sábado, 23 de outubro de 2010

Meu sonho de 100 megabits

Estadão - 24/10/2010

A fibra óptica transforma nossos sonhos em realidade. Em breve, você também, leitor, poderá fazer coisas inacreditáveis com sua internet de altíssima velocidade. Sua banda larga será larga, de verdade – com velocidades que vão de 30 a 100 Megabits por segundo (Mbps). Com 30 Mbps você baixa e envia arquivos em tempo recorde, aumenta a produtividade de seu trabalho pessoal e de sua empresa, navega com uma rapidez até aqui inimaginável e, o melhor de tudo, paga muito menos por todas essas vantagens. Para baixar músicas ou vídeos você não terá que esperar mais que alguns segundos. Para transmitir fotos de 20 megapixels, menos de um minuto.

Se eu tivesse escrito este artigo há apenas cinco anos, prevendo a chegada desses avanços nesse período, com certeza me chamariam de louco. O que anuncio hoje, entretanto, não é uma previsão para um futuro distante, mas algo que se torna realidade imediatamente ou em poucos meses.

Mais competição

Tudo isso se torna realidade com as novas ofertas de internet a velocidades super elevadas em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e outras grandes cidades, como resultado direto do aumento da competição entre as grandes operadoras: GVT, NET (Embratel) e Telefônica.

A grande desafiante nesse processo é a GVT, operadora autorizada que detém 3,6 milhões de linhas fixas no País e atua em 93 cidades, nas regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste, no interior de São Paulo e que, finalmente, chega à Grande São Paulo.

As novas ofertas se apoiam, principalmente, na expansão das redes de fibras ópticas, que permitem esse salto nas velocidades de acesso, de 10 a 100 Mbps e, melhor do que tudo, a preços bem mais baixos. Algumas cidades já começaram a sentir a chegada desses serviços: como em Brasília, Curitiba e Porto Alegre.

Esperança

Tudo indica que a GVT cumprirá, realmente, o que promete. Assim, a revolução da fibra óptica ganhará novas perspectivas em São Paulo no próximo trimestre. E não tenho dúvida de que suas grandes concorrentes – Telefônica e NET – terão, forçosamente, que responder ao desafio. E os maiores beneficiados seremos nós, usuários.

Os planos anunciados pela GVT, após sua aquisição pelo grupo francês Vivendi, são, realmente, ambiciosos. A operadora ampliou seus investimentos e consolidou seus projetos para atendimento tanto das grandes corporações, quanto das pequenas e médias, profissionais liberais e usuários residenciais.

Com uma imagem excepcionalmente positiva entre seus clientes, a GVT promete oferecer banda larga via fibra óptica em São Paulo com velocidades efetivas de 3 Mbps, a R$ 69,90. De 10 Mbps, a R$ 89,90. De 15 Mbps, a R$ 99,90. De 35 Mbps, a R$ 229,90. De 50 Mbps, a 329,90. Ou ainda de 100 Mbps, a R$ 529,90. A partir de 10 Mbps, a empresa oferece modem e Wi-Fi grátis.

A GVT dispõe hoje de 3,6 milhões de linhas em serviço, com acesso de banda larga a mais de 1 milhão de clientes. Desse total, 60% a 10 Megabits por segundo (Mbps) ou mais.

“A GVT iniciou essa revolução no mercado brasileiro de banda larga, ao lançar o Power GVT, uma família de produtos com velocidade de 3 Mbps até 100 Mbps”, afirma o vice-presidente Alcides Pinto. Em sua opinião, o elevado grau de satisfação de seus clientes de banda ultra larga ao cuidado que a empresa dedica na escolha do modem: “Na maioria das vezes, o problema de desempenho insatisfatório dos serviços decorre do uso de modems incompatíveis com o serviço. Além de não cobrar o modem, nós garantimos essa compatibilidade e a melhor performance.”

Música de graça

A GVT e a Universal Music anunciaram na semana passada a oferta gratuita de música e vídeo em streaming aos assinantes (www.powermusicclub.com.br). É a primeira grande oferta de conteúdo diferenciado por uma operadora de telecomunicações.

O novo serviço, que se chama Power Music Club, foi anunciado há poucos dias pelo vice-presidente da GVT, Alcides Pinto, e pelo presidente Universal Music (Brasil), José Éboli. Os assinantes terão acesso ilimitado a milhares de músicas e videoclipes do catálogo da gravadora, bem como aos playlists dos artistas.

O repertório inclui os maiores sucessos da atualidade, tanto de músicas e clipes de cantores como Lady Gaga, Justin Biber, Ivete Sangalo ou Caetano Veloso. Abrange música popular internacional, MPB, jazz, música clássica (com todo o catálogo da Deutsche Grammophone).

Os assinantes podem criar e compartilhar suas seleções pessoais de músicas, seguir o noticiário especializado e participar de promoções. O serviço não permite, contudo, o download das músicas ou do vídeo.

Meu teste: 30 Mbps

Para uma avaliação futura das possibilidades do serviço e de sua qualidade, estou iniciando uma experiência como assinante de um acesso de fibra óptica, do serviço fiber-to-the-home (FTTH), da Telefônica, que deverá me proporcionar acesso ultra rápido à internet, inicialmente a 30 Mbps, mas que poderá evoluir até a 100 Mbps, velocidade que me dará a opção de novos serviços de IPTV, como VoD (Video on Demand). Os primeiros bairros atendidos na Cidade de São Paulo pela Telefônica serão Morumbi, Jardins e Higienópolis. Outras operadoras, como a GVT e Net deverão oferecer opções realmente sedutoras nessa área.

Observação final neste blog: Diante de minha banda superlarga, Rogerio Santanna, presidente da Telebrás, com seu ar doutoral e desafiador, talvez proclame: “Vocês estão vendo? Foi só a Fênix ressuscitar das cinzas, e a iniciativa privada passa a oferecer soluções muito mais avançadas e a preços competitivos… Viram como foi bom reativar a Telebrás?”
Insight - Laboratório de Idéias: abaixo, na reportagem da revista IstoÉ, é possível ter uma noção abrangente da dimensão sócio-econômica do Brasil de hoje, tanto no contexto interno como no externo.

Considerando-se que a banda larga e a tecnologia da informação serão vetores de capital importância para expandir esse cenário para o imenso interior do País e para a grande massa populacional que está ascendendo ao mercado somente agora, é lícito prognosticar que a Telebrás - empresa que liderará esse processo - venha a ter um futuro tão punjante como o do Brasil, podendo vir a constituir-se novamente em uma das maiores empresas brasileiras no setor de telecomunicações.

O Brasil acelera

O PIB é revisto para cima e uma enxurrada de investimentos dá o tom de uma fase de expansão inédita no País. Quais as condições dadas pelos dois candidatos para que esse ciclo não pare?

IstoÉ - 22/10/2010

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R$ 100 BILHÕES
é quanto o brasileiro vai gastar no Natal de 2010, Para atender à demanda,
shoppings como o Pátio Higienópolis antecipam decoração e promoções

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Na semana passada, saíram as novas projeções para o crescimento do Brasil em 2010. De acordo com estimativas do governo, de consultorias especializadas e de organizações como o Fundo Monetário Internacional, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode aumentar até 8% em 2010. Se o número se confirmar – e é muito provável que se confirme –, significará o maior salto econômico em três décadas. Sob qualquer ponto de vista, trata-se de um resultado extraordinário. Entre os emergentes, é a terceira melhor marca, atrás apenas de China, imbatível nesse quesito, e Índia. Na comparação com a média de desempenho do PIB mundial (alta de 4,8% em 2010), o indicador brasileiro chega a ser quase duas vezes maior. Uma escalada dessa magnitude oferece a milhões de brasileiros um inédito campo de oportunidades. O Brasil vai gerar em 2010 algo como 2,5 milhões de empregos, quase um Uruguai inteiro. Até o fim do ano, o valor que a população vai gastar na compra de bens de consumo chegará a R$ 2,2 trilhões, uma disparada de 22% ante 2009. Não à toa, o varejo espera para dezembro o melhor Natal da história. No período, o comércio deve movimentar R$ 100 bilhões, o que vai exigir um aumento de 60% na compra de insumos e produtos importados para atender à brutal alta da demanda. Dados superlativos como esses fizeram com que o Brasil deixasse de exercer um papel coadjuvante no palco econômico global. Hoje, o País é uma potência planetária, capaz de influenciar no jogo de forças entre as nações. “O Brasil passou para a liderança do crescimento mundial”, disse à ISTOÉ o ministro da Fazenda, Guido Mantega (leia entrevista).

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Qualquer que seja o resultado das eleições, o próximo presidente terá uma imensa responsabilidade sobre seus ombros. O Brasil potência, algo sonhado por gerações, enfim se tornou uma realidade. Obviamente, há um longo caminho até o País eliminar por completo seus problemas, mas as recentes conquistas não podem ser obliteradas. “O maior desafio do Brasil é a sustentação do crescimento”, diz Paulo Nogueira Batista Júnior, diretor-executivo pelo Brasil e mais oito países no FMI. “Depois de 20 anos, o nosso maior objetivo passou a ser o desenvolvimento”, afirma Roberto Padovani, economista e estrategista sênior do banco WestLB. Investidores internacionais já demonstraram preocupação quanto a um possível rompimento da política econômica atual. Na ótica desse grupo, um cenário de continuidade assegura a manutenção do inédito ciclo de expansão verificado no País.

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R$ 100 BILHÕES
é quanto o brasileiro vai gastar no Natal de 2010, Para atender à demanda,
shoppings como o Pátio Higienópolis antecipam decoração e promoções

Nestes dias em que as discussões políticas estão exacerbadas, a questão econômica foi incorretamente deixada de lado, mas é ela que, afinal de contas, influi na vida das pessoas. É o aumento da renda, que desde 1990 cresceu 163% no País, que permite que os brasileiros comprem mais, realizem seus sonhos ou poupem para assegurar um futuro sem sobressaltos. Ao comprar mais ou guardar dinheiro no banco, os brasileiros proporcionam lucros para as empresas e instituições financeiras – que, capitalizadas, contratam mais, investem mais, geram riqueza para o País.

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“A General Motors vai investir R$ 2 bilhões no Brasil em 2011”
Jaime Ardila, presidente da GM para a América do Sul

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Para a maioria dos analistas, existe uma diferença clara entre o desenvolvimento atual e o milagre econômico da década de 70 do século passado. Pela primeira vez, o crescimento não está associado à inflação (nos anos 1970, os preços subiam acima de dois dígitos a cada 12 meses. Em 2010, o índice inflacionário oficial deve ser de 5,2%). Com a estabilidade associada ao aumento da renda e à oferta abundante do crédito, o País deu novo fôlego ao seu mercado interno. Em poucos lugares do mundo a aviação cresce como no Brasil, em torno de 30% ao ano. Detalhe: na Europa, as maiores empresas do setor enfrentam uma crise sem precedentes e nos Estados Unidos espera-se um aumento inferior a 5% na venda de passagens em 2010. O mercado brasileiro é tão forte que a americana Boeing, em parceria com a Gol, decidiu instalar em Belo Horizonte seu centro de tecnologia e manutenção de aeronaves para todas as companhias da América Latina.

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30%
é quanto deve crescer o mercado aéreo brasileiro em 2010,
marca não repetida por nenhum outro país

Na indústria automobilística, a expansão do mercado brasileiro só pode ser comparada ao desempenho chinês. De janeiro a agosto de 2010, foram vendidos no País 2,077 milhões de carros, 8,4% a mais que no mesmo período de 2009. Como resultado, o Brasil alcançou um feito tão surpreendente quanto simbólico: ultrapassou no ranking mundial a Alemanha, país-sede de gigantes como Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW, e ficou atrás apenas de China, Estados Unidos e Japão. O interessante é que o mercado nacional não se destaca apenas no volume de vendas, mas também na qualidade do que é fabricado por aqui. Montadoras como General Motors e Fiat fizeram do Brasil uma plataforma mundial de desenvolvimento de produtos, que são inteiramente concebidos em território brasileiro para depois serem levados para a Europa e os Estados Unidos. Essa nova fase da indústria exige intensos aportes financeiros. Juntas, as principais fabricantes de carros instaladas no Brasil vão desembolsar cerca de R$ 20 bilhões nos próximos cinco anos no País, dinheiro que será revertido principalmente na ampliação e manutenção das plantas industriais. “Apenas em 2011 vamos investir R$ 2 bilhões no Brasil”, diz Jaime Ardila, presidente da GM para a América do Sul.

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A pujança fez com que o Brasil passasse a ser cobiçado por investidores estrangeiros. A recente crise financeira global inverteu uma histórica equação no tabuleiro econômico mundial. Acredite: para uma corporação multinacional, tem sido mais fácil ganhar dinheiro no Brasil do que nos países de origem. Na semana passada, a Coca-Cola, a empresa mais globalizada do planeta, divulgou seu balanço. No terceiro trimestre de 2010, as vendas no Brasil cresceram 13% – mais do que em qualquer outro lugar onde a gigante de bebidas está presente. É covardia comparar a performance brasileira da companhia com o restante do mundo, que registrou alta de 5% nas vendas de refrigerantes. Empresas-símbolo em seus países faturam por aqui tanto quanto em suas próprias casas. A americana Avon igualou sua receita obtida no Brasil com o faturamento alcançado nos Estados Unidos. Nos dois casos, o número é de US$ 1,8 bilhão. Entre as 150 operações da alemã Nivea no mundo, a de melhor desempenho é a subsidiária brasileira. “Desde 1999 a economia brasileira faz as mesmas coisas em termos de combate à inflação e equilíbrio de contas públicas”, diz Robson Gonçalves, economista e professor da FGV Management. “Por isso, logo ficou claro que as regras do jogo são essas e que não vão mudar. Como resultado, as oportunidades de negócio no Brasil passaram a chamar a atenção de quem está lá fora.” Em 2003, o investimento direto estrangeiro no Brasil totalizou US$ 18,9 bilhões. Em 2010, esse número deve superar a marca dos US$ 30 bilhões.

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“O Brasil lidera o crescimento mundial”

Em entrevista exclusiva, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
diz que o Brasil serve de exemplo até para os Estados Unidos

Por Octávio Costa e Adriana Nicacio

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“A economia mundial vai crescer graças aos emergentes”

ISTOÉ – O Brasil é exceção no mundo em crise?

Guido Mantega – A América Latina é destaque na economia mundial, com o Brasil irradiando o crescimento para a Argentina, o Uruguai e outros países. Nós estamos importando de nossos vizinhos e estamos estimulando essas economias. Éramos o patinho feio. Ficávamos atrás dos emergentes, porque éramos o país da promessa. No semestre, nós crescemos 8,9%, a segunda maior evolução entre os países do G-20, atrás apenas da China. A economia mundial vai crescer 4,5% graças aos países emergentes chamados dinâmicos.


ISTOÉ – O Nobel Paul Krugman insiste para que os EUA tomem medidas de estímulo ao crescimento, como o Brasil. Há espaço para isso?

Mantega – Eu acho. Numa reunião do FMI, há duas semanas, eu falei para o Ben Bernanke, do FED, e o Timothy Geithner (secretário do Tesouro) que só a política monetária expansionista não resolve, porque a economia americana está apática. Não adianta colocar crédito. Se não há mercado, o empresário não toma o crédito. Eles baixam a taxa de juros, que está quase zero, o crédito fica empoçado e os investidores vêm para o Brasil. Lá eles ganham 0,36% por ano. Aqui, no mínimo, 10,75%. Os EUA têm que estimular a demanda como nós fizemos no Brasil.


ISTOÉ
– Qual é a receita de crescimento do Brasil?

Mantega – O papel do Estado é muito importante. Temos que baratear o custo do financiamento. Nós fizemos várias leis, como a do crédito consignado, que facilita o acesso para o trabalhador. A alienação fiduciária também é importante, pois sem ela não haveria financiamento de automóvel. Aperfeiçoamos o setor de construção e estamos mantendo a isenção do IPI para material de construção, sem falar na política de desoneração do investimento, do consumo e da cesta básica. Aumentamos o investimento em infraestrutura. Foi fundamental a expansão do mercado interno. Crescemos com geração de emprego e investimos em agricultura familiar. O País era insignificante e hoje figura entre os líderes do crescimento mundial.


ISTOÉ – Qual foi o papel do mercado interno no crescimento?

Mantega – Sem dúvida, o Brasil é um dos poucos países onde há ascensão dos mais pobres. Criamos um mercado consumidor forte, com redução das classes mais baixas e aumento das classes C, B e A. É uma política que diminui o conflito social, porque o governo não está tirando do rico e dando para o pobre. Dá melhores condições para todas as classes. Em 2003, as classes A e B eram formadas por 13 milhões de pessoas. Em 2010, o total de brasileiros nessa faixa de renda pulou para 31 milhões. Nesse mesmo período, a população da classe C subiu de 66 milhões para 104 milhões. É impressionante. Mais de 50 milhões de pessoas subiram de classe social.


ISTOÉ – Como se explica a ascensão social?

Mantega – Colocamos o equivalente a uma França inteira em novos patamares de consumo. O que não conseguiríamos só com programas sociais nem com transferência de renda. Vocês sabem o que são 50 milhões de pessoas? A ordem é assim. Vem em primeiro lugar a criação de empregos. O Brasil já é, por exemplo, o segundo maior mercado da Nestlé. E começa a ser o segundo maior, o terceiro maior para uma série de empresas estrangeiras. A pesquisa do comércio varejista de agosto mostra um crescimento no mês de 2%. Se anualizarmos, haverá um crescimento de 24% no varejo. São números maiores do que os da China.
A classe C cai na rede

Nos últimos três anos, mais de 45 milhões de brasileiros pertecentes à nova clase média passaram a acessar a internet. Um novo mundo de consumo e informação se abre para eles – e transforma os negócios

Exame - 20/10/2010

Todo dia ela faz tudo sempre igual. Moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a carioca Simone Reis, de 35 anos, acorda de madrugada com o céu ainda escuro. Às 6 da manhã, está à espera do ônibus que vai levá-la até o pequeno restaurante, onde trabalha como ajudante de cozinha em troca do salário mínimo de 510 reais. Simone é uma típica representante da nova classe C brasileira. Sua família – formada pelo marido, um vendedor de produtos de limpeza, mais quatro filhos – tem renda mensal de cerca de 3 000 reais.

Nos últimos três anos, os Reis financiaram um automóvel de quatro portas, fizeram uma pequena reforma em sua casa, compraram um notebook e passaram a pagar um plano de acesso à banda larga da internet. O contato com o mundo digital transformou a rotina e o modo de vida de Simone. Hoje, antes de sair de casa para o trabalho, ela checa os e-mails e recados deixados em sua página no Orkut, a rede social mais popular do Brasil, com mais de 29 milhões de usuários.

É pela internet que chegam os pedidos de cosméticos da Natura, da Avon e de lingeries e cremes da marca americana Victoria"s Secret que Simone começou a vender há três meses. Com as vendas online, Simone ganha cerca de 1 000 reais mensais - o correspondente a um terço de sua renda familiar. "Sempre que necessário, mostro os produtos pela webcam e tiro dúvidas pelo serviço de mensagens instantâneas", diz Simone. "Só não vendo a minha família. O resto vai tudo pela internet."

Histórias como a de Simone têm se tornado cada vez mais comuns no enorme contingente que hoje compõe a classe C, uma massa de 95 milhões de brasileiros com renda familiar entre 1126 e 4 824 reais por mês, segundo critério da Fundação Getulio Vargas.

O surgimento e o crescimento da nova classe média - equivalente a cerca de metade da população brasileira - talvez sejam a grande história a ser contada pelo país desde o processo de estabilização da moeda, no início dos anos 90. Seu impacto para a economia e para as empresas, que tiveram de reinventar produtos e aprender a trabalhar com o crédito, ainda não pôde ser completamente dimensionado.

Agora o que se vê é a sobreposição desse fenômeno a outro, igualmente poderoso e transformador: a progressiva digitalização do país. Mais rápido do que muitos analistas esperavam, o estrato social formado por Simone Reis e por outros 95 milhões de brasileiros caiu na rede, rendeu-se à internet. Estima-se que, nos últimos três anos, 45 milhões de pessoas da classe C tenham passado a acessar a rede, a maior migração já vista em direção a uma única mídia desde a chegada da televisão ao país, nos anos 50.

Em 2006, 65% dos usuários de internet no Brasil pertenciam às classes A e B, ao passo que 29% eram da classe C. No ano passado, essa diferença diminuiu significativamente. As classes A e B passaram a responder por 50% do total de acessos, ante 42% da classe C. "A internet nunca mais será a mesma", diz Renato Meirelles, da consultoria Data Popular. "Essas pessoas possuem um perfil específico."

Um estudo inédito elaborado pela agência de publicidade americana Razorfish, obtido com exclusividade por EXAME, ajuda na compreensão desse fenômeno. Durante pouco mais de três meses, uma equipe de nove profissionais da Razorfish acompanhou o cotidiano de sete famílias da classe C na Grande São Paulo para descobrir seus hábitos na internet. Quanto tempo eles gastam navegando? O que procuram? Como se comportam? De onde acessam? E mais importante: o que compram e o que deixam de comprar? As observações foram cruzadas com os dados de uma pesquisa com 4 000 entrevistados em todo o Brasil.

O resultado é uma fotografia preciosa da influência da web na classe social que mais cresce no país. Os computadores com acesso à internet passaram a fazer parte da vida de 40% desses consumidores - em 2006, esse número não passava de 13%. O uso de celulares aumentou 10 pontos percentuais nesse período, chegando a 88% dos entrevistados. E, pouco a pouco, essas novas formas de comunicação se aproximam de meios de comunicação líderes de audiência entre a classe média brasileira - a TVe o rádio, com 99% e 88% de penetração, respectivamente, situação que permaneceu praticamente inalterada desde 2006. "O acesso à rede tornou-se algo essencial na vida dessas pessoas", diz Fernando Tassinari, presidente da Razorfish no Brasil e um dos coordenadores da pesquisa. "O computador é atualmente um dos principais eletrônicos da casa."

É essa mudança de comportamento que explica a multiplicação de internautas que se conectam à web da própria residência Hoje, 33% dos usuários acessam a internet de casa, ante 19% em 2006, segundo dados da consultoria Cetip, especializada em tecnologia. O caso da família Gonçalves, em São Paulo, é um exemplo dessa nova realidade. Juntos, Antônio Marcos, um eletricista de 32 anos, e Paula Regina, uma atendente de telemarketing de 36, contam com uma renda mensal atual de pouco mais de 1 200 reais (o valor foi reduzido 500 reais desde que Paula ficou desempregada, há dois meses). Eles moram com os dois filhos numa casa de 30 metros quadrados no Jardim Neide, na extrema zona sul da capital paulista.

Clientes habituais de lan houses, Antônio Marcos e Paula decidiram há cerca de dois anos investir na compra do próprio computador. Para isso, economizaram os 600 reais de entrada ao longo de um ano inteiro e quitaram o restante em dez prestações de 60 reais cada uma. A constante disputa dos familiares pelo aparelho, no entanto, fez com que o casal optasse pela compra de um segundo computador no início deste ano - desta vez, um laptop de 999 reais (a exemplo do primeiro, este também foi parcelado em dez vezes). O acesso à web custa à família outros 40 reais por mês. "Entre consertar nossa máquina de lavar e garantir mais um ponto de internet na casa, ficamos com a internet", diz Pau Ia. "Desligamos a geladeira à noite para economizar energia. Mas não podemos ficar desconectados do mundo. Hoje, tudo acontece na rede."

Para entender o comportamento da classe C na internet é preciso, antes de mais nada, compreender o funcionamento desse grupo na vida real. Os integrantes da classe C tendem a reproduzir na web o mesmo sistema de redes de ajuda que permeia seu cotidiano offline." as comunidades mais carentes, todo mundo se ajuda, seja indicando um conhecido para um emprego, seja avisando uma comadre sobre uma promoção". diz a antropóloga Luciana Aguiar, diretora da consultoria Plano CDE, especializada em pesquisas de mercado para a baixa renda. "É por isso que eles costumam ser mais ativos nas redes sociais do que as classes A e B, por exemplo."

Foi o que descobriu recentemente a subsidiária brasileira da americana Kraft Foods. Para promover seu novo chocolate Mini Bis entre os jovens de classe C, a empresa criou um aplicativo para um dos joguinhos mais populares do Orkut, o Colheita Feliz. Cada um dos participantes recebeu uma semente virtual de cacau, que se transformava em árvore após 48 horas. Mas, como esse "ativo" poderia ser "roubado" por outros usuários da rede social (a brincadeira fazia parte de uma campanha com o mote "Desconfie de todos"), acabou tornando-se um viral em menos de uma semana. Mais de 70% dos usuários do Orkut - ou cerca de 20 milhões de pessoas - interagiram de alguma forma com o jogo. "Foi uma de nossas campanhas com melhor custo-benefício", diz Eduardo Caldas, diretor de marketing de chocolates da Kraft. "Uma campanha tradicional custaria pelo menos 20 vezes mais caro."

Consumo

Embora ainda seja utilizada de maneira esmagadora para trocas de e-mails e participação em redes sociais, a internet vem sendo cada vez mais encarada como um canal de compras por esses novos consumidores - e é aqui que esse fenômeno pode fazer toda a diferença. Um levantamento realizado pela consultoria Data Popular com 2 000 pessoas mostra que 68% dos integrantes da classe C usam a rede para pesquisar preços, número próximo aos 82% das classes A e B. É bem verdade que o número de compras online realizada pela nova classe média ainda é pequeno se comparado ao topo da pirâmide - a classe C respondeu por apenas 7% das transações realizadas na rede em 2009, ante 55% das classes A e B.

O avanço do varejo eletrônico nesse extrato social, porém, é notável. No ano passado, quase 40% de todos os consumidores que fizeram sua estreia no mundo das compras virtuais pertenciam à nova classe média. Artigos como computadores e geladeiras encabeçaram a lista de compras, que gerou um tíquete médio de 321 reais, apenas 12% abaixo da média do mercado. O si te de pesquisa de preços BuscaPé é um termômetro dos efeitos dessa inserção digital maciça. De 2008 para cá, a ferramenta que oferece a possibilidade de ordenar as buscas segundo o número e o valor das parcelas, algo vital para a lógica de compras da classe C, tornou-se a segunda mais importante do site, das oito disponíveis, atrás apenas da ordenação por menor preço. "Esse público chega à internet num momento em que as empresas estão mais preparadas para atendê-lo", diz Pedro Guasti, diretor da E-bit, consultoria especializada em comércio eletrônico. "As classes A e B passaram por um lento processo de aprendizagem. Com a classe C acontece tudo ao mesmo tempo”.

O paulistano Clayton Guilherme Ferreira, de 31 anos, vive exatamente esse processo. Coordenador de transportes da Procuradoria Geral da União, Ferreira foi promovido há três anos e passou a ganhar 2 200 reais mensais, ou dois terços da renda da família, formada pela mulher e pela filha de 2 anos. Com a promoção, decidiu que era hora de instalar acesso à internet em seu computador. Seu maior objetivo era navegar na rede em busca de material complementar ao curso noturno de administração de empresas que ele havia iniciado na Faculdade Jabaquara. Ferreira adorou a novidade. Começou a pesquisar preços na internet antes de ir às compras, a falar com os amigos pelos sistemas de mensagens eletrônicas e até a marcar os jogos de futebol semanais com os amigos pelo Orkut. Neste ano, reforçou a vida online com um laptop e um BlackBerry - comprados pela internet - e hoje estima passar pelo menos 10 horas por dia conectado à web. Animado com as primeiras experiências, Ferreira decidiu radicalizar. Uma de suas aquisições mais recentes feitas pela internet foi uma série de peças de automóveis, incluindo bateria, rolamentos e um cabo de freio, para seu Stilo, ano 2003. "No começo eu tinha uma desconfiança enorme", diz Ferreira. "Mas fui percebendo que as coisas chegavam direitinho. Agora, faço tudo pela rede."

A mudança de comportamento da classe média provocada pelo acesso à internet foi mensurada numa recente pesquisa realizada pelo TNS Research a pedido do Google Brasil. Ao comparar a conduta dos internautas da classe C com a dos usuários das classes A e B (os chamados early adopters de novas tecnologias), verificou-se que a internet já é a principal fonte de pesquisa de preços para 52% dos usuários emergentes, ante 63% daqueles no topo da pirâmide. "Os vídeos postados em sites como o YouTube permitiram que a classe C visualizasse o funcionamento dos produtos sem precisar ir às lojas", diz Leonardo Tristão, diretor de negócios para tecnologia do Google. "Agora, basta ir à rede e procurar por opiniões de outros usuários nas redes sociais."

Como no mundo físico, a opinião de amigos ou conhecidos tem um impacto gigante na escolha dos novos consumidores digitais. E isso é capaz de alterar muito da velha lógica do varejo. Em outubro de 2009, o Magazine Luiza reformulou sua "assistente virtual", transformando-a na jovem Lu - uma moça de 20 e poucos anos que explica na tela do computador o funcionamento de eletrônicos e eletrodomésticos disponíveis no site. (Uma tentativa evidente de transformar Lu num personagem empático a esse novo consumidor.) Ao mesmo tempo, a empresa dobrou para 15 000 o número de itens disponíveis em sua loja online. Foi o suficiente para aumentar em 90% o faturamento do site no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2009 - a expectativa do Magazine Luiza é que as vendas online atinjam 840 milhões de reais neste ano, ante 550 milhões de reais em 2009.

Para algumas companhias, os resultados da aproximação com a classe C pela web trouxeram resultados ainda mais animadores. Há cerca de três anos, uma pesquisa realizada pela incorporadora de imóveis Goldfarb, hoje controlada pela PDG Realty, mostrou que 70% de seu público, a esmagadora maioria de classe C e com idade entre 28 e 35 anos, não apenas possui computadores como também costuma buscar a maior parte das informações sobre imóveis na internet. Com base nesse levantamento, a Goldfarb passou a destinar 25% de sua verba publicitária para ações na rede, como anúncios em sites de notícias e jornais locais. É mais do que o destinado a propagandas em jornais. Hoje, das cerca de 2 000 vendas mensais da Goldfarb, pelo menos 400 começam na internet. "A tendência é que nossa presença na rede cresça cada vez mais", diz Milton Goldfarb, presidente da empresa.

Usar a internet para se informar, conversar com amigos e comprar são, sem dúvida, conquistas importantes para o emergente público da classe C. O que muitos representantes desse público estão começando a descobrir agora é o enorme potencial da web como multiplicadora da renda - a carioca Simone, que vende cosméticos pela rede e abre esta reportagem, por exemplo, já começa a sentir no bolso esse tipo de benefício. Em casos mais extremos, a vida online pode ser sinônimo de mobilidade social. A tecnologia digital transforma-se, então, numa espécie de atalho ao empreendedorismo. Preste atenção na história do taxista paranaense Isaías da Silva, de 38 anos de idade, há sete morando em São Paulo. No ano passado, Silva adquiriu um BlackBerry por 400 reais, pagos em quatro parcelas à sua operadora. Ao mesmo tempo, contratou um plano de dados por cerca de 70 reais por mês.

Para compensar o aumento nos gastos, passou a trabalhar 2 horas a mais por dia. O investimento começou a dar retorno no momento em que Silva descobriu que poderia agendar corridas de táxi por e-mail. O número de solicitações aumentou 65%, de 15 por semana para mais de 25. Com isso, sua renda familiar passou de 4 000 reais mensais para algo entre 5 000 e 6 000 reais, o equivalente aos rendimentos da classe B. "Foi o melhor investimento que fiz na vida", diz Silva. "Mudei até meu padrão de consumo. Há um mês, viajei com minha família para a Argentina."

Ao abrir as janelas do mundo e aumentar as possibilidades de crescimento, a internet se torna um bem a ser conquistado pela nova classe média brasileira, um extrato que busca avidamente continuar movendo-se para cima na pirâmide social. A rede, para eles, há algum tempo deixou de ser um luxo para se transformar numa promessa de futuro. Vender essa promessa, portanto, tornou-se um grande negócio.

No início deste ano, a Telefônica lançou uma série de planos de banda larga voltados para a classe C. Oferecidos a menos de 30 reais por mês por 1 mega de velocidade, eles foram os principais responsáveis pelo crescimento de 70% do Speedy, o maior índice da última década. O volume de consumidores desse extrato social que migram para planos mais caros vem surpreendendo. De acordo com pessoas próximas à operadora, de janeiro para cá, mais de 30% deles adquiriram banda larga com o dobro de velocidade - e, obviamente, com preço mais alto (oficialmente, a empresa não confirma a informação).

Esse apetite da baixa renda por internet é também o que explica a recente guinada do Grupo Multi, maior rede de ensino de idiomas do pais, em direção ao segmento de computação. De 2008 para cá, a empresa investiu 150 milhões de reais na aquisição de quatro redes de ensino de informática, entre elas a SOS Educação profissional e a Microlins, e hoje soma mais de 100 000 alunos em todo o país. "Muita gente no Brasil nem sequer sabe ligar o computador, mas já entende que não terá futuro se não aprender a usá-lo", diz Charles Martins, presidente do conselho de administração do Grupo Multi. Para a emergente classe C brasileira, o futuro, ao que parece, será cada vez mais conectado. E isso pode ser diferente de tudo o que vimos até agora.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Lan houses poderão ter subsídios do Fust

TI Inside - 22/10/2010

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 7271/10, do deputado Rodovalho (PP-DF), que inclui entre as finalidades do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) a oferta de subsídios a centros privados de acesso coletivo à internet, as chamadas lan houses.

Ele argumenta que as lan houses são as principais responsáveis pelo provimento de acesso à internet no Brasil. Ao citar dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) de 2009, o parlamentar ressalta que quase 30 milhões de pessoas, o que corresponde a mais de 44% do total de usuários da internet no país, utilizam lan houses para acessar a rede mundial de computadores.

"Entendemos que é necessário que o poder público incentive a instalação de lan houses em todo o território nacional para levar internet a todos, sem exceção. E uma excelente estratégia é destinar parte dos recursos do Fust para subsidiar a implantação e a ampliação desses estabelecimentos", afirma.

A proposta tramita em conjunto com o PL 1481/07, do Senado, que permite o uso de recursos do Fust para ampliar o acesso à internet de banda larga nas escolas públicas.

As informações são da Agência Câmara.
A banda larga do Google

Estadão - 22/10/2010

No início do ano o Google anunciou que estava tocando um projeto de oferecer banda larga ultra rápida – um gigabits por segundo, o que é 100 vezes mais rápido que a média do serviço nos EUA – para um número limitado de pessoas. A empresa insiste que não pretende entrar no mercado de provedores e que pretende disponibilizar a conexão para 50 mil ou até 500 mil pessoas pelos Estados Unidos. A iniciativa ficou um pouco esquecida até quinta-feira, 21, quando por meio de seu blog oficial o Google anunciou onde serão realizados os primeiros testes.

Cerca de 850 moradores da Universidade de Stanford serão os primeiros a terem em suas casas a internet de 1 Gbps do Google,. A empresa anunciou parceria com a instituição e a infra-estrutura para que isso seja possível começará a ser levantada no início do ano que vem. Todas as casas que terão o serviço estão localizadas dentro da área residencial da universidade.

A Universidade de Stanford será apenas um teste. O Google ainda não divulgou em quais cidades irá instalar seu projeto. Enquanto isso, os prefeitos norte-americanos fazem de tudo para conseguir que suas cidades levem a banda larga ultra rápida. Topeka, no Texas, cogitou até mudar o nome provisoriamente para Google.

Justificando sua escolha, James Kelly, gerente de produtos do Google, escreveu: “Stanford abriu a possibilidade de nós usarmos as novas tecnologias de fibra óptica em suas ruas.”. Além disso, a proximidade entre a sede da empresa e a universidade foi um ponto que contou: “Ficará mais fácil para nossos engenheiros monitorarem o progresso do sistema”.

A sede do Google fica a poucos quilômetros de distância da universidade.

Fabricante nacional desenvolve produto para pequenas empresas entrarem no triple play

Teletime - 21/10/2010

Pequenos provedores e as empresas regionais de TV por assinatura têm agora uma opção de tecnologia para ingressar no mundo da convergência adaptada para o tamanho dos seus negócios. Isso é o que promete a Orange, divisão da Bichara Tecnologia para as operadoras de telecomunicações, com a Central Pública DSX.

Trata-se de uma plataforma que permite às operadoras de TV por assinatura incluírem no seu portfólio serviço de telefonia e IPTV. Já para os pequenos provedores, também será possível que eles tenham uma oferta com telefonia e TV. A Orange vai assinar os primeiros contratos da platafoma com duas operadoras de TV por assinatura durante a Futurecom, que aocntece na semana que vem em São Paulo.

De acordo com Daniel Bichara, sócio da companhia, no momento a plataforma ainda não tem a função IPTV porque, segundo ele, as empresas não estão preparadas para este salto tecnológico, que envolve treinamento do pessoal técnioco e de vendas. Com o IPTV, as operadoras regionais de TV por assinatura poderiam oferecer pay-per view e outros serviços avançados. Segundo o planejamento da Orange, essa função será acrescentada na plataforma no ano que vem.

A solução é 100% nacional. Ou seja, foi desenvolvida e produzida no País, com exceção da placa de circuito interno que é chinesa. O centro de desenvolvimento da Orange fica em Santa Maria no Rio Grande do Sul e a fabricação é em Porto Alegre. O desenvolvimento do produto tomou dois anos exigiu investimentos de aproximadamente R$ 5 milhões.

Segundo Bichara, a grande vantagem da sua solução é o custo, que pode ser até 70% menor que o dos concorrentes. O DSX trabalha com um conversor de TDM para IP. Isto permite que as companhias entreguem serviços de telefonia TDM, compatível com a grande maioria dos PABX do mercado, mas tenham o backbone e a central IP. Além disso a plataforma é preparada para a portabilidade numérica. A expectativa do empresário é que a solução traga uma receita de R$ 6 milhões a R$ 7 milhões no ano quem, volume que pode ser duas vezes maior dependendo da evolução do PNBL.

Grupo

O grupo Bichara Tecnologia é formada por 4 empresas e tem 5 sócios, todos brasileiros. Segundo Daniel Bichara, as empresas nunca recorreram a fundos de financiamento ou empréstimos junto ao BNDES, por exemplo, porque as garantias são exageradas, na sua visão. Para se capitalizarem, 80% do lucro é reinvestido no negócio.

O próximo passo da empresa é entrar no mercado de soluções GPON. A intenção é fabricar a OLT (Optical Line Termination), sistema equivalente ao DSLAM do ADSL. Bichara diz que se reunirá na semana que vem com duas empresas chinesas que fabricam o gerador e o receptor de laser, matéria-prima para que a Orange possa desenvolver sua própria solução no Brasil.

100% nacional, empresa aposta em triple play fora dos grandes centros

Convergência Digital - 21/10/2010


Depois de dois anos de desenvolvimento, a Orange, unidade de negócios da brasileira Bichara Tecnologia, traz ao mercado a plataforma DSX, capaz de permitir até 7500 ligações simultâneas e voltada para pequenos provedores e operadores de TV a cabo.

Dois contratos já serão assinados no Futurecom - com empresas do Ceará e do Maranhão - e há também a expectativa de fechar alianças comerciais com chineses para viabilizar a produção local de equipamentos para GPON, o próximo passo da companhia.

"Nossa plataforma é muito simples, mas foi toda pensada e estruturada por desenvolvedores brasileiros, no nosso centro de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é adequada à realidade do Brasil onde falta infraestrutura de telecomunicações fora do grandes centros", conta Daniel Bichara, diretor da Bichara Tecnologia, dono da Orange.

"O nosso produto é para o provedor de TV a cabo ou para o provedor de Internet que quer ampliar seus negócios e a telefonia é, sim, uma fonte de receita porque em muitos municípios não há a oferta adequado do produto pelas concessionárias", acrescenta o executivo.

E para ampliar sua meta de negócios, a Orange aposta no Plano Nacional de Banda Larga. Caso haja uma mudança de curso na iniciativa - em função da eleição presidencial e de uma possível mudança de governo - a unidade deverá alcançar uma receita de R$ 6 milhões a R$ 7 milhões, apenas com a parte de telefonia, sem a oferta de IPTV, mantida para o segundo semestre de 2011.

Mas caso o PNBL se concretize e chegue, de fato, às 100 cidades iniciais ainda em dezembro e mantenha o cronograma de atuação para 2011, a rentabilidade pode mais que dobrar e essa evolução antecipará ainda a oferta dos produtos de IPTV, inclusive no modelo de cloud computing.

"Sei que é um avanço tecnológico grande para esses operadores de médio porte (com até 50 mil assinantes) mas eles já têm a programação de TV e, portanto, precisam apenas de tecnologia para oferecerem, por exemplo, pay-per-view para os seus clientes. Nós entramos com a tecnologia - equipamentos e bilhetagem adequada - para suportar essa nova demanda", observa Bichara. Outro grande mercado potencial é o das MVNOs, operadoras virtuais, que devem estar regulamentadas em 2011.

A Orange chega ao mercado para disputar mercado com tradicionais fornecedores brasileiros - Trópico e PadTec, mas não afasta concorrer com as multinacionais nas concessionárias. "Temos produto, tecnologia nacional e preço compatível com a realidade. Temos, agora, que conquistar espaço nas teles", salienta Bichara.

Os recursos para o desenvolvimento da plataforma - estimados em R$ 5 milhões - foram obtidos da receita da própria companhia, que atua ainda na construção civil e em reflorestamento, além de TI. O capital da Bichara Tecnologia é dos cinco sócios, todos brasileiros. Não houve nenhum recurso público.

"A Finep profissionalizou muito o processo de subvenção, mas a quantia disponibilizada é baixa para produtos de alta tecnologia. Já o BNDES exige muito mais do que é possível. Se precisamos de 10, eles pedem 12 de garantia. Isso não é possível na realidade do Brasil. A saída foi reaplicar o lucro da empresa para termos os recursos", salienta Bichara.

E há novos planos pela frente,em especial, na área de GPON (Gigabite Passive Optical Network), um multiplexador (dispositivo de convergência de dados) que permite estender o acesso banda larga em 100 até a casa do usuário final através de fibra ótica.

A ideia é fabricar a OLT (Optical Line Termination), sistema equivalente ao DSLAM, do ADSL, além da CPE, para o consumidor final. Para isso, o Futurecom 2010 terá papel relevante. A empresa terá reuniões com três potenciais parceiros - todos da China - no evento.

Telebrás poderá vir a ser sócia de empreendimentos na área de tecnologia

Insight - Laboratório de Idéias - 22/10/2010

Em entrevista publicada hoje (22) pelo jornal Hora do Povo, o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, descortinou a possibilidade de a estatal vir a ser sócia minoritária ou majoritária de "empreendimentos na área de tecnologia", brasileiros ou estrangeiros.

No trecho da entrevista referente ao assunto, Santaana afirmou: "Em verdade, nessa questão há muito mais do que a banda larga. Banda larga é a pequena coisa para fazer uma mudança radical do futuro das plataformas. Nós podemos dar um salto, em vez de ficar brigando com as teles sobre redes de cabo de cobre. Vamos fazer uma rede nova e saltar lá na frente. Podemos juntar gente e começar a pensar sobre que modelo fazer. O que mais atacaram na mudança do estatuto da Telebrás foi a única coisa que nós não mudamos, que é a possibilidade da Telebrás ser sócia minoritária, no Brasil e no exterior, ou majoritária, como ela quiser, de empreendimentos nessa área de tecnologia".

Embora prevista no novo estatuto da empresa, tal possibilidade ainda não havia sido comentada publicamente por nenhum membro da Telebrás ou do governo.

O assunto poderá vir a ser de capital importância para o dimensionamento do futuro da empresa, especialmente neste momento em que ela está sendo reativada para liderar a implantação do Plano Nacional de Banda Larga - PNBL.

Até então, a previsão era de que fosse uma empresa "enxuta" e lucrativa, cujas receitas futuras viriam do aluguel de seu backbone, o qual é previsto para atingir cerca de 31 mil quilômetros de fibras óticas, sem contar as redes estaduais.

O fato novo poderá alterar substancialmente esse cenário, já que eventuais associações com outras empresas significariam novos investimentos, novas fontes de receita e, principalmente, um dimensionamento muito maior do que o previsto inicialmente.

Assim, não parece absurdo antever a estatal como uma nova e poderosa holding capaz, não só de atuar no gerenciamento e distribuição de banda larga no atacado, mas também na produção de hardware, software e/ou soluções integradas de tecnologia para o setor. O futuro dirá...

Santanna: “com PNBL e Telebrás, o Brasil dará um salto para o futuro” (1ª parte)

Jornal Hora do Povo - 22/10/2010

A entrevista que hoje publicamos a primeira parte, com o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, foi realizada pelo cineasta Caio Plessman e pelo diretor de redação da Hora do Povo, Carlos Lopes. Não temos dúvida em afirmar que trata-se de uma das mais lúcidas – e, antes de tudo, profundas, bem fundamentadas – entrevistas que já publicamos. Seu tema, evidentemente, é um dos maiores avanços estratégicos do governo Lula, somente comparável, desse ponto de vista, ao novo modelo para a exploração petrolífera do pré-sal: o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e a consequente - e necessária- reativação da Telebrás.

No momento em que existe candidato tucano que tem o desplante de propalar que a privatização das telecomunicações foi um sucesso espetacular, a entrevista de Santanna é especialmente oportuna. Pois nada mostra com tanta clareza o fracasso da entrega das empresas de telecomunicações a um monopólio, em boa parte externo, do que a necessidade de reativar a Telebrás para alcançar a universalização da banda larga – da Internet, da telefonia sobre IP e da TV digital. Nada demonstra de forma tão cristalina o caráter predatório daquela privatização, do que a incapacidade e a falta completa de vontade das teles privatizadas de efetuar essa universalização, concentrando-se nas faixas mais ricas da população, oferecendo um serviço de péssima qualidade, a preços extorsivos. Com isso, lançaram-nos no atraso. Na verdade, as teles, por várias razões que o leitor poderá perceber, são um obstáculo à universalização, que só começa a ser superado com a atuação pública da Telebrás.

Rogério Santanna – ele não diria isso, mas é fato, e é nossa opinião - foi o principal idealizador do PNBL. Como ele mesmo ressalta, não foi o único, e sem a participação coletiva de outros no governo Lula – em especial a então ministra Dilma Rousseff e o próprio presidente da República – não se teria chegado à sua consecução. Nascido em Porto Alegre, engenheiro de software, Rogério Santanna dos Santos, entre outros cargos, foi presidente da Procempa, empresa de processamento de dados da Prefeitura de Porto Alegre e secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento. Para a nova Telebrás, não temos dúvida de que é a pessoa certa no lugar certo.

HP - Por que foi necessário reativar a Telebrás para fazer o Plano Nacional de Banda Larga?
Rogério Santanna – Se olharmos os dados do Brasil, veremos que 90%, 95% dos acessos de Internet vendidos no país estão na mão de cinco empresas, sendo que 85% na mão de três – a Telefónica, a Oi e a Net/Embratel. Se colocarmos a GVT e a CTBC, chegamos a 94,6%, praticamente 95% dos acessos vendidos no Brasil.

No entanto, na Anatel, até junho deste ano, existiam 2.026 provedores registrados. Só que eles não conseguem vender. Por que eles não vendem? Porque não conseguem comprar linhas de transporte a preço barato. O provedor precisa comprar da operadora a linha industrial, a chamada EILD (Exploração Industrial de Linhas Dedicadas), a exploração de linha de transporte industrial. Mas os provedores não conseguem comprar essa linha a um preço competitivo para vender o acesso ao usuário a um preço aceitável.

O que é mais comum, e o que eu ouço de centenas de provedores com que tenho conversado, é que o provedor entra numa cidadezinha que ninguém quer, vai lá, consegue uma linha industrial por um preço alto - e começa a vender para os seus usuários. À medida que vende sua capacidade, ele volta lá na operadora - e a operadora cobra mais caro ainda pela linha industrial. Ainda assim, ele consegue começar a vender. Porém, depois que ele chega numa certa massa crítica de acessos, a operadora entra naquela cidade vendendo muito mais barato – e retira o provedor do negócio. Ele não consegue comprar mais capacidade, porque a operadora não vende. E não é só o pequeno provedor, isso acontece até com empresas grandes como a Copel, que entrou vendendo com os preços de mercado que nós estamos nos propondo a vender e não está conseguindo comprar saída para Internet, porque as operadoras não vendem para ela.

O que fizeram os outros países do mundo quando se depararam com esse problema? Vejamos o caso da Inglaterra, que aqui é considerado o paradigma da privatização. A Inglaterra fez o seguinte: quem vende no varejo, não vende no atacado. Separou a infraestrutura toda, criou uma empresa nova, a Open Reach, e deu a essa empresa a capacidade de vender só o acesso industrial. Quem está no atacado, não está no varejo. E a Open Reach tem transparência, você compra tudo pelo site, não precisa ligar para ninguém.

A Austrália fez uma coisa parecida com o que nós estamos fazendo. O caso deles é até pior do que o nosso. Eu estive na Austrália, conversei com o departamento de banda larga australiano e eles contaram que lá o monopólio é de 95% dos acessos na mão de uma única empresa, a Telstra, que vende a preços mais exorbitantes ainda do que aqueles praticados aqui.

O que fez a Austrália? Pegou suas linhas de transmissão de energia elétrica e fez um plano próprio. Primeiro, fez uma chamada para ver se alguém no mercado se interessava. Não apareceu ninguém. Então, o país criou uma empresa pública e regras para que ninguém volte a controlar 95% do negócio.

Vários países concluíram que esse negócio de “monopólio natural” não dava certo. Quem tem as linhas de transporte acaba eliminando os outros.

As operadoras vão ficar com esse discursinho de que Estado não funciona, empresa pública não funciona - uma discussão maluca, porque o que interessa mesmo é se a empresa é bem ou mal administrada. Veja-se o caso da Petrobrás, hoje a segunda do mundo. É uma empresa pública. E há empresas privadas mal administradas. As campeãs de reclamações são as teles, que conseguiram superar os bancos e os cartões de crédito, que há anos eram imbatíveis.

HP – Por que não se pensou, no Brasil, em separar a venda no atacado da venda no varejo?
Rogério Santanna – Há alguns anos, quando Plínio de Aguiar Júnior e Pedro Ziller eram conselheiros da Anatel, tentaram aprovar a separação estrutural que fizeram os ingleses. O Plínio esteve na Inglaterra, estudou o caso e propôs que se fizesse algo semelhante aqui. Mas, apesar do seu esforço e do Ziller, a separação estrutural foi derrotada na Anatel por 3 votos contra e 2 a favor.

No fim de 2003, comecei a estudar a questão de utilizar a rede de fibras ópticas do governo. Inicialmente, propus só um backbone [“espinha dorsal” de um sistema de transmissão de dados] para atender ao governo. Depois, essa discussão foi aumentando e participaram do debate o Cezar Alvarez [coordenador dos programas de inclusão digital do governo], a Dilma e outros.

Vislumbramos, então, a seguinte proposta: ao invés de insistir na separação estrutural que tinha sido derrotada na Anatel, que aproveitássemos essa rede para fazer uma rede de nova geração. Em lugar de carregar o passado, o cabo de cobre, todas as tecnologias antigas, nós podíamos usar essa infraestrutura para criar uma rede independente – deixar as teles com a rede delas e criar uma rede neutra, pública. A partir de uma tecnologia mais nova, mais barata, gerar essa rede neutra e vender serviços só no atacado.

HP – Por que usar uma infraestrutura que já existia para criar uma rede com nova tecnologia?
Rogério Santanna – Nos ocorreu fazer o que a Coreia [do Sul] fez. Pegar um problema do país, que era massificar a banda larga, e fazê-lo usando a infraestrutura que nós dispúnhamos, que estava ociosa. É uma espécie de custo “afundado”, um dinheiro que nós já gastamos. Eu sempre usava o exemplo daquele jantar e da champanhe que você guardou para receber a namorada na sexta a noite e ela ligou dizendo que não podia ir - você ficou com o jantar, não tem jeito, você tem que comer, não vai deixar estragar, vai beber a champanhe. É o chamado custo “afundado”. Nós temos um custo “afundado” altíssimo, de 21 mil quilômetros de fibras ópticas, que praticamente estão ociosas ou subutilizadas. Hoje já são 21 mil e chegarão a 30 mil, 31 mil quilômetros – 30.803 km, para ser mais preciso. E isso é só o que está sob total governabilidade federal. Tem as estaduais, que não estão incluídas ainda.

HP – Como isso poderá contribuir para o desenvolvimento nacional na própria área de telecomunicações?
Rogério Santanna – A ideia era usar essa infraestrutura de fibras ópticas ociosa para introduzir uma rede neutra mais moderna - e fazer isso promovendo o desenvolvimento da indústria nacional, como fez a Coreia. Vamos resolver o nosso problema, mas não só com as empresas chinesas, americanas, europeias ou coreanas. Vamos fazer o máximo que nós pudermos fazer com a indústria nacional. Há empresas competitivas, como no caso dos rádios enlaces - empresas produtoras de enlaces de microondas - e empresas fabricantes da tecnologia de DWDM para iluminação da fibra óptica.

HP – O senhor está se referindo a empresas de capital nacional?
Rogério Santanna – Sim. E com tecnologia gerada no Brasil. Existem 13 empresas. Eram 60 na época da privatização das telecomunicações, sobraram 13 empresas. Por exemplo, os roteadores de borda – há empresas brasileiras que fabricam. No meu Estado, o Rio Grande do Sul, há três. Há três em São Paulo, algumas no Paraná, outras em Minas, em todo o Brasil. Algumas dessas empresas, nós podemos fazer com que ganhem uma escala maior, como fez a China, que, a partir de duas, fez empresas que agora estão quebrando as multinacionais de porte nessa área.

No Brasil, fizeram uma coisa que nos matou - destruíram as indústrias de componentes. Nós tínhamos fabricação de componentes. Os coreanos continuaram a fabricação de componentes e nós saímos do negócio.

Em verdade, nessa questão há muito mais do que a banda larga. Banda larga é a pequena coisa para fazer uma mudança radical do futuro das plataformas. Nós podemos dar um salto, em vez de ficar brigando com as teles sobre redes de cabo de cobre. Vamos fazer uma rede nova e saltar lá na frente. Podemos juntar gente e começar a pensar sobre que modelo fazer. O que mais atacaram na mudança do estatuto da Telebrás foi a única coisa que nós não mudamos, que é a possibilidade da Telebrás ser sócia minoritária, no Brasil e no exterior, ou majoritária, como ela quiser, de empreendimentos nessa área de tecnologia.

Quem não produz tecnologia nessa área é refém do resto. Temos que começar a produzir, não ser copiador. Fazer o que os chineses fizeram. Começaram copiando, mas a Huawei, no ano passado, registrou 1.880 patentes, dez vezes mais do que a Apple, que registrou 180 patentes. Os chineses investiram nesse negócio e quebraram várias empresas tradicionais, que não aguentaram a concorrência deles em inovações, aplicações.

Mas, quanto à banda larga, houve um último questionamento à nossa ideia: o custo maior é a “última milha” [a chegada da Internet à casa do usuário].

HP – Realmente é verdade que o custo maior localiza-se na “última milha”?
Rogério Santanna – Sim, é verdade, mas esse não é o problema. A “última milha” sempre foi tida pelas operadoras como um diferencial de controle do mercado. Como era muito difícil levar um cabinho de cobre na casa de cada um, as operadoras, em cima dessa vantagem de terreno, ficaram tranquilas, dizendo: aqui ninguém entra. É muito difícil fazer uma rede encabeada do porte que elas têm. Só que a vida lhes foi cruel, porque desenvolveram-se as tecnologias sem fios, que trouxeram também mobilidade. Se antigamente era importante você ter a banda larga na sua casa, agora mais importante é ter a banda larga junto com você.

Com o acesso sem fio, você se desloca e leva sua banda larga. Para quem trabalha, para boa parte das aplicações, isso é uma vantagem até mais importante do que tê-la em casa. Com o desenvolvimento da tecnologia sem fio, aquele diferencial competitivo de deter a “última milha”, que era praticamente imbatível, diminuiu significativamente. E com a melhoria das tecnologias de compressão e transmissão de dados, as limitações que essa tecnologia tinha, de transportar larguras de bandas mais baixas, estão desaparecendo.


A esse argumento de que a “última milha” é cara, nós dissemos: não precisamos fazer a “última milha”, porque os pequenos provedores associados podem fazê-la, e nós vamos gerar milhares de oportunidades de negócios que hoje são reprimidos, porque há uma contradição nas operadoras.

HP – Contradição nas operadoras?
Rogério Santanna – As operadoras enxergam o mercado assim: “voz - um mercado que ainda vamos perder, que bom que não seja agora”.

No Japão, onde a banda larga tem penetração cinco vezes maior que a nossa e o preço é cinco vezes menor, o mercado de voz é 30% e o de dados é 70%. No Brasil, o mercado de voz é 90% e o de dados é 10%. No mercado de dados, a rentabilidade não é tão alta como no mercado de voz. Então, reduzir o mercado de voz a 30% significa sair de R$ 150 milhões para um mercado de R$ 50 milhões.

Por isso, as teles, embora façam o discurso do “nós faremos [a universalização da banda larga]”, não vão realizá-la, porque não vão canibalizar o seu próprio negócio. Só quando alguém começar a tirar os clientes delas - de livre e espontânea vontade elas não vão fazer.

O que estão tentando? No fundo, querem que a regulação proteja a indústria deles da concorrência.

Não é que elas não dominem as tecnologias que permitem preços mais baixos. Por exemplo, em Voz sobre IP [VoIP - telefonia via Internet], com a mesma capacidade de banda, podemos passar cinco vezes mais, porque o silêncio não é mais transmitido.

Todas as operadoras já transformaram a sua rede numa rede VoIP, só que não deram nenhuma vantagem para o usuário final. Apenas aumentaram sua margem de lucro e se apropriaram de toda a margem. Os ganhos com a tecnologia, elas usaram só para si mesmas, tanto que as operadoras brasileiras são bastante rentáveis - 50% do lucro da Telefónica vem do Brasil. As margens de rentabilidade são altíssimas, porque o nosso preço é um dos mais altos do mundo. Entre 77 países, o nosso é o mais caro - em tudo, telefone celular, banda larga. A nossa conta média é US$ 28 nas duas coisas, quando a média no mercado internacional é em torno de US$ 10, na Índia é US$ 5 e na China é menos que isso.


HP – A conta média no Brasil é quase três vezes a média internacional?
Rogério Santanna – Isso é um dado de um estudo da Nokia, realizado em 77 países sobre o telefone celular - e há um estudo similar que mostra que essa situação se repete também na banda larga. As operadoras reclamam: mas o imposto é 43%! Se tirar o imposto, vira 16 dólares. Os outros países têm 17% de imposto. Se tirar o imposto, teríamos 8 dólares. Portanto, mesmo sem o imposto, o preço continuaria o dobro da média internacional. E não estamos comparando com as concorrentes delas, como a Índia, a China e a África do Sul. O preço daqui é 2,7 vezes mais caro que na Rússia e 2,5 vezes o preço do México. A banda larga, aqui, é uma banda caríssima.
(Continua na próxima edição)

Teles acusam Oi de "sufocamento"

Empresas de celular dizem que operadora fixa quer retardar expansão de rede ao propor queda da taxa de interconexão

Taxa é cobrada quando cliente telefona para a concorrência; preço alto faz do minuto de celular o segundo mais caro

Folha de São Paulo - 22/10/2010

Depois de defender o fim do subsídio aos aparelhos celulares e o desbloqueio, a Oi agora quer alterar outro pilar financeiro de suas concorrentes móveis: a cobrança da taxa de interconexão. Essa cobrança é feita toda vez que um cliente telefona para um número de outra operadora, seja ela fixa, seja ela móvel. A companhia de origem da chamada paga à outra para completá-la.

Institutos de pesquisa independentes já colocaram o elevado preço da interconexão brasileira como o responsável por fazer do minuto de celular no país o segundo mais caro do mundo. Segundo a SDE (Secretaria de Direito Econômico), órgão do Ministério da Justiça, essa taxa também distorce a competição. Isso porque ela induz os consumidores a fazerem telefonemas dentro da rede da própria operadora -prática estimulada com as promoções de minutos para esse tipo de chamada.

Operadora que mais paga interconexão, a Oi agora sai em defesa da mudança desse cenário. Por isso, ela propôs à Anatel uma queda de 20% na interconexão no ano que vem, de 20% em 2012 e de 10% em 2013.

A Folha apurou que a proposta da Oi foi a mesma encaminhada pela Casa Civil ao Ministério das Comunicações e ao grupo de trabalho criado na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para estudar o tema. Com a demissão de Erenice Guerra da Casa Civil, diminuiu a pressão que existia para uma queda acentuada no preço da telefonia celular via queda de interconexão no país.

Agora, a proposta de reajuste da Anatel sugere uma redução de 10% da interconexão, em 2011, e de outros 10%, em 2012, aplicados após reajuste tarifário da telefonia. Na prática, seria uma queda de 4% na interconexão. Após 2013, o valor seria definido pelo custo da interconexão, que hoje não é aberto pelas móveis.

TOMA LÁ, DÁ CÁ
A Oi acusa as teles móveis de usarem a receita da interconexão -que anualmente movimenta R$ 10 bilhões- para subsidiar telefones celulares e dar descontos a grandes empresas nos planos corporativos.

Alguns conselheiros da Anatel não acreditam nesse argumento e foram em direção oposta há cerca de três semanas, quando votaram a proposta atual, que está sob consulta pública.

Segundo uma das operadoras móveis consultadas, em 2007, quando se decidiu implantar a rede 3G (terceira geração), a Anatel definiu metas de universalização da cobertura da telefonia móvel para serem cumpridas em três anos.

Em troca, haveria a manutenção da interconexão como forma de garantir o equilíbrio financeiro dessas empresas. Parte dessa receita viraria investimento.

Nesse momento, elas estariam aplicando esses recursos na construção de redes de transmissão de dados, única forma de tornar a internet móvel mais rápida e capaz de incluir mais usuários.
Para elas, a proposta da Oi de queda da interconexão é uma tentativa de sufocá-las. Isso porque a Oi móvel já possui uma rede de transmissão instalada em praticamente todo o país (da Oi fixa). TIM, Claro e Vivo estão construindo essa rede, feita de cabos e fibras ópticas, ligando as diversas centrais das operadoras móveis.

A Oi discorda e diz que a queda da interconexão pode ser compensada com até 15% de aumento no tráfego de voz no pós-pago e de 30% no pré-pago. Suas concorrentes afirmam que, para suportar esse aumento, seria preciso mais investimento.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Rogério Santanna falará sobre Telebrás e PNBL no 4º PTT Fórum

Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações - 21/10/2010

Às 17 horas de hoje (21), o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, será palestrante no 4º PPT Fórum - Encontro dos Sistemas Autônomos da Internet no Brasil, onde discorrerá sobre a Telebrás e o Plano Nacional de Banda Larga - PNBL.

Esta será a 4ª edição do PTT Fórum, um evento promovido pelo CEPTRO.br – Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR), com o apoio do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), com o objetivo de discutir os problemas da infraestrutura Internet no país e suas possíveis soluções.

O PTT Fórum contará com tutoriais técnicos, que apresentarão boas práticas para os Sistemas Autônomos em campo como: IPv6, Segurança, DNS e Roteamento. Também haverá apresentações de casos, palestras e debates sobre temas relacionados a infraestrutura Internet no Brasil.

Maiores detalhes na página do evento.
Consultas da Telebrás recebem quase 700 contribuições

Tele.Síntese - 21/10/2010

Queixas contra preferência por produto nacional e sugestões técnicas são os destaques

As consultas públicas dos termos de referências para contratação de solução de rede IP e de enlace de rádios digitais para comporem a rede pública do Programa Nacional de Banda Larga, gerido pela Telebrás, receberam quase 700 contribuições. A maioria delas versava sobre especificações técnicas, mas muitas reclamavam da preferência a produtos de tecnologia nacional ou produzidos no país de acordo com PPB (Processo Produtivo Básico) específico. Outras, ao contrário, pedem priorização a equipamentos com tecnologia desenvolvida por empresas brasileiras.

As multinacionais que não possuem unidades de produção no país ressaltam que a preferência por produto nacional atenta contra a livre concorrência do mercado e prejudica a isonomia entre os licitantes. “O cenário atual de telecomunicações do país ainda é deficitário, caracterizado pela baixa oferta de infraestrutura, por preços elevados e, principalmente, pela baixa concorrência”, argumenta uma delas. Outra alerta para o perigo da aplicação da MP495/2010, que regulamenta o poder de compra, ainda se encontra sujeita a modificações e aprovação pelo Congresso Nacional, antes de estabelecer-se como regra de longo prazo, e já conta com mais de 30 emendas em trâmite.

Outra empresa estrangeira sugere que a verificação quanto a certificação relativa ao PPB, previsto para ocorrer após a fase de lances do pregão e após a promulgação do vencedor, seja estendida para um prazo de quatro meses, tempo suficiente para que empresas que ainda não detenham produção e desenvolvimento local para os equipamentos objeto da licitação se adaptem às exigências do edital.

O presidente da Telebrás, Rogério Santanna, disse que a proteção da indústria nacional é praticada na maioria dos países e que a MP 495/2010 está em vigor e dificilmente será alterada antes da realização dos pregões. Também rebateu outra queixa apresentada nas duas consultas, de que a licitação seja de forma integrada para evitar incompatibilidades de equipamentos. Santanna ressalta que nessas duas licitações – da solução de rede IP e de rádios digitais – há interoperabilidade nos produtos fabricados por diferentes empresas, permitindo a compra por região ou lotes. Ele salienta que o mesmo não acontece com a contratação de sistema completo de fibra óptica com tecnologia DWDM, que será licitado em único lote.

Consórcios

Outras sugestões pedem a troca da modalidade de compra de pregão eletrônico para pregão presencial. O argumento usado é de que o pregão eletrônico pressupõe a existência de produtos altamente padronizados, em todas as camadas de rede, o que não é o caso quando se trata de produtos da tecnologia mais recente e que tem o poder de otimizar a construção da rede nos seus mais diversos aspectos. “Ao engessar o perfil dos produtos e serviços para adequá-los ao pregão, inibe-se a realização de um projeto mais abrangente, mais eficiente e econômico”, disse uma das empresas.

As exigências para participação de consórcios no pregão também foram criticadas. As empresas pedem mais flexibilização, como permitir a formalização do consórcio após o certame. Outra empresa reclama que a exigência de que cada consorciada deverá atender individualmente às exigências relativas à regularidade econômica e financeira é contraditória em relação a finalidade de qualquer consórcio,” uma vez que estes são estabelecidos com o objetivo de que, a somatória das capacidades econômico financeiras das partes, possibilite atingir a capacidade econômico financeira demandada pelo empreendimento”, sustenta.

Outra empresa sugere que o edital cite as resoluções ou normas da Anatel relacionadas com cada uma das faixas de frequência previstas para operação de equipamentos de rádio (5GHz a 7,5GHz, 8GHz a 11GHz e 18GHz a 23GHz). Há empresas que reclamam do rigor das sanções previstas no termo e da dificuldade em montar as planilhas de preços com alíquotas de ICMS diferentes cobradas pelos estados.

As sugestões ainda estão em análise na Telebrás. Os editais deverão ser lançados nos próximos dias. Na próxima semana, dois pregões serão realizados: o de contratação da infraestrutura de rede, na segunda-feira (25), e o para compra de sistema completo de fibra óptica com tecnologia DWDM, marcado para a próxima quarta-feira (27).
Proteste: Anatel não pode incluir banda larga nas metas de universalização

Convergência Digital :: 21/10/2010

Em documento encaminhado ao presidente da Anatel, a Proteste se alinha com as operadoras ao sustentar que a inclusão de metas de universalização relacionadas a banda larga – backhaul – é ilegal, representa subsídio cruzado em relação à telefonia fixa e faz parte das controvérsias que podem impedir a concretização do Plano Geral de Metas de Universalização antes da renovação dos contratos do STFC.

“O backhaul não é essencial para o STFC, como sustentam as próprias concessionárias, e, portanto, não se justificam como metas de universalização deste serviço”, diz a entidade de defesa dos consumidores.

A Proteste também quer que a agência disponibilize, em caráter de urgência, as minutas dos novos contratos, “a fim de que a sociedade possa participar de forma efetiva do processo, uma vez que as circunstâncias de fato, que se materializaram desde a consulta pública ocorrida em março de 2009 até agora, mudaram substancialmente”.

Segundo a entidade, “as contribuições apresentadas pelas concessionárias à Consulta Pública 34∕2010, que trata do denominado PGMU III, deixam claro que não há consenso sobre dois pontos fundamentais, quais sejam: a) o backhaul não é essencial para o STFC e b) a cobertura do custeio correspondente à implantação desta infraestrutura não pode ter como origem a tarifa do STFC”.

“Entendemos que o subsídio cruzado, indiscutível neste cenário, como está assumido pelas concessionárias, inclusive na ação judicial ajuizada pela ABRAFIX contra os arts 13 e 27, da Resolução 539∕2010, para evitar a tarifação da exploração do acesso ao backhaul, representa grave distorção do modelo, que se revela além de ilegal, altamente ameaçador para o desenvolvimento seguro das concessões, que tem ainda longos anos de vigência – até dezembro de 2025.”

A Proteste argumenta que havendo pendência e desacordos entre o Poder Concedente e as concessionárias quanto às metas de universalização, faltará elemento essencial ao contrato de concessão, o que inviabilizará a sua revisão. “Será temerário que os aditivos aos contratos de concessão do STFC sejam assinados, para vigorarem por mais cinco anos, sem que as metas de universalização estejam fixadas.”

Nesse sentido, defende que as controvérsias a respeito das metas de universalização propostas pela Anatel e seus respectivos custos “reforçam os fundamentos de fato e de direito que levaram a Proteste a apresentar o pedido de revisão da estrutura tarifária do STFC, com a finalidade primordial de reduzir o valor dos itens que compõem o Plano Básico”.

Até por isso, a Proteste também questiona a proposta da Anatel de reformulação do AICE (Acesso Individual Classe Especial) e, novamente, concorda com as concessionárias de que o tema fere a Lei Geral de Telecomunicações ao criar uma categoria especial de tarifas.

“Ainda que não fosse pelo aspecto legal, o AICE, pelo aspecto comercial é a1solutamente sem sentido no atual contexto, ma medida em que o Serviço Móvel Pessoal SMC, na modalidade pré-paga continua a ser muito mais atraente para os cidadãos de baixa renda”, sustenta a advogada da Proteste, Flávia Lefèvre.

Não é por menos que no mesmo documento encaminhado à Anatel a Proteste reitere o pedido formulado ainda no ano passado para que a agência “promova as alterações necessárias para a redução da assinatura básica para R$ 14, incluídos os impostos, para que o consumidor possa realizar chamadas locais na rede da concessionária sem limites, pagando o excedente apenas das chamadas de longa distância e as realizadas para celulares”.
Para Cade, modelo de telecom tem falhas na competição e na banda larga

Teletime - 20/10/2010

O déficit regulatório no mercado de oferta de rede no atacado, apontado no voto do conselheiro do Cade Vinícius Carvalho em relação à fusão entre Oi e Brasil Telecom nesta quarta, 20, está prejudicando o mercado de oferta de banda larga, segundo o conselheiro relator. O fato de a Anatel não regulamentar a oferta de banda larga em si, considerado um Serviço de Valor Adicionado (SVA) e, portanto, fora do rol de serviços de telecomunicações, também é citado no relatório como um possível agravante da situação.

Ao acompanhar o voto do relator, o conselheiro Olavo Chinaglia ponderou que o cenário atual das telecomunicações é muito diferente do previsto originalmente, quando houve a privatização dos serviços de telefonia. "Do modelo original regulatório, nada aconteceu. As espelhos acabaram, as empresas - das quais se esperava uma competição agressiva - não concorrem entre si. O que houve até hoje de concorrência, na verdade, foi gerado pelos avanços tecnológicos e pela convergência de serviços."

Para ele, esse é mais um elemento que reforça a necessidade de atuação regulatória mais vigilante. O próprio conselheiro fez questão de ponderar que não se tratava de dizer que o modelo regulatório era "imprestável" e precisava ser completamente revisto. Continuaria havendo espaço para a atuação mais expressiva da regulação no controle antitruste. Mas, segundo Chinaglia, o "ponto positivo" deste mesmo modelo seria a previsão de que o "Cade ocupe um espaço de regulação não atendido pela Anatel". Daí a fixação do Termo de Compromisso de Desempenho (TCD) com a Oi.

Intervenção

O Cade preocupou-se em não fazer uma intervenção forte demais ao ponto de assumir, de fato, responsabilidades típicas da Anatel ao assinar o termo com a Oi. O voto de Carvalho sugere claramente que a intenção do relator era agir de forma mais contundente do que materializada no TCD, defendendo com vigor os benefícios de uma separação estrutural das redes. Mas, ao fim, o Cade decidiu agir com cautela. "Mesmo tendo analisado várias medidas mais fortes, eu sabia desde o começo que não podia adotá-las, simplesmente porque não sou o agente regulador", explicou Carvalho em coletiva à imprensa após o julgamento.

A adoção dessas outras medidas, como a separação estrutural, por exemplo, geraria um grave problema de assimetria regulatória, gerada por um órgão antitruste e não pela autarquia diretamente responsável por cuidar do mercado de telecomunicações. O TCD, de certa forma, gera uma assimetria, reconhece o conselheiro. Porém, o Cade está tranquilo de que essa diferença de tratamento da Oi com relação à oferta mais transparente de dados sobre o mercado do atacado é totalmente aceitável. Até porque o TCD foi negociado com a própria Oi, que concordou com os termos estabelecidos. Além do mais, as medidas fixadas no termo já foram fixadas pela própria Anatel no ato de anuência prévia da BrOi.
Setor de telefonia receberá subsídios para a Copa do Mundo de 2014

Ministro da Ciência e Tecnologia afirmou que quer expandir a cobertura com a tecnologia LTS ou 4G nas cidades-sede do Mundial

Olhar Digital - 20/10/2010

O ministro da Ciência e Tecnologia Sérgio Resende afirmou recentemente que o investimento em tecnologia de informação e comunicação será uma das prioridades para o Brasil até a Copa do Mundo de 2014.

O ministro disse que o setor de telefonia receberá subsídios para expandir sua cobertura com a tecnologia LTS ou 4G nas cidades-sede do Mundial. Mas, para que isso se torne realidade, é preciso que a Anatel mantenha a data de leilão de frequência da faixa de 2,5GHz, voltada para o LTE, para fevereiro de 2011.

Segundo a Anatel, eles têm tomado várias medidas para dotar o Brasil de bons serviços móveis e está fazendo tudo que é possivel, na alçada de sua competência, para que os grandes eventos esportivos sejam bem-sucedidos. Porém, sobre a antecipação de licitação das frequências que darão suporte à quarta geração da telefonia móvel no Brasil, a agência não se pronunciou. O assunto está sob análise no Conselho Diretor aguardando deliberação.

As declarações foram feitas durante workshop na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), realizado nesta sexta-feira (15), que marcou o lançamento do Programa 2014-Bis, focado em investimentos em projetos de inovação tecnológica para a Copa 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. A Finep é a responsável pelo programa, cujos investimentos podem chegar a cerca de R$ 120 milhões somente nesta primeira fase.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tecnologia para reduzir a pobreza

Estadão - 20/10/2010

O relatório da Unctad (a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) publicado na quinta-feira, 14, relacionou dados sobre a penetração e utilização de tecnologias de comunicação e informação (TIC) com estratégias de redução de pobreza. Uma entre as várias resoluções mostra o Brasil, ao lado apenas do Zimbábue, como tendo o maior custo para uso de celular e troca de dados.

O preço cobrado por uso de celular no Brasil — num quadro que compara todos os países pobres do mundo — supera US$ 120 para falar 165 minutos, trocar 2,1 megabytes de dados e enviar 174 SMS (valor medido em poder de paridade de compra), mais de duas vezes o valor da mundial média de US$ 46. Na Argentina, por exemplo, pouco mais de US$ 50 são cobrados pelo mesmo pacote; e em países como China, Índia, Paquistão Bangladeh se paga menos de US$ 20.

Carlos Afonso, conselheiro do Comitê Gestor da Internet (CGI.br) — que apresentou o relatório no Brasil ao lado do órgão da ONU — , acredita que a posição do País no ranking é reflexo da falta de uma regulamentação mais ampla sobre as empresas de telefonia. “Não é nem imposto, porque imposto não geraria essa diferença tão grande. O problema é que precisa regulamentar”, afirma.

Redução da pobreza
O relatório sustenta a ideia de que a maior presença e utilização de TIC (tecnologias da informação e comunicação) por pequenos empresários e comerciantes em países pobres ou lugares de difícil acesso pode ajudar no processo de desenvolvimento econômico desses grupos e, gradativamente, do país. “O estudo concluiu que mais informação e de melhor qualidade, combinadas com comunicação rápida e barata pode ajudar a reduzir custos”, diz o relatório.

Neste aspecto, o relatório cita casos em Ruanda, Níger, Butão, Quênia, Bangladesh e China de agricultores, pescadores, pecuaristas, pequenos comerciantes que com acesso a internet, uso de celulares ou computadores, conseguiram ampliar e modernizar seus negócios e parcerias, baixando custos de produção, aumentando a sua renda e até gerando empregos. “Esses benefícios não transformam a natureza da maioria dos negócios, mas pode acrescentar valor, aumentar lucros e melhorar os meios de sustento”, aponta o documento.

Afonso acredita que somente a “injeção tecnológica” não é eficiente, mas atualmente ela é um elemento de qualquer política pública de desenvolvimento social e econômico de povos pobres, respeitando as características de cada um. Ele cita ainda as parcerias com universidades, ministérios e outros órgãos do governo visando o aumento de pesquisas e políticas sobre o tema.

“Formuladores de políticas deveriam aproveitar essas novas oportunidades para alavancar as TIC”, recomenda a UNCTAD, “e os empresários deveriam trazer mais benefícios para mais perto dos pobres, incluindo aqueles que vivem à margem”.

O relatório completo pode ser visto aqui, em PDF.