terça-feira, 27 de setembro de 2011

Telebras & SKY: parceria surpreende o mercado e melhora a imagem da estatal

Insight - Laboratório de Ideias - 27/09/2011


Estigmatizada durante os governos de FHC como símbolo da estatização retrógrada, a Telebras foi privatizada em clima de festa, em 1998, sob os aplausos de boa parte dos brasileiros, apesar das evidências de corrupção no processo de privatização.

Segundo Gustavo Gindre, membro do Intervozes, a estatal de telecomunicações tinha, em 1996, receita operacional de US$ 12,7 bilhões, lucro líquido de US$ 2,73 bilhões, gerava 98 mil empregos e possuía 15,9 milhões de linhas fixas em serviço.

João Brant, coordenador do Intervozes, explica: "o problema é que no final da década de 1970 as estatais começaram a ser usadas para segurar a dívida externa e para controlar a inflação. Havia também um problema de modelo de negócio. O sujeito comprava a linha por um preço caro e depois pagava uma ninharia pelo serviço. A falta de investimento passou a conter a expansão e a gerar um mercado paralelo de linhas. Mesmo assim, de 1970 a 1990, enquanto a população brasileira cresceu 50% e o PIB 90%, a planta instalada de terminais telefônicos do Sistema Telebras cresceu 500%".

Brant prossegue, afirmando que "na preparação da privatização o que aconteceu foi a revisão do modelo. O governo subiu a tarifa de assinatura básica em mais de 1500% (!), voltou a investir (R$ 21 bilhões entre 1995 e 1998, como lembrou Aloysio Biondi, uma das poucas vozes críticas ao processo à época) e preparou o terreno para as empresas privadas assumirem. O que veio a seguir foi a consequência óbvia: a demanda represada gerou a expansão do setor, mas o custo aumentou absurdamente. A assinatura que era R$ 0,69 em 1994 é hoje mais de R$ 40, e o serviço já dá sinais de declínio. Em resumo, a expansão percebida veio da mudança do modelo, e não da venda da Telebras para quatro consórcios privados. Com a privatização, o Brasil perdeu o controle sobre suas redes e seus satélites, gerou um serviço caro para os usuários e agora pena para tentar fazer essas empresas atenderem ao interesse público. Não dá mesmo para dizer que foi um bom negócio".

A desconstrução da história da Telebras e a estigmatização de sua marca como sinônimo de ineficiência estatal foi realizada durante o último governo de FHC, sendo agravada pelo silêncio sobre o assunto no primeiro governo Lula. A partir de 2007, o grupo capitaneado por Rogério Santanna, Cezar Alvarez e Dilma Rousseff convenceu Lula sobre a necessidade de reativar a empresa para que ela atuasse como líder de um futuro plano nacional de banda larga (PNBL).

Em maio de 2010, após uma duríssima batalha contra as operadoras de telefonia, os grupos de mídia e as oposições políticas, a Telebras foi reativada e o PNBL oficializado. No entanto, para a grande maioria da população, a empresa não mais existia. Quando era lembrada, sua marca continuava associada com o gigantismo estatal ineficiente e corrupto.

As iniciativas referentes ao PNBL, de meados de 2010 a meados de 2011, obtiveram limitada repercussão na grande imprensa, quase sempre com adendos lembrando os "problemas" da época pré-privatização. Com isso, ao tentar captar clientes e correligionários para o PNBL entre pequenos provedores, prefeituras e empresas públicas dos Estados, a Telebras deparava-se com uma constante desconfiança que, muitas vezes, fechou-lhe portas ou atrasou decisões.

A questão era tão delicada, que Dilma Rousseff, após assumir a Presidência do Brasil, só veio pronunciar publicamente a palavra "Telebras" em setembro de 2011 (no programa "Conversa com a Presidenta"), quando Santanna já havia sido afastado da diretoria da empresa e Caio Bonilha imprimia uma forma de gestão alinhada com os conceitos do "novo desenvolvimentismo" (também defendidos por Dilma), que prega um estado forte onde for necessário, mas sem prescindir de parcerias estratégicas com a iniciativa privada.

Ou seja: em meados de 2011, a Telebras já era uma realidade e o plano havia sido transformado em Programa Nacional de Banda Larga, merecendo uma das mais altas prioridades do governo Dilma. No entanto, do ponto de vista mercadológico, a estatal ainda "não existia". Suas ações eram desprezadas na bolsa de valores e, em seu portfólio, somente existia um pequeno provedor de Santo Antônio do Descoberto.

Mas, "como assim?", se a empresa trabalhava em ritmo alucinante, fazendo licitações para estabelecer sua infraestrutura e tentando captar clientes públicos e privados?

Nesse momento foi que apareceu o trabalho de Caio Bonilha e de outros dois reconhecidos profissionais de mercado que ele trouxe para a Telebras: Bolivar Moura e Rogério Boros.

Repentinamente, o Brasil começou a ter ciência de que uma estatal chamada Telebras estava fazendo parcerias com grandes empresas públicas e privadas para levar banda larga a todos os brasileiros. Eletrobras, Eletronorte, Petrobras, TIM e CEEE, como parceiras, colocaram também seus respectivos departamentos de marketing para divulgar as alianças, "obrigando" a mídia a repercuti-las, por força de contratos publicitários.

No entanto, ainda faltava algo mais bombástico. Uma iniciativa que, além de colocar a empresa em evidência positiva na mídia, aliasse seu nome à introdução de uma moderna tecnologia, com poder suficiente para alterar o antigo e depreciativo conceito existente na mente da população.

Foi quando surgiu a SKY... a mesma empresa que, em abril de 2010, declarou que faria o PNBL por um quarto dos 60 bilhões de reais estimados pela Oi. Com o avanço da NET no segmento de televisão por assinatura, suportado pelos bilhões de Carlos Slim, a SKY precisava de um acontecimento que a colocasse em evidência e favorecesse uma nova expansão de seus negócios no Brasil.

Para as duas empresas, a parceria para fornecer banda larga móvel, inaugurando a moderníssima tecnologia 4G no Brasil, mesmo que fora do PNBL, foi o que, no teatro da antiga Grécia, seria chamado de solução Deus ex-machina, um fecho inesperado e espetacular, onde todos os pontos se concatenam e convergem para o grande final.

Após o anúncio do polpudo contrato e da divulgação de um oportuno Comunicado ao Mercado emitido pela Telebras, a repercussão foi imediata, não só na grande imprensa e em boletins especializados, mas também nas redes sociais (com ênfase no Twitter), em fóruns e blogs da Internet e nas mesas das corretoras de valores, espaços onde as demonstrações de surpresa positiva estão sendo constantes. Tal surpresa está atingindo não só o cidadão comum interessado na banda larga, mas também boa parte do mercado financeiro e dos experts da área de telecomunicações.

Com isso, quem ainda não conhecia a Telebras ou quem imaginava que ela se dedicaria somente a promover a inclusão digital dos brasileiros e a fomentar o desenvolvimento do País através da expansão da banda larga, atuando apenas como empresa líder do PNBL, está sedimentando uma nova e boa impressão sobre a estatal. Tal público não só está constatando sua existência, mas também percebendo que ela possui uma cesta de grandes produtos para empresas públicas e privadas, onde o Internet PNBL Telebras é apenas um deles.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (informada oficialmente pelo Comunicado da estatal), enquanto seu principal índice recuava quase 7% na semana, as ações preferenciais da Telebras agora brilhavam, valorizando-se cerca de 35% no mesmo período, chamando a atenção de corretoras e investidores que, anteriormente, relegavam seus papéis às subcategorias inferiores, sem sequer considerá-los. Acionados por pessoas físicas e jurídicas interessadas em conhecê-la melhor, diversos analistas repentinamente passaram a buscar informações sobre a mesma empresa que antes desprezavam ou que nem conheciam.

Enquanto isso, em Brasília, os telefones e o email da Telebras registravam um aumento de pedidos de informações - advindos de pequenos provedores e de empresas públicas e privadas - em busca de dados sobre o PNBL, sobre outros produtos da companhia e sobre a nova tecnologia que a estatal irá introduzir no País.

E, a se tomar pelo recente discurso de Caio Bonilha em Brasília, em seminário sobre a banda larga, outras boas surpresas estão por ser divulgadas. Além da super banda larga para a Copa, de dois satélites geoestacionários, de dois cabos submarinos internacionais e de ser, provavelmente, o operador nacional da TV digital pública, a estatal está costurando novas parcerias com outras grandes empresas públicas e privadas, que poderão ser anunciadas em breve.

Enfim, a nova estatal de banda larga está sendo finalmente apresentada ao Brasil. E, pelas repercussões positivas entre a população e o mercado, está sendo também muito bem-vinda!

Para usar os jargões do futebol, a Telebras (agora oficialmente sem o acento agudo) ainda não ganhou o campeonato, pois este apenas começou. No entanto, com os três "B" (Bonilha, Bolivar e Boros) no ataque e com Cezar Alvarez no meio-campo, acaba de surpreender a todos, vencendo a melhor equipe do certame com um gol de placa capaz de causar inveja a Pelé ou a Leandro Damião.

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