terça-feira, 27 de setembro de 2011

Tecnologia esbarra na conexão

Sem velocidade, muitos projetos educacionais ficam comprometidos, o setor pede eficiência na oferta de banda larga

Jornal do Comércio - 27/09/2011

Segundo estudo da Nielsen, oito em cada dez brasileiros usam internet lenta (até 512 Kbps) ou de média velocidade (entre 512 Kbps e 2 Mbps). A realidade, que incomoda tanto os internautas brasileiros, acaba sendo também um dos entraves para o uso adequado da tecnologia na educação. Sem conexão rápida, muitos projetos educacionais que se propõe a levar os alunos e professores à web, principalmente na rede pública e em escolas localizadas no interior do Estado, acabam ficando comprometidos.

Para a professora e pesquisadora da UFPE, Zélia Porto, enquanto não for desenvolvido uma cultura de acesso pleno à internet nas escolas, as ferramentas pedagógicas que se propõe a inserir tecnologia no contexto escolar terão pouca eficiência. “Deveria haver uma política de Estado para o acesso a banda larga, seriam como as estradas tecnológicas para a educação”, defendeu. Na opinião da professora, numa sala de aula sem internet, o computador acaba funcionando apenas como um giz e um quadro para o docente, que irá apenas expor conteúdos, sem usar toda a potencialidade da ferramenta.

Segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil, somente 18% dos professores que atuam em escolas públicas urbanas do Brasil utilizam internet em sala de aula. Sem capacitação e infraestrutura necessária para desenvolver projetos pedagógicos mais ousados, apenas 23% desses professores que usam a web em aula fazem exercícios para prática e fixação de conteúdo. Além disso, a pesquisa revelou que apenas 4% dessas escolas possuem computadores na sala de aula. Na maioria (81%), os professores precisam trabalhar em laboratórios de informática para desenvolver aulas com um pé nas novas tecnologias. “A maioria das escolas da rede pública já possuem laboratórios com internet, mas as dificuldades de acesso e a infraestrutura inadequada acabam desestimulando os professores”, disse a coordenadora do programa de pós-graduação em educação matemática e tecnológica, Patrícia Smith.

Quando o olhar dos especialistas segue para o interior do País, as dificuldades de acesso são ainda maiores. Diversas escolas brasileiras que já foram beneficiadas pelo programa Um Computador por Aluno (UCA) não distribuíram os netbooks para os alunos porque eles não teriam conexão em casa. De acordo com João Filho, diretor da Escola Natalicia Maria Figueiroa da Silva, em Surubim – uma das unidades pernambucanas que aderiu ao programa –, não é possível que todos os alunos acessem a web ao mesmo tempo, pela limitação da conexão. “Os professores fazem um revezamento do uso da internet em sala de aula. No máximo duas turmas ao mesmo tempo. E quanto ao acesso nos intervalos, também há um controle do número de alunos para a conexão não ficar muito lenta ou cair”, afirma.

Colégios passam a ser escolhidos localmente


Após distribuir 150 mil computadores educacionais em dezenas de cidades, o UCA se prepara para a sua segunda fase. Enquanto no projeto piloto era do Ministério da Educação a missão de escolher e financiar as escolas e municípios que seriam beneficiados, agora esse papel caberá às prefeituras e governos estaduais A partir desse momento é deles a decisão de onde alocar os recursos para expandir o número de escolas digitais.

Para incentivar a aquisição dos uquinhas, o Ministério da Educação, juntamente com o Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), fez um registro de preços e uma licitação para os aparelhos, facilitando o trabalho para as secretarias de educação interessadas. “Estamos disponibilizando isso para Estados e municípios que queiram adquirir computadores diretamente. Já temos em torno de 400 mil aparelhos que estão sendo entregues a novas escolas”, afirmou o Sérgio Jamal Gotti, diretor de formulação de conteúdos educativos da Secretaria de Educação Básica do MEC.

Os uquinhas, que custam em média R$ 350 pode ser comprado tanto por recursos próprios dos Estados e municípios, como por uma linha de crédito do BNDES criada especificamente para o programa. “Uma característica desse financiamento é que possui juros mais baixos e prazos maiores para pagamento. Certamente auxiliará as secretarias municipais na aquisição dos aparelhos”, afirmou Gotti.

Como a expectativa de distribuição dos uquinhas era de 600 mil até o final do ano e já foram entregues cerca de 65% da meta, o MEC está otimista com a expansão das escolas digitais. “Temos uma responsabilidade grande com a universalização desse projeto piloto. E a adesão está sendo bastante positiva. Todos os dias têm novas adesões. É um movimento que acontece no Brasil inteiro. Há municípios querendo adquirir equipamentos para todas as escolas.

Segundo o professor Sérgio Abranches, coordenador do UCA em Pernambuco, algumas prefeituras já sinalizaram interesse em fazer parte do programa, mas afirma que ainda são poucas e os contatos estão em fase inicial. “O UCA proporciona mais que a inclusão digital. Promove inclusão social dos alunos e professores na nova dinâmica da sociedade. Agora, a expansão do projeto em Pernambuco dependerá das prefeituras”, disse Abranches.

Um comentário:

  1. O negócio ainda tá amarrado! Querem q os educadores trabalhem com tecnologia? Dê a eles uma tecnologia de qualidade, com todo o suporte necessário, tanto em cursos como em equipamentos e infraestrutura. Educador não faz milagres, até q a gente tem rezado bastante pra "São Login" dar uma luz na cabeça desses governantes!

    @luizartur

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