sábado, 8 de outubro de 2011

Brasil recebe US$ 500 bilhões em dois anos

Indústria de transformação volta a ganhar destaque no país com aportes vultosos de empresas da área de telecomunicações como a Telefônica

Brasil Econômico - 07/10/2011

O volume de novos investimentos anunciados no Brasil segue a rota ascendente iniciada a partir do segundo semestre de 2009, após a superação do país da crise econômica de 2008. O montante de recursos anunciados no primeiro semestre deste ano para ser aplicado na cadeia produtiva do país já alcança US$ 165,6 bilhões, o que significa mais da metade (61,6%) do total de investimentos anunciados em 2010, segundo dados compilados pela Rede Nacional de Informações sobre o Investimento (Renai), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). Nos últimos dois anos, o total dos investimentos anunciados no país acumulou US$ 495,6 bilhões, sendo que o recorde da série desde 2004 foi alcançado no ano passado de US$ 268,8 bilhões.

"Isto é resultado do desaquecimento das economias europeias e dos Estados Unidos, que forçou as multinacionais a aproveitarem o aquecimento do mercado consumidor brasileiro", afirma o coordenador-geral do Renai, Eduardo Celino.

Não é à toa que o destaque deste ano voltou para a indústria de transformação, não apenas por conta das oportunidades do pré-sal, mas pelo novo poder de consumo do país.

Segundo os dados do Renai, de janeiro a junho deste ano, a indústria de transformação somou 33% do volume total a ser investido no país por empresas nacionais e estrangeiras. O destaque ficou por conta da entrada da multinacional taiuanesa Foxconn, que fabrica produtos da Apple, e anunciou em abril deste ano a intenção de investir US$ 12 bilhões em fábrica no Brasil. Ao lado dela está a espanhola Telefônica que irá aplicar US$ 14,6 bilhões no setor de telecomunicações.

"Esses investimentos fizeram a diferença para que a indústria de transformação voltasse a assumir a liderança no ranking dos setores com mais investimentos, ainda que os dados sejam preliminares", ressalta Celino.

O maior investimento anunciado até aqui, no entanto, foi oficializado neste mês pela companhia inglesa British Gas Group, que atua desde a exploração de petróleo até a entrega do gás natural para consumo. A multinacional investirá US$ 30 bilhões no Rio, de olho na costa do pré-sal. E ainda assim, o investimento da BG Group, grande parte focado no extrativismo, não foi capaz de superar o da indústria de transformação.

No ano passado, os recursos para o setor, com destaque para os feitos pela Vale, levaram a indústria extrativa a responder por 42% do total de investimento anunciado no período, o que somou US$ 114 bilhões. "Este resultado foi motivado pelo aumento dos preços internacionais das commodities, como o minério de ferro e os produtos agrícolas, o que ainda se mantém neste ano", explica Celino.

A indústria de extração, pelos dados preliminares deste ano, responde por 22% do total de recursos anunciados para investimentos no primeiro semestre, mas o percentual foi alcançado com apenas 8 projetos que somaram US$ 36,5 bilhões. No caso do setor de transformação, os 204 anúncios de investimentos no primeiro semestre somaram US$ 55 bilhões.

Os dados da Renai mostram o setor de papel e celulose como um dos que mais sofreram na transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para o da presidente Dilma Rousseff. O subsetor, parte da indústria de transformação, teve apenas um anúncio de investimento de US$ 250 milhões no país neste ano. Um cenário bem diferente para uma atividade que somou US$ 13,3 bilhões de investimentos em 2009 e US$ 9,7 bilhões no ano passado, perdendo apenas para a metalurgia no setor de transformação.

Segundo Celino, as restrições em relação a compra de terras por estrangeiros e a insegurança jurídica em torno do recrudescimento da legislação afugentaram as empresas.

Por outro lado, as telecomunicações foram as que mais avançaram em termos de aportes dentro da área de transformação, saltando de um volume de investimentos de US$ 1 bilhão, em 2009, para US$ 17 bilhões neste ano, especialmente por conta do processo de democratização do acesso no Norte e o Nordeste.

O setor de logística e comunicações é o terceiro mais dinâmico do país, segundo aferição da Renai. Ao longo do primeiro semestre deste ano, foram feitos 38 anúncios de investimentos , somando recursos da ordem de US$ 31,4 bilhões.

Este movimento está em linha com a crise das economias europeias e dos Estados Unidos, que forçou as multinacionais a buscarem novas opções como o mercado consumidor brasileiro Eduardo Celino Coordenador geral do Renai

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