quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Satélites [da Telebras] serão construídos no país

Correio Braziliense - 29/09/2011

O Brasil ainda engatinha quando o assunto é o desenvolvimento de tecnologias espaciais, mesmo tendo em seu território alguns dos locais mais propícios do mundo para o lançamento de foguetes, como a base de Alcântara, no Maranhão. Entretanto, foi anunciado ontem um passo importante para a tecnologia espacial nacional: o país vai adquirir dois satélites de comunicação que contarão com a participação de especialistas brasileiros em sua montagem, a ser realizada em terras tupiniquins.

Desde que a Embratel, empresa estatal que cuidava de boa parte das telecomunicações no Brasil, foi privatizada em 1998, o país deixou de ter um satélite de propriedade nacional. A comunicação da população e das áreas militar e governamental passou a depender da Star One, multinacional que adquiriu, com a empresa, todos os satélites brasileiros. "Do ponto de vista da soberania, é muito ruim ser dependente de equipamentos de outros países", diz Monsserrat Filho, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Ao contrário dos satélites anteriores, que eram comprados prontos de indústrias no exterior e lançados sem a participação do Brasil, os dois próximos devem ser montados com ajuda de técnicos brasileiros. "No sistema antigo, os equipamentos chegavam como caixas pretas, e o país ficava à margem do processo, não aprendia nada. Agora, vamos aproveitar essa oportunidade. Nossos engenheiros aprenderão como construir esse tipo de equipamento, que pode, no futuro, ser feito com tecnologia nacional", completa Monsserrat.

O primeiro dos dois satélites, cujos contratos ainda estão em fase de negociação, deve ser lançado em 2014. Já o segundo está previsto para 2019. Os dois equipamentos servirão principalmente para comunicação militar e transmissão de dados governamentais. Além disso, uma pequena parcela da sua capacidade de operação será destinada à internet de regiões que não são servidas pelo sistema comercial, como cidades menores e áreas mais isoladas do Norte e do Nordeste do país.

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