sábado, 21 de agosto de 2010

Telebrás e Anatel disputam funcionários: estatal quer de volta 60 técnicos cedidos e agência teme interromper trabalho

O Globo - 20/08/2010

BRASÍLIA - A Telebrás e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estão brigando por causa dos funcionários que deverão voltar para a empresa. O órgão não está disposto a devolver tão fácil e rapidamente os primeiros 60 técnicos cedidos pela estatal e que foram convocados a retornar. Uma fonte do governo disse que esta é uma forma de barganha do presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, que quer autorização do Ministério do Planejamento para realizar um novo concurso público para a contratação de funcionários de nível superior.

- Em algumas áreas, oito técnicos de nível superior estão voltando para a empresa, pessoas com 12 anos de agência. Nessas áreas precisarão ser nomeados para os cargos pessoas mais jovens da própria agência - disse Sardenberg.

O presidente da Telebrás, Rogério Santanna, reclamou esta semana da demora na volta dos funcionários, que considera fundamental para que o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que levará a internet de alta velocidade para todo o país até 2014, comece a ser implantado. Ele disse que precisa dos 60 funcionários convocados em junho.

Ronaldo Sardenberg alega que não pode ceder todos de uma só vez. A transferência, segundo ele, precisa ser feita de forma a atender os dois lados:

- Quero acertar com o presidente da Telebrás que a devolução dos funcionários seja feita de forma a não haver uma descontinuidade nos trabalhos da agência.

Quando da privatização do setor, em 1998, mais de mil funcionários da Telebrás foram postos à disposição da Anatel para que fosse estruturada. Mas, aos poucos eles foram saindo ou se aposentando. Atualmente a Telebrás tem 223 funcionários, sendo 179 na Anatel; 12 na Presidência da República; dez no Ministério das Comunicações; cinco na própria empresa e 17 em outros órgãos.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A classe C vai ao paraíso

Eles já são 90 milhões de pessoas, respondem por quase 50% da renda nacional e não querem parar de subir na escada social brasileira

Isto É - 20/08/2010

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A faxineira Raimunda da Silva Gonçalves, 46 anos, é o estereótipo de uma parcela da população brasileira que vem buscando melhorar de vida há mais de cinco décadas. Ela, como milhões de seus pares, migrou de uma pobre cidade nordestina no início dos anos 80 para buscar sorte melhor na riqueza do caos paulistano. Chegou sem ocupação definida, analfabeta e com pouca perspectiva de subir muitos degraus na conservadora pirâmide social brasileira. Em São Paulo, Raimunda casou-se com outro migrante, teve dois filhos e estacionou socialmente. De casa em casa, de faxina em faxina, permaneceu analfabeta, pobre e sem dinheiro para ter nada mais que o essencial.

Nos últimos cinco anos, no entanto, a história de Raimunda começou a mudar. Seu poder de compra foi crescendo e, aos poucos, ela começou a ter acesso a luxos antes impensáveis. Abriu até uma poupança e, há dois anos, obteve sua maior conquista: conseguiu erguer uma pequena casa de alvenaria na cidade-dormitório de Itapecerica da Serra. Aos filhos Raimunda tem conseguido dar a chance de subirem ainda mais na vida. O mais velho deles, Rodrigo, 19 anos, está cursando administração de empresas em uma universidade particular. O mais novo, Vitor, 11 anos, matriculou-se recentemente em um curso de inglês. “Aprendemos com a vida que sem estudo nada se consegue”, diz ela. “Os meninos sabem disso, eles veem isso e estão aproveitando uma oportunidade que eu e o pai deles nunca tivemos.” Na esteira da formação dos filhos, até Raimunda resolveu estudar. Já deixou para trás o analfabetismo e, agora, sonha um dia conseguir chegar à universidade. No ano passado conquistou seu primeiro diploma: concluiu o primeiro grau, aos 46 anos de idade.

Raimunda conseguiu mudar seu padrão de vida não só pelos seus espetaculares esforços pessoais. Sem o alicerce econômico alcançado pelo País nos últimos 15 anos, talvez pouco adiantaria seu empenho. Como muita gente, ela pôde ganhar mais dinheiro porque o Brasil vive um momento excepcional. Em cinco anos, 32 milhões de pessoas, o equivalente à metade da França, ascenderam socialmente. O fenômeno mais impressionante ocorreu com a antiga classe média baixa, hoje chamada de classe C, que se multiplicou e passou a representar a metade da população do País. Cerca de 90 milhões de brasileiros agora possuem renda familiar mensal entre R$ 1.115 e R$ 4.807 e se tornaram uma força tão poderosa que já é apontada por alguns especialistas como a classe dominante, no sentido econômico. Com o R$ 1,3 mil que ganha fazendo faxinas nas casas de classe média alta de São Paulo, Raimunda passou a fazer parte dessa nova força econômica.

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A classe média se impõe, ávida para liberar um desejo de consumo represado por décadas. Para medir na prática esse anseio, a agência de publicidade McCann Erickson encomendou pesquisa ao instituto Data Popular em seis capitais brasileiras e descobriu que 80% dos consumidores da classe C disseram que “não dá para viver sem” computador, 60% das famílias têm DVD, 66% querem comprar um celular com câmera fotográfica e 82% possuem tecnologias que melhoram o entretenimento e lazer da família. De acordo com o especialista em finanças, Amir Khair, a renda média da classe C subiu 13%, em 2008.

Mais do que desejos, essa nova classe C tem um poder de consumo inigualável no Brasil. De acordo com um estudo da mesma Data Popular, hoje a renda reunida desses 90 milhões de famílias soma quase R$ 500 bilhões. Hoje, mais de 80% dos cartões de crédito que circulam no País estão nas mãos deles, que são responsáveis por 76% do consumo no Brasil. A estimativa é de que os indivíduos desse segmento social já respondam por 80% de todas os brasileiros que usam a internet cotidianamente. “Hoje temos mais de mil lojas, com R$ 18 bilhões de faturamento, voltadas exclusivamente para a classe C. Por ano, vendemos para eles 4,5 milhões de eletrodomésticos da linha branca, 4,7 milhões de celulares, 1,6 milhão de tevês e 2,2 milhões de aparelhos de som”, conta Michel Klein, presidente da Casas Bahia.

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É o que o professor da Universidade de Cornell, Stuart Hart, chama de inversão da pirâmide de consumo. Para ele, compreender e mergulhar nesse mercado será determinante para todas as empresas do mundo. “Hoje, em todo o planeta, 4,5 bilhões de pessoas são o que podemos chamar de consumidores emergentes. Quem não entender essas pessoas e não trabalhar diretamente com elas está fadado a não crescer”, diz ele, que esteve no Brasil na última semana para discutir esse tema.

“Há uma demanda por bens e serviços que antes essa camada nem sonhava”, diz o cientista político Amaury de Souza. Para ele, a classe C passou a ter os mesmos desejos das classes A e B, com uma ressalva, ela é um contingente muito maior. Enquanto o primeiro representa 44% da renda nacional, o da nova classe média totaliza 47%. “O desejo de mobilidade social é enorme. E isso não é novo. A novidade é a escala. O processo que permitiu a mobilidade de milhões de pessoas é muito recente”, diz Souza.

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Na opinião dos especialistas, o crescimento do poder aquisitivo da classe C só ocorreu graças ao aumento da escolaridade nos últimos 20 anos, ao controle da inflação com o Plano Real e ao acesso ao crédito nos últimos seis anos. Desde que o Banco Nacional da Habitação (BNH) quebrou, na década de 80, os brasileiros não tinham acesso ao crédito imobiliário. Somente no primeiro semestre deste ano, com os recursos da caderneta de poupança, foram emprestados R$ 23,8 bilhões. Se comparado ao PIB, o volume ainda é inexpressivo, mas representa 77% do que foi emprestado no mesmo período do ano passado. O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, calcula que até 2016 a demanda da classe C será por 10,4 milhões de imóveis. “A classe média popular vai dominar o mercado residencial brasileiro nos próximos anos”, diz Vale.

Sandra Maria Sabino Bertoldo, moradora do Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro, faz parte desse contingente. Nascida e criada em uma das favelas mais castigadas pelas chuvas do início do ano, seu sonho é comprar uma casa longe dali. Até lá, no entanto, Sandra e o marido, o servente de pedreiro Airton Souza dos Santos, estão empenhados em ter mais conforto onde vivem. Há poucos meses compraram uma tevê de LCD de 32 polegadas e um fogão de seis bocas, bens até pouco tempo impensáveis para eles. “Posso até dizer que eu sou madame, a madame dos Prazeres”, ri Sandra, 46 anos e cinco filhos. “Vamos conseguir trocar de casa, as coisas melhoraram muito nos últimos anos.”

Ao lado da renda e do crédito, a carteira de trabalho também é uma das grandes conquistas da classe C. Há cinco meses, dados do IBGE mostraram que, pela primeira vez em 16 anos, metade (50,7%) dos trabalhadores nas principais capitais teve a carteira de trabalho assinada. Uma demonstração de que o empresário brasileiro continua apostando no desempenho da economia nacional. Do contrário, não arriscariaformalizar seus empregados com a burocracia da legislação trabalhista para as demissões. No entanto, o sociólogo Rudá Ricci, que acaba de lançar o livro “Lulismo: da Era dos Movimentos Sociais à Ascensão da Nova Classe Média Brasileira”, tem uma preocupação. Ele calcula que, para a classe C continuar crescendo, ela precisa de um ambiente favorável ao empreendedor que exige uma reforma tributária, que o Brasil ainda não tirou do papel. “Existe uma bolha de consumo. As pessoas estão endividadas e essa ascensão não será sustentável se não houver uma mudança na estrutura do mercado de trabalho”, diz.

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Doutor em sociologia e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Rafael Osório não concorda com os temores de Rudá Ricci. E descarta a tese de riscos à sustentabilidade da classe C. “Vamos crescer com distribuição de renda. As novas gerações estão chegando mais educadas ao mercado de trabalho. No Brasil, o prêmio do diploma está menor, a competição está menor, há aumento da renda domiciliar per capita, queda na desigualdade e não há nada que indique que não vamos continuar assim nos próximos dez anos. Estamos consolidando o estado de bem-estar social. É o capitalismo meritocrático”, diz Rafael Osório.

Nesse capitalismo nada selvagem, pesquisa da Fecomercio-SP mostra que as perspectivas são de que o consumo da nova classe média nos próximos dez anos se tornará cada vez mais sofisticado. O assessor econômico da Federação Fábio Pina alerta, contudo, para a necessidade da qualificação da mão de obra, para inovações tecnológicas e investimentos em capacitação e modernização do setor produtivo para evitar um crescimento com inflação. “Até 2020, os principais responsáveis pela lucratividade das empresas serão os consumidores das classes C, D e E”, diz.

A operadora de telefonia móvel TIM já percebeu isso. Após atacar de forma agressiva esses segmentos no mercado de celulares, a companhia quer agora conquistá-los em um dos setores que prometem explodir nos próximos anos: o acesso à internet. A ideia da companhia italiana é fazer com que os usuários que frequentam as mais de 100 milk lan houses no Brasil as troquem por seus serviços. Um cliente de lan house paga, na média, R$ 2 para navegar meia hora ou uma hora e vai várias vezes por semana. Seu gasto mensal é de R$ 30. Nosso desafio será lançar aparelhos compatíveis com a renda desse pessoal, parcelados em 12 vezes”, diz Lorenzo Lindner, diretor nacional de vendas da operadora italiana.

Além de preço, Linder aposta nesse sentimento de bem-estar que toma conta de uma parcela da população acostumada a viver espremida entre o salário curto e os meses longos. Pesquisa da Gallup World Poll, em 132 países, mostra que os brasileiros acreditam que estarão mais felizes daqui a cinco anos. Ao responder à pergunta “Dê uma nota de 0 a 10: onde você espera estar daqui a cinco anos?”, a média brasileira foi de 8,78, a maior entre todos os países pesquisados.

O novo alvo do marketing

O público de baixa renda vira coqueluche nas campanhas e nos lançamentos de produtos no País e um encontro de executivos em São Paulo propõe alternativas para conquistá-lo

Isto É Dinheiro - 20/08/2010

Empresários de vários setores escalaram um novo alvo prioritário para incrementar seus negócios. Eles estão seriamente preocupados em entender e em atender a avalanche de consumidores situados nas classes de renda C, D e E – que ganham até R$ 5 mil mensais – hoje responsáveis por mais da metade das compras de bens e produtos no País.

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Klein, da Casas Bahia: "É um cliente com baixíssimo índice de inadimplência
porque a reputação é seu maior patrimônio"

O esforço para identificar as preferências desse público e assim fidelizar suas marcas junto a ele tem levado os empreendedores a rever conceitos de marketing e a focar seus lançamentos nesse universo.

Michel Klein, presidente da Casas Bahia, o maior grupo varejista da América Latina, com mais de mil lojas e faturamento na casa dos R$ 18 bilhões, tem uma receita e uma dica a dar para seduzir a safra em crescimento dos compradores de baixa renda.

A receita: viabilizar, através de linhas de crédito facilitadas, a realização do sonho dessas pessoas. “É um consumidor que vê o produto como um troféu a ser conquistado. Se o ajudamos nisso, ele volta.” A dica: “O maior patrimônio desse comprador é a reputação.

Ele paga em dia porque prima pela liquidez”, diz Klein. Casas Bahia contabiliza uma taxa de inadimplência de menos de 8% nos pagamentos dessa clientela. E obtém grandes resultados atendendo a ela. Vende anualmente 4,5 milhões de mercadorias linha branca, 4,7 milhões de celulares, 1,6 milhão de televisores e 2,2 milhões de aparelhos de som.

O que a experiência da rede tem a mostrar? Que é bom olhar com muita atenção para o apetite insaciável de quem, até bem pouco tempo atrás, vivia praticamente alijado do mercado consumidor. O próprio Klein assinala: o poder de fogo da camada social emergente é maior do que se imagina.
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Atingir de maneira eficaz os anseios desse público requer, em muitos casos, uma mudança de postura empresarial e uma reviravolta no planejamento, elaboração e comercialização dos produtos. A conclusão foi costurada durante o Fórum de Marketing Empresarial, um megaencontro que já em sua primeira edição conseguiu reunir quase 200 executivos durante um final de semana de debates no Guarujá, litoral paulista.

Lá eles trocaram experiências e ouviram sugestões de como agir diante do novo cenário que se apresenta. Organizado pelo LIDE de João Doria Jr. em parceria com os consultores Armando Ferrentini e Adonis Alonso, o Fórum apontou o uso da ferramenta do marketing como uma grande arma nessa caçada.

“O marketing é estratégico para alcançar novos públicos e para fidelizar bons clientes”, afirma Doria. Especificamente no caso da classe “C” está se falando em um alvo de quase 80 milhões de brasileiros, 25 milhões dos quais recém-guindados a essa condição econômica, e que hoje pode ser entendida como a verdadeira classe média do País.

Concentrando mais de 50% da renda nacional, é um universo formado por gente que está viajando pela primeira vez ao Exterior, comprando o primeiro carro ou finalmente realizando o desejo, antes inalcançável, de adquirir a casa própria.


Dados de uma pesquisa recém-divulgada comprovam: ao menos 22 milhões de famílias brasileiras estão envolvidas atualmente com a reforma ou aquisição de seu imóvel. Isso equivale a quase 100 milhões de brasileiros – movimentando da compra de tijolos a móveis e utensílios domésticos.

O consultor norte-americano Stuart Hart, trazido ao Fórum pela multinacional Accenture, elaborou um detalhado trabalho sobre o rearranjo de forças na pirâmide social brasileira. Hart identificou que a pirâmide está se achatando, tornando-se mais homogênea no poder de compra. Uma avaliação comprovada em números.

A classe C, por exemplo já apresenta uma renda superior à das classes A e B juntas. E é na base da pirâmide que os programas sociais, como o “Bolsa Família”, incorporaram à economia até mesmo o pessoal de baixo poder aquisitivo.

Para Hart, nessa base está situado um excelente laboratório de incubação e desenvolvimento de mercadorias campeãs de audiência – aliando a receita de baixo custo com qualidade e ótimo valor agregado.
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“A ideia de pegar produtos já existentes, voltados para o público A, e jogá-los de paraquedas nas comunidades mais pobres é um equívoco.” A fórmula que ele propõe: o compartilhamento com esses consumidores da evolução da criação dos novos produtos, a partir da interpretação de suas necessidades. “Não se pode entregar uma alternativa pronta e acabada e ponto”.

A montadora Fiat, que lidera o mercado nacional de veículos e é pioneira no lançamento dos populares, seguiu à risca. Usou a estratégia para inovar um dos seus campeões de procura, o modelo Uno, que já vendeu por aqui mais de 2,7 milhões de unidades.

O que fez a Fiat: escutou o consumidor sobre o que ele queria ver modificado no automóvel. Promoveu uma inédita iniciativa de recolhimento de propostas, se aproximou do cliente, levantando suas opiniões diretamente, abriu a plataforma de estudos e conseguiu o objetivo da renovação. Produziu o novo Uno – um carro cujo preço gira em torno de R$ 30 mil – mantendo seu DNA, mas incorporando jovialidade e modernidade ao modelo.

“As sugestões se transformaram em retratos falados perfeitos para nosso pessoal de design”, diz o presidente da Fiat, Cledorvino Belini. Para ele, o consumidor nacional, em meio à evolução da capacidade de compra, ficou mais informado, mais exigente, mais competente, mais protegido e, por tudo isso, mais infiel. Em outras palavras: se uma determinada empresa não tiver aquilo que ele está buscando, rapidamente esse consumidor segue em busca de outra que possa atendê-lo.

Não corresponder às expectativas de sua majestade, o comprador, é fatal! Ivan Zurita, presidente brasileiro da gigante Nestlé – que, entre marcas nacionais, regionais e internacionais, detém ao menos 79 famílias de produtos em vários segmentos da cadeia alimentar –, concorda.

E sugere um bom caminho para as empresas que querem se posicionar bem nesse ambiente altamente competitivo. Diz Zurita: as companhias têm que acelerar a velocidade de suas decisões, mostrar dinamismo na adaptação de seus produtos sem que isso signifique a perda da identidade.

“Têm que customizar, aprender a atender o consumidor local com o que ele quer”, diz Hector Nuñez, que lidera outro portento do comércio, o grupo americano Walmart, maior cadeia varejista do mundo. Nuñez, para ilustrar a saga dessa descoberta no mercado brasileiro, contou aos executivos de marketing do Fórum que o Walmart, assim que desembarcou por aqui, tinha lojas com teto reforçado contra neve e vendia tacos de golfe como o carro-chefe de seus estoques.

Logo percebeu que não adiantava simplesmente importar o modelo de operação que fez sucesso mundo afora. Adaptou-se, reviu conceitos e incorporou mercadorias mais ao gosto dos fregueses brasileiros. Lições de adaptação como essa estão por todos os lados.

Os fabricantes de celulares, por exemplo, rapidamente notaram que a emergente classe C estava preferindo cada vez mais os modelos que traziam dois chips em sua estrutura. E por um motivo prosaico: eles permitem ao usuário utilizar as promoções das operadoras, mudando de uma para outra sem que isso exija a troca do celular.

Para efeito de curiosidade, vale dizer que alguns hábitos dessa turma continuam como antes. Quer ver? Consumidores de baixa renda são conservadores nos investimentos e mantêm a poupança na liderança de sua preferência. Afinal, não podem arriscar um centavo do suado dinheiro que podem gastar mais adiante.
Lula defende novo marco regulatório para as telecomunicações

Agência Brasil - 20/08/2010

Sorocaba (SP) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje (20) a criação de um novo marco regulatório para as telecomunicações. Segundo ele, este novo marco daria condições para que os brasileiros conhecessem a diversidade e a cultura de várias regiões do país.

O novo marco regulatório tem que acontecer, porque temos um marco que é do ano de 1962”, afirmou o presidente, durante discurso na cerimônia de inauguração do campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Sorocaba, a 90 quilômetros da capital.

Alguém que mora no Acre, Amazonas, em Mato Grosso do Sul tem o direito de ver o que está acontecendo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas quem mora no Rio de Janeiro e em São Paulo também tem que ver o que está acontecendo em outras regiões do país”, complementou o presidente.

Segundo Lula, a falta de informação referente a todas as regiões do país torna o Brasil menos justo, e cria a impressão de que todos têm rostos e pensamentos iguais. “Temos que dar graças a Deus a essa mistura entre índios, negros e europeus, que fez com que nós pudéssemos ter este povo lindo que temos”, disse o presidente.
"Inserção digital deve ser prioridade das pequenas empresas para a Copa 2014"

Superintendente do Sebrae, Edival Passos, classificou a chegada de um evento dessa magnitude ao Brasil como uma avalanche de oportunidades para o comércio local

Agência Sebrae de Notícias - 20/08/2010

As micro e pequenas empresas têm que habitar definitivamente a web para serem vistas pelos visitantes durante a Copa do Mundo no Brasil”. A afirmação é do idealizador e diretor do Projeto 2014 na Bahia, Marcelo Castro. Ele acredita que é fundamental que as MPEs criem sites, blogs, redes sociais e entrem no comércio eletrônico, o chamado e-commerce. “Quando as pessoas estiverem circulando pela cidade e quiserem produtos e serviços, elas vão procurar na internet. Quem não estiver inserido nesse universo, tende a sucumbir”, afirma.

Esse foi um dos temas discutidos durante o ‘Seminário Copa 2014 – Oportunidades, Desafios e Ameaças em Tempo de Copa do Mundo’, em Salvador. O evento, cujo objetivo principal é debater os impactos da Copa do Mundo no Brasil, foi realizado nesta quinta-feira (19), no auditório do Fiesta Convention Center, no bairro do Itaigara. Aproximadamente 400 pessoas compareceram ao local, entre gestores públicos e privados, sociedade civil, líderes empresariais, varejistas, atacadistas, rede hoteleira, profissionais ligados à área de tecnologia e pesquisadores.

Também presente à cerimônia de abertura, o superintendente do Sebrae Bahia, Edival Passos, classificou a chegada de um evento da magnitude da Copa do Mundo ao Brasil como uma avalanche de oportunidades para o comércio local. “As MPEs têm que se antenar e investigar as possibilidades de crescimento”, alertou. Passos disse que isso vai, ainda, abrir perspectivas para os pequenos negócios rurais. “Além de Salvador, os impactos da Copa vão chegar aos outros municípios baianos, ajudando a fomentar o empreendedorismo rural, através do programa de Agricultura Familiar desenvolvido em parceria com o governo do estado”, destacou.

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL), Antoine Tawil, o fato de a capital baiana ser uma das cidades-sedes da Copa 2014, gera grande oportunidade para as MPEs lucrarem com a exposição de produtos e serviços locais. “O turista brasileiro e estrangeira virá em busca do que é nosso, como o comércio de rua e o artesanato, por isso, desde 2009, a CDL, em parceria com o Sebrae Bahia, capacita esses profissionais através de cursos educativos”.

De acordo com o diretor da Secretaria Extraordinária para Assuntos da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 (Secopa), Ney Campello, o principal foco do seminário é fazer com que o advento da Copa seja uma “avenida de oportunidades em vários aspectos”. Ele fez questão de destacar a atenção às MPEs. “Eles precisam identificar seus nichos, seja de alimentos, bebidas, tecnologia da informação ou qualquer outro, e se capacitar”. Outro aspecto relevante que Campello levantou foi a necessidade de licenciamento de produtos com marcas baianas.

Após passar por Natal, Fortaleza, Cuiabá, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, o evento chega à Belo Horizonte no dia 26 de agosto. O Seminário Copa 2014 – Oportunidades, Desafios e Ameaças em Tempo de Copa do Mundo, é organizado pela CNDL, e tem patrocínio do Sebrae, Caixa Econômica Federal (CEF), Federação Brasileira de Bancos (Febraban), IBM, Redecard, Samsung e Bosch.
Brasil tem infraestrutura mais cara da AL

Valor - 20/08/2010

Internet: Estudo internacional mostra que número de acessos em banda larga não acompanha evolução do PIB.

O setor de telecomunicações brasileiro não está conseguindo acompanhar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) e vem perdendo espaço na comparação com países da América Latina, segundo estudo apresentado ontem pelo pesquisador Ernesto Flores-Roux, do Centro de Investigación y Docencia Económicas (Cide), do México, durante o 54º Painel Telebrasil, realizado no Guarujá (litoral de São Paulo). Segundo o pesquisador, apesar de o Brasil ter o maior PIB relativo da região, o número de acessos não evolui da mesma forma. Na prática, esse descompasso significa que o país está investindo mais caro para ter o mesmo produto que seus vizinhos.

"Na média, o Brasil está pagando 16% a mais que o resto dos países da América Latina por cada ponto de participação no mercado regional. De cada US$ 1 investido no México é necessário investir US$ 1,16 no Brasil para se ter exatamente a mesma coisa", disse Flores-Roux ao Valor, listando entre os itens a carga tributária, que onera o investimento. "Aparentemente, trata-se de um problema estrutural, o chamado custo Brasil."

Segundo a Associação Brasileira de Telecomunicações, Telebrasil , a arrecadação de tributos de telefonia fixa e móvel no segundo semestre deste ano alcançou R$ 21,3 bilhões, o equivalente a 43,2% da receita operacional líquida do setor no período, que totalizou R$ 49,2 bilhões. Só de ICMS - o imposto que mais incide na cadeia - foram pagos R$ 13,9 bilhões do montante no período entre janeiro e junho últimos.

Os serviços de telecomunicações no Brasil prestados pela iniciativa privada alcançaram 247,4 milhões de clientes em junho, incluindo telefonia fixa, celular, banda larga e TV por assinatura. Mas, calcula Flores-Roux, o país precisaria de mais de US$ 100 bilhões em investimentos nas telecomunicações para eliminar a brecha existente em relação aos países desenvolvidos e atingir um índice de densidade maior do que 70% da banda larga. Hoje, a penetração da banda larga na população é de aproximadamente 7%.

"Não pode ser nada muito diferente disso, ao contrário, será impossível o Brasil competir. Da mesma forma que na educação e infraestrutura, precisa existir investimento em telecomunicações mais ou menos equivalente ao dos países desenvolvidos", disse o pesquisador.

Ainda segundo o levantamento, diminuições marginais nos preços praticados na banda larga móvel podem redundar em bilhões de dólares no PIB, por meio de aumento na demanda. "A redução de 1% nos preços teria um impacto acumulado de US$ 4,9 bilhões e aumentaria em aproximadamente 0,6 ponto percentual a penetração no mesmo período", calcula Flores-Roux.

O pesquisador trabalhou na McKinsey e em parte da década de 90 morou no Brasil, onde atuou, pela empresa, no Ministério das Comunicações no desenvolvimento do projeto de privatização das telecomunicações. Defensor da desregulamentação do setor, Flores-Roux opina que o ambiente regulatório no Brasil precisa de regras "muito claras, que não mudem o tempo todo."

O secretário-executivo da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Luiz Alfredo Salomão, admitiu, durante o evento, a necessidade de se reduzir a carga tributária. Para ele, está claro que "taxar o investimento no setor é refrear o investimento no País", mas explicou que não se "trata de algo trivial", pois é difícil mudar isso.

Salomão apresentou as metas do plano Brasil 2022, que está sendo concebido como um receituário de medidas necessárias à luz do crescimento econômico a uma taxa de 7%. No que tange as telecomunicações, reafirmou a meta de elevar para 80% a penetração da banda larga nos domicílios com velocidade de 100 Mbps, chegando a 60 milhões de lares. O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), de curto prazo, projeta atingir 40 milhões de residências brasileiras até 2014, com velocidade de 512 kbps. Mesmo a meta para 2022 sendo considerada por muitos como ambiciosa, Salomão a considera factível.

"O PNBL é um plano de curto prazo, mas não é a tecnologia do futuro. Para o Brasil crescer a 7% ao ano, ser democrático, menos desequilibrado do que é hoje, não pode a Amazônia ter acesso a 50 kbps, isso é o que tem lá, quando tem", destacou Salomão. "Nós precisamos aumentar e baratear os acessos. Para isso, a Telebrás está sendo acionada, porque as discussões com a iniciativa privada não conduziram a uma solução factível."
Neutralidade da rede da Telebrás favorece canal de retorno da TV Digital

TV Convergência - 20/08/2010

Para o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, a rede nacional de banda larga permitirá fazer o canal de retorno da TV Digital, tão logo a indústria se mobilize para resolver problemas como, a fabricação de equipamentos para acesso da população ao SBTVD-T e a interatividade.

Segundo ele, a Telebrás também irá contribuir para a solução de um grande impasse que ocorre no setor, que é a questão da neutralidade da rede. Santanna aproveitou para criticar o setor privado sobre essa questão.

Assista a esse trecho do debate sobre o Plano Nacional de Banda Larga no III Congresso Internacional de Software Livre (Consegi 2010), produzido pela CDTV do portal Convergência Digital.


Forum do PNBL definirá parcerias com redes estaduais

TV Convergência - 20/08/2010

Durante o debate sobre Plano Nacional de Banda Larga no III Congresso Internacional de Software Livre e Governo Eletrônico (Consgi 2010), o Coordenador do Comitê de Inclusão Digital, Nelson Fujimoto, explicou ao representante da empresa estatal de rede da Bahia, os acordos que deverão ser fechados no Forum do PNBL com as redes estaduais de banda larga.

Assista a esse trecho do debate na CDTV do portal Convergência Digital

Tributação na banda larga será revista no próximo Fórum do PNBL

TV Convergência - 20/08/2010

O representante da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia quis saber do governo sobre qual a estratégia para reduzir a carga tributária incidente nos serviços de telecomunicações, em função do Plano Nacional de Banda Larga, durante debate sobre PNBL no III Congresso Internaciopnal de Software Livre e Governo Eletrônico (Consegi 2010), promovido pelo Serpro.

O Coordenador do Comitê Gestor de Inclusão Digital, Nelson Fujimoto, disse que essa questão da tributação do serviço, além da desoneração de equipamentos voltados para a banda larga, será um dos principais temas das reuniões do Fórum criado para debater o PNBL, que começa no próximo dia 24.

Fujimoto, entretanto, lembrou que já existe um acordo no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), para isenção de ICMS no acesso à Internet popular. representante do Confaz, inclusive, estará presente na reunião deste Fórum.

Porém explicou no debate - que foi realizado durante o III Congresso Internacional de Software Livre e Governo Eletrônico, promovido pelo Serpro - que o acordo do Confaz ainda não saiu do papel, apesar de pelo menos cinco Estados terem tentado implementá-lo.

O problema foi o fato de que o acordo foi fechado em cima de um modelo de prestação de serviços que envolvia o ADSL, que garante o acesso à Internet por meio da rede de telefonia fixa. Quando, por exemplo, o Estado de São Paulo foi oferecer seu programa de banda larga, conjuntamente com a Telefônica, acabou impedido de fazer a 'venda casada' (serviço de telefonia, mais o acesso à Internet).

Para Fujimoto isso é um reflexo "do modelo anacrônico" que se criou com a privatização do setor e tem sido o principal fator para explicar o porquê da banda larga (fixa) não ter crescido a taxas satisfatórias no país, enquanto que a banda larga móvel, que não tem essa restrição, teve um crescimento vertiginoso.

Rogério Santanna (Telebrás) também participou dessa discussão e criticou as empresas de telefonia. Segundo ele, o acordo do ICMS também não estaria vingando nos Estados, porque as empresas não têm interesse de perder a sua atual base de assinates de banda larga, que pagam mais caro, já que não há a desoneração do ICMS.

Assista a esse trecho do debate na CDTV do portal Convergência Digital na cobertura do Consegi 2010.


Norte do país será o grande desafio tecnológico do PNBL

Luiz Queiroz - Convergência Digital - 20/08/2010

Ao responder pergunta formulada pelo representante do Instituto Nokia - que quis saber do governo quais as ações destinadas ao Estado do Amazonas pelo Plano Nacional de Banda Larga - o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, disse que a região Norte será o grande desafio tecnológico do PNBL.

Ele explicou que, além da construção de parte de uma rede de fibras ópticas, outra alternativa será o reordenamento das antenas do GESAC ( programa Governo Eletrônico, Serviço de Atendimento ao Cidadão). Mesmo assim, lembrou que, pelas características da região, isso exigirá um grande esforço em inovação, para a criação de antenas que resistam a floresta amazônica.

De acordo com Santanna, na medida que a rede de fibras ópticas comece a atender outras regiões do país, inclusive a regição Nordeste, isso permitirá que as antenas do GESAC possam ser realocadas nas áreas mais carentes de acesso à Internet no Norte do país.

Rogério Santanna falou do problema durante o III Congresso Internacional de Software Livre e Governo Eletrônico, promovido pelo Serpro.

Assista o debate na CDTV do portal Convergência Digital.



Cisco começará a fabricar produtos no Brasil em janeiro

Brasil Econômico - 19/08/2010

A Cisco, maior fornecedora mundial de equipamentos para redes de internet, vai começar a trocar a importação de produtos para o Brasil pela fabricação local a partir de janeiro do ano que vem.

A empresa, cuja receita mundial foi de US$ 40 bilhões no último ano fiscal, replicará no país a estratégia mundial de terceirização da produção, que ficará a cargo da Jabil em Manaus, de capital americano e especializada em equipamentos eletrônicos.

A HP e Philips também estão na lista de clientes da fabricante.

O primeiro cliente da nova parceria será a Net, provedora de serviços de TV por assinatura. A Cisco será responsável pelos decodificadores digitais da operadora, que são os equipamentos responsáveis pela distribuição de vídeos de alta resolução.

O contrato com a Net foi fechado e prevê a entrega de 300 mil aparelhos ao longo de três anos. A Net foi procurada, mas até o fechamento desta edição, não se pronunciou sobre o negócio.

Primeiro passo

Angel Mendez, vice-presidente sênior da área de manufatura da Cisco, afirma que pretende expandir a produção local para além do contrato com a Net e que o crescimento pode se dar por meio de outros parceiros mundiais, como a Flextronics.

"A venda de decodificadores da Net serviu como pontapé para a primeira operação", diz.

O executivo diz que a iniciativa de produzir aqui já estava nos planos da empresa, mas que o projeto ficou para o ano que vem porque, até lá, o país estará em um melhor momento em termos de infraestrutura.

Mendez acrescenta que o aquecimento da economia foi determinante para decisão. Além disso, outros fatores devem impulsionar o mercado em que a Cisco atua, como os eventos esportivos de 2014 e 2016 e o Plano Nacional de Banda Larga, que terá as primeiras licitações em setembro, por meio da Telebrás.

Neste caso, inclusive, o governo federal avisou que dará preferência a fornecedores que tenham unidades fabris no país.

Mendez diz que a companhia estudará, durante os próximos meses, a possibilidade de produzir localmente também aparelhos como telefones com tecnologia VoIP (que trafega voz pela internet), switches (dispositivos usados em redes de computadores) e a câmera portátil de alta resolução Flip, muito popular nos Estados Unidos.

"Os decodificadores são apenas o primeiro passo. A expansão dos produtos fabricados aqui será um processo natural", diz Rodrigo Abreu, presidente da Cisco no Brasil.

Sem revelar números, o executivo afirma que o país figura entre as prioridades mundiais da corporação, sendo um dos cinco mercados que mais crescem mundialmente para a empresa.

Contrato com a Net

O decodificador da Net possui um modem de banda larga integrado e será utilizado para serviços que incluem a compra de vídeo sob demanda, guias eletrônicos de programação e jogos interativos.

O equipamento também terá entrada USB para outros conteúdos, como músicas e fotos dos usuários, poderem ser acessados pela televisão. E há melhorias previstas para o aparelho, que incluem capacidade de gravação de vídeo em formato digital.

Segundo a Cisco, o equipamento estará disponível aos assinantes da Net no primeiro trimestre do ano que vem.

Pelo último balanço da operadora, referente ao segundo trimestre, a base de assinantes de TV paga totalizou 3,8 milhões de usuários, número 12% superior ao mesmo período do ano passado.

A empresa afirmou que, como resultado da estratégia iniciada no final do ano passado, tem conseguido bons resultados na comercialização de pacotes com canais em alta definição, o foco dos produtos da Cisco.
Telebrás pode ultrassar 1 Mbps no início das operações do PNBL

TV Convergência - 20/08/2010

Ao debater com os participantes do III Congresso Internacional de Software Livre e Governo Eletrônico (Consegi 2010), promovido pelo Serpro, sobre o Plano Nacional de Banda Larga, o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, disse que a velocidade de 512 Kbps anunciada pelo PNBL não foi fixada como meta.

Segundo ele, trata-se apenas de uma avaliação sugerida na discussão do plano e não necessariamente uma meta. Porém, lembrou que ela já seria o dobro daquilo que o mercado oferece."O que hoje você está lendo com o 512 kbps, nós vamos provavemente estar falando de 1Mbps ou mais", destacou o presidente da Telebrás.

Seguno ele, a partir da estruturação da nova rede de banda larga, o Comitê Gestor de Inclusão Digital poderá, se achar que a rede suporta maior velocidade, já de início ofertar a velocidade de 1 Mbps. Santanna destacou que, mesmo assim, existe a possibilidade dessa velocidade acabar alcançando até 2Mbps, razão pela qual essa questão não foi tratada como uma meta de atendimento dentro do PNBL.

Santanna acredita que o usuário não irá reclamar se receber inicialmente 512 kbps na banda larga, se ela efetivamente estiver próxima desse patamar de velocidade. Segundo ele, não adianta oferecer "um mega, quando na realidade a velocidade efetiva de download não ultrapassa a 10 kbps".

Explicou que essa análise sobre a futura velicidade da rede, de uma forma mais detalhada, somente poderá ser feita quando a Telebrás começar a atender as 100 primeiras cidades. Estudos serão feitos em cima do comportamento da rede o que permitirá à estatal prever com maior confiabilidade qual a velocidade ideal e, bem acima do mercado, que poderá atender aos usuários.

Santanna lembrou também que o PNBL terá a oportunidade de já montar uma rede IP, uma vez que 90% das fibras da rede estão apagadas. Portanto, não se trata de aumentar custos para melhorar a capacidade dela, deixando de lado antigas tecnologias adotadas em outras redes do governo.

Por sua vez, o Coordenador do Comitê Gestor de Inclusão Digital, Nelson Fujimoto, destacou que a velocidade sugerida de 512 kbps no PNBL levou em conta a renda da população, que não suportaria pagar um preço mais caro pelo acesso à Internet em banda larga.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Telebrás é contraponto às "três irmãs", diz Cezar Alvarez

Teletime - 19/08/2010

O coordenador do comitê de inclusão digital da Presidência da República, Cezar Alvarez, esteve nesta quinta, 19, no Painel Telebrasil, para defender o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Ele reiterou as críticas que o governo já fez em outras ocasiões à cobertura, preço e velocidade dos serviços banda larga no Brasil. "Hoje, 92% da população brasileira tem zero kbps de acesso", disse. Segundo Alvarez, uma das medidas para aumentar a oferta é a liberação de radiofrequências. Mencionou especificamente a licitação da banda H, afirmando que haverá regras de cobertura em troca de preços mínimos menores e indicou um novo condicionante que pode surgir: "por que não (estabelecer) também limites de preços aos serviços?", perguntou. Ele citou ainda a licitação de 3,5 GHz, que terá o espectro partilhado para permitir a entrada de grandes e pequenos grupos, e a faixa de 450 MHz, onde ainda há problemas de limpeza da faixa.

Alvarez também criticou os preços cobrados pelas empresas. "Não podemos ter um preço de entrada maior do que de outros países. A banda larga é cara, e a carga tributária é citada como o maior, talvez único, fator. Mas o Confaz tirou o ICMS de serviços de até R$ 30, mas não há registro de oferta significativa. É preciso que se dê uma explicação sobre isso. O governo está disposto a abrir mão de receitas, sobretudo setoriais, inclusive Fust. Em troca queremos uma oferta de banda larga a R$ 15 sem venda casada, para conseguirmos chegar a 80% da população. Se ninguém quiser, fica impossível"

Telebrás vs. "três irmãs"


Alvarez ainda acrescentou um argumento novo para defender o papel da Telebrás no mercado de telecom e no Plano Nacional de Banda Larga. "Outra questão são as fusões e aquisições. O que podemos esperar disso? Não precisamos das chamadas três irmãs. Se as empresas quiserem se concolidar para entrar em outras áreas, está ótimo. Mas nesse cenário, a Telebrás vem com o papel de segurança nacional. Não somos inimigos da iniciativa privada, mas não podemos ficar reféns".

Alvarez ressaltou também que a Telebrás ajudará a Anatel no trabalho de entender os modelos econômicos do setor. "A Anatel não pode ficar sem informações, e a Telebrás pode e servirá como parâmetro para a definição de preços. A existência da Telebrás facilitará a expansão das redes de fibra em obras de infraestrutura. A Telebrás institui um processo de desverticalização menos invasivo, estabelecendo concorrência, na mesma lógica da separação estrutural, mas sem intervir nas empresas".

Segundo Alvarez, a Telebrás não desobedecerá as regras, e será uma operadora como outra qualquer. "Não fará subsidiária, não faremos acesso, a não ser que não haja alternativa", disse o representante do governo. Segundo Alvarez, a Telebrás proverá a Internet do governo por uma questão de segurança e confiabilidade, e será o braço executor de políticas para universidades e pontos de interessde público. "E o que mais queremos é trabalhar como provedor de redes de transporte, chegando a 4,2 mil municípios em 2014 e 2015", disse. "Só faremos acesso onde não houver acesso adequado. E o significado de adequado será informado pelo comitê e pela própria sociedade". Alvarez pediu ainda aos executivos de telecomunicações que "assumam algumas responsabilidades, não joguem tudo para cima do governo".
Planalto sinaliza que backhaul será tarifado; capacidade será ofertada de acordo com a demanda

Teletime - 19/08/2010

O Plano Geral de Metas de Universalização que valerá para as concessionárias de telefonia a partir de 2011 (PGMU 3) terá duas novidades em relação ao que foi colocado em consulta pública no ano passado que terão forte impacto setorial. A primeira é a tarifação do backhaul, medida que já estava sendo antecipada e esperada pelas concessionárias, mas que abre a porta para uma regulação como serviço público da infraestrutura de banda larga. Segundo apurou este noticiário, o valor de referência por Mbps deve ser próximo ao que a Telebrás pretende praticar, ou seja, algo em torno de R$ 250, contra um preço médio de R$ 800.

Outra medida que deverá estar no PGMU 3 é a previsão de oferta de backhaul sob demanda. Ou seja, em lugar de apenas estabelecer capacidades mínimas de atendimento para os municípios, a Anatel exigirá que toda a demanda seja atendida dentro de um prazo determinado e na tarifa estabelecida.

Ao que tudo indica, as medidas contam com respaldo do Palácio do Planalto, que é quem publicará o Decreto com o PGMU 3 e os novos contratos de concessão. Cézar Alvarez, coordenador do comitê de inclusão digital do governo, apontou estas medidas durante sua apresentação no Painel Telebrasil, realizado nesta quinta, 19, no Guarujá/SP. " É fundamental assegurar que haja redes de transporte no Brasil para garantir cobertura da banda larga. Vamos avançar nas metas de backhaul do PGMU 3, e usaremos a infraestrutura do governo para regular o mercado. O problema é que ainda que não definimos as regras de disponibilização desse backhaul e nas condições de uso. É preciso adequar a capacidade à demanda nos próximos cinco anos. Esse backhaul vai ser fixado sob demanda. E o backhaul terá preço regulado, tarifado. Portanto, não calculem mal seus VPLs", disse Alvarez. Segundo apurou este noticiário, o novo PGMU, por ser substancialmente diferente do que foi colocado em consulta no ano passado, será novamente colocado em consulta pública. A sinalização da presidência em relação às condições de tarifação e acesso ao backhaul, contudo, mostram que há uma decisão política sobre o tema.

Na verdade, tudo indica que a posição política do governo sobre a questão da banda larga vai além do backhaul. Há uma percepção de que a banda larga deve ser peça central no processo regulatório. "Temos que enfrentar temas tabus. Será que serviço telefônico é apenas o de voz? STFC mais atualidade é igual a banda larga", disse Alvarez. "A banda larga será apenas um puxadinho sobre um serviços de voz ou trataremos a voz como um serviço sobre a banda larga? O VoIP terá um plano de numeração? A convergência é que vai pagar a banda larga. O que devemos fazer para chegar lá?", provocou o representante do governo.

Nessa linha, a Anatel está trabalhando em uma série de documentos que acompanharão os novos contratos de concessão, inclusive a revisão do regulamento do STFC, já antecipada por este noticiário. Neste caso, a proposta da área técnica é alterar o chamado processo de telefonia, que estabelece 64 kbps como a capacidade de transmissão padrão para o serviço de STFC, padrão esse que deve ser derrubado.

Outro documento que já chegou ao conselho diretor é o regulamento de bens reversíveis, com outra importante mudança. A Anatel tende a amenizar uma série de componentes "patrimonialistas" da regulamentação atual e assegurar mais flexibilidade às empresas na gestão dos bens.
Carta do Guarujá 2010: Setor não reconhece 'puxão de orelha' e prepara metas para levar aos presidenciáveis

Convergência Digital :: 19/08/2010

O presidente da Telebrasil, Antonio Carlos Valente, não admitiu que o coordenador da Inclusão Digital do Governo Lula, Cezar Alvarez, tenha chamado a atenção do setor, ao cobrar a elaboração de metas para serem cumpridas pelas próprias empresas do setor.

E na carta do Guarujá 2010, divulgada ao final do 54º Painel Telebrasil, evento que reuniu os principais líderes do setor, no litoral paulista, nesta quinta-feira, 19, as reformas Trabalhistas - leia-se a terceirização - e a tributária mereceram atenção especial. Documento, com metas mais detalhadas técnicamente, será levado aos candidatos à presidência da República, aos governos do Estado e aos comandos dos partidos políticos.

Indagado se a carta do Guarujá 2010 teria sido elaborada por meio de consenso - uma vez que a TIM Brasil queria ver no texto a questão da interconexão, uma meta também pedida por Cezar Alvarez - Valente garantiu que sim. "Se há problemas internos, nós resolvemos internamente. A redação da carta foi consensual", detalhou.

A questão da reforma trabalhista foi a novidade do processo, uma vez que no 54º Painel Telebrasil, o assunto não entrou em pauta nos debates. Para Valente, a terceirização é, sim, um momento de apreensão para o setor, uma vez que mexe com setores relevantes como o de call center e o das construções de rede. "Existe um projeto sendo trabalhado e queremos dar nossa contribuição porque esse tema é bastante importante para os negócios", observou.

A ausência dos presidenciáveis ou de seus representantes do evento também não foi considerada como uma 'falta de interesse' deles com o segmento. "O momento é de campanha eleitoral e eles não compareceram em outros encontros setoriais". O Convergência Digital disponibiliza a íntegra da Carta do Guarujá 2010.

O BRASIL QUE QUEREMOS – 2011/2014

Crescimento com estabilidade

A Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), legítima representante do Setor de Telecomunicações no País, tem contribuído de forma decisiva para os avanços e conquistas alcançados pela sociedade brasileira ao longo da última década.

A atuação do setor privado eliminou a crônica carência de serviços de telecomunicações, ampliou a cobertura geográfica, elevou a qualidade para padrões internacionais, alcançando a modernidade e, com orgulho, colocou a infraestrutura brasileira do setor entre as maiores redes de serviços do mundo. São mais de 247 milhões de acessos conectados, com presença em todas as localidades com pelo menos 100 habitantes.

Por minuto, estão sendo conectados cinco novos usuários de TV por assinatura, mais de 25 novos acessos de banda larga, mais de 180 acessos móveis e mais de 220 clientes de todos os serviços, em todas as partes do Brasil. Em abril de 2010, todos os municípios brasileiros passaram a oferecer serviços móveis. Até o final deste ano, todos os 5.565 municípios do Brasil terão acesso a redes de banda larga fixa.

Para tanto, foram realizados investimentos de mais de R$ 180 bilhões, todos efetuados sem os aportes públicos previstos na legislação setorial e apesar de uma das maiores cargas tributárias em telecomunicações do mundo. Uma grande conquista, considerando as dimensões e complexidades de nosso País. É preciso, antes de tudo, manter esse fluxo de investimentos.
Mas ainda há muito por fazer.

Um novo ciclo se avizinha. Novos governantes, novas ideias, novas metas. Quaisquer que sejam, os novos governantes encontrarão um país mais justo, mais igual, mais exigente, embora com carências crescentes de infraestrutura para atender o imenso contingente populacional que ainda tem educação e renda insuficientes.
Acreditamos que é importante apresentar propostas, contribuições cidadãs de um setor que representa mais de 6% do PIB e tem legítimos anseios.

Contribuições específicas que, apesar de suas complexidades técnicas inevitáveis, manterão e acelerarão a competitividade do País. Dessa forma, entendemos que:

1 É fundamental que haja disposição para contribuir, para construir, para somar, para crescer. O setor de telecomunicações está comprometido com o Brasil e com sua inserção soberana no mundo moderno e competitivo.

2)É fundamental o compromisso com a implementação das reformas estruturais de que o País necessita. Reconhecemos que reformas, como a Reforma Política e a Reforma Previdenciária, são fundamentais. Para o setor, as reformas Trabalhista e Tributária, além de fundamentais, são inadiáveis.

3)É fundamental o compromisso com a estabilidade do marco legal e regulatório. Ainda que tenhamos tido momentos de alguma apreensão e de decepção, é inegável que o ambiente de negócios no Brasil se constituiu em fator crítico para os êxitos obtidos. O Brasil se tornou, de forma geral, um país estável, previsível e, por consequência, confiável. É necessário preservar esse tipo de ambiente com a atualização do quadro regulatório de forma coerente com a dimensão e importância que o setor tem na economia e na sociedade brasileira de hoje. A convergência tecnológica, que trará mais modernização, deve se desenvolver nesse contexto.

4)É fundamental o compromisso com um setor público profissional, com práticas transparentes e com reconhecimento e valorização do servidor público. Ministérios bem equipados e agências reguladoras fortes e independentes são a garantia de formulação de políticas públicas adequadas, bem como da sua correta implementação pelos investidores privados.

5)É fundamental o compromisso com a modernidade, com o incentivo ao investimento privado, a inovação e a competitividade. O Congresso Nacional deve ser o indutor e guardião desses compromissos. A convergência de redes e serviços, base da evolução do setor, não pode mais esperar. As leis e regulamentos que a transformarão em realidade têm de ter sua aprovação acelerada, fomentando os investimentos decorrentes e tornando palpáveis suas consequências.

6)É fundamental o compromisso com metas de crescimento agressivas. O setor desde já se compromete a contribuir para sua formulação e, mais importante, a alcançá-las. Essas metas se tornarão realidade com novas licenças, novas faixas de frequência, desoneração tributária na cadeia produtiva e na oferta de serviços, financiamento específico e adequado para o investimento em áreas de baixo IDH e, obviamente, a aplicação dos fundos setoriais legalmente constituídos para a oferta de serviços em regiões carentes ou de fronteira.

A Telebrasil se aproxima dos 37 anos de vida. Nesse período, foram muitos os governantes que com seu trabalho e dedicação contribuíram para termos o Brasil que agora nos honra. Sempre contaram com nosso inquestionável apoio. Os próximos não serão exceção.

Nós, Telebrasil, Sinditelebrasil e Febratel, nos colocamos na dianteira deste novo ciclo. Nossa missão é e será sempre a de incluir pessoas pela tecnologia.

Contem conosco.

Guarujá, 19 de agosto de 2010
Mazoni: Banda larga deve ser tratada como a alfabetização no Brasil

Convergência Dital - Luiz Queiroz - 19/08/2010


O presidente do Serpro, Marcos Mazoni, defendeu o Plano Nacional de Banda Larga, como a única alternatica capaz de gerar o desenvolvimento do país. " Se deixarmos isso ao bel prazer da iniciativa privada, isso nunca irá ocorrer", afirmou durante debate sobre o Plano Nacional de Banda Larga no III Congresso Internacional de Software Livre (Consegi 2010).

Para ele, a nova rede nacional de banda larga a ser criada pelo governo deve ser encarada da mesma forma que, lá atrás, outros governos trataram a alfabetização no Brasil. Como um dever do Estado. "Se a alfabetização do país tivesse ficado apenas para quem pode pagar ainda teria um imenso contingente de analfabetos", destacou o presidente do Serpro.

O executivo aproveitou para criticar a privatização da Telebrás e os serviços prestados pelas empresas de telefonia. E afirmou que a empresa necessitará da rede estatal de banda larga para continuar prestando serviços em todo o país. Mazoni lembrou as dificuldades do Serpro em dispor de rede para operar na região Norte, aonde até a falta eletricidade para os computadores ainda é uma realidade.

"Temos um insumo extremamente caro e importante na qualificação dos nossos serviços", disse ele, lembrando as dificuldades, por exemplo, na prestação de serviços à Receita federal.

Assista o debate na CDTV do portal Convergência Digital.



Anatel defende regulamentação da neutralidade de rede

Folha de São Paulo - 19/08/2010

A conselheira da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) Emília Ribeiro defendeu no congresso da ANJ a urgência da regulamentação do princípio da neutralidade de rede, que garante que o usuário da internet tenha liberdade de acesso a qualquer conteúdo.

Ribeiro disse que tratará do tema no novo Regulamento de Serviço de Comunicação Multimídia, do qual é relatora e que deve entrar em consulta pública antes do fim do ano. O princípio também é mencionado no Marco Civil da Internet, legislação posta em discussão pelo Ministério da Justiça e que deve ser encaminhada ao Congresso em outubro.

Segundo a conselheira, a neutralidade é um tema candente no mundo inteiro por causa da convergência de mídias, que faz com que companhias que provêm acesso à internet sejam também fornecedoras de conteúdo. No Brasil, este é o caso, por exemplo, da Telefônica e da Oi, que controlam respectivamente os portais Terra e IG.

Pelo princípio da neutralidade, disse Ribeiro, "todos os pacotes de dados transmitidos utilizando o Protocolo de Internet deveriam ser tratados da mesma forma, independentemente do seu conteúdo, da sua origem ou destino, da aplicação ou dos equipamentos utilizados".

Provedores de acesso em geral não admitem que estão discriminando conteúdo: reclamam de dados "pesados" que supostamente tornariam mais lento o tráfego na rede. Alguns reivindicam que possa haver cobrança diferenciada para conteúdos que demandem mais banda larga.

O economista Cleveland Prates Teixeira, especialista da MicroAnalysis Consultoria Econômica, minimizou o argumento do "congestionamento", dizendo que ele fica resolvido quando o usuário compra pacotes de acesso de capacidade diferenciada.

Nesse aspecto, Felipe de Paula, secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, disse que o Marco Civil da Internet tratará da transparência dos contratos de acesso à rede e das garantias de proteção dos dados dos usuários.

A conselheira da Anatel disse que nas Américas apenas o Chile já tornou lei o princípio da neutralidade. A União Europeia atribuiu às agências reguladoras a competência de garantir o livre trânsito na internet de conteúdos produzidos por terceiros. Nos EUA, a FCC (Comissão Federal de Comunicações) acaba de submeter o tema à consulta pública.
Governo cobra atuação das teles em favor dos excluídos digitais

Convergência Digital :: 19/08/2010


O coordenador de programas de Inclusão Digital do Governo Lula, Cezar Alvarez, na sua participação no 54º painel Telebrasil, mais uma vez criticou o fato de a banda larga ser ofertada para poucos porque o serviço está concentrado nos grandes centros. Manteve o discurso que o serviço é caro e lento. Reclamou ainda das empresas por elas terem firmado como programa de ação, propostas para serem efetivadas pelo governo. "É tempo de o setor participar com metas para si próprio", disparou. E, num tom irônico, disse que "o terrível governo não vai usar a Telebrás para competir com o mercado". Para ele, a estatal é questão de "segurança nacional".

A participação de Cezar Alvarez encerrou a parte de debates do 54º painel Telebrasil, realizado no Guarujá, no litoral paulista, nessa quinta-feira, 19/08. E a participação dele foi firme na defesa do Plano Nacional de Banda Larga. Alvarez cobrou o fato de que 92% da população brasileira tem zero Kbps de acesso à Internet. "A banda larga é para poucos e abastados nesse país", sentenciou.

Também fez um elogio à Anatel: "ela está atuando pela liberação da TV por assinatura e desenha um edital para a faixa de 3,5 GHz que venderá grandes blocos, para grandes empresas, e pequenos blocos para pequenos provedores, para fomentar a competição. Será um modelo inédito".

Para as empresas mandou um recado: O governo está disposto a abrir mão das taxas de fiscalização e, até mesmo, da cobrança do Fundo de Universalização das Telecomunicações, mas o mercado precisa sinalizar maior boa-vontade, uma vez que o "cidadão da periferia paga o preço da ausência da competição", frisando com todas as letras que não há disputa entre as teles e conclamou, com relação às fusões recentes no mercado.

"Se houver uma real intenção desses conglomerados invadirem as áreas das rivais, o que não aconteceu até hoje, o governo endossará e apoiará". E pediu que a carta do Guarujá 2010 - que encerrará oficialmente o painel - venha com medidas para as empresas se comprometerem.

Por fim, falou mais uma vez da reativação da Telebrás. Num tom irônico, garantiu que 'o terrível governo não irá fazer nenhuma concorrência direta com a iniciativa privada'. E elencou todos os nãos relacionados às atividades da estatal. "Não vamos desobedecer as leis, não vamos criar subsidiárias - a estrutura será enxuta - e não seremos provedores de acesso. Só vamos atuar onde não houver nenhuma alternativa. A Telebrás vai operar no atacado como estímulo à competição".

Porém pôs o dedo na ferida ao observar os graves problemas com interconexão e com o unbundling - o compartilhamento da última milha - entre as operadoras, também já citados pelo diretor da TIM, Mário Girasole, numa surpreendente autocrítica. "Temos que ver o compartilhamento do backhaul, a chamada penúltima milha. Hoje não há regra no país. Não podemos mais esperar o modelo de custo da Anatel ( aqui a única critica feita a agência). A Telebrás vai fixar preços porque é necessário e atuará para integrar infraestruturas públicas no Brasil e na América Latina", completou.
PNBL: Especialistas defendem a imediata neutralidade da rede

Luiz Queiroz - Convergência Digital
- 19/08/2010

O representante do Terceiro Setor no Comitê Gestor da Internet do Brasil, Carlos Alberto Afonso não poupou críticas aos serviços prestados pelas empresas de telefonia e defendeu a neutralidade da rede.

Durante debate sobre o Plano Nacional de Banda Larga, no II Congresso Internacional de Software Livre e Governo Eletrônico, promovido pelo Serpro, Carlos Alberto disse que a neutralidade é fundamental para o país, ainda mais num contexto de uma rede nacional de banda larga.

O professor da UFRJ Geraldo Bonorino Xexéo concordou com CArlos Afonso e foi além. para ele, num ambiente de monopólio privado como o de hoje, não há como se discutir neutralidade de rede.

Asista ao debate sobre PNBL no Consegi na CDTV do portal Convergência Digital.



PNBL: Governo mantém disposição de só comprar de empresas nacionais

Luiz Queiroz - Converg~encia Digital - 19/08/2010

O governo mantém a disposição de somente permitir empresas nacionais, ou que tenham Processos Produtivo Básico (PPB) aprovado, participando de licitações para as compras de equipamentos que fará para o backbone do Plano Nacional de Banda Larga.

Porém, o assunto é controverso. Ontem ao ratificar essa disposição em debate sobre Plano Nacional de Banda Larga, no III Congresso Internacional de Software Livre e Governo Eletrônico (Consegi 2010), o Coordenador da Secretaria-Executiva do Comitê Gestor do Plano Nacional de Banda Larga, Nelson Fujimoto, não deixou claro como isso se dará com as empresas que não produzem no Brasil, mas terceirizam suas operações com empresas locais.

Além disso, uma boa notícia: Na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2011 o governo destinou mais verbas para investir em inovação na indústria local através do Funttel - Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações.

Assista a entrevista da CDTV do portal Convergência Digital com Nelson Fujimoto.



TIM quer telecom cortando custos antes de reclamar de impostos

Operadora enviou ofício à Anatel e ao Minicom propondo renegociação dos custos setoriais

Tele.Síntese - 19/08/2010

"O setor de telecom fala muito sobre tributos, mas não faz o dever de casa de reduzir os seus próprios custos setorias". Com esta mea culpa, o diretor de regulamentação da TIM, Mario Girasoli, responsabilizou as próprias operadoras por impedirem o crescimento da banda larga no Brasil. Para enfrentar a questão, o presidente da TIM Luca Luciani, enviou ontem ao presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg e ao Ministro das Comunicações, José Arthur Filardi, um ofício propondo que o governo e agência liderem as discussões para a renegociação dos custos setoriais.

Conforme o executivo, os custos de transmissão aumentaram de 250% no último ano, e eles representam pelo menos 60% dos custos de oferta no varejo da banda larga móvel."Não estamos propondo discutir os custos dos outros, mas os nossos próprios custos", afirmou Girasoli, assinalando que a TIM se dispõe a discutir o alto valor da interconexão (VU-M), uma fonte de receita importante para a empresa. "O gargalo das telecomunicações está na transmissão, rede que pertence a poucos e cujos preços estão muito altos", afirmou Girasoli, lembrando que a TIM comprou a Intelig, a empresa com o segundo maior backbone do país , mas que ainda se ressente da falta de infraestrutura de transmissão.

Para o diretor, enquanto não forem adotadas medidas efetivas para a redução dos valores da oferta de atacado da infraestrutura de telecom, não se consegue avançar com a oferta varejista de banda larga. "Os tributos não são os únicos culpados pelos preços finais", concluiu.
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Dissidente, TIM instiga setor a fazer 'dever de casa' e discutir compartilhamento de infraestrutura

Convergência Digital :: 19/08/2010

Para o diretor de Assuntos Regulatórios da operadora, Mario Girasole, uma parte do custo Brasil - que impacta o investimento no setor - poderia ser resolvido internamente pelas próprias operadoras uma vez que ele advém da falta de entendimento e do alto custo cobrado pelo detentor da rede de transmissão - leia-se concessionárias fixas - no país.

O setor lançará no 54º Painel Telebrasil a Carta do Guarujá 2010, a ser divulgada ao final do encontro, mas não há a certeza que esse tema - reivindicado pela TIM - estará em pauta. O tema compartilhamento de infraestrutura, principalmente, na parte de transmissão na rede fixa e na última milha é delicado à Telebrasil, uma vez que a Telefónica, agora, é dona da Vivo, a Embratel responde pela Claro, e a Oi pela Oi móvel, com aditivo de ser a principal dona de rede no país, e todas têm posição significativa na entidade. Não à toa, a posição da TIM foi posta à mesa.

No evento da Telebrasil, que acontece no Guarujá, no litoral paulista, e que reúne os principais líderes do setor, ocorreu a eleição do novo presidente da ACEL - Associação Nacional das Operadoras Celulares - o cargo estava vago desde a saída de Ércio Zilli para a Vivo. Oficialmente o nome do novo presidente não foi divulgado, mas o comando, pelo rodízio das empresas, ficaria com Luiz Eduardo Falco da Oi, que é o principal detentor de rede fixa no país.

"Defendo que a ACEL continue existindo porque as operadoras móveis precisam ter uma voz ativa para colocar suas reivindicações", declarou Girasole. Indagado se havia uma defesa da saída do chamado 'monobloco', que reuniria todas as associações do setor (ACEL, Abrafix e Telebrasil), o executivo da TIM foi político, mas firme. "Não tenho problemas com a associação, mas quero uma ACEL com voz ativa". Girasole não quis falar o nome do novo presidente, mas disse "demos um grande voto de confiança".

Como o tema banda larga está na pauta do Telebrasil, Girasole concordou que a questão do serviço no Brasil é de infraestrutura incapaz de suportar a demanda. "Não teremos como aumentar a oferta se não resolvermos as distorções na questão de rede no país. Aqui cada operadora tem a sua rede e não quer compartilhar. Isso impacta os custos", observou. Segundo Girasole, o custo de transmissão, hoje, representa 60% do custo de rede e reclamou.

"Na Região Norte, houve em um ano, um reajuste de 250% no custo de transmissão que nos permite levar o serviço. Onde há rede, o custo cai, mas onde há um único detentor da rede, a questão é complexa. É hora de trazermos a discussão à tona. Fala-se muito do custo tributário, mas podemos fazer nossos ajuste e dever de casa para equacionar esse problema. Imposto é problema, é sim. Mas custo alto também o é", detalhou o diretor da TIM.

O assunto é tão estratégico para a tele - que apesar de ter comprado a Intelig, ainda fica em situação desfavorável com relação às concorrentes do ponto de vista de rede e de backhaul de acesso - que o presidente da TIM Brasil, Luca Luciani, encaminhou nesta quarta-feira,, 18, uma carta à Anatel, solicitando uma posição oficial da Agência sobre os custos de interconexão de rede.

"A VU-M, tarifa de interconexão fixo-móvel, tem suas distorções e queremos resolvê-las - a TIM assume que será feita uma redução - mas o custo de transmissão também precisa ser discutido e a Anatel precisa acelerar esse debate", sustentou Girasole. Presente ao evento, o conselheiro João Rezende admitiu que o tema interconexão não está, nesse momento, na pauta de debates.

Instigado ainda se a Telebrás, nesse cenário de compartilhamento de infraestrutura, principalmente no atacado, não seria, então, uma iniciativa para ser celebrada, o diretor da TIM Brasil preferiu não polemizar, mas enfatizou. "Toda fibra disponível é um bem a ser comemorado. Nesse jogo, se eu puder comprar fibra deles para contornar o custo elevado de quem detém uma outra infraestrutura, vou comprar", completou.
SAE quer 80% dos domicílios com banda larga em 2022

A meta foi sugerida pelo representante da Secretaria de Assuntos Estratégicos, durante o Painel Telebrasil.

Tele.Síntese - 19/08/2010

Entre as metas estratégicas do Projeto Brasil 2022, Luiz Alfredo Salomão, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, destacou o papel da banda larga no que chamou de produtividade social. Segundo ele, a meta para a banda larga é que ela chegue a 80% dos domicílios brasileiros em 2022, numa velocidade de 100 Mbps. “Alguém vai dizer que a meta é inalcançável, mas não é. Quem, 12 anos atrás, em 1998, imaginaria que o Brasil seria autosuficiente em petróleo em 2010? Portanto, temos que ousar, já que o Japão e a Coreia estão falando 1 Gigabit em 2020”, afirmou o representante da SAE, ao participar hoje do Painel Telebrasil, que se realiza no Guarujá.

Para o desenvolvimento do setor, Salomão defendeu a necessidade de revisão da Lei Geral de Telecomunicações, pois foi aprovada quando eram outros os paradigmas. E cobrou da indústria do setor uma reflexão sobre seu modelo, pois o Brasil não pode suportar déficit de US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões, porque a industria eletroeletrônica não produz componentes no país.
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Governo quer 100 Mbps em 80% dos municípios até 2022


Convergência Digital :: 19/08/2010

Apesar do Plano Nacional de Banda Larga estar começando a ser delineado, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), da Presidência da República, estabeleceu como meta oferecer 100 Mbps em 80% dos lares do Brasil até 2022. A data tem uma razão de ser: O Brasil comemorará nesse ano, o bicentenário da independência do país.

A proposta- que ainda está em formulação e terá de ser aprovada pelo presidente Lula - é considerada bastante factível pelo representante da SAE, Luiz Alfredo Salomão, mesmo com o PNBL trabalhando, hoje para levar 512 Kbps e com o mercado admitindo que há uma carência de infraestrutura para a oferta do serviço - que participou do 54º Painel Telebrasil, no Guarujá, no litoral paulista.

"O Japão e a Coréia falam de 1GB para 2020. Por que nós não podemos falar em 100 Mbits para 2022? Temos que andar e, sim, vejo essa meta como bastante factível", observou Salomão. Ele admitiu, no entanto, que o marco regulatório do setor precisa ser revista, em função da oferta de serviços convergentes.

Com relação ao PNBL, ele enfatizou que um plano de ação era necessário por parte do Governo porque o Brasil está na 60º no ranking mundial de banda larga, da União Internacional de Telecomunicações, quando concorrentes diretos como a China, por exemplo, ocupa a 48º posição. Até a Argentina, na 49º está à frente do país.
Governo quer triplicar o acesso à banda larga em 4 anos

Desafios do Plano Nacional de Banda Larga são discutidos no III Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico (Consegi 2010).

Portal SERPRO - 19/08/2010

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) busca realizar investimentos para oferecer banda larga, de pelo menos 512 kbps, a todos os municípios brasileiros até 2014. A ideia do Plano é usar as redes de fibra óptica que já existem pelo país, investir em novas e criar conexões com redes móveis para atender zonas rurais e municípios afastados dos grandes centros, com preços acessíveis e serviço satisfatório, para populações de baixa renda.

Com isso, o governo pretende aumentar o número de domicílios com acesso à Internet. A meta é triplicar a penetração de acessos em quatro anos, ou seja, atingir 39 milhões de lares até 2014 e, com isso, promover maior difusão das aplicações de governo eletrônico, aumentar a competitividade das empresas brasileiras.

Essencialmente, podem-se destacar como principais objetivos do PNBL a redução da desigualdade social, redução da desigualdade regional, geração de emprego e renda e o fortalecimento da competitividade brasileira no mercado externo. Dentre os objetivos centrais citados pelo governo, está ainda o de levar a democracia digital às localidades mais longínquas do território brasileiro.

O presidente da Telebrás, Rogério Santanna, afirmou ontem, 18, durante o debate ocorrido no Consegi 2010, que o PNBL oferecerá velocidade de 512 kbps a um custo estimado de R$ 10 por mês. “A tendência é que ocorra uma negociação com as operadoras para reduzir o custo dos modems e outras taxas”, prevê Santanna.

De acordo com ele, é importante garantir a qualidade de serviço e a segurança, o que incentivará o mercado nacional. Mas, segundo Santanna, para isso é necessário que haja esforços de todas as partes envolvidas no projeto, para a construção de uma infraestrutura sólida.

Banda larga para todos
O assessor Especial do Gabinete Pessoal do Presidente da República, Nelson Fujimoto, declarou que a banda larga no Brasil “é cara, concentrada e lenta”. Ele explicou que o principal desafio do PNBL é massificar o acesso através da banda larga e, dessa forma, conseguir baratear o seu custo. O assessor apresentou dados referentes ao preço da conexão no Brasil e os comparou com dados da França, onde o custo é pelo menos três vezes menor. Para se ter uma ideia, no Brasil, o custo da conexão banda larga corresponde a 4,58% da renda per capita, enquanto na França essa índice gira em torno de 1%; isso sem falar na qualidade do serviço oferecido no país europeu, que seria, segundo Fujimoto, superior ao oferecido ao consumidor brasileiro.

Carlos Afonso, colaborador do Instituto Núcleo de Pesquisas, Estudos e Formação (Nupef), criticou a atual banda larga do Brasil, dizendo que aqui a conexão é “pseudo larga”. Segundo o pesquisador, o PNBL se apresenta como uma solução para os problemas com a conexão em alta velocidade no país.

Carlos mencionou um estudo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) que avaliou os principais provedores de internet banda larga no país e concluiu o que a internet aqui é cara, tem velocidades ruins e que os provedores oferecem um serviço de baixíssima qualidade. A pesquisa vai além. Segundo o IDEC há, supostamente, um cartel que fixa preços e regras arbitrariamente.

O diretor-presidente do Serpro, Marcos Mazoni, alertou para a necessidade de qualificação do serviço e mencionou o acordo de cooperação do governo com a UFRJ, que tem como objetivo a criação de um centro tecnológico para os serviços em nuvem. O dirigente falou também da previsão de lançamento, ainda para o ano de 2010, da nova versão do Framework Demoiselle, já estruturada e integrada ao conceito de computação em nuvem.

Consegi
A terceira edição do Consegi começou hoje, em Brasília, e segue até o dia 20 de agosto. Acesse o endereço www.consegi.gov.br e acompanhe a transmissão ao vivo das principais atividades do evento.
Banda larga provoca perda de emprego em regiões atrasadas

Apesar dos impactos positivos no PIB, os governos precisam implementar programas específicos nas áreas mais atrasadas, afirma economista.

Tele.Síntese - 19/08/2010

O economista Raul Katz, da Universidade de Columbia, apresentou hoje, durante o 54 Painel Telebrasil, um dado novo sobre os efeitos da banda larga na economia de diferentes países. Seus estudos constataram que a adoção da banda larga em regiões mais atrasadas de qualquer país provoca diminuição de empregos na economia local e somente a ação do governo pode minimizar este impacto negativo, pela implementação de programas específicos de geração de renda.

Segundo Katz, no geral, o avanço da banda larga em um país traz impactos na produtividade, o que significa corte em postos de trabalhos tradicionais, mas esses cortes são compensados pelo incremento da taxa de inovação, que gera mais empregos do que aqueles que foram eliminados. Este comportamento, contudo, ocorre nas regiões mais desenvolvidas.

Conforme pesquisas internacionais, pode-se afirmar que o crescimento de 10% na taxa de penetração da banda larga gera crescimento de 0.16 no Produto Interno Bruto (PIB) de um país. E, segundo o economista, "quanto mais gente vinculada à banda larga, maior o impacto econômico positivo".

Brasil

A banda larga começa a contribuir positivamente para a economia do país quando ela é usada por no mínimo 15% da sua população. No Brasil, ainda falta muito para se alcançar este patamar. A taxa de penetração brasileira é de 7% para a população e de 2,8% para as residências. "Quanto mais rico o estado brasileiro, maior é a penetração da banda larga fixa", assinalou.


Falta infraestrutura de banda larga no Brasil

O número de usuários por acesso no Brasil é o dobro da média dos demais países da América Latina.

Tele.Síntese - 19/08/2010

Embora os investimentos em telecomunicações no Brasil sejam proporcionalmente até superiores aos dos demais países da América Latina, eles são insuficientes para atender à demanda de banda larga. O número de usuários por acesso é de sete, enquanto a média na região na região é de pouco mais de três.

Os dados foram apresentados pelo consultor mexicano Ernesto Flores durante o Painel Telebrasil, que se realiza no Guarujá. Flores não entrou no mérito das razões de os investimentos estarem abaixo do necessário. Citando estudo do World Economic Forum, disse apenas que as causas estão no ambiente regulatório e no ambiente institucional. Entre os ofensores mencionou a elevada carga tributária e o alto custo de se investir no país.

Nas simulações que apresentou, indicou que se a carga tributária aplicada nos serviços de telecomunicações fosse reduzida dos 43,3% para 6,1% (a da Malásia), em cinco anos seriam gerados mais US$ 205 bilhões e a banda larga móvel cresceria 300% além do esperado. “O PIB adicional por cada dólar de imposto não arrecadado seria de 30,8%”, disse.

Flores também mostrou que o investimento em telecomunicações no Brasil custa 16% a mais do que a média da América Latina. “É um custo muito alto'', disse, que se reflete em menos infraestrutura proporcionalmente ao dinheiro aplicado. De acordo com ele, para chegar ao nível da infraestrutura de telecomunicações que os Estados Unidos tem hoje, com cerca de 75% de penetração da banda larga, serão necessários investimentos de US$ 100 bilhões. “E se o custo Brasil em telecomunicações não for reduzido, o país vai gastar mais R$ 16 bilhões que não precisaria gastar”, afirmou.