisuais são hoje os de maior valor agregado no conjunto das mídias digitais, devendo movimentar cerca de 510 bilhões de dólares no mundo em 2011, com crescimento projetado de 4% ao ano, segundo dados da Ancine (Agência Nacional de Cinema). No entanto, o mercado brasileiro ainda é pequeno comparativamente ao potencial do país, representando, em faturamento, apenas cerca de 2% do mercado mundial, ainda segundo a Ancine.

Portanto, estamos falando da importância de investimento na produção audiovisual nacional e a TV é um meio importante de exibição.

Mas, para além da questão de mercado, existe uma outra, que eu creio ser ainda mais importante, por sua natureza sutil e profunda, e que tem a ver com o conceito do “direito ao espelho”, bem adaptado por Célio Turino [historiador, escritor, exsecretário da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura 2004/2010, idealizador do Programa Cultura Viva e dos Pontos de Cultura] para o contexto que eu gostaria de salientar aqui: A riquíssima diversidade cultural brasileira deve (porque quer) cada vez mais ter espaço para se manifestar e ser percebida. Talvez como reação ao processo de globalização, creio que o direito ao espelho esteja sendo cada vez mais valorizado na nossa sociedade e, quem sabe, no futuro seja até mesmo incorporado dentro do conjunto de direitos civis.

Em se tratando de conteúdos audiovisuais, podemos salientar a existência de um número cada vez maior de produtores independentes e regionais, entre os quais destaco TVs Comunitárias, TVs Universitárias, Pontos de Cultura com vocação para produção audiovisual e pequenas e médias produtoras. É importante destacar o papel central das TVs públicas no novo cenário de digitalização da transmissão, como pontas-de-lança desse processo de abertura: creio que o aumento da utilidade percebida pelo usuário, pelo exercício do direito ao espelho mediante acesso a uma maior diversidade de conteúdos, virá com investimento na expansão da TV pública.

E como é possível essa expansão da TV pública?

Alexandre Osorio: Um ponto central nesse processo é o atualíssimo debate sobre a criação de um Operador Nacional Único de Rede de TV Pública. Também não podemos nos esquecer que conteúdos de TV digital são multimídia e interativos. É importante a existência de programas de fomento à criação de conteúdos inovadores e de qualidade, tanto técnica, quanto estética.

O Programa Ginga Brasil tem dado um passo importante nesse sentido, ao capacitar Pontos de Cultura, TVs Comunitárias e outros produtores na linguagem NCL, usada na produção de conteúdos interativos para o middleware [programa que faz e mediação entre software e outras aplicações] brasileiro.

O investimento no contínuo aprimoramento das ferramentas de autoria de conteúdos também é muito importante. A combinação da riqueza cultural e da criatividade brasileira com o uso de ferramentas de software livre nas mãos de produtores capacitados pode criar um ambiente de inovação da linguagem televisiva talvez único no mundo.

Voltando aos fatores que influenciam a percepção de facilidade de uso da nova tecnologia, os conteúdos interativos produzidos devem possuir boa usabilidade, o que pode ser traduzido como facilidade de navegação pelo controle remoto, e ao mesmo tempo serem inteligíveis para seus usuários. Num país em que cerca de um terço da população é funcionalmente analfabeta, a inteligibilidade dos conteúdos é fundamental.

Esperava-se que a TV digital possibilitasse a inclusão digital. É possível?

Alexandre Osorio: A forte expansão em anos recentes da quantidade de conexões à internet e a existência de programas de incentivo à aquisição de computadores têm permitido um aumento exponencial na quantidade de brasileiros conectados. Com a perspectiva do PNBL, a expectativa é de uma expansão ainda maior. Talvez esse fenômeno, somado aos fatores que têm impedido o deslanche da TV digital terrestre e ao surgimento de novos dispositivos tais como a Web-TV, tenha contribuído para tirar a atenção da TV digital como ferramenta auxiliar no processo de inclusão digital. No entanto, muito ainda há por ser feito (somente 40% da população é usuária de internet, segundo o Cetic – Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação) e ainda acredito que a TV digital pode dar uma contribuição importante.

Novamente aqui a TV pública tem importância fundamental, uma vez que essa é uma questão que provavelmente não deve ser tratada com grande interesse pelas TVs privadas. A proposta inicial, lançada pela EBC [Empresa Brasi de Comunicação] no ano passado, de criação de um Operador Nacional de Rede Pública de TV Digital (RNTPD), destinava espaço exclusivo no espectro para aplicativos interativos, tais como os de governo eletrônico.

A criação de uma tal infraestrutura irá possibilitar a transmissão em larga escala de aplicativos de interesse público que, com boa inteligibilidade, poderão ser utilizados facilmente pelo controle remoto, uma forma mais familiar para quem não está acostumado com o uso de computador.

Creio que um primeiro passo a ser dado é a conscientização da sociedade sobre a importância do Brasil ter um Operador de Rede de TV Pública, não só para que a TV digital possa efetivamente cumprir com seu objetivo de promover a inclusão social (pela inclusão digital), mas também para que possa cumprir com outros objetivos listados no decreto 4.901/2003, que instituiu a TV digital no Brasil, tais como a democratização da informação, a criação de uma rede universal de educação à distância, o aperfeiçoamento do uso do espectro de radiofrequências, etc.

É viável o desenvolvimento da TV digital num cenário em que as teles – entrando no mercado de conteúdo audiovisual e na banda larga – ingressam com muito mais poder econômico?

Alexandre Osorio: O PNBL pode dar uma contribuição valiosa para instituir e consolidar o Operador Nacional de Rede de TV Pública, pela possibilidade de uso de sua rede de fibras ópticas e de rádios de alta capacidade para trafegar os conteúdos gerados pelos canais de TV até as estações de transmissão, além de dar suporte ao canal de retorno, necessário para as aplicações com interatividade plena.

A Telebrás tem demonstrado boa vontade com um possível casamento entre o PNBL e a RNTPD, o que é auspicioso. Este momento deve ser bem aproveitado para impulsionar as decisões que precisam ser tomadas sobre o operador de rede. Nesse sentido, tem sido bastante importante o envolvimento da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação nessa questão.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Secretário Cezar Alvarez fala sobre o PNBL no programa Frente a Frente da TVE-RS, no dia 03/08

Insight - laboratório de Ideias - 05/08/2011


A edição inicial do vídeo esava com problemas, corrigidos agora.

Governo terá nuvem privativa, hospedada nas estatais

Convergência Digital :: Luis Osvaldo Grossmann e Luiz Queiroz :: 05/08/2011

O governo já começou a investir no uso da computação em nuvem dentro da administração pública e está decidido a manter, pelo menos naquilo relacionado a conteúdos estratégicos, uma hospedagem própria valendo-se das estatais federais de processamento de dados, como Serpro e Dataprev.

“Nós teremos uma nuvem privativa de governo, porque a classificação das informações indica essa necessidade. Os dados estratégicos do governo, que devem ser protegidos, que devem ser de sua gestão, estarão sempre hospedados em nossas estatais de processamento de dados. Isso é uma decisão”, afirma o secretário de Logística e TI do Ministério do Planejamento, Delfino Natal de Souza.

Essa decisão faz parte do grupo criado ainda no ano passado, integrado pelos ministérios do Planejamento e de Ciência e Tecnologia, além de estatais como Serpro, Dataprev e Telebrás. O projeto conta com apoio do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e uma linha de financiamento específica da Finep.

“A intenção é tornar esse processo operacional nas nossas estatais, de forma que no âmbito da própria administração pública a gente tenha um acesso a informações, processos e principalmente aqueles de uso comum entre os órgãos, que possam estar na nuvem – na nuvem privativa do governo”, explica o secretário.

O uso da computação em nuvem, no entanto, também terá uma vertente de dados públicos a serem disponibilizados a todos os cidadãos, dentro da Infraestrutura Nacional de Dados Abertos (INDA). “Buscamos, além de ampliar a transparência do governo e a publicação de dados abertos, também uma redução do custo operacional, já que estamos trabalhando com padronização, integrado aos processos produtivos sistêmicos de governo, de forma a estarem em nuvem e abertas à própria população”, diz Souza.

Além disso, a nuvem será utilizada para a prestação de serviços de governo eletrônico. “No processo da Nota Fiscal Eletrônica participam entidades privadas, estados, a própria Receita Federal. O Serpro é hospedeiro de uma solução que dá suporte que é utilizado por aqueles estados que não tiveram ainda maturidade para sua implementação. Ele não está hoje gerenciado no conceito da computação em nuvem, mas certamente esse é um processo perfeitamente elegível.”

Confira a entrevista do secretário da SLTI ao CDTV:


Como os R$ 9,6 bilhões do PPA da Telebrás serão investidos

Insight - Laboratório de Ideias - 05/08/2011

Em 03/08/2011, a Telebrás remeteu à BM&FBovespa a ata da 353ª reunião ordinária de seu Conselho de Administração, onde consta a aprovação do Plano Plurianual da empresa para o período 2012 - 2015. No mesmo dia, a imprensa publicou que o valor do investimento previsto no PPA da estatal de banda larga é de 9,6 bilhões de reais, a serem aplicados em redes de fibras óticas, no lançamento de um satélite geoestacionário, na instalção de um cabo submarino internacional e na infraestrutura de transmissão de dados das cidades-sedes da Copa de 2014.

Estranhamente, mesmo frente à previsão de um investimento bilionário que tem o poder de alterar sua dimensão como empresa e impactar o valor de suas ações em bolsa, a estatal não fez nenhum anúncio oficial aos investidores através de um Fato Relevante ou, no mínimo, de um Comunicado ao Mercado, deixando à imprensa a divulgação da quantia e a especulação da destinação dos recursos.

Assim, este blog pesquisou sobre o assunto em matérias já publicadas, com o objetivo de levantar como essa astronômica quantia poderá ser investida, chegando aos seguintes números:

1. Rede de fibras óticas (backbone e backhaul da Telebrás): R$ 7 bilhões
Conforme Paulo Bernardo declarou ao jornal Valor Econômico (28/06), ao boletim Tele.Síntese (21/07) e ao boletim Teletime (25/07).

2. Satélite geoestacionário: R$ 600 milhões
Custo estimado pela Agência Espacial Brasileira - AEB, conforme matéria no boletim Tele.Síntese de 17/05/2010.

3. Cabo submarino internacional: R$ 700 milhões
O custo acima foi estimado tomando-se por base o de um cabo similar instalado pela África do Sul para a Copa do Mundo de 2010, conforme reportagem do jornal Folha de São Paulo, de 22/04/2011.

4. Rede internet ultra-rápida nas 12 cidades-sedes da Copa 2014: R$ 200 milhões
A estimativa consta em diversas reportagens, entre as quais a matéria do jornal Valor Econômico, de 28/06/2011.

Os quatro itens acima perfazem o total de R$ 8,5 bilhões, restando ainda R$ 1,1 bilhão. Nesta diferença poderão estar inseridos valores relativos a um custo maior do que a estimativa inicial para a construção e lançamento do satélite geoestacionário. De igual forma, poderá também contemplar a instalação de mais um cabo submarino internacional. Neste caso, um cabo ligaria o Brasil aos Estados Unidos e outro à Europa (via África), conforme matéria veiculada pelo boletim Tele.Síntese, de 26/01/2011, e pela revista Exame, de 21/07/2011.
Delegação brasileira constata viabilidade da faixa de 450 MHz para atender a zona rural

Representantes do MiniCom e da Anatel estiveram na Suécia para estudar as possibilidades de uso da freqüência

MiniCom - 05/08/2011

Brasília, 05/08/2011 – Uma delegação formada por representantes do MiniCom e da Anatel esteve na Suécia para ver, na prática, como é a utilização da faixa de freqüência de 450 MHz naquele país. Durante a visita, os técnicos constataram a viabilidade técnica de usar essa faixa para expandir o atendimento à zona rural brasileira. A faixa é considerada estratégica por permitir a cobertura da zona rural com serviços de telecomunicações, incluindo telefonia e internet em banda larga.

De acordo com a diretora do Departamento de Universalização do MiniCom, Miriam Wimmer, o objetivo da viagem era justamente reunir informações sobre os potenciais da freqüência de 450 MHz e seu funcionamento, para avaliar as possibilidades para o Brasil. Aqui, a faixa será licitada até 30 abril de 2012.

As diretrizes para a licitação estão no decreto que aprova o terceiro Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU). Pelo documento, quem vencer a licitação assumirá o compromisso de levar a internet para a zona rural, inclusive para as cerca de 80 mil escolas públicas localizadas nessas áreas.

“Existe uma grande preocupação do governo com as escolas rurais e achamos que essa faixa de 450 MHz será um mecanismo excelente para assegurar que elas também tenham acesso à internet. Se a escola tem acesso, aquele espaço se torna um ponto para toda a comunidade”, diz Wimmer.

Abrangência e modelo de negócios

A faixa de 450 MHz é utilizada em outros países, como Rússia, Portugal, Ucrânia e México. A Suécia foi escolhida para a visita justamente por utilizar a faixa para atender as áreas rurais. Miriam Wimmer ressalta que, embora Brasil e Suécia tenham dimensões e economias bastante diferentes, a densidade populacional dos dois países é parecida: ambos têm espaços isolados e pouco habitados, onde o sinal de internet e telefonia tem dificuldade para chegar. “Lá existem áreas muito difíceis. Aqui, temos a Amazônia e eles têm áreas onde só tem gelo”, explica.

A delegação brasileira conheceu o trabalho das empresas Net1 e Ericsson, que atuam na faixa de 450 MHz, e também conversou com representantes do governo local. De acordo com o diretor do Departamento de Indústria, Ciência e Tecnologia do ministério, Pedro Alem Filho, um ponto que chamou atenção foi o modelo de negócios desenvolvido na Suécia. Além do foco no mercado residencial, as empresas cobrem ferrovias, ambulâncias, helicópteros de salvamento e mesmo a guarda costeira.

A ampla cobertura é possível porque, com a faixa de 450 MHz, uma torre apenas consegue ter um raio de atendimento muito maior do que com outras faixas de freqüência. Isso significa, na prática, que uma estação cobre uma média de 60 km a partir dela. “A grande vantagem dessa faixa é que você precisa de menos torres para cobrir uma área territorial muito maior”, explica Alem. Segundo ele, a faixa cobriu 95% do território da Suécia.

Outro ponto que interessou os técnicos brasileiros foram as parcerias firmadas com a indústria. De acordo com Miriam Wimmer, a visita serviu para pensar potenciais negócios para o Brasil. Entre as possibilidades citadas por ela está a utilização da faixa para levar o sinal aos navios de cruzeiro que percorrem a costa brasileira, por exemplo. Isso porque a faixa cobre cerca de 100 km no mar. Segundo Wimmer, também seria possível monitorar os caminhões que cortam o país transportando cargas, já que o Brasil tem grandes trechos de estrada que não têm cobertura por nenhum serviço.

“Para mim, foi muito interessante verificar a faixa funcionando num modelo de negócios sustentável. Mesmo não sendo uma faixa para os grandes centros, onde é fácil ter clientes, é um modelo que está dando certo”, afirma.

A delegação brasileira esteve na Suécia entre 24 e 27 de julho.
Nos EUA, velocidade média ultrapassa 80% do anunciado

Estudo da FCC, agência reguladora dos EUA, mostra que clientes de fibras ópticas chegam a receber mais de 100%

O Estado de S.Paulo - 05/08/2011

Enquanto, no Brasil, a maioria das operadoras costuma garantir somente 10% da velocidade prevista em contrato, nos Estados Unidos os consumidores conseguem receber, em média, mais de 80% do que contrataram, mesmo em horário de pico. Um estudo da Federal Communications Commission, agência reguladora americana, mostra que quem possui acesso por fibra óptica chega a conseguir um acesso mais rápido que o previsto no contrato.

A FCC publicou esta semana o relatório Measuring Broadband America, em que apresenta os resultados de testes de velocidade de banda larga com consumidores, como foi recomendado pelo Plano Nacional de Banda Larga americano, lançado no ano passado.

Durante o mês de março deste ano, foram testados os serviços prestados pelos 13 maiores provedores dos EUA, a partir da residência de milhares de voluntários, com conexões de DSL (tecnologia que usa a rede telefônica), cabo e fibras ópticas.

O estudo mostrou que, em média, durante o horário de pico, os serviços de DSL oferecem velocidades de download que correspondem a 82% da anunciada pelas operadoras em seu material de divulgação. Na tecnologia de cabo, o desempenho chega a 93% e, nos acessos em fibra, ela é maior do que o anunciado, com 114% de velocidade média. Foi considerado horário de pico o período de 19h às 23h.

Quando comparou o horário de pico com uma média de 24 horas, a FCC descobriu que as conexões de DSL perdem 5,5% de velocidade no horário de maior tráfego, o cabo perde 7,3% e a fibra óptica somente 0,4%.

Serviços. A FCC também analisou o desempenho da banda larga nos diferentes tipos de serviço oferecidos via internet. Na navegação na web, a performance melhora de acordo com a velocidade do serviço, mas somente até 10 megabits por segundo (Mbps). A partir daí, o desempenho passa a ser limitado por outros fatores, como a latência (tempo de resposta).

"Nessas camadas mais altas, os consumidores provavelmente não experimentam melhora na navegação básica na web ao elevar a velocidade - por exemplo, passando de uma banda larga de 10 Mbps para uma de 25 Mbps", apontou a FCC.

Segundo o relatório, os serviços de voz sobre internet (VoIP, na sigla em inglês) funcionam com velocidade a partir de 100 quilobits por segundo (kbps), desde que a latência seja baixa, e teve performance adequada em todos os serviços testados. Quando o acesso é compartilhado com outros serviços, no entanto, a qualidade pode ser prejudicada.

Em relação ao vídeo "streaming" (recebido em tempo real, enquanto é visto), a qualidade precisa estar de acordo com a velocidade contratada. Como exemplo, o relatório apontou que um vídeo com qualidade padrão pode ser visto com conexões abaixo de 1 Mbps. Vídeos em alta definição, por outro lado, exigem velocidades de 2 Mbps ou mais.

No Brasil, as operadoras costumam argumentar que um aumento da velocidade de fato para o consumidor poderia elevar os preços da banda larga, pois exigiria investimento extra em capacidade de rede.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

TIM inicia venda de banda larga popular até o fim deste mês

A TIM deve iniciar, ainda neste mês, a venda da internet popular vinculada ao Programa Nacional de Banda Larga

Exame - 04/08/2011

São Paulo -- O presidente da TIM, Luca Luciani, confirmou que a operadora iniciará ainda neste mês a venda da internet popular, vinculada ao acordo com a Telebrás para o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), assinado em julho.

Embora tenha evitado revelar o nome da primeira cidade, o executivo disse que o plano da operadora é iniciar a oferta do acesso em banda larga de baixo custo na região Centro-Oeste. “Estamos prestes a iniciar a operação, mas prefiro que o anúncio seja feito pelo pessoal da Telebrás”, disse o executivo durante evento que marcou a entrada da companhia no “Novo Mercado”, segmento de empresas listadas em bolsa com excelência em governança corporativa.

Reestruturação

Na oportunidade a TIM divulgou que vai remodelar seu quadro de executivos. Pelo novo desenho, apresentado nesta quarta-feira, 3, Rogério Takayanagi deixa a diretoria de marketing para assumir a AES Atimus, empresa comprada por R$ 1,6 bilhão no mês passado para engordar o backbone da TIM. No lugar de Takayanagi assume Roger Solé, até então diretor de marketing para o mercado de consumo.

Rogério Takayanagi conduzirá o projeto da empresa de atacar novos mercados, como a banda larga residencial. Segundo ele, a intenção da TIM é ofertar banda larga com ultra velocidade, que pode chegar a 100 Mbps. “Vamos aproveitar o universo de clientes frustrados com as incumbents”, comentou.

Takayanagi também disse que a capilaridade da nova rede, que atende 21 municípios entre São Paulo e Rio de Janeiro, dará vantagem à TIM, sobre a concorrência porque “a fibra da Atimus chega até a porta, então não teremos que fazer investimento pesado para passar cabos. Focaremos apenas em fazê-los entrar na casa do cliente”, comentou o executivo. “E, neste caso, nosso investimento será marginal”, completa.

A parte de infraestrutura da Atimus e a venda de serviços para o mercado corporativo ficarão nas mãos do presidente da Intelig, Antonio Ruggiero, que manterá suas atribuições na empresa.
Telebrás aprobó inversiones por US$ 6.142,2 millones entre 2012 y 2016

Convergencia Latina - 04/08/2011


El consejo de administración de Telebrás aprobó la propuesta de inversión de US$ 6.142,2 millones entre 2012 y 2016, que mayormente será utilizado para la ampliación del Backbone, el despliegue de un cable submarino internacional y la construcción de un satélite.

La principal meta a alcanzar es garantizar la oferta de banda ancha de alta velocidad en las 12 ciudades donde se realizarán los partidos del campeonato mundial de fútbol en 2014. La fuente principal de esos recursos será el Tesoro Nacional.
"Alinhar os direitos entre os acionistas minoritários e os controladores é a forma mais concreta de ter um compromisso de longo prazo com o mercado e com o país" - Luca Luciani, presidente da TIM, na cerimônia de abertura do pregão de ontem na BM&F Bovespa para celebrar a estreia das ações da empresa no Novo Mercado.
PPA da Telebrás

Valor Econômico - 04/08/2011

O conselho de administração da Telebrás aprovou ontem o plano plurianual (PPA) de investimentos da estatal. Serão aplicados R$ 9,6 bilhões entre 2012 e 2015.

A fonte de recursos continua sendo principalmente o Tesouro Nacional. As metas definidas pelo PPA incluem a ampliação do backbone, a oferta de banda larga em alta velocidade nas 12 cidades-sedes da Copa do Mundo e a construção de mais um cabo submarino internacional. Para a oferta prevista no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), não estão descartadas parcerias com outras estatais e empresas privadas. Na reunião foi informada a saída de Antônio Carlos Alff do cargo de diretor técnico.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Proposta de orçamento da Telebrás é de R$ 9,6 bilhões até 2015

Teletime - 03/08/2011

Em reunião do conselho de administração da Telebrás, foi aprovada a proposta relativa ao Plano Plurianual de 2012 a 2015, no valor de R$ 9,6 bilhões. De acordo com a ata da reunião a proposta do plano segue para os órgãos intervenientes para a aprovação final do Congresso Nacional.

Importante destacar que a proposta de investimento não garante que a estatal terá acesso, de fato, a todo o montante aprovado, já que o orçamento da Telebrás depende de recursos do Tesouro e são, portanto, sujeitos a contigenciamento e previsão orçamentária do Executivo.

O ministro Paulo Bernardo já havia adiantado à TELETIME, em entrevista exclusiva para a edição de agosto que circula esta semana, que a Telebrás poderá ser o veículo de investimento do Estado brasileiro em novos projetos de infraestrutura de telecom, como satélite geoestacionário e cabos submarinos, além da continuidade de investimentos nas redes de fibra.

Segundo o ministro, aproximadamente R$ 7 bilhões serão investidos em rede e outros R$ 3 bilhões serão aportados nos novos projetos. Mas ele ressaltou que parte destes investimentos poderão ser feitos em parceria com outras estatais ou mesmo empresas privadas em modelo de consórcio.
Telebras aprova investimentos de R$ 9,6 bi até 2014

Tele.Síntese - 03/08/2011

Recursos serão usados na ampliação do backhaul, em cabo submarino internacional e satélite.

O conselho de administração da Telebras aprovou, nesta quarta-feira (3), a proposta de investimento plurianual da estatal. Está previsto o uso de recursos da ordem de R$ 9,6 bilhões até 2014 na ampliação do backbone, na construção de mais um cabo submarino internacional e em satélite.

A principal meta a ser alcançada é garantir a oferta de banda larga de alta velocidade pelo menos para as 12 cidades onde serão realizados os jogos da Copa do Mundo de 2014. Depois, esse serviço seria estendido para o resto do país.

A fonte de recursos da Telebras continua a ser basicamente o tesouro nacional, mas não estão descartadas parcerias com outras estatais, como Eletrobras e Petrobras, que poderão repassar recursos para a ampliação da rede do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Há ainda negociações com empresas privadas que atuam fora do setor de telecomunicações.

Na reunião de hoje também foi comunicada a saída a pedido do diretor técnico da estatal, Antônio Carlos Alff. Ele era o último diretor escolhido na gestão de Rogério Santanna que ainda permanecia na Telebras.
Na briga pelo mercado residencial, TIM joga suas fichas na banda larga ultrarrápida

O destaque do balanço foi o faturamento com os serviços de transmissão de dados, que avançou 33,5% e alcançou R$ 734 milhões

Convergência Digital :: 03/08/2011

A TIM joga suas fichas na banda larga ultrarrápida para entrar, de verdade, na briga pelo mercado residencial. E ao contrário das suas concorrentes - que centraram a a oferta da ultra banda larga nos bairros de maior poder econômico - promete levar o serviço para todas as áreas cobertas pela infraestrutura da AES Atimus, empresa comprada em julho, por R$ 1,6 bilhão. A cobertura da rede envolve 21 cidades do DDD 011 (São Paulo) e 021 (Rio de Janeiro).

O anúncio foi feito pelo presidente da TIM, Luca Luciani, em conferência com a imprensa para a divulgação dos resultados do segundo trimestre na Bolsa de Valores de São Paulo, realizada nesta quarta-feira, 03/08. A TIM também aderiu, oficialmente, ao Novo Mercado, sendo a primeira operadora de telecomunicações a aderir ao modelo na América Latina.

Caberá a Rogério Takanayagi, que respondia pela diretoria geral de Marketing da operadora, ficar à frente do desafio da TIM de marcar presença no mercado residencial. A primeira etapa da estratégia concentra as ações nas 21 cidades cobertas pela infraestrutura da AES Atimus - mercado estimado em R$ 30 bilhões - 18 bilhões para a telefonia fixa e 12 bilhões para telefonia móvel, do qual a TIM, segundo dados da própria operadora, responde por R$ 3 bilhões.

"Os meus custos para chegar ao cliente residencial vão ficar com a rede da AES Atimus vão ficar bem abaixo dos meus concorrentes. Eu já tenho a fibra passando na porta do prédio. Vou ter que levá-la para os apartamentos, mas esse custo deverá ficar em torno de 200 euros. Já os meus concorrentes deverão gastar, em média, 1000 euros (cerca de R$ 500,00) para mexer nas suas infraestruturas", afirmou Takanayagi.

A aquisição da AES Atimus deverá ser concluída em outubro e a proposta da TIM é já no início de 2012 começar a sua oferta efetiva para o mercado residencial. Takanayagi não quis adiantar detalhes dos pacotes, mas prometeu que a base inicial ficará no pacote com 10 Mbits, com preço bastante competitivo. "A proposta é levar 100 Mbits para o cliente. Ele quer ter banda larga real com garantia de serviço. E vamos entrar para valer nesse segmento", garantiu.

Indagado como iria enfrentar a concorrência - na oferta de combos sem uma presença no mercado de TV - Takanayagi sustentou que, nesse momento, o DTH segue fora do projeto da TIM. Há, sim, uma expectativa para a aprovação do PL 116 - que permitirá às teles ofertarem IPTV por suas redes. "Uma hora esse projeto vai passar no Congresso Nacional", avaliou.

Mas a grande aposta para suprir essa demanda está em fechar parcerias estratégicas. Duas já estão em negociação: Netflix, que está desembarcando no mercado latino-americano, e com operadoras como Sky. "Estamos conversando para termos o melhor serviço", disse, sem no entanto, adiantar maiores detalhes. O plano estratégico da AES Atimus será divulgado, oficialmente, em outubro pela TIM.

Resultados

A TIM Participações teve um lucro líquido de R$ 350 milhões no segundo trimestre, alta de 178% em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa registrou um aumento de 25% na base de clientes, chegando a 55,5 milhões de linhas.

A receita líquida da empresa foi de R$ 4,3 bilhões no segundo trimestre, um avanço de 19,5% em relação aos R$ 3,6 bilhões de reais. A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) alcançou R$ 1,13 bilhão, alta de 12,7% ante 1 bilhão de reais no segundo trimestre de 2010.

A receita líquida da TIM registrou aumento de 19,5% e atingiu R$ 4,25 bilhões. O destaque do balanço foi o faturamento com os serviços de transmissão de dados, que avançou 33,5% e alcançou R$ 734 milhões. Essa expansão é explicada ao sucesso da campanha do Infinity Web, plano pré-pago que permite o acesso à internet móvel por R$ 0,50 ao dia. Esse pacote contabilizou a média de 1,8 milhão de usuários por dia.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Anatel estuda modelo de operadoras virtuais para banda larga

TIINSIDE Online - 02/08/2011


Uma das novidades que deve surgir no novo Regulamento do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), que deve voltar à pauta do conselho diretor da Anatel desta semana para ser aprovado para consulta pública, é a possibilidade de revenda da capacidade das redes de SCM. Seria uma espécie de modalidade de operadoras virtuais de banda larga, como existe no serviço móvel. Essa possibilidade era apenas citada rapidamente no voto da conselheira Emília Ribeiro, relatora da matéria, que apresentou seu voto na semana passada.

Mas o tema deve ser aprofundado no texto final que será votado pela agência esta semana. Em outras palavras, a Anatel quer que os operadores de SCM com redes banda larga abram a possibilidade de que outras operadoras revendam serviços em cima das redes existentes, como o modelo de MVNO na telefonia móvel.
Telebras - uma gigante está para ser anunciada

Insight - Laboratório de Idéias - 02/08/2011

Treze anos após o processo de privatização que quase a extinguiu e pouco mais de um ano depois do decreto que a reativou, a Telecomunicações Brasileiras S.A. - Telebras está no limiar de se tornar novamente uma gigante no seio da comunidade empresarial do País.

Os indícios já vinham sido publicados pela imprensa desde que Caio Bonilha assumiu a presidência da empresa em substituição a Rogério Santanna. No entanto, a "confirmação" chegou no dia 29 de julho, através do Ministro das Comunicações Paulo Bernardo Silva.

No terceiro programa da série da especial para explicar o que é o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), em reportagem produzida pela equipe da Assessoria de Comunicação Social do Ministério das Comunicações para a TV MiniCom, o Ministro declarou:

- "O PNBL prevê um volume muito grande de investimentos que nós vamos fazer através da Telebras..."

Logo após suas palavras, a repórter Alessandra Cardoso complementou:

- "Cerca de 10 bilhões de reais serão investidos em telecomunicações no Brasil até 2014. O dinheiro virá do governo federal e da iniciativa privada."




O montante de investimentos na Telebras e no PNBL é uma soma astronômica, qualquer que seja a moeda de comparação. Corresponde, por exemplo, a cerca de 6,4 bilhões de dólares ou 4,4 bilhões de euros.

No entanto, esse total ainda é modesto perto dos R$ 144 bilhões indicados por um estudo feito pela Consultoria LCA para o SindTelebrasil, apresentado durante o 55º Painel Telebrasil, que se realizou em Brasília neste ano. Pelo estudo, esse seria o valor necessário para massificar a banda larga no país, aumentar a sua velocidade e elevar a atual penetração do serviço fixo e móvel de 21,5 para 153,6 milhões (74,2%) em 2020, quando a velocidade média da banda larga passaria dos atuais 1,7 Mbps para 12 Mbps. Além disso, o estudo aponta a necessidade de criação de alavancas de estímulo ao investimento privado, como redução dos tributos, isenção fiscal, mecanismos de financiamento e uso de recursos públicos.

Mesmo que, por hipótese, o valor apresentado pelo SindTelebrasil esteja superestimado, a significativa diferença entre esse e o montante anunciado pelo governo pode significar que os 10 bilhões de reais tenham que ser complementados futuramente.

Em junho, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, declarou que as empresas privadas não devem contar com recursos públicos, especialmente enquanto ainda existe um grande espaço de atuação ainda não coberto pela iniciativa privada: “O mercado não pode simplesmente olhar para o governo e pedir dinheiro, porque não vamos dar".

Analisando-se as declarações acima, bem como outras já feitas por Paulo Bernardo, é possível inferir que os 10 bilhões de reais poderão ser quase que integralmente investidos na Telebras nos próximos três ou quatro anos, já que será ela a empresa que conduzirá e gerenciará a espinha dorsal do programa.

Uma capitalização de tal porte é significativa para qualquer empresa, tendo o condão de alterar completamente sua dimensão e status quo no cenário onde se insere. No caso da estatal de telecomunicações - tecnicamente uma empresa em estruturação e ainda sem receitas - o fato poderá fazê-la saltar vários degraus na escala empresarial, transportando-a diretamente para o patamar das grandes empresas.

Afinal, segundo as declarações do Min. Paulo Bernardo ao boletim Teletime (25/07) e ao jornal Valor Econômico (28/06) (além do publicado em outras reportagens consultadas ou linkadas, todas já divulgadas por este blog), caberá à Telebras montar a estrutura necessária para gerir o tráfego de dados do maior backbone de fibras óticas do País, o único satélite geoestacionário brasileiro (SGB - ainda a ser construído), um ou dois novos cabos submarinos internacionais e o suporte da transmissão de dois dos maiores eventos esportivos mundiais. Além disso, o presidente da Telebras ainda reportou, em 14/06, a possibilidade de a empresa ser a prestadora do serviço que gerenciará o cabeamento óptico para transmissão do sinal digital de televisão para emissoras públicas.

Por óbvio, uma perspectiva dessa natureza não condiz com uma empresa pequena ou "enxuta", como fora anunciado anteriormente. Ela também permite antever a possibilidade da criação de subsidiárias específicas para algumas dessas finalidades, o estabelecimento de escritórios nas principais capitais e um concurso público para contratação de novos quadros técnicos e administrativos.

Um grande nó ainda a ser desatado é a forma de divulgar a notícia ao País. As suspeitas de negociatas havidas quando da privatização em 1998, a denúncia de corrupção envolvendo o ex-ministro Hélio Costa e Uadji Moreira em 2006, e a notoriedade adquirida pela alta de suas ações após uma declaração do ex-presidente Lula no início de 2010, são lembranças que fazem o governo "pisar em ovos" quando se trata de divulgar algo positivo sobre a empresa, com receio de que seja acusado de estar inflando o valor de suas ações na bolsa de valores.

Fontes do mercado ouvidas por essa editoria comentam que esse "pavor" do governo está se refletindo na própria empresa, que também evita usar os canais normais de divulgação aos investidores (como a emissão de fatos relevantes e comunicados ao mercado) com o mesmo receio. Com isso, apesar de ter sido reativada e estar em pleno funcionamento operacional, com excelentes perspectivas futuras, seus acionistas preferenciais amargam grandes prejuízos, haja vista que o valor de suas ações despencou de R$ 21,00 em 10/05/2010 (reativação) para os atuais R$ 5,86. O problema, conforme entendem muitos operadores do mercado, é que o tal "pavor" só existiria com respeito à alta das ações, já que, quando estas desabam 72% (como ocorreu da reativação para cá), tudo parece estar normal.

Este fato está causando também uma das maiores distorções de preços já vistas no mercado acionário brasileiro, pois as ações ordinárias (com direito a voto) - 90% das quais pertencentes ao governo e mais da metade do restante a fundos de investimento de um banco privado - não se desvalorizaram em relação a maio de 2010. Cotadas a R$ 22,00 no último dia 29, valem quase quatro vezes mais do que as preferenciais, sem que exista um motivo conhecido para justificar esse fato.

Segundo as mesmas fontes, a solução é o governo ter coragem para "assumir de vez a Telebras" e passar a tratá-la normalmente como uma grande empresa estatal, dedicando-lhe o mesmo tratamento que dispensa à Petrobás ou à Eletrobras, por exemplo, e liberando-a para se relacionar com o mercado na melhor forma de governança corporativa possível.

Nesse cenário, o consumatum est seria combinando com um plano de divulgação pública suficientemente inteligente para que os brasileiros e brasileiras, especialmente os mais beneficiados pelo Programa Nacional de Banda Larga, assimilem, assumam e passem a defender a nova empresa, enxergando-a como o vetor que lhes viabilizará os benefícios do programa.

Um processo límpido, transparente e permanente de divulgação da estatal poderá retirar também o viés ideológico que ainda a cerca e que faz com que seja atacada permanentemente pelas oposições políticas e econômicas, bem como por seus prepostos na mídia. Esse mesmo processo possibilitará que o governo e a empresa possam sair de uma constante, indesejada e prejudicial atitude defensiva, permitindo que cresça e se relacione com seus clientes, com o mercado e com o povo brasileiro em um clima de naturalidade e normalidade.

Com relação à preocupação com eventuais reflexos positivos ou negativos nas cotações das ações da Telebras, há um consenso de que - tal como acontece com as demais empresas (estatais ou não) listadas em bolsa de valores - cabe somente aos investidores do mercado de capitais decidir o quanto estarão dispostos a pagar para se associarem a ela. O governo deve se manter isento nesse processo de formação de preços, sem procurar intervir, seja por ação ou omissão, evitando assim beneficiar ou prejudicar as forças de mercado interessadas. Eventuais problemas acontecidos com as sociedades anônimas deverão ser resolvidos no foro inicial apropriado: a Comissão de Valores Mobiliários.

Porém, a estratégia política de divulgação competirá exclusivamente ao governo. Ao povo brasileiro, o fundamental é que a Telebras, ao ser alvo de um investimento de tal magnitude, seja ágil e competente o suficiente para que, com honestidade, lisura e transparência, cumpra o decisivo papel sócio-econômico que lhe foi atribuído pelo decreto que a reativou, possibilitando que o Brasil cresça e se desenvolva a taxas e com condições nunca dantes experimentadas.
Banda larga está contida no Plano Brasil Maior do governo federal

A ampliação dos atuais 13,8 milhões de domicílios com acesso banda larga para 40 milhões de residências é uma das metas do Brasil Maior

Exame - 02/08/2011

São Paulo - Ainda que oficialmente o governo não tenha fechado as medidas de desoneração e estímulo para crescimento da penetração da banda larga no País, fica claro que o assunto está sim dentro do plano. Entre as metas do Plano Brasil Maior, anunciado pelo governo nesta terça, 2, está a ampliação dos atuais 13,8 milhões de domicílios com acesso banda larga para 40 milhões de residências.

O governo não apresenta as ferramentas que serão usadas para chegar a esse número, até porque elas ainda estão sendo discutidas internamente. Em entrevista exclusiva à TELETIME de agosto, o ministro Paulo Bernardo informou que a banda larga seria incluída posteriormente no plano. Entretanto, o Minicom chegou a agendar uma entrevista coletiva para tratar do assunto nesta terça, 2, que posteriormente foi cancelada.

Ao final do lançamento do plano, o secretário-executivo do Minicom, César Alvarez, disse que a coletiva foi desmarcada porque “algumas coisas ainda precisam ser maturadas”. Questionado sobre quais serias essas coisas, ele respondeu que elas dependem “dele”, em referência ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Sabe-se que Minicom e BNDES estão trabalhando em conjunto na criação de linhas de financiamento específicas para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Espera-se também que sejam anunciadas medidas de desoneração tributária dos equipamentos e regras mais efetivas para uso do solo urbano e de direito de passagem.
Medidas para banda larga, semicondutores e TV Digital serão anunciadas até o fim de agosto

Convergência Digital :: 02/08/2011


Além das medidas anunciadas nesta terça-feira, 2/8, o governo vai apresentar nos próximos dias outras propostas de complementação da nova política industria. Em especial serão regimes especiais para a banda larga, semicondutores e TV Digital.

No caso da banda larga tratam-se das desonerações sobre equipamentos e a implantação de redes de telecomunicações - o que deve incluir as obras civis envolvidas - a serem beneficiados com reduções, ou, em alguns casos, isenções, de IPI, PIS e Cofins.

Já nos semicondutores a ideia é ampliar o PADIS para incentivar, especialmente, a integração dos chips nos displays - em geral, atualmente os monitores já chegam ao país “chipados” e a proposta busca agregar valor à produção nacional. Além disso, deve ser ampliado o escopo do programa de incentivos para equipamentos da TV Digital.

Essas medidas deverão fazer parte de uma medida provisória a ser apresentada ainda em agosto, conforme a expectativa do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. Nesse mesmo período o governo deverá editar a regulamentação da lei que dá preferência a equipamentos nacionais nas compras governamentais.

Segundo o secretário-executivo do MDIC, Alessandro Teixeira, mesmo que algumas licitações já sejam feitas com base na lei, há necessidade de regulamentação para ampliar o uso na administração pública. Mas mais relevante que isso será a fixação de margens diferenciadas de preço para diferentes setores, assim como o percentual de nacionalização.

Por isso, a regulamentação está sendo trabalhada em conjunto por diversos ministérios - como o próprio MDIC, Fazenda, Ciência e Tecnologia, Saúde, Defesa e Planejamento. Como a lei prevê preferência a produtos nacionais, que podem ser até 25% mais caros que importados, um dos focos é definir um percentual distinto para cada setor.
Copa 2014: Governo já pensa em usar a Telebrás para suprir infraestrutura de TIC

Convergência Digital :: 02/08/2011


A Copa do Mundo de 2014 tem sido colocada como horizonte para a operação de uma nova estrutura de telecomunicações. Este foi o tema de juma mesa redonda realizada nesta terça-feira, 02/08, em São Paulo. De acordo com Júlio Puschel, analista da Informa, em 2014 o Brasil terá 107 milhões de linhas móveis 3G e, deste total, 4,7 milhões já utilizarão a tecnologia LTE (Long Term Evolution).

“A Copa do Mundo será a primeira meta das operadoras nos novos leilões”, afirma, lembrando que, ao contrário da tecnologia 3G, que chegou ao País com atraso de três ou quatro anos, a LTE será antecipada por conta dos grandes eventos esportivos, incluindo aí as Olimpíadas de 2016.

João Moura, executivo chefe da Telcomp (Associação Brasileira de Serviços de Telecomunicações Competitivas), concorda que grandes eventos esportivos são catalisadores para a introdução de novos recursos de TI. “Muitas dessas soluções passam a fazer parte da estrutura legada, se prestando a resolver outros tipos de problemas da sociedade. Deveremos ver uma enxurrada de novidades tecnológicas chegando ao Brasil por conta da Copa e das Olimpíadas”, afirma.

Por outro lado, ele lembra que comunicação, hoje, inclui imagem e vídeo, o que representa uma enorme demanda para as estruturas de telecomunicações. “O mesmo ocorre no mundo corporativo, onde o cloud computing não existe sem uma estrutura de qualidade”, afirma. E aí está o gargalo identificado pelo executivo: o país não tem esta estrutura de qualidade.

Para isso, Moura acredita que o governo deve focar-se, neste momento, na construção de uma agenda positiva que privilegie uma regulamentação em favor da competição, que foque o desenvolvimento de infraestrutura e que estimule a demanda. “A regulamentação vai criar motivação para novos investimentos no Brasil e, sobre a demanda, o Estado ajudaria mais a estimulando do que investindo recursos públicos”, acredita.

A questão tributária não escapou à análise da Telcomp. “Precisamos de um reforma mais arrojada que leve em conta novas a aplicações e investimentos de modo que o que vem pela frente tenha um alivio tributário, momentâneo ou definitivo”, defende Moura.

Para ele, o principal legado a ser deixado pela Copa – além da estrutura – deve ser a modernização do modelo regulatório brasileiro. “Temos condições de fazer um avanço grande e fazer reformas que estão na prateleiras há anos”.

Prazos em dia

Já para o Ministério das Comunicações, a situação não é tão crítica. Artur Coimbra de Oliveira, diretor do departamento de banda larga do Ministério, acredita que o setor de TIC está em um estágio diferenciado em relação aos outros. “Muitos terão que se atualizar, o que não é caso de TIC, que terá apenas que avançar”, afirma.

Ele ressaltou que, em relação à tecnologia, o objetivo do governo federal é disponibilizar a estrutura exigida pela organização dos eventos e, ao mesmo tempo, deixar um legado para as cidades sede. No caso da Copa do Mundo, há dois critérios exigidos pela FIFA: infraestrutura de transmissão de TV e de suporte aos locais e escritórios do evento, como hotéis, centros de mídia, estádios, centros de transmissão etc.

“Nesse sentido o governo vem procurando esclarecer os critérios da Fifa e levantar o que já existe. Até aqui, mapeamos a estrutura existente no País”, diz. De acordo com Coimbra, o Brasil tem hoje uma capacidade disponível de 680 Gbps para transmissão de dados e, em relação ás redes de telefonia, cada cidade sede tem pelo menos quatro operadoras. Além disso, há 41 satélites em operação no Brasil, oito deles nacionais.

O executivo não demonstrou preocupação em relação aos prazos, dizendo que estes estão sendo cumpridos dentro do planejado. Também em relação ás metas que deverão ser cumpridas pelas operadoras, Coimbra se mostrou tranquilo: “caso as operadoras não atinjam as metas, o governo pode lançar mão a Telebrás para complementar o que foi acordado com a FIFA”. Segundo Coimbra, a estatal teria R$ 200 milhões liberados para usar especificamente para oferta de TIC no evento.

Rodrigo Meira, assessor do Ministério dos Esportes, explicou que o governo federal definiu três blocos de investimentos que seriam: projetos de infraestrutura entre 2009 e 2010; projetos de infraestrutura de suporte e serviços entre 2010 e 2011; e operações e ações específicas entre 2011 e 2013. “Para o primeiro bloco, foram definidos R$ 25 bilhões em investimentos”, lembra.

Sobre a possibilidade de atraso, no caso da estrutura de TIC, Meira também se mostrou tranquilo. “O mapeamento está em conclusão e grande parte das redes já existe. Teremos apenas que complementá-las”, afirma. Até mesmo um eventual atraso na construção dos estádios é minimizado. “O atraso nas obras impacta pouco a infraestrutura, porque a maior parte dos investimentos vai para a construção das redes metropolitanas”, defende Coimbra.

Mas para Moura, da Telcomp, não é bem assim. Ele lembra que a maior parte dos estádios não está considerando a estrutura de TIC em seus projetos, que têm sido liberados pelo BNDES mesmo assim. “Esperamos que as construtoras e os responsáveis pelo gerenciamento das arenas atentem para isso”.

Sobre o andamento dos projetos, tudo parece estar em planejamento. Coimbra afirmou que a definição das responsabilidades entre governo federal, Fifa e Oi – patrocinadora oficial da Copa – será definida nos próximos meses. Do mesmo modo, a estrutura de energia que dará suporte à TIC tem sido discutida.

“Temos tido reuniões mensais com a participação do Ministério da Energia justamente para que isso seja contemplado nos planos”, afirma Meira. Mesmo a possível desoneração fiscal de alguns setores continua em discussão. “O tema está em discussão. Existe um plano que deverá estimular a competição e que será divulgado a qualquer momento”, afirma Coimbra.

Ainda assim, os dois representantes do governo federal afirmam que tudo deverá estar pronto seis meses antes da abertura da Copa do Mundo, exceto as cidades que sediarão a Copa das Confederações (nove delas), que deverão estar com suas estruturas disponíveis uma ano antes. Parece pouco para um evento que, segundo as contas do próprio governo, deverá agregar R$ 183 bilhões à economia brasileira, R$ 47 bilhões de forma direta, atrair 600 mil turistas, movimentar R$ 5 bilhões em consumo e R$ 16,8 bilhões em arrecadação de impostos.
Banda larga de R$ 35 começa a ser vendida em 23 de agosto

Um ano depois do Governo Federal anunciar as primeiras cidades atendidas, finalmente o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) deve sair do papel.

Época - 02/08/2011

No próximo dia 23, o primeiro plano comercial da banda larga popular começará a ser vendido em Santo Antônio do Descoberto, cidade goiana a 47 quilômetros de Brasília. A conexão de 1 Mbps por R$ 35 será ofertada pela Sadnet, primeiro provedor do Brasil a fechar contrato com a Telebrás. A informação foi confirmada pelo sócio da Sadnet, Bruno Souza.

O lançamento deverá contar com a presença do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e o presidente da Telebrás, Caio Bonilha. Bernardo fará o primeiro acesso simbólico por uma conexão de banda larga do PNBL no Telecentro instalado na cidade, diz Bruno. O Tecneira confirmou que o evento já está na agenda de ambos os políticos.

A infra-estrutura para o provimento da banda larga popular está pronta em Santo Antônio do Descoberto desde o começo de julho, quando foi instalada a antena que distribuirá o sinal da internet via rádio. Bruno estima que, até o final do ano, a oferta do PNBL dobrará a base de clientes do provedor, atualmente em mil assinantes.

Além da mensalidade de R$ 35, quem quiser contratar o serviço terá que comprar uma estação receptora avaliada em R$ 299. A Telebrás exige que o provedor garanta, no mínimo, 20% da velocidade de 1 Mbps.

Outras cidades no entorno de Brasília também já assinaram contrato com a Telebrás para começar a ofertar os planos de banda larga populares. A Logtel também já fechou acordo com a Telebrás para vender o plano popular nos municípios próximos de Recanto das Emas e Samambaia.

No total, oito cidades na região de Goiás e Distrito Federal proverão a conexão neste primeiro estágio. Ali, a Telebrás concluiu o primeiro trecho da rede com mais de 35 mil quilômetros de fibra óptica que está montando junto a estatais como Petrobrás, Eletrobras, Furnas e outras.

Até o final do ano, Bonilha estima que 300 cidades brasileiras ofecerão a banda larga popular. No prazo original, a Telebrás esperava que, até 2012, 1.163 cidades já estivessem atendidas. Bonilha credita o atraso ao corte no orçamento que a Telebrás sofreu neste ano. Em vez do repasse de R$ 1 bilhão estimados, a estatal recebeu R$ 350 milhões.
Dataprev assina termo de cooperação com a Telebras

Dataprev - 02 de agosto de 2011

Presidente da Dataprev assina termo juntamente com o presidente da Telebras, Caio Cesar Bonilha (meio) e diretor comercial, Rogério Catunda (direita)

Na manhã de hoje (02), a Dataprev assinou um termo de cooperação técnica com a Telebrás (Telecomunicações Brasileiras S.A), com vigência de um ano a partir de sua publicação no Diário Oficial. O documento assinado propõe a troca de informações, intercâmbio de conhecimento técnico, e apoio às ações relativas à integração da rede de telecomunicações federal com as redes municipais para a implementação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

O acordo prevê o desenvolvimento de projetos conjuntos, sobretudo para expansão da infraestrutura de telecomunicações e ampliação dos serviços de governo eletrônico na área da Previdência Social, além da avaliação de desempenho de serviços prestados para o backbone (rede principal por onde passam os dados dos clientes da internet) federal, a ser operado pela Telebras.

Governo quer ampliar para 40 milhões número de casas com internet

Computerworld - 02/08/2011


Meta integra Plano Brasil Maior, que será lançado daqui a pouco pela presidenta Dilma Rousseff, para aumentar a competitividade da indústria brasileira.

O Plano Brasil Maior que será lançado daqui a pouco pela presidenta Dilma Rousseff pretende, entre outras metas, ampliar de 13,8 milhões para 40 milhões o número de domicílios urbanos com acesso à internet de banda larga. Com o slogan "Inovar para Competir. Competir para Crescer", o plano é a nova política industrial, tecnológica, de serviços e de comércio exterior do governo federal.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o plano foi idealizado para o período 2011-2014 e tem o objetivo de aumentar a competitividade dos produtos nacionais a partir do incentivo à inovação e à agregação de valor. O anúncio será após a instalação do novo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), formado por 13 ministros, pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e por 14 representantes da sociedade civil.

De acordo com o documento disponível no site do plano no portal do MDIC, uma das medidas é destinada a dar estímulo a investimento e a inovação, com desoneração tributária do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de bens de investimento. Outra medida de desoneração tributária prevê a redução gradual do prazo para devolução dos créditos do PIS-Pasep/Cofins sobre bens de capital.

Outra meta é elevar a qualificação dos trabalhadores da indústria com nível médio dos atuais 53,7% para 65%. Os dados são Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que com o plano irá definir a nova política industrial, tecnológica, de serviços e de comércio exterior do governo federal.

Além disso, vai ampliar os investimentos fixos, de 18,4% para 22,4% do Produto Interno Bruto (PIB), e elevar os gastos com pesquisa e desenvolvimento, também em comparação ao PIB, de 0,59% para 0,90%, meta em conjunto com o Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação (Pacti).

O pacote de incentivos prevê também incentivos à geração de energia limpa na indústria. A meta é reduzir de 150,7 toneladas equivalente de petróleo (tep) por milhão de real para 137 tep por milhão.

Para o investimento, o plano prevê a extensão do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) até dezembro de 2012, com orçamento de R$ 75 bilhões.

Foram incluídos novos setores como componentes e serviços técnicos especializados, equipamentos, tecnologia de informação e comunicação (informática), ônibus híbridos, Pró-Engenharia (programa para impulsionar a formação de novos engenheiros) e Linha Inovação Produção. São áreas consideradas prejudicadas pelo governo devido à concorrência de produtos estrangeiros.

O plano concede estímulos ainda à ampliação do capital de giro para o Programa BNDES de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda (BNDES Progeren) com novas condições de crédito e prazo e a inclusão dos setores autopeças, móveis e artefatos.

O orçamento chega a R$ 10,4 bilhões, a taxas de juro de 10% a 13% ao ano, com prazo de financiamento entre 24 e 36 meses. A vigência foi prorrogada até dezembro do ano que vem.

O governo vai relançar o Programa BNDES Revitaliza, que terá novas condições de financiamento ao investimento. O orçamento previsto para a nova fase, que passa a incluir o setor autopeças, é R$ 6,7 bilhões, com taxa fixa de 9%, vigente, também, até dezembro de 2012. O objetivo do programa é financiar ações de revitalização das empresas que atuam nos setores de pedras ornamentais, beneficiamento de madeira, de couro, calçados, confecção, móveis de madeira, frutas (in natura ou processadas), cerâmicas, softwares e prestação de serviços de tecnologia da informação, priorizando a agregação de valor ao produto nacional e a adoção de métodos de produção mais eficientes.

Além disso, será criado o Programa BNDES Qualificação, que dará apoio à expansão da capacidade de instituições privadas de ensino técnico e profissionalizante reguladas pelo Ministério da Educação (MEC), com orçamento de R$ 3,5 bilhões e taxa de juros máxima definida em 8,3% ao ano.
Era da ciberguerra começou e envolve países e empresas

Tecnologia: Escalada de ataques a computadores é vista por especialistas como início de um novo confronto

Valor Econômico | Bloomberg Businessweek - 02/08/2011

Nas primeiras horas da manhã de 24 de maio, um ladrão armado, com o rosto encoberto por uma máscara de esquiar, invadiu os escritórios da Nicira Net-works, uma empresa iniciante do Vale do Silício instalada em um dos incontáveis prédios de arquitetura indefinível na Highway 101. Ele passou pelas escrivaninhas repletas de computadores portáteis e dirigiu-se diretamente à mesa de um dos principais engenheiros da empresa. O assaltante parecia saber exatamente o que queria: um computador volumoso, que armazenava o código-fonte da Nicira. Pegou a máquina e fugiu. Toda a operação durou cinco minutos, como mostrou um vídeo capturado pela minicâmera do computador de um dos funcionários.

O sargento Dave Flohr, da polícia de Palo Alto, decreveu o caso como um típico roubo de computador no Vale do Silício. "Há montes de idiotas por aí que pegam o que podem e saem", diz.

Duas fontes próximas à empresa, no entanto, dizem suspeitar, assim como investigadores federais encarregados do caso, de algo mais sinistro: um assalto profissional, realizado por alguém com laços com a China ou a Rússia. O ladrão não queria um computador que pudesse vender na Craigslist, empresa popular de anúncios classificados. Queria as ideias de Nicira.

O roubo de propriedade intelectual está longe de ser algo inédito no Vale do Silício. Na maioria das vezes, se trata de uma invasão digital de redes por hackers em busca de algum produto muito usado. Neste caso, houve uma invasão física, por um ladrão armado que estava atrás de uma tecnologia secreta, que ainda nem está no mercado.

A Nicira passou os últimos quatro anos desenvolvendo silenciosamente um programa de infraestrutura de computação para centros de dados. De acordo com site da empresa, os fundadores da Nicira vieram dos departamentos de ciência da computação das universidades de Stanford da Califórnia, em Berkeley.

A empresa conta com grandes investidores em capital de risco, como a Andreessen Horowitz e New Enterprise Associates. A Nicira também pediu verbas para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, para trabalhar em tecnologias de rede para uso militar. Representantes da Nicira não quiseram comentar o assunto para este artigo. (A Bloomberg LP, dona da Bloomberg Businessweek, é investidora na Andreessen Horowitz).

Os que estão a par do roubo se recusam a falar publicamente. Atribuem a relutância a ordens dos investigadores federais. De forma reservada, mostram preocupações em comum: a ciberespionagem e os ataques de hackers ligados a países parecem estar aumentando em frequência e gravidade. O que outrora parecia domínio de Hollywood - assaltantes de alta tecnologia armados e vírus de internet que derrubam usinas elétricas - tornou-se real. Eles temem que os conflitos on-line e os incidentes de espionagem estejam aumentando venham a se transformar em uma disputa cruel e perturbadora, envolvendo governos, empresas e hackers altamente avançados e fora de alcance.

A nova era da "Code War" (Guerra de Códigos, que em inglês soa semelhante a Guerra Fria) não se tem superpotências encarando-se para ver quem pisca primeiro. Lembra mais a Europa de 1938, quando o continente era um caos e um conflito mundial parecia inevitável.

Os ciberataques costumavam ser mantidos em silêncio. Muitas vezes, passavam despercebidos por muito tempo depois do ataque, e países ou empresas atingidos normalmente não falavam sobre o assunto. Isso mudou à medida que um fluxo constante de incursões mais descaradas começou a ser exposto.

Em 2010, por exemplo, a Google acusou a China de espionar funcionários e clientes da empresa. Na ocasião, informou que pelo menos outras 20 empresas foram vítimas do mesmo ataque, apelidado de Operação Aurora pela empresa de segurança em computação McAfee. Entre as vítimas também estavam Adobe Systems, Juniper Networks e Morgan Stanley.

Joel F. Brenner, chefe de contrainteligência dos EUA até 2009, diz que a mesma operação que desencadeou a Aurora teve muitas outras vítimas ao longo dos anos. "Seria aceitável dizer que pelo menos 2 mil empresas foram atingidas", diz Brenner. "E esse número está mais para o lado conservador", afirma.

Dezenas de outros nomes, como a Lockheed Martin, a Intel, o Ministério da Defesa da Índia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Pacific Northwest National Laboratory, sofreram ataques similares. Neste ano, hackers invadiram as redes de computador da RSA, uma empresa de segurança que protege computadores de outras empresas. Eles roubaram alguns dos códigos de computador mais valiosos do mundo, os algoritmos das fichas SecureID, da RSA, produtos usados por agências do governo dos EUA, fornecedores militares e grande bancos para impedir invasões de computadores. É como invadir um chaveiro altamente protegido e roubar a chave mestra que abre os cofres de todos os cassinos na Las Vegas Strip.

No mês de julho, o Pentágono revelou que também havia sido "hackeado". Mais de 24 mil arquivos foram roubados dos computadores de um fornecedor militar, não identificado, por "invasores estrangeiros".

O mais famoso incidente de ciberguerra até agora, cujos detalhes tiveram maior divulgação, envolveu o vírus Stuxnet. Em 2010, o Stuxnet - cuja existência foi noticiada em primeira mão pelo blog de segurança de Brian Krebs - apareceu em dezenas de países, tendo como alvo o que se conhece como controladores lógicos programáveis, que são computadores industriais do tamanho de um maço de cigarro, presentes em quase tudo.

O Stuxnet foi projetado para atingir apenas um tipo: os controladores de processamento de combustível de urânio em uma instalação nuclear do Irã.

As pessoas que analisaram o ataque acham que alguém conectou um "pen drive" carregado com o Stuxnet em algum computador pessoal com Windows conectado às centrífugas, localizadas dentro de um refúgio. O vírus deu a ordem para o equipamento girar com velocidade exagerada, o que o acabou destruindo.

Enquanto tudo isso acontecia, o Stuxnet manteve-se escondido dos técnicos iranianos. O vírus desarmou os alarmes e inseriu falsos informes de funcionários, assegurando que as centrífugas estavam funcionando bem.

O Stuxnet atrasou o programa nuclear iraniano por meses. Não comprometeu apenas bases de dados, como a maioria dos vírus de computador: destruiu algo físico. "O Stuxnet foi o equivalente a uma arma balística de alta potência", diz Ed Jaehne, estrategista-chefe da KEYW, empresa de segurança de computadores, em Maryland, que vem apresentando grande crescimento.

Quando os pesquisadores dissecaram a tecnologia e buscaram os motivos, alguns apontaram para os EUA ou Israel como o local mais provável de origem.

A investigação sobre o Stuxnet não era necessariamente de muita ajuda: se há uma característica distintiva dos ataques na Guerra dos Códigos é que a tecnologia envolvida está em constante mutação. Os ciberarmamentos parecem estar entrando na era dourada de progresso acelerado - uma nova corrida armamentista. O desafio em Washington, no Vale do Silício e por todo o mundo é desenvolver ferramentas digitais tanto para a espionagem como para a destruição.

Os alvos mais atraentes nesta guerra são civis - redes elétricas, sistemas de distribuição de alimentos e qualquer infraestrutura básica que rode em computadores. "Esse negócio é mais cinético do que os armamentos nucleares", diz Dave Aitel, fundador da Immunite, uma empresa de segurança em computadores, em Miami Beach, usando um termo militar que designa poder de destruição no mundo real. "Nada é mais revelador de que você perdeu do que uma cidade faminta."

Os ciberarmamentos existem há vários anos, em sua maior parte nas agências de inteligência nacionais e militares. Especialistas em segurança confirmaram que trabalhos da Northrop Grumman, Raytheon e General Dynamics, potências da indústria militar tradicional, estão ajudando o governo dos EUA a desenvolver formas de espiar ou desativar redes de computadores de outros países.

O setor, no entanto, começou a mudar em torno a 2005, quando o Pentágono começou a dar mais ênfase ao desenvolvimento específico de ferramentas de hackers com fins militares.

A mudança na política militar permitiu o nascimento de uma série de pequenos, mas avançados, "negociantes de ciberarmamentos" de ataque. A maioria são empresas "obscuras" que camuflam o financiamento governamental e trabalham em projetos confidenciais. "Há cinco anos, ocorreu uma explosão", diz Kevin G. Coleman, ex-estrategista-chefe da Netscape e autor de "The Cyber Commander"s eHandbook", um guia que pode ser baixado da internet. "Simplesmente, entraram em cena pessoas com capacidades ofensivas."

Dois dos principais armamentos no arsenal dos guerreiros virtuais são os "botnets" e "exploits". Um botnet é um grupo de dezenas ou até centenas de milhares de computadores sendo comandados sem o conhecimento de seus donos. Para criar esses exércitos involuntários, os hackers passam anos infectando os computadores das pessoas com códigos maliciosos (vírus de computador de autopropagação), que ficam escondidos e preparam o computador para receber ordens. Quando ativado, um botnet pode derrubar redes ao bombardeá-las com lixo digital. Também pode ajudar a espionar e, se necessário, a sabotar um grande número de máquinas.

Um "exploit", no sentido usado pelos hackers para a palavra, é um programa que explora as vulnerabilidades de outros programas de amplo uso, como o Windows, da Microsoft, ou das milhões de linhas de códigos que controlam servidores de rede. Os hackers usam os exploits para entrar e inserir um vírus ou outros conteúdos destrutivos. Algumas dessas brechas são bem conhecidas, embora os fornecedores de software possam levar meses ou até anos para criar soluções para elas.

Os exploits mais importantes são aqueles desconhecidos de todos até a primeira vez em que são usados. São chamados de "exploits dia zero" (o dia em que o ataque é descoberto seria o "dia um"). Nos subterrâneos do mundo dos hackers, em bate-papos on-line apenas para convidados nos quais são negociados produtos ilegais, um exploit dia zero para uma rede com Windows pode ser vendido por até US$ 250 mil. O Stuxnet usou quatro exploits dia zero de alta complexidade, o que o torna uma grande estrela nos círculos de hackers.

O guia de Coleman lista cerca de 40 tipos de ataques possíveis com botnets e exploits. O número 38 é o assassinato. Assim como o Stuxnet deixou a centrífuga girando fora de controle, um vírus de computador pode desativar uma terapia intravenosa ou o sistema de oxigênio controlados por computadores em algum hospital, antes de a equipe médica tomar conhecimento de que há algo errado.

Número 39: hackear carros. Os carros estão repletos de computadores, que controlam freios, câmbio, motor e praticamente tudo. Controle esses sistemas e você pode controlar o veículo - e provocar uma batida, se quiser.

Soa absurdo? Em 2010, pesquisadores da Rutgers University hackearam os computadores de um carro que estava a quase 100 quilômetros por hora, por meio do sistema sem fio usado para monitorar a pressão dos pneus.

Não está claro se o governo dos EUA já usou alguma dessas técnicas. "Somos capazes de fazer coisas que ainda não decidimos se são o melhor a fazer", diz o general Michael V. Hayden, ex-diretor da CIA.

O que diferencia um ataque normal de hacker de um do Pentágono neste contexto não é a imponência de poder, mas a destreza com que o invasor pode infiltrar-se em uma rede, esconder seu material e, depois, desaparecer.

Na Coreia do Sul, um vírus de computador iniciou em março um ataque de dez dias, tomando o controle de milhares de computadores de estudantes, trabalhadores e donos de lojas. As máquinas, então, bombardearam sites militares e governamentais com um grande tráfego incessante, derrubando redes ou inabilitando-as parcialmente. O ataque destruiu milhares de computadores e custou centenas de horas de trabalho para atenuar os problemas. Segundo a empresa de segurança McAfee, no entanto, o verdadeiro objetivo provavelmente era testar as defesas digitais sul-coreanas, sugerindo que há mais por vir.

Os pesquisadores da McAfee, tentando encontrar a origem do ataque, descobriram que o vírus recebeu comandos de servidores em 26 países, incluindo Vietnã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Cerca de 20% dos servidores estavam nos EUA. Quando a trilha digital começava a desvendar-se, os computadores atacados foram instruídos a apagar seus códigos de software básicos, tornando-se inúteis. Os investigadores ainda tão têm certeza sobre quem lançou o ataque, mas a McAfee suspeita da Coreia do Norte.

O incidente demonstrou um dos aspectos mais assustadores da ciberguerra: a impossibilidade de rastreamento. Jaehne, da KEYW, diz que empresas iniciantes são mais apropriadas para lidar com esses ataques misteriosos de alta velocidade.

"A grande base industrial dos fornecedores militares não é conhecida por sua capacidade quanto a isso ou por sua velocidade em inovação", diz Jaehne. "Eles precisam dirigir-se a empresas menores, mais ágeis, para encontrar essa inovação."

A KEYW diz ser a única empresa com ações negociadas especializada puramente em "cibersuperioridade". Jaehne e outros executivos fundadores da empresa de Hanover, no Estado de Maryland, saíram do Northrop Grumman para criar sua empresa em 2008. A maioria dos 800 funcionários tem autorização para trabalhar em projetos secretos de agências de inteligência dos EUA, responsáveis pela maior parte da receita da empresa. Em 2010, a receita subiu 175%, de US$ 39 milhões para US$ 108 milhões. Quando perguntado sobre os tipos de munições digitais que a KEYW produz, Jaehne responde: "Não há nada que eu possa falar sobre isso."

Aitel, da Immunity, também não fala sobre os trabalhos da empresa para o governo. De acordo com uma fonte próxima à Immunity, a empresa produz "rootkits" transformados em armas: sistemas de invasão digital de grau militar usados para entrar em redes de outros países. A fonte não quis ser identificada porque o assunto é delicado. Entre os clientes, estão agências de inteligência e militares dos EUA.

O governo americano passou os últimos dois anos formalizando as suas operações e estudando a questão da guerra por computadores. Em 2009, o governo de Barack Obama anunciou a criação do U.S. Cyber Command, com sede em Fort Meade, Maryland. O presidente assinou recentemente ordens que dão aos militares aprovação total para usar armamentos digitais que possam desempenhar várias tarefas, como as de espionagem e de ataques a redes elétricas de inimigos - esses últimos exigem ordens presidenciais. É um momento de mudanças rápidas e assustadoras.

"É como nos primeiros dias do balanceamento nuclear americano-soviético", diz Clarke. "Não conhecemos as regras da estrada."

Gunter Ollmann, especialista em segurança de computadores e ex-diretor da X-Force, diz que o poder sedutor dos ciberarmamentos pode superar o medo dos governos quanto à instabilidade que seu uso possa causar. Também acredita, no entanto, que os armamentos digitais podem reduzir o risco de conflitos travados com tanques e mísseis.

O Stuxnet evitou o conflito aberto que teria se seguido a um bombardeio das instalações nucleares iranianas. Os países com arsenais digitais avançados poderiam usar a tecnologia para influenciar nações contrárias, desligando a iluminação em Caracas, por exemplo, ou inabilitando o porto da capital líbia.

"Deixa de ser uma batalha cinética e passa a ser uma guerra de cerco", diz Ollmann. "Posso controlar sua água ou sua energia a distância. E quando toda a confusão for decifrada, posso voltar a conectá-las."

Para lidar com a guerra de códigos, que implica um constante estado de ameaça, governos e empresas podem tentar desenvolver sua própria tecnologia. Mas, assim como as bombas inteligentes, caças-bombardeiros e outros instrumentos do "mundo real", as armas cibernéticas são sempre mais fáceis de ser construídas do que destruídas.

"A indústria dos hackers está muito à frente em relação à sua capacidade de implantar um grande botnet", diz Amichai Shulman, chefe de tecnologia da Imperva, empresa especializada em segurança. "Se uma nação quer lançar um ataque distribuindo algum tipo de malware, faz mais sentido para ela simplesmente alugar um botnet já existente", afirma.
Pioneirismo no 4G

Correio Braziliense - 02/08/2011

Brasília será a primeira cidade do país a contar com a oferta de pacotes de internet móvel de quarta geração (4G), com velocidades de até 100 Mbps (Megabits por segundo), 10 vezes mais rápida do que o 3G. Ao menos é o que promete Luiz Eduardo Baptista, presidente da Sky.

Para isso, a TV Filme Brasília, uma subsidiária da Sky, terá de pagar R$ 9,5 milhões, valor estipulado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) como preço pela outorga que permite a exploração do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) na frequência de 2,5GHz — licença necessária para a venda de banda larga — no Distrito Federal. A autorização foi publicada na edição de ontem do Diário Oficial da União.

O pedido de permissão para vender banda larga nessa frequência foi feito pela Sky há mais de um ano. A companhia chegou a entrar na Justiça para pedir que a Anatel autorizasse o uso da faixa para SCM e definisse os preços. Diante da demora em uma resposta da agência reguladora, Baptista veio a Brasília, no último dia 14, e se reuniu com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, para demonstrar sua preocupação em relação ao atraso. O presidente da Sky disse que, uma vez oficializada a licença, a empresa conseguirá cobrir todo o território da capital federal em até quatro meses, com a tecnologia Long Term Evolution (LTE), usada para conexões 4G.

Combos
Além disso, por meio da TV Filme Brasília, a Sky terá de pagar outros R$ 5,6 milhões para renovar a licença de exploração do serviço de tevê por assinatura via rádio, também usando a frequência de 2,5GHz. Dessa forma, a Sky entrará como uma nova competidora, no DF, dentro dos chamados combos, que englobam promoções com tevê por assinatura, banda larga e telefone, nicho amplamente dominado pela NET, que vende pacotes entre R$ 29,80 e R$ 299.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Empresa quer presença de ministro para vender banda larga a R$ 35

SadNet, de GO, foi autorizada e tem condições técnicas para prover acesso
Telebrás diz que não sabia de decisão de empresa de adiar início do PNBL.

G1 - 01/08/2011

Moradores da cidade goiana de Santo Antônio do Descoberto continuam sem poder comprar internet nas condições previstas pelo Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), quase dois meses após a assinatura do primeiro contrato com a Telebrás e duas semanas após a SadNet, empresa que atua na cidade, receber autorização para vender os planos mais baratos.

O contrato foi firmado em 8 de junho. Na época, a previsão era que a internet de 1 Mbps com assinatura mensal de R$ 35 estaria disponível dentro de 30 dias.

O gerente de Rede da SadNet, Bruno Souza Santana, disse nesta segunda-feira (1º) que a empresa já tem condições de vender os planos dentro do PNBL. Mas ainda não começou a fazê-lo porque aguarda a inauguração oficial do programa, prevista para acontecer em evento na cidade no dia 23 de agosto, com a presença do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Enquanto isso, os clientes de Santo Antônio do Descoberto que quiserem internet de 1 Mbps continuam tendo que pagar mensalidade de R$ 100, além de R$ 250 pelo modem, equipamento necessário para a conexão.

“A inauguração com a presença do ministro é importante para nós. Mas se o evento fosse marcado para ontem, a gente já teria condições de comercializar [a banda larga do PNBL]”, disse Santana.

Segundo ele, o Ministério das Comunicações e a Telebrás não fizeram exigência de que os pacotes a R$ 35 começassem a ser vendidos após o ato oficial com o ministro. A opção é da própria SadNet que, no entanto, aguarda a disponibilidade de agenda de Paulo Bernardo.

Teste gratuito
O diretor de Rede informou que a empresa mantém há alguns dias dez conexões de 1 Mbps pela rede da Telebrás, oferecidas aleatoriamente a clientes de Santo Antônio do Descoberto. Mas como se trata de um teste, os clientes não pagam pelo serviço.

De acordo com Santana, até agora as conexões do PNBL não apresentaram problemas. “Recebemos só elogios dessas pessoas”, disse.

Àqueles que procuram a SadNet para saber da internet a R$ 35, disse ele, é informado que o serviço começará a ser vendido a partir do dia 23. Os interessados também terão que adquirir um modem especial, que custa R$ 300, preço que poderá ser parcelado em 12 vezes no cartão de crédito

Santana informou ainda que, no evento de lançamento, vai ser feito o sorteio de um computador com um ano de assinatura grátis de internet de 1 Mbps a um morador da cidade.

O Ministério das Comunicações e a Telebrás informaram, via assessoria, que a SadNet está em condições de oferecer as assinaturas do PNBL desde 18 de julho e que não sabiam do adiamento das vendas pela empresa.

Ainda de acordo com o ministério, a medida da SadNet é “uma decisão comercial da empresa, que decidiu continuar a vender os outros links que já dispunha, de outros fornecedores, até a inauguração oficial do link com a Telebrás.” O ministério disse ainda que não pode “interferir” para que a SadNet coloque imediatamente à venda o pacote de R$ 35.

PNBL
O Plano Nacional de Banda Larga tem dois eixos: o primeiro é a venda, pela Telebrás, de links de acesso à sua rede de fibras óticas a empresas que querem oferecer o serviço de banda larga pelas regras do PNBL. A SadNet foi a primeira a assinar com a Telebrás.

O segundo eixo foi o acordo, fechado com as concessionárias de telefonia fixa no final de junho, e que tem o objetivo de massificar o acesso à internet em todo o país. O acordo prevê que Oi e Telefônica vão oferecer conexões, móveis ou fixas, de 1 Mbps por R$ 35 mensais em todas as cidades até o final de 2014.