sábado, 7 de agosto de 2010

Concentração nas telecomunicações

As 12 holdings originais de telefonia se transformaram em quatro grupos dominantes

Diário de Pernambuco - 08/08/2010

Desde a semana passada, o mercado brasileiro de telecomunicações está ainda mais concentrado. A entrada da Telefônica na Vivo e a compra de uma fatia de 22,38% da Oi pela Portugal Telecom (PT) reduziu a um terço o número de holdings vendidas com a privatização do Sistema Telebrás, em 1998. As 12 holdings originais de telefonia fixa e móvel agora se transformaram em quatro grupos dominantes: Vivo/Telefônica, Oi, Claro/Embratel/NET e TIM/Intelig. Com menos competição, quem sai perdendo é o consumidor.

As trocas acionárias foram anunciadas no dia 28 de julho. Depois de três anos de negociações, a PT vendeu sua participação na Vivo (50% da Brasilcel) à Telefônica por 7,5 bilhões de euros (cerca de R$ 17,47 bilhões, pelo câmbio de sexta). Essa operação vai permitir à Telefônica fundir suas operações no país, tornando-se uma operadora integrada capaz de oferecer telefonia fixa, celular, banda larga e TV por assinatura em um só pacote de serviços. Tudo em nome da convergência tecnológica. Acabou a história de uma operadora ser móvel, fixa ou de TV. Todas são tudo ao mesmo tempo.

Ao se retirar da Vivo, a PT fechou acordo com a Oi para aquisição de participações diretas e indiretas nas empresas do grupo por 3,7 bilhões de euros (aproximadamente R$ 8,62 bilhões). Além disso, a Oi deve adquirir 10% das ações da PT que pertenciam à Telefônica. Em fato relevante, a Oi afirmou que "a aliança terá por fim o desenvolvimento de um projeto de telecomunicações de projeção global", ampliando "a presença internacional das partes notadamente na América Latina e África".

Para a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Estela Guerrini, essas operações não beneficiam o consumidor. Pelo contrário. Reduzem a competição, deixando o usuário sem liberdade de escolha. "A concentração pode provocar um aumento nos preços e uma queda na qualidade do serviço prestado", critica a advogada, lembrando que as operadoras de telefonia são sempre as campeãs de reclamações juntoaos órgãos de defesa do consumidor.

Alguns especialistas, entretanto, enxergam nessas fusões uma chance de acelerar os investimentos em banda larga no país. "Em 2011, as três maiores operadoras convergentes (Telefônica/Vivo, Oi e Claro/Embratel/NET) deverão estar com suas operações fixas e móveis integradas. A competição entre operadoras convergentes deve levar a um aumento na oferta de serviços integrados e pesados investimentos em redes de fibra óptica que levem a banda larga de alta velocidade (10 a 100 Mbps) até perto da casa do usuário e até as torres de celular que oferecem banda larga móvel", escreve em seu blog o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude.

Segundo o especialista, a operação com a PT possibilitará à Oi retomar os investimentos, reduzidos após a aquisição da Brasil Telecom em 2008. No primeiro semestre deste ano, a operadora investiu apenas R$ 518 milhões, contra R$ 994 milhões no mesmo período de 2009. O resultado disso foi uma perda de market share tanto na telefonia fixa quanto na móvel e na banda larga. Na área 10, que vai de Alagoas ao Piauí, por exemplo, a Oi foi ultrapassada pela TIM na telefonia móvel.

"Os investimentos em banda larga podem até acontecer, mas a questão é saber se eles vão priorizar quem já tem, aumentando a velocidade e a estabilidade das redes, ou universalizar o serviço. Isso é que seria fundamental, pois a banda larga no Brasil é cara, ruim e não chega para todo mundo", conclui Estela Guerrini.
Dilma defende continuidade de programas de inclusão educacional

Agência Brasil - 07/08/2010

Rio de Janeiro - Em um debate na Central Única das Favelas (Cufa), na Cidade de Deus, zona oeste do Rio de Janeiro, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, defendeu hoje (7) a continuidade de todos os programas de inclusão educacional no país. Para ela, também é fundamental dar acesso às camadas pobres da população à internet de banda larga. A candidata disse que é necessário valorizar o trabalho dos professores e dialogar com a categoria quando reivindica melhorias salariais.

Ao discursar para uma plateia formada, na maioria, por jovens, Dilma disse que deve haver um esforço para gerar oportunidades iguais a todos. “[Aos] 52 milhões de jovens brasileiros, sejam eles ricos ou pobres.” “Sem incluirmos a juventude, no Brasil, o país não dará o salto que precisa para ser desenvolvido, democrático e mais justo.”

Para a candidata, essa inclusão considera a ampliação do acesso à banda larga. “O projeto de banda larga foi lançado no governo de Lula, mas é o meu governo que irá desenvolvê-lo”, afirmou Dilma. Ela disse ser fundamental dar continuidade ao projeto de expansão e interiorização das universidades públicas. “Esse projeto segue o preceito de igualdade de oportunidades para todo o Brasil.”

A candidata defendeu ainda a política de cotas raciais para as universidades públicas. “As cotas pavimentam o caminho para a igualdade”, observou. Segundo ela, outro projeto que terá continuidade é o Programa Universidade para Todos (ProUni), que determina a reserva de vagas em universidades privadas para estudantes de baixa renda.

“A oposição era contra o ProUni porque dizia que estávamos nivelando a educação por baixo, ao abrirmos vagas para a população mais pobre. O que aconteceu foi o oposto, já que os jovens beneficiados se agarraram a essa oportunidade e se formaram com as melhores notas.”
Embratel mira a expansão do mercado de telecomunicações

Para analistas, com revisão da Lei do Cabo, setor de TV paga deve crescer

O Globo - 07/08/2010


BRASÍLIA e RIO. O apetite da Embratel, do empresário mexicano Carlos Slim, em relação à Net reflete uma profunda reorganização do setor de telecomunicações brasileiro, de olho no crescimento da prestação de serviços integrados.

Se as telefonias fixa e celular já caminham de braços dados com a internet banda larga (de alta velocidade), as operadoras se preparam agora para incluir a TV por assinatura no cardápio. O setor público fomenta o movimento, por entender que chegou o momento de deslanchar o mercado, tornando-o cada vez mais acessível à população de menor poder aquisitivo. Foi nesse sentido que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou que vai retomar, depois de dez anos, a concessão de outorgas para a prestação de TV a cabo.

Espera-se que até a retomada do licenciamento (direto, sem licitação) o que pode ocorrer ainda este ano o Senado já tenha aprovado a abertura de mercado do setor, com a mudança da Lei do Cabo pelo chamado PL-29. Desta forma, a nova rodada de concessões de outorgas pode se tornar o primeiro embate direto entre empresas de comunicações e operadoras de telefonia pela TV a cabo nacional.

TV por assinatura só tem 8,4 milhões de clientes
O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, Flexa Ribeiro (PSDBPA), disse na quarta-feira que vai trabalhar para que, logo após as eleições, a proposta receba o aval dos parlamentares, o que concluirá um processo que começou em 2007.

O mercado de celular, por exemplo, cresce a passos largos, com mais de 185,1 milhões de usuários. Mas, segundo a empresa de consultoria Teleco, os clientes de TV por assinatura eram apenas 8,4 milhões até o fim de junho, número menor do que o de usuários com acesso a banda larga, 12,2 milhões.

É neste contexto que a Embratel se movimentou esta semana, ao anunciar que fará uma oferta para comprar no mercado ações preferenciais da Net Serviços, maior operadora de TV a cabo do país e da qual já é sócia.

Slim, controlador da Embratel, também tem a operadora de telefonia móvel Claro e, segundo analistas, pretende consolidar as duas companhias, assim que a legislação permitir.

Segundo um analista de mercado, a oferta feita pela Embratel só aconteceu agora porque os papéis da Net estão em patamar baixo. A ação já chegou a custar R$ 34,5, em 2007. Ontem, os papéis encerraram cotados a R$ 22,47, em baixa de 0,71%.

Como a ação estava barata, a Embratel viu que era um bom momento para comprar as ações da Net disse o analista que preferiu não se identificar.

Segundo fontes, a Embratel hoje não pode ter seu capital fechado, embora apenas 2% de suas ações sejam negociadas na Bolsa. Para fechar o capital da operadora de longa distância, a empresa teria de fazer um novo pedido à Anatel.

Lei do Cabo pode ser revogada

Legislação limita participação estrangeira a 49%

BRASÍLIA. Sancionada em janeiro de 1995, a Lei do Cabo teve como objetivo regulamentar a prestação do serviço, então incipiente no país.

A legislação estabelece que a TV paga com transmissão por cabo é uma concessão e que os operadores do serviço devem ter capital majoritariamente nacional. Ou seja: a participação estrangeira está limitada a 49%.

Pela legislação, as operadoras de telecomunicações só podem explorar o serviço caso uma licitação aberta pelo governo não tiver interessados. Além disso, a Lei Geral de Telecomunicações (LGT), de 1997, proíbe que uma mesma empresa tenha duas concessões na mesma área.

Os dispositivos representam uma barreira à entrada das operadoras de telefonia na TV a cabo elas podem operar TV por assinatura com outras tecnologias, como MMDS e satélite.

Grupos estrangeiros são os principais acionistas de teles como Embratel e Telefônica.

Negociado desde 2007, o Projeto de Lei (PL) 29, de iniciativa do Congresso, revoga a Lei do Cabo, derrubando a limitação do capital externo no setor da TV paga e a condição de concessão, abrindo o caminho para as teles.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Provedores planejam serviços de mobilidade com WiMax

Pesquisa aponta que 90% querem VoIP com WiMax enquanto 64% projetam tecnologia para serviços de mobilidade em 2012

IT Web | InformationWeek - 06/08/2010

Quase dois terços dos provedores de serviços ouvidos para um levantamento da Infonetics Research planejam usar WiMax para serviços de mobilidade até 2012. O estudo mostra que mais de 90% prevê chamadas VoIP também em redes com a tecnologia. Isso revela que o WiMax tem "um rico ambiente de serviços" no curto prazo, ainda que existam alguns pontos-chave para serem tratados, avalia Richard Webb, analista da empresa de pesquisa.

Uma das preocupações, em particular, é o número limitado de dispositivos móveis que suportam WiMax e a dificuldade de produzir modelos de preço onde o ARPU (receita por usuário) seja baixo, como em países em desenvolvimento, aponta Webb. "A indústria de WiMax precisa lutar contra o relógio para vencer esses desafios se quiser ser a tecnologia de banda larga padrão no longo prazo."

A Clearwire - operadora norte-americana que aposta no WiMax como a quarta geração de banda larga móvel - afirmou na quarta-feira (04/08) que testaria a tecnologia Long Term Evolution (LTE) sozinha e em "múltiplos cenários coexistente" com WiMax.

Outro achado do levantamento "WiMax Services Strategis: Global Service Provider Survey", da Infonetics, é que as prestadoras de serviço planejam diversificar o escopo de produtos ofertados via WiMax até 2012. Em diversas regiões no mundo, há uma demanda contínua por acesso à banda larga via solução "wireless DSL", diz a Infonetics. Nos Estados Unidos e em outros mercados maduros também ainda existem áreas pouco servidas, o que cria uma oportunidade para a tecnologia WiMax, diz o estudo.

Até 2012, mobilidade completa será oferecida por pelo menos 64% dos provedores participantes da pesquisa, contra 24% em 2010. Eles aproveitarão o crescimento contínuo na quantidade de smartphones disponível no mercado. Modens USB ainda continuarão sendo objeto de escolha constante no início.

A disponibilidade de aparelhos móveis que suportam WiMax continua sendo a principal dificuldade apontada pelos participantes. Eles terão ainda que superar problemas com marketing e posicionamento da tecnologia, assim como canais de distribuição, disponibilidade de serviços corporativos e definição de modelo de preço para mercados emergentes, aponta a Infonetics.
Amazonas 2 irá faturar mais de US$ 15 milhões este ano

Teletime - 06/08/2010

O Amazonas 2, satélite da Hispamar lançado em outubro do ano passado, deve gerar uma receita superior a US$ 15 milhões em 2010 na América do Sul, prevê o diretor comercial da companhia, Sergio Chaves. O executivo explica que a demanda tem crescido bastante na região, especialmente para serviços de DTH. A expectativa é de que o Amazonas 2 responderá sozinho por cerca de 30% aumento na receita da companhia este ano. O satélite ocupa a posição orbital brasileira de 61 graus Oeste. Ele tem 54 transponders equivalentes de 36 MHz em banda Ku e 10 transponders em banda C.

Amazonas 3
Enquanto isso, a Hispamar segue planejando o lançamento do Amazonas 3, que substituirá o Amazonas 1, com previsão para entrar em órbita entre 2012 e 2013. Ele possivelmente será o primeiro satélite com capacidade em banda Ka em operação no Brasil, mas isso ainda depende de aprovação da Anatel.
Unotel planeja abertura de capital dentro de dois anos

Teletime - 06/07/2010

A Unotel, empresa especializada na compra de capacidade de acesso à internet no atacado para revenda a pequenos provedores, planeja abrir capital dentro de dois anos, revela o presidente da companhia, João José Ranzani. A empresa, que nasceu como uma espécie de cooperativa, tem hoje 180 provedores de Internet como sócios. Antes do IPO, outros provedores poderão se associar: em breve a Unotel venderá uma reserva de ações, informa o executivo.

Atualmente a companhia tem faturado aproximadamente R$ 2 milhões por mês. Ela administra uma capacidade de 10 Gbps, alugada na rede de operadoras de telecomunicações. Dentro de seis a nove meses essa capacidade deve aumentar em 50%, atingindo 15 Gbps, estima Ranzani. O preço médio cobrado pela Unotel por link de 1 Mbps gira em torno de R$ 180 ao mês, o que está abaixo do que as operadoras de telecomunicações venderiam para um provedor isoladamente. Cerca de 300 provedores são clientes da Unotel hoje, entre associados e não associados.

Telebrás
A Unotel não enxerga a Telebrás como competidora, mas como parceira. Por sinal, o presidente da estatal foi o principal palestrante em evento organizado pela empresa nesta sexta-feira, 6, no Rio de Janeiro. "Em certas localidades pretendemos comprar capacidade em grande escala da Telebrás e revender mais barato para os pequenos provedores", diz o presidente da Unotel. A Telebrás pretende vender por R$ 230/mês o link de 1 Mbps.

STFC
A Unotel solicitou há dois meses uma licença de STFC à Anatel. A empresa ainda está definindo seu modelo de negócios em telefonia local, mas é provável que seja similar àquele em banda larga, ou seja: venderá minutos a preços mais baratos para os pequenos provedores que lançarem serviços de VoIP.
Santanna critica teles e recebe apoio de pequenos provedores

Teletime - 06/08/2010

O presidente da Telebrás, Rogério Santanna, criticou duramente o modelo de negócios das operadoras de telecomunicações brasileiras e a atuação delas no segmento de banda larga durante palestra realizada nesta sexta-feira, 6, no Rio de Janeiro. "A banda larga no Brasil é cara, concentrada e lenta", afirmou o executivo, diante de uma plateia formada majoritariamente por pequenos provedores de internet em um evento organizado pela Unotel.

Ele apresentou números comparando os preços praticados no Brasil e em outros países no mundo, destacando que mesmo se descontados os impostos os valores cobrados pelas teles brasileiras estão altos. Sobre concentração, disse que apenas 21% dos domicílios do País têm banda larga, a maioria no Sudeste, Sul e Centro Oeste, "enquanto o Nordeste cresce a taxas chinesas nos últimos 10 anos". Quanto à velocidade, 33% das conexões no Brasil são de até 256 Kbps e apenas 1% estão acima de 8 Mbps.

Santanna argumentou que não é do interesse das teles promover a expansão da banda larga porque a margem de rentabilidade do negócio de voz é muito maior. Ele estima que 90% da receita das teles brasileiras ainda provém de serviços de voz, enquanto no Japão essa participação é de apenas 30%. "Convergência digital é como reforma agrária: todo mundo é a favor desde que seja no terreno dos outros", comparou, arrancando risos do público. Santanna lembrou que a demanda por banda larga cresce a passos largos, especialmente em razão do número de famílias que ascendeu socialmente para a classe C.

Entusiasmo
Os representantes de pequenos provedores na platéia demonstraram interesse em contribuir para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). A maioria das perguntas ao fim da palestra era sobre como e quando poderiam começar a comprar capacidade da Telebrás. Houve também quem questionasse que o preço de R$ 230 por link de 1 Mbps fosse mais caro do que o praticado por algumas operadoras em certas regiões. A resposta de Santanna foi rápida: nessas localidades, onde pelo visto há competição, a Telebrás não irá operar.

Outro provedor perguntou se a Telebrás poderia vender apenas o transporte de dados, sem a inclusão de saída para a internet. Santanna respondeu que sim e que, nesse caso, o preço seria mais baixo que R$ 230 por 1 Mbps. Mas o valor seria negociado caso a caso.
Rede da Telebrás terá gerenciamento terceirizado

Teletime - 06/08/2010

O gerenciamento da rede da Telebrás depois de acendidas as fibras ópticas dos anéis do Sudeste e Nordeste será todo terceirizado, seguindo a tendência adotada por outras grandes operadoras ao redor do mundo. A escolha do prestador do serviço será feita por meio de edital a ser publicado após o primeiro de compra de equipamentos. De acordo com o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, a empresa manterá um centro de operações (NOC) espelho àquele da prestadora do serviço, com o objetivo de fiscalizar o trabalho desta.

IPv6
Santanna informou que a rede da Telebrás utilizará o padrão IPv6. "É melhor e mais barato", justificou. O IPv6 é a nova geração do protocolo IP que aos poucos está substituindo a versão IPv4. Sua principal vantagem é aumentar o espaço para endereços IP.

Os termos de referência para a compra dos equipamentos de rede da Telebrás devem ser publicados dentro de poucos dias. Neles, a empresa fornecerá as especificações dos produtos que pretende comprar, dentre os quais hubs, core IP, enlaces de rádio e equipamentos DWDM. "É uma espécie de pré-edital", explicou Santanna. A Telebrás tem em caixa hoje R$ 284 milhões. Até o final do ano a rede da Telebrás deve entrar em operação atendendo a 107 cidades, cujos nomes ainda serão divulgados.
Telebrás buscará acordos com empresas estaduais de energia

Teletime - 06/07/2010


A Telebrás pretende conversar com distribuidoras estaduais de energia para firmar acordos de compartilhamento de infraestrutura de telecomunicações, de forma a expandir ainda mais seu backbone de fibra óptica. A informação partiu do presidente da estatal, Rogério Santanna, após ser questionado sobre a possibilidade de uso da rede da Cemig no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), durante evento com pequenos provedores de internet realizado nesta sexta-feira, 6, no Rio de Janeiro. O executivo citou especificamente os estados de Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Sul.

A princípio a rede da Telebrás é formada por fibras ópticas de empresas estatais cujo controle está nas mãos do Governo Federal, como Petrobras e Eletrobras, que somam cerca de 11,4 mil Km. A meta é chegar a 30,8 mil Km em 2014, passando por Brasília e outras 25 cidades. Acrescentando a cobertura via backhaul a um raio de 100 Km do backbone, o governo calcula que a Telebrás poderá atender 4,3 mil municípios.
Presidente da Telebrás fala à TVNBR sobre a AGE de 03 de agosto

Insight - Laboratório de Idéias - 06/07/2010

Agito telefônico

Diário de Pernambuco - 06/08/2010

O mercado de telecomunicações do Brasil começou a se mexer na semana passada e não deve parar. A possibilidade de que a Vodafone compre uma porta de entrada através da Telecom Itália mostra que as pedras vão continuar se mexendo no tabuleiro. A Embratel, que é do grupo Telmex, ou seja, Carlos Slim, quer ser a dona integral da Net.

Há bons motivos para a agitação. Primeiro, grupos brasileiros, espanhóis, mexicanos, portugueses, italianos e franceses brigam por um mercado de 185 milhões de linhas de telefonia móvel; quase 70 milhões de usuários de internet; 43 milhões de linhas de telefonia fixa e oito milhões de assinantes de TV por assinatura. Em celular, o Brasil é o quinto maior do mundo. Segundo, hoje as empresas de telecomunicação não veem apenas o telefone. Querem oferecer celular, fixo, banda larga e TV por assinatura.

Muita gente se perguntava por que grandes empresas da Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos ou Japão não tiveram interesse no Brasil. No caso da Vodafone, que, segundo matéria de Bruno Rosa ontem no GLOBO, quer entrar no Brasil através da TIM, o movimento tem para o país a vantagem de incluir a segunda maior empresa do mundo.

Isso resolve também um nó do mercado brasileiro. A Telefónica, que agora virou a dona absoluta da Vivo, tem 42% da empresa que controla a Telecom Itália, dona da TIM. Pela Lei Geral de Telecomunicações, no Brasil uma mesma empresa não pode estar no bloco de controle de duas companhias de celular na mesma área.

- A Anatel criou restrições para a Telefónica. Ela não pode, por exemplo, participar de reuniões da Telecom Itália quando o assunto for a estratégia para a TIM Brasil, explicou o economista Luiz Schymura, ex-presidente da Anatel.

Se ela vender a participação para a Vodafone, o Brasil terá outra empresa grande no mercado. A TIM tem 20% da telefonia celular brasileira, mas não tem os outros serviços de telecomunicação. Com novo dono poderá ter uma estratégia mais definida. Para a Telefónica, a vantagem é reduzir o custo de ter comprado toda a participação da Portugal Telecom na Vivo.

De acordo com a consultoria Teleco, entre 2005 a 2009 quase dobrou número de usuários de Internet no Brasil. Nosso mercado de celular está atrás apenas da China, Índia, Estados Unidos e Rússia. O número de linhas deve chegar a 235 milhões em 2012. O mercado de TV por assinatura deve crescer 47% em dois anos, e o debanda larga, 49% no mesmo período.

- Somente em 2010, está havendo um aumento de 26 milhões de linhas de celular. Isso é duas vezes o mercado de Portugal, explica o presidente da Teleco, Eduardo Tude.

As empresas terão um cronograma pesado de investimento nos próximos anos. De acordo com José Roberto Mavignier, da consultoria Frost & Sullivan, um dos pontos principais é a ampliação da rede móvel para a Copa do Mundo:

- As Olimpíadas serão no Rio, que já tem uma rede mais implementada. Na Copa do Mundo, haverá jogos em cidades como Manaus e Cuiabá. É crucial investimento em rede móvel porque haverá jornalistas e turistas de todo o mundo conectados com laptops e aparelhos celulares. Também é preciso investir nas saídas internacionais do Brasil, para que não haja problema nas ligações para o resto do mundo. Além disso, é preciso interligar as redes aqui dentro, disse.

A carga tributária de um serviço de telefonia pode chegar a até 45%, reclama o presidente da GVT, Amon Genish. Isso significa que um consumidor que pagar R$ 100 por um produto está entregando R$ 45 aos cofres do governo em forma de impostos. O governo está ressuscitando a estatal - Telebras - para instalar banda larga em áreas remotas, numa decisão ainda confusa.

José Roberto Mavignier diz que ainda há poucas informações sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL):

- O plano foi anunciado, mas não sabemos quem estará envolvido, se haverá outros agentes além do governo e se haverá garantia de qualidade do serviço prestado, afirmou.

Com as mudanças, o grupo espanhol Telefónica mirou o estado de São Paulo ao ampliar sua participação na Vivo. A Portugal Telecom quis ficar e para isso comprou os 22,4% da Oi. O governo brasileiro abandonou a ideia de ter uma tele só brasileira. Em Portugal, o que se discute é que a empresa não pagará imposto pelo enorme lucro com a operação porque a sede da companhia que vendeu o ativo fica na Holanda. O grupo Slim consolida a Claro-Embratel-Net. A Vivendi ficou com a GVT, que é pequena mas tem crescido. A Vodafone pode ficar com a TIM.

Enquanto toda essa divisão do mercado ocorre no Brasil, no México, cujo modelo de privatização não foi como o nosso, que incentivou a competição, a situação é de quase um monopólio.

- A Telmex foi vendida integralmente e não dividida como foi aqui. O grupo que comprou, o de Carlos Slim, tem também 90% da telefonia celular, diz Schymura.

A analista-chefe da Ativa Corretora, Luciana Leocádio, diz que grupos de países desenvolvidos deixaram o país por dificuldade de adaptação de como fazer negócios na América Latina.

- Já houve mais grupos, canadenses, franceses, mas que saíram aos poucos porque não tinham muita estratégia para a região, explicou.

Schymura lembra que a Bell South também entrou no Brasil, mas depois saiu porque havia dúvida sobre se o país respeitaria os contratos. Hoje, 12 anos depois da privatização, o mercado está consolidado e crescente.
Teles levam euforia ao setor de equipamentos

Wilian Miron - DCI - 06/08/2010


SÃO PAULO - Os fornecedores de equipamentos de rede e tecnologia serão os maiores beneficiários da previsão de investimento na casa dos R$ 6 bilhões, até dezembro, por parte das operadoras de telefonia. Se se considerarem os aportes da Nextel, caso ela ganhe a licitação da banda H (última faixa de frequência para oferta do 3G), e o projeto da GVT de atingir 10 cidades do Estado de São Paulo até 2011, além dos investimentos ainda nebulosos do governo no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), a tendência é de que esses valores sejam duas vezes maiores. Em oito anos, a previsão é de que teles injetem mais de R$ 200 bilhões no País, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Este dinheiro será usado para custear a expansão das redes de terceira geração (3G) e o avanço da banda larga.

Na opinião de especialistas, a criação de superteles também fará as operadoras elevarem os investimentos em infraestrutura para serem mais competitivas. A guerra pela liderança do mercado está forte, tanto que a América Móvil, de Carlos Slim, resolveu responder à fusão da Telesp com a Vivo criadas pela Telefônica, e anunciou que vai comprar 100% das ações preferenciais (sem direito a voto), da Net Serviços por R$ 4,5 bilhões.

Para as empresas fornecedores de equipamentos de rede e tecnologia, outro oásis é o reforço das operadoras, em aportes, com a a promessa da Anatel de licitar mais faixas de frequência para a oferta de internet móvel em alta velocidade. Isso, porém, deve implicar uma redução do espaço que estava anteriormente destinado ao serviço de TV por assinatura por meio de micro-ondas (MMDS). Segundo a agência, a mudança está alinhada ao PNBL.

"O objetivo é garantir o emprego racional e econômico do espectro, conforme determina a Lei Geral de Telecomunicações", disse o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg. "Vamos criar um ambiente favorável ao surgimento de novos prestadores, de pequeno e médio porte, em nichos específicos de mercado e simplificação da regulamentação, com o objetivo de estimular a convergência", completou.

A proximidade da data-limite para a implantação total da TV digital, em 2013, também atrai o interesse de fornecedores. Para se ter uma ideia, apenas o Governo brasileiro pretende ter R$ 2,8 bilhões na construção da rede pública de TV digital. A previsão é que sejam construídas 256 torres de transmissão do sinal digital em todo o País. A cifra porém, faz parte de um projeto de investimentos nos próximos 20 anos e será gerida pela estatal Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).

Na Alcatel-Lucent, fornecedora da Portugal Telecom (PT), a perspectiva é que as vendas de tecnologia para as operadoras tenha um crescimento exponencial nos próximos anos, por conta da expansão dos planos de dados ofertados pelas companhias telefônicas. "As operadoras terão de aumentar a capacidade das redes delas, pois a oferta de dados vai crescer muito nos próximos anos", afirmou Roberto Falsarella, gerente de Produtos para Redes Móveis da Alcatel-Lucent.

Motivada pela previsão de aportes vultosos nestas áreas, e pelo discurso do governo brasileiro de dar inventivo à produção nacional, a chinesa ZTE, que no Brasil é dirigida pelo executivo Eliandro Ávila, já negocia com as autoridades brasileiras a instalação de uma filial de sua fábrica no Brasil. A intenção da empresa é atender, através de uma produção local, a demanda crescente das operadoras instaladas no País.

Segundo uma fonte ligada à empresa, o local onde a fábrica será instalada ainda não foi definido, pois depende de definição dos valores pela matriz da empresa na China. Tudo, porém, indica que o projeto ficará pronto junto com o centro de logística e treinamento que a empresa pretende implantar em São Paulo em 18 meses.

Cobertura

As primeiras a ganhar com a expansão da banda larga móvel no Brasil serão: a Huawei e a Ericsson, fornecedoras da operadora de celular Vivo no projeto de triplicar as localidades atendidas pela empresa com a tecnologia 3G. Hoje são pouco mais de 600 cidades e a operadora prevê a levar o serviço a mais de 2.832 municípios do País.

De acordo com o presidente da Vivo, Roberto Lima, a maior parte dos investimentos no projeto "Vivo Internet Brasil" será feita a partir do segundo semestre deste ano."Em pouco menos de dois meses não dá para dizer que temos números expressivos. Agora é um período e lançamento, em que há uma inércia". Ele ressaltou que as compras de equipamentos já começaram: "Quando nós anunciamos [a expansão do 3G] já começamos a comprar dos fornecedores [Huawei e Ericsson]".

O analista da consultoria International Data Corporation (IDC) João Paulo Bruder acredita que a entrada de um quinto competidor no mercado de telefonia móvel, depois da licitação da banda H, será um dos maiores catalisadores de investimentos, "porque se alguém quiser abrir uma operadora de celular no Brasil terá de comprar aparelhos de rede e fibra óptica", disse o analista da consultoria.

Do contrário, se uma empresa tiver interesse em disputar esse mercado precisará comprar algum dos players estabelecidos no País, porém, com a onda de fusões não restam muitas operadoras disponíveis a um negócio. "Então, acredito que essa é a última chance de se conseguir uma faixa de espectro", completa.

Usuário

Na opinião de Bruder, o crescimento de novas tecnologias como a 3G também afeta positivamente os fornecedores de produtos para o usuário final, com a venda de modems, roteadores e aparelhos de celular. Mirando este mercado, mas com a visão de se distanciar da concorrência, a D-Link adotou a estratégia de fortalecer sua presença no varejo, que hoje corresponde a 70% das vendas da empresa, contra 30% que vêm das operadoras, segundo o gerente de produtos da companhia, Giovani Pacífico.

O gerente de Produtos da D-Link afirma que a meta da empresa é triplicar a presença ainda tímida no segmento 3G. "Até o próximo ano esse setor deve saltar de 5% para 15% em nossas receitas". Ele explica que hoje 90% do faturamento da empresa vem da venda de equipamentos para internet e telefonia fixa: "Mas a gente acredita que o mercado vai proporcionar grandes possibilidades no segmento móvel também". "É por isso que já trabalhamos para ampliar a nossa participação neste mercado", completa.
Carlos Slim busca recuperar espaço no Brasil

O Estado de S.Paulo 06/08/2010

O bilionário mexicano Carlos Slim disputa a liderança do mercado latino-americano de telecomunicações com a espanhola Telefônica. Depois dos negócios anunciados na semana passada, em que a Portugal Telecom (PT) saiu da Vivo e passou a ser sócia da Oi, Slim acabou ficando num incômodo terceiro lugar no Brasil.

Com a Vivo, a Telefônica se tornou o maior grupo de telecomunicações do País, ultrapassando a Oi, que terá um reforço de caixa com a entrada dos portugueses. A oferta que Slim fez pelas ações da Net é parecida com que fez há alguns anos pela Embratel Participações, em que o empresário tem 98% do capital total. A Claro, que também pertence ao bilionário mexicano, não tem capital aberto.

A Embratel não tem o controle da Net somente porque a legislação não permite. Executivos da empresa já disseram que, quando houver uma mudança na Lei do Cabo, que impede o controle estrangeiro no setor, eles comprarão a fatia que pertence hoje à Globo. Existe um projeto de lei no Senado para acabar com essa restrição.

Apesar de não ter ainda anunciado oficialmente, a ideia de Slim seria integrar a Claro, a Embratel e a Net, para criar uma empresa que fosse capaz de oferecer telefonia fixa, celular, TV paga e banda larga, fazendo frente à Telefônica integrada com a Vivo e à Oi, que, com os portugueses, deve recuperar a capacidade de investir.

Embratel oferece R$ 4,5 bilhões por ações da Net

Empresa do bilionário mexicano Carlos Slim, que divide o controle da companhia com a Globo, prepara-se para mudança na lei

A Embratel, do bilionário mexicano Carlos Slim, anunciou ontem uma oferta por até 100% das ações preferenciais (sem direito a voto) da Net, em que já detém 21,2% do capital. A operação pode chegar a R$ 4,5 bilhões, caso a adesão dos acionistas seja total. Em nota, a Embratel justificou a decisão na perspectiva de "crescimento do mercado consumidor de TV por assinatura e de banda larga no País".

Mas, para um executivo do setor, a oferta tem como pano de fundo a reviravolta provocada pela entrada da Portugal Telecom (PT) como acionista da Oi e a venda da participação dos portugueses na Vivo para a Telefônica, que obrigou o grupo mexicano a se mexer para manter seu espaço no disputado mercado de telecomunicações brasileiro.

O primeiro passo nessa direção viria com o aumento da participação na Net. A notícia fez as ações preferências da operadora de TV a cabo dispararem 13,21% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

O chefe de análise da Modal Asset, Eduardo Marques Roche, se disse surpreso com a oferta, que não era aguardada para antes da aprovação pelo Senado de mudanças na Lei do Cabo, conhecida como PLC 116 (antigo PL 29). "Essa operação não era aguardada, tanto que não vimos nenhuma movimentação com o papel no curto prazo que pudesse indicar algo nesse sentido."

Para o ex-ministro das Comunicações e sócio da Orion Consultores, Juarez Quadros, a operação visa acelerar o processo de unificação dos serviços prestados pelo grupo, com um controle maior da Net pela Embratel. "Depois dessas mudanças, os mexicanos precisavam reagir e essa oferta demonstra que ele vê essa consolidação como um movimento forte", explicou.

O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, é outro que enxerga a oferta nesse contexto. Segundo ele, o empresário Carlos Slim optou por se antecipar às alterações nas regras do setor, que hoje proíbe o controle por parte de estrangeiros e a entrada de empresas de telecomunicações em operadoras de TV a cabo. Dessa forma, observa Tude, a Embratel pode ganhar ao desembolsar menos pelos papéis da Net, que tendem a se valorizar após a mudança nas regras.

Tude, da Telecom, já dá o fechamento de capital da Net como certo depois de sancionada modificações na Lei do Cabo. "Assim que o PL 29 for aprovado, a Embratel deverá adquirir também as ações ordinárias", afirmou. Ele conta que já existe um acordo com a Globo para que o grupo de Slim adquira o controle da Net.

Atualmente, a Globo detém participação na Net por meio da GB Empreendimentos e Participações, que por sua vez tem 51% das ações ordinárias da Net. Outras 8,3% das ações ON da Net pertencem a Distel Holding, também controlada pela Globo Comunicação e Participações.

Para o analista sênior de telecomunicações da Frost & Sullivan, Bruno Baptistão Neto, a competição no setor já ultrapassou a barreira apenas de serviços fixo ou móvel e migrou para a oferta de pacotes integrados. "Quem ficar de fora deste movimento vai perder competitividade frente aos concorrentes."

Mercado
O ex-ministro Juarez Quadros ressaltou ainda que o interesse pela Net faz sentido, visto que a companhia vem crescendo muito nos últimos anos. Atualmente, a empresa detém a liderança no segmento de TV por assinatura e ocupa o segundo lugar no ranking de banda larga. Nesse segmento, o grupo Oi lidera com 37%, a NET com 25% e a Telefonica com 23%. "A companhia vem crescendo muito e também investindo pesado", afirmou. Hoje, a Net tem 3,9 milhões de clientes de TV paga. Desse total, 3,1 milhões de também compram banda larga e 2,7 milhões têm telefone fixo.

Embratel reage e agora quer incorporar a Net

Depois da negociação envolvendo os portugueses que compraram parte da Oi e dos espanhóis que assumiram o controle da Vivo, mexicano Carlos Slim faz oferta pela companhia de TV a cabo

Jornal do Commercio - 06/08/2010


RIO E SÃO PAULO A Embratel, do empresário mexicano Carlos Slim, anunciou ontem uma oferta por até 100% das ações preferenciais da Net, empresa onde já detém 21,2% do capital total. A operação pode chegar a R$ 4,5 bilhões, caso a adesão dos acionistas seja total. Em nota, a Embratel justificou a decisão na perspectiva de crescimento do mercado consumidor de TV por assinatura e de banda larga no País. Mas, para um executivo do setor, a oferta tem como pano de fundo a reviravolta provocada pela junção da Portugal Telecom ao Grupo Oi e da Telefônica com Vivo, que obrigou o grupo mexicano a se mexer para manter seu espaço no disputado mercado de telecomunicações brasileiro.

O primeiro passo nessa direção viria com o aumento da participação na Net, empresa onde o grupo mexicano já detém 21,2% do capital total. A notícia fez as ações preferências da operadora de TV a cabo dispararem 13,21% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

O chefe de análise da Modal Asset, Eduardo Marques Roche, se disse surpreso com a oferta, que não era aguardada para antes da aprovação pelo Senado de mudanças na Lei do Cabo, conhecido como PLC 116 (antigo PL 29). Essa operação não era aguardada, tanto que não vimos nenhuma movimentação com o papel no curto prazo que pudesse indicar algo nesse sentido, afirma.

Para o ex-ministro das Comunicações e sócio da Orion Consultores, a operação visa acelerar o processo de unificação dos serviços prestados pelo grupo, com um controle maior da Net pela Embratel. Depois dessas mudanças, os mexicanos precisavam reagir e essa oferta demonstra que ele vê essa consolidação como um movimento forte, explicou.

O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, é outro que enxerga a oferta nesse contexto. Segundo ele, o empresário Carlos Slim optou por se antecipar às alterações nas regras do setor, que hoje proíbe o controle por parte de estrangeiros e a entrada de empresas de telecomunicações em operadoras de TV a cabo. Desta forma, observa Tude, a Embratel pode ganhar ao desembolsar menos pelos papéis da Net, que tendem a se valorizar após a mudança nas regras.

Tude já dá o fechamento de capital da Net como certo depois de sancionada modificações na Lei do Cabo. Assim que o PL 29 for aprovado, a Embratel deverá adquirir também as ações ordinárias, afirmou. Ele conta que já existe um acordo com a Globo para que o grupo de Slim adquira o controle da Net.

Atualmente, a Globo detém participação na Net por meio da GB Empreendimentos e Participações, que por sua vez tem 51% das ações ordinárias da Net. Outras 8,3% das ações ON da Net pertencem a Distel Holding, também controlada pela Globo Comunicação e Participações.

Para o analista sênior de telecomunicações da Frost & Sullivan, Bruno Baptistão Neto, a competição no setor já ultrapassou a barreira apenas de serviços fixo ou móvel e migrou para a oferta de pacotes integrados. Quem ficar de fora deste movimento vai perder competitividade frente aos concorrentes, disse. Atualmente, a Net detém a liderança no segmento de TV por assinatura e ocupa o segundo lugar no ranking de banda larga. Nesse segmento, o grupo Oi lidera com 37%, enquanto a Net fica com 25% e a Telefonica com 23%.

Embratel anuncia oferta para comprar a Net

Empresa do mexicano Carlos Slim pode desembolsar R$ 4,58 bi pela maior operadora de TV a cabo do país

O Globo - 06/08/2010

SÃO PAULO e RIO. A Embratel, do empresário mexicano Carlos Slim, anunciou ontem que fará uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) por 100% das ações preferenciais da Net Serviços, maior operadora de TV a cabo do Brasil. Ele propôs o pagamento de R$ 23 por ação, totalizando um desembolso de R$ 4,58 bilhões, considerando adesão de todos os acionistas da Net. Ainda segundo a Embratel, a oferta inicial representa um ágio de 23,1% sobre a média de preços da ação da Net nos últimos 30 pregões na Bolsa de Valores.

A Embratel já possui 35,8% das ações ordinárias da Net e 5,4% das preferenciais. O controle da empresa de TV por assinatura é dividido entre as Organizações Globo e a Telmex, que foi incorporada pela América Móvil, de Slim. As Organizações Globo possuem 51%, e Slim, 49% da GB Empreendimentos e Participações, holding que tem a maioria das ações ordinárias da Net.

A maioria dos analistas considera que o preço oferecido pela ação dos minoritários foi baixo, apesar de representar um ganho de 15% frente ao fechamento da última quarta-feira. Por causa disso, afirmam que a adesão dos minoritários não deve chegar a 100% e pode até mesmo haver elevação de preço.

Não é um preço ruim, mas está abaixo do que consideramos justo, de R$ 28. A Embratel aproveitou o momento em que o papel estava barato para lançar a oferta afirma a analista-chefe da Ativa Corretora, Luciana Leocadio.

Segundo ela, o movimento já era esperado pelo mercado, considerando-se que a política do empresário Carlos Slim é de não manter empresas de capital aberto fora do México.

Em seu relatório, a Brascan Corretora de Títulos e Valores projeta um preço-alvo de R$ 29,57 para os papéis da Net dona de 48% do mercado brasileiro de TV por assinatura e 25% do de banda larga.

Dada a precificação abaixo do justo, é possível que a adesão (dos acionistas) não seja de 100%, disse em seu relatório a corretora Ativa, que estima como preço justo R$ 28 por ação.

Para o analista-chefe da Corretora Coinvalores, Marco Aurélio Barbosa, a estratégia dos mexicanos passa por reduzir o volume de ações da operadora de TV no mercado, comprando os papéis dos minoritários, para mais tarde fazer uma oferta pelo controle da empresa de TV a cabo.

É uma estratégia que o mercado não esperava. Normalmente, compra-se primeiro o controle e, depois, os papéis dos minoritários. Foi uma forma de reduzir o volume de dinheiro a ser desembolsado no negócio explicou Barbosa, lembrando que, caso a oferta fosse pelo controle, o prêmio seria maior e teria que ser estendido aos minoritários.

Oferta segue tendência do grupo de Slim A OPA para a compra das ações preferenciais da Net segue uma tendência do grupo mexicano de integrar seus ativos, como já aconteceu com a absorção da Telmex pela América Móvil, e que deverá resultar na fusão da Embratel com a Claro na operação brasileira.

Como a Embratel ainda não pode ter uma participação maior no controle da Net devido à legislação brasileira, que proíbe que empresas de capital estrangeiro sejam controladoras de operadoras de TV por assinatura (conhecida como Lei do Cabo), o negócio deixa o grupo de Slim muito próximo do seu objetivo, que é passar a controlador e competir em pé de igualdade com seus principais adversários: a espanhola Telefónica e a brasileira Telemar. A Telefónica recentemente incorporou a Vivo.

E a Portugal Telecom comprou, recentemente, uma participação de 22,3% na Oi por R$ 8,4 bilhões.

Foi um movimento esperado (da Embratel). Já assistimos a esse filme em outros mercados, e aqui no Brasil não seria diferente. É a convergência de serviços fixos e móveis, obrigatória para quem quer sobreviver nesse mercado avaliou José Roberto Mazignier, gerente de pesquisa de mercado de serviços de telecomunicações da Frost & Sullivan.

De acordo com Mazignier, o negócio mostra também uma antecipação do grupo mexicano para assumir o controle da Net, já apostando na mudança da legislação. Também, avalia ele, de garantir uma posição e se defender da Oi e da Telefónica.

Eles já tinham tudo pronto, agora só vão esperar o fim do impedimento legal para assumir o controle disse.

Os analistas do BTG Pactual Carlos Sequeira e Antonio Junqueira também apontaram em relatório a chance de o preço da oferta por ação preferencial da Net ser revisado para cima, ainda que pequena. A recomendação da instituição é de compra do papel.

Para Beatriz Battelli, a operação faz parte da estratégia de integração das empresas de Slim. A absorção da Telmex pela América Móvil, diz a analista, deve resultar na integração entre Embratel e Claro no país.

Inicialmente, a Net deve ter papel restrito nesse processo.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Telebrás pode usar frequência da União. Mas acesso a internet tem que ser gratuito

Governos terão cinco anos para decidir se querem um naco da faixa de 2,5 GHz

Miriam Aquino - Tele.Síntese - 05/08/2010

Ao destinar 15 MHz da faixa de 2,5 GHz, fora dos grandes centros, para União, estados e municípios ocuparem com programas de inclusão digital, a Anatel estará viabilizando também o uso desta banda pela estatal Telebrás, já que a legislação permite que a União transfira para terceiros os bens que serão usados para a exploração de um serviço.

E este era um dos temores das operadoras privadas, que argumentam que a Telebrás não pode ter tratamento diferenciado na competição. E compra de frequência é um dos itens que encarecem bastante qualquer operação.

Mas a Anatel, com a decisão de hoje, acabou martelando um prego no cravo e outro na ferradura. Isto porque ela só liberou este espectro para que os governos (União, estados e municípios) prestem o Serviço Limitado Privado (SLP). E este serviço só pode ser oferecido à população gratuitamente. Ou, em outras palavras, a Telebrás, para ocupar esta faixa, não poderá vender o acesso à internet.
Tim tem maior alta em dois meses com apostas de aquisição

A Tim Participações, unidade no Brasil da maior companhia de telefonia da Itália, teve a maior alta em dois meses na Bovespa em meio à especulação de que a empresa pode ser alvo de uma oferta.

Brasil Econômico / Bloomberg News - 05/08/2010


As ações fecharam com alta de 5,16%, para R$ 5,50, no maior preço desde 5 de maio e com o maior aumento percentual desde 27 de maio.

Depois do investimento da Portugal Telecom na Telemar Norte Leste e da compra da participação da PT na Vivo Participações pela Telefónica, os investidores estão apostando que a Tim vai ser o próximo alvo de uma aquisição disse Rosângela Ribeiro, analista da SLW Corretora em São Paulo.

"Dentro do processo de consolidação, a Tim fica mais exposta agora para ser um alvo," disse Rosângela. "Não há nada concreto, nada oficial."

A Vodafone Group contratou um banco de investimento para estudar a possibilidade de comprar uma participação na Tim, disse o jornal O Estado de S. Paulo hoje, sem dizer como obteve a informação.

Simon Gordon, um porta-voz da Vodafone em Londres, não quis comentar a reportagem quando a Bloomberg News o procurou.

Uma assessora de imprensa da Tim, que pediu para não ter seu nome divulgado pela política da companhia, também recusou-se a comentar.

Anatel licitará faixa de 2,5 GHz para internet 4G

Um dos principais objetivos da agência é viabilizar a oferta abundante do serviço antes da Copa do Mundo de 2014

O presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, divulga as regras para leilão da nova faixa

O presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, divulga as regras para leilão da nova faixa (Agência Brasil)

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu abrir uma licitação nesta quinta-feira para que as operadoras de telefonia celular possam entrar na faixa de frequência de 2,5 gigahertz (GHz) e oferecer serviços de acesso rápido à internet pela tecnologia de quarta geração (4G).

Segundo a Anatel, para que as teles possam entrar na faixa, será reduzida de 190 megahertz (MHz) para 50 MHz o espaço ocupado pelas empresas de TV por assinatura que usam tecnologia de micro-ondas, que hoje têm cerca de 400 mil assinantes no país. Para compensar a perda de espaço, as operadoras de TV por micro-ondas poderão oferecer acesso rápido à internet em uma parte da faixa de frequência de 2,5 GHz.

"No curto prazo, o que se espera é que a nova configuração dessa faixa, em face da sua atratividade, estimule a realização de novos investimentos e incremente a competição", disse o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg. Segundo ele, o objetivo da agência é viabilizar a oferta abundante do serviço de 4G antes da Copa do Mundo de 2014. A Anatel acredita ser possível que já em 2013 o serviço esteja em operação.

De acordo com o cronograma estabelecido pela Anatel, no final de novembro deste ano, o conselho diretor da Agência já vai deliberar sobre uma proposta de edital que seguirá para consulta pública. Depois disso, a intenção da Agência é publicar o edital até o final de setembro de 2011.

As propostas dos investidores interessados seriam recebidas até 28 de fevereiro de 2012. Já o julgamento e a homologação do resultado da licitação ocorreria até 30 de junho de 2012 e as assinaturas dos termos de autorização dos vencedores seriam feitas até 31 de dezembro do mesmo ano.

"A alteração na destinação das condições de uso da faixa de 2,5 GHz visa garantir o emprego racional e econômico do espectro", comentou Sardenberg. Além disso, o presidente da Anatel ressalta que tal medida está alinhada com o Plano Nacional de Banda Larga, elaborado pelo governo federal, uma vez que amplia a oferta desse serviço no país.

Oferta da Embratel pela Net marca integração de empresas de Slim no Brasil

Medida é o primeiro passo para a integração de Claro, Embratel e Net em uma única empresa para concorrer com Telefônica/Vi e Oi no setor de telefonia.

IstoÉ Dinheiro - 05/08/2010

A oferta da Embratel pela Net é o início do processo de consolidação de ativos que está sendo conduzido por Carlos Slim, o comandante do grupo mexicano América Móvil, no Brasil. A intenção é integrar suas empresas de telefonia móvel, fixa e de TV por assinatura, medida que está sendo tomada por todos os grandes grupos de telecomunicações atuantes no País.

Slim tem participação em três companhias brasileiras: Claro (celular), Embratel (telefonia fixa) e Net (TV a cabo). Nas duas primeiras, ele têm o controle. No caso da Net, ele não pode ter mais de 50% das ações da empresa em razão da legislação brasileira. Isso pode mudar caso um projeto de lei que tramita no Congresso (o PL 29) seja aprovado. Analistas do setor acreditam que isso deve acontecer depois das eleições.

Enquanto isso, o mexicano toma as medidas que pode, e adquirir as ações preferenciais da Net é uma delas. Telmex, com 49%, e Globo, com 51% são os atuais controladores da empresa. Segundo fontes de mercado, Slim já tem um acordo com a Globo para que, assim que o PL 29 for aprovado, comprar a participação do grupo de mídia na empresa de TV a cabo. “Ele (Slim) está ganhando tempo”, afirma Eduardo Tude, presidente da consultoria de telecomunicações Teleco.

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Carlos Slim, presidente da América Móvil

O movimento de consolidação não é só das empresas de Carlos Slim. “É um movimento setorial”, afirma Alan Cardoso, analista da corretora Ágora. O mercado brasileiro de telecomunicações caminha para ser dominado por três grandes grupos: o espanhol Telefônica, o luso-brasileiro Oi e o mexicano América Móvil, braço de telefonia móvel de Slim que está se unindo com a Telmex (de telefonia fixa). Todos possuem ofertas integradas de celular, telefonia fixa, banda larga e TV por assinatura.

Há duas semanas, outra aquisição movimentou o mercado. Por 7,5 bilhões de euros, a Telefônica comprou a parte da Portugal Telecom na Vivo, empresa de celular que tinha o controle dividio entre espanhóis e portugueses. Por sua vez, a PT entrou na Oi, a até então supertele brasileira, comprando, por R$ 8,4 bilhões, 22,38% da operadora.

Quem leva vantagem? Para Eduardo Tude, a competição é praticamente igual. “A Telefônica vai ficar um pouco maior que a Oi, que fica um pouco maior que o grupo mexicano. Acredito que todos vão competir de igual para igual”, afirma.

Embratel fará oferta pela Net


Empresa de telefonia quer comprar 100% das ações da operadora de TV a cabo. Valor da transação pode chegar a R$ 4,57 bilhões

A Embratel anunciou que fará uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar 100% das ações preferenciais da Net, maior empresa de TV a cabo do Brasil com 3,883 milhões de clientes. O valor da transação pode chegar a R$ 4,57 bilhões.

Segundo comunicado da Embratel, o preço a ser pago por papel da Net é de R$ 23, o que equivale a um prêmio de 23,1% sobre a média do valor das ações no último mês. O valor será pago em dinheiro e à vista. As ações da empresa de TV a cabo dispararam quase 14% no pregão de hoje.

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José Formoso, presidente da Embratel

A Embratel já possui 35,8% das ações ordinárias e 5,4% das ações preferenciais da Net. Mesmo com a concretização da oferta, não haverá mudança no controle da Net, que é dividido entre o grupo Globo e a Telmex, empresa do mexicano Carlos Slim, que também controla a Embratel.

O movimento é o início de um processo de consolidação das empresas do grupo Telmex na América Latina. Além da Embratel, no Brasil os mexicanos controlam também a Claro, empresa de telefonia móvel. O objetivo é acirrar a competição com os outros dois grandes grupos que atuam no País, Telefónica e Oi, que também possuem empresas de telefonia móvel, fixa e TV a cabo integradas.
GVT vai analisar entrada na telefonia móvel em 18 meses

O presidente da operadora, Amos Genish, reconhece que não pode ficar fora desse jogo no longo prazo e afirma que deve esperar pela entrada da tecnologia 4G.

Computerworld - 05 de agosto de 2010

Competir no mercado que está se desenhando, após os últimos acordos com teles quadri-play, que oferecerão serviços fixo, móvel, banda larga e TV por assinatura, não representa um motivo de preocupação para a GVT. A operadora, que passou a ser a única, entre os grandes grupos brasileiros, que não tem uma oferta de celular, está confortável, de acordo com o presidente da companhia, Amos Genish. Apesar de considerar que a falta de oferta wireless não significa um problema, ele admite a possibilidade de, no futuro, reverter a situação.

“Não podemos ficar fora desse jogo no longo prazo”, reconhece Genish, esclarecendo que deve avaliar a entrada da GVT na telefonia móvel somente daqui a 18 meses. Ao ser questionado se a empresa teria interesse na compra de licenças da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para 3G, o executivo aponta que a tecnologia dificilmente atenderia seus objetivos por começar a ficar ultrapassada.

O presidente da GVT acha mais sensato aguardar 4G para analisar melhor se a operadora entra no mundo móvel com serviço diferenciado. Para ele, a operadora não fica em desvantagem por não ter celular. Seu argumento é de que na telefonia móvel e fixa ainda não há convergência, apenas oferta casada sem integração entre os serviços.

Por considerar que o consumidor brasileiro é sofisticado, Genish acredita que o usuário tende a escolher a prestadora de serviços pelo que ela oferece de melhor e não pelo pacote ofertado.

Como a telefonia móvel não é prioridade hoje para a GVT, a tele concentrará seus esforços para ser uma operadora triple-play, com entrega de voz fixa, banda larga e TV paga - que deverá fazer parte da oferta da empresa a partir de 2011. Sua estratégia para competir com Telefônica/Vivo, Oi/PT, TIM/Intelig e Embratel/Claro, que terão esses serviços e mais a telefonia móvel, é oferta diferenciada nos pacotes de internet e televisão por assinatura.

Telebrás já está apta a ingressar no Ibovespa

Insight- laboratório de Idéias - 05/08/2010

Após a realização de sua Assembléia Geral de Acionistas, ocorrida em 03 de agosto, a Telebrás já tem seu novo Estatuto aprovado, está organizada estruturalmente, as licitações estão em andamento, os funcionários estão trabalhando, os planejamentos estão sendo feitos, a nova sede já foi alugada e, enfim,
a empresa funciona a todo o vapor. Além disso, sua situação legal foi completamente definida pelo decreto que instituiu o PNBL e pela portaria que revogou o ato que previa a dissolução da empresa.

Assim sendo, de fato e de direito, a Telebrás existe legalmente e está em pleno funcionamento, o que é, inclusive, reconhecido pelo próprio
site da BM&FBovespa no item "Características da empresa", quando coloca a situação da Telebrás como "operacional".

Em duas oportunidades anteriores (março e julho), ao ser questionada sobre a possibilidade de a Telebrás integrar as prévias do Ibovespa, a Bolsa negou, argumentado que a empresa não estava operacional e que a norma legal previa sua liquidação.

Como a participação no índice não está relacionada a desempenho, resultados ou situação financeira, mas quase tão somente à liquidez das ações, a nova realidade da Telebrás anula os argumentos anteriormente esgrimidos para o veto.

Com relação aos demais requisitos para essa participação, não parece haver problemas, haja vista que suas ações têm estado entre as mais líquidas da bolsa.

Confira os Critérios de Inclusão de Ações no Índice
exigidos pela BM&FBovespa:
A carteira teórica do Ibovespa é composta pelas ações que atenderam cumulativamente aos seguintes critérios, com relação aos doze meses anteriores à formação da carteira:
- estar incluída em uma relação de ações cujos índices de negociabilidade representem 80% do valor acumulado de todos os índices individuais;
- apresentar participação, em termos de volume, superior a 0,1% do total;
- ter sido negociada em mais de 80% do total de pregões do período.

Restaria apenas a questão de as ações não possuírem valor unitário. No entanto, isso não é uma exigência, mas sim uma "recomendação" da bolsa, e, portanto, não é considerada
conditio sine qua non.

Em síntese, com todos os requisitos legais e operacionais cumpridos e planejando, inclusive, a adoção de práticas de Governança Corporativa, a Telebrás passou a reunir as condições necessárias para ser incluída em qualquer índice do mercado brasileiro de ações. Negar-lhe tal pretensão pode parecer um mero ranço ideológico não condizente com o pragmatismo e com as melhores práticas inerentes ao mercado.

TIM pretende investir na web pela tomada

AdNews - 05/08/10




A operadora de telefonia móvel TIM prepara um investimento de R$ 1,5 bilhão para os próximos seis meses. E o plano da empresa é dividir esse valor em três segmentos: ampliar a cobertura 3G – de 144 para 300 cidades -; fortalecer a capacidade de voz; e melhorar toda a infraestrutura de transmissão.

Ao jornal Brasil Econômico, o presidente da companhia, Luca Luciani, afirmou que a intenção é incentivar o uso dos serviços de dados, como internet móvel. Mais que isso: a empresa está em conversa com sete companhias de energia elétrica para fechar um acordo sobre o uso das redes para ofertar a internet da TIM.

Essa negociação é possível graças à capacidade de transmissão pela rede da Intelig, segundo Luciani. A ideia é trabalhar em um esquema parecido com o atualmente utilizado pela AES Eletropeulo com a Telecom.

A pretensão da TIM de investir na web por meio de eletricidade faz sentido quando se leva em conta que esse é um mercado em que 98% da população está inserida. A possibilidade foi efetivada em julho de 2009 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) após amplo debate entre os setores envolvidos.

O PLC no Brasil

O Power Line Communications (PLC) – ou Broadband over Power Lines (BPL) –, como é conhecido, foi aprovado tanto pela Aneel quanto pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e é uma opção que visa democratizar o acesso à rede mundial de computadores – até então, trunfo exclusivo das empresas de telefonia.

Apesar do aval das agências reguladoras, o processo de implementação ainda não está totalmente acertado, já que seria necessária uma série de ajustes para que o sistema possa funcionar efetivamente. Em setembro do ano passado, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou que a oferta só seria viável em cerca de quatro anos.

"Na Europa, onde a tecnologia é disseminada, a rede elétrica é subterrânea e é toda em 220 volts. Nas linhas aéreas, como é no Brasil, [a tecnologia] causa uma tremenda interferência em todo o sistema de rádio, televisão e até de telefonia", afirmou Costa, lembrando que os problemas técnicos ainda são um entrave no serviço.


TIM Brasil abre estratégias

[Rádio IT Web] - por Adriele Marchesini - 05/08/2010

Presidente da operadora, Luca Luciani fala sobre integração de telefonia móvel e fixa e de IFRS

A importância da integração entre serviços fixo e móvel, estratégias de investimento e o impacto que a transição das normas contábeis brasileiras ao modelo IFRS terão nos resultados da operadora foram comentados pelo presidente da TIM Brasil, Luca Luciani, durante coletiva de divulgação de resultados, realizada na última terça-feira (08/07).

Os detalhes você acompanha no programa Café Executivo, da Rádio IT Web.

Ouça aqui.


Banda larga contra a desigualdade

Em entrevista à CartaCapital, Raul Katz, da Columbia Business School, defende a política de estímulos à oferta desse serviço nos países latino-americanos como forma de redução da desigualdade. Foto: Olga Vlahou

A ampliação da oferta de acessos à internet impulsiona a economia, diz Raul Katz, da Columbia Business School

No jogo global das telecomunicações, a bola está com os fornecedores de conteúdo e serviços – responsáveis por atrair o consumidor e fazê-lo gastar com a ampla gama de produtos à disposição na era da convergência digital. Mas o equilíbrio pode mudar num futuro não muito distante, com uma transferência de poder para as empresas de infraestrutura, de acordo com o diretor de pesquisa de estratégia de negócios do Instituto de Teleinformação da Columbia Business School, Raul Katz. Em entrevista a CartaCapital, o especialista prevê que em algum momento grupos como Google e Apple vão ter de se render à necessidade de maiores e melhores redes de tráfego de informação, e terão de pagar por isso.

Autor de livros e pesquisas que associam diretamente o desenvolvimento econômico e a expansão do acesso à internet em banda larga, Katz defende a adoção de políticas de estímulo à oferta desse serviço nos países latino-americanos como forma de reduzir as desigualdades sociais. Da última vez em que esteve no Brasil, em junho, o professor evitou a polêmica sobre o plano de reativação da Telebrás para ampliação da cobertura da malha de conexão à internet, frisando apenas a necessidade de aproveitar os recursos disponíveis no setor privado. Nesta conversa, acrescentou que para levar os pontos de acesso às áreas mais remotas do território nacional será necessário incluir no plano a montagem de redes sem fio.

CartaCapital: Que tipo de empresa tem condições de se sair melhor na era da convergência dos serviços de telecomunicações, as provedoras de conteúdo ou de infraestrutura?
Raul Katz
: Não podemos ter conteúdo sem infraestrutura, são duas atividades complementares. A questão relevante é quem tem mais poder hoje, provedores de aplicativos e conteúdo ou de infraestrutura. Eu diria, dado o modo como a indústria tem evoluído, que as primeiras têm demonstrado deter mais poder. Em parte porque elas oferecem o que os consumidores querem, ou seja, participam diretamente do processo de escolha do consumidor. Por outro lado, o conteúdo precisa de boa infraestrutura, seja a banda larga, sejam os links sem fio de alta velocidade, e isso requer capital a ser investido. Se os produtores de conteúdo e aplicativos não quiserem pagar por esse acesso, como tem sido até agora, os fornecedores de infraestrutura não terão como obter o retorno dos investimentos em redes. Grupos como Apple e Google conseguem ter mais força hoje, mas essa não é uma situação que vai se perpetuar indefinidamente. Em algum momento, se os fornecedores de infraestrutura não conseguirem bons retornos, terão de reduzir a velocidade dos investimentos, forçando um reequilíbrio de forças.

CC: No futuro, todas as grandes operadoras serão obrigadas a ter pacotes quadruple play (telefonia fixa, móvel, tevê por assinatura e banda larga) para se manter competitivas? Isso não tornará toda a oferta de serviços muito parecida?
RK
: Todo mundo pode se movimentar para o quadruple play, mas vão ter de oferecer isso em diferentes plataformas de multicomunicação. Vamos ter alguém como a TIM Brasil, que é essencialmente uma empresa sem fio oferecendo serviços de banda larga, além da telefonia móvel e potencialmente outras aplicações sem fio. Ela terá de conviver com um concorrente como a Oi, que é capaz de ofertar pacotes de serviços diferentes, em plataformas diferentes. Mas ainda vejo algumas oportunidades para quem ficar com um só serviço, porque nem todos os consumidores desejam comprar todos os serviços de uma mesma companhia. Há uma parcela muito grande dos clientes que vai comprar banda larga de um provedor de serviços, como uma companhia de TV a cabo, usar o celular de outra companhia e, talvez, comprar uma linha fixa de outra companhia. São usuários que, depois de avaliar todos esses serviços em conjunto vão descobrir que colocar tudo em um só pacote não traz vantagens suficientes para justificar a compra de um mesmo fornecedor.

CC: Ao mesmo tempo que se movimentam para oferecer mais serviços, as companhias brasileiras mostram grande preocupação em proteger seus próprios mercados. Isso mostra que elas não estão prontas para a nova forma de competição?
RK
: É normal que as concessionárias queiram proteger seus mercados, é de lá que vêm os retornos ao investimento. Eu não concordo que as empresas brasileiras não estejam preparadas para competir. Algumas são bastante agressivas na disputa. A briga entre a Net e a Telesp (Telefônica) pelo mercado paulista é pesada. A GVT tem sido muito agressiva, assim como a Oi. Há uma competição forte em várias áreas e é possível dizer que o preço da linha móvel no Brasil é baixo graças à rivalidade entre os fornecedores. Quando me perguntam quem vai sobreviver nesse mercado, eu respondo apenas que ainda haverá alguma consolidação. Não será nada dramático, mas alguns players vão desaparecer com o tempo. Acho que vamos para uma estrutura de não mais do que três grupos de larga escala.

CC: O senhor se refere à Telefônica, Oi e Embratel?
RK
: Para chegarmos a esse cenário, a aquisição da Vivo pela Telefônica é o que falta ocorrer, e acho que vai acontecer. Sei que não será fácil, mas é preciso considerar o capital envolvido. A Telefônica está oferecendo pela Vivo o equivalente a toda a capitalização de mercado da Portugal Telecom. Em segundo lugar, a Comissão Europeia já falou que o governo português não deveria ter usado a golden share (ação que dá direito a veto em transações societárias) para impedir uma venda aprovada pelos acionistas da PT.

CC: Os três maiores grupos brasileiros ainda têm boa parte das receitas provenientes da telefonia fixa, que é um negócio em fase declinante. Ainda será sustentável, no futuro, vender linhas fixas?
RK
: Há mais e mais pessoas desconectando suas linhas fixas, e o que ocorre nos Estados Unidos é um exemplo disso. Hoje, 22% das residências não têm mais linhas fixas porque as desligaram. Esse contingente está crescendo ano a ano. A expectativa é que, em 2012, serão 40% das casas que não terão telefone fixo, só celular e serviços de banda larga. Não há dúvida de que o movimento é nessa direção. Ao olhar para o futuro, teremos um ambiente em que os telefones móveis e a internet rápida serão as modalidades dominantes de comunicação. Mesmo assim, não acho que as linhas fixas vão desaparecer por enquanto, ainda haverá uma parcela da população que manterá a linha, como um dispositivo de segurança. Mas será um mercado pequeno, porque a população jovem, que estará adulta daqui a dez anos, será uma geração sem fio, que não fará questão de ter telefone fixo.

CC: O governo brasileiro anunciou um plano ambicioso para ampliar o acesso da população à internet em banda larga. Conectar mais gente à rede pode contribuir para reduzir a desigualdade no País?
RK
: Acredito que contribui porque o acesso à banda larga tem um impacto direto sobre o desenvolvimento econômico. Segundo meus cálculos, para cada 10% de aumento na entrada da banda larga, há uma contribuição de 0,18 pontos porcentuais ao PIB. Em segundo lugar, porque esse processo cria empregos. Entre o desenvolvimento econômico e a criação de empregos, consegue-se diminuir a desigualdade de renda e isso contribui para a redução da pobreza. Assim, a universalização teria, definitivamente, um impacto positivo para o País. Todos os meus estudos apontam nessa direção.

CC: Há bons exemplos a serem seguidos pelo Brasil na área de expansão da oferta de banda larga?
RK
: Fiz estudos no Chile, que é o país mais avançado em banda larga na América Latina, com 10% de cobertura. Minha estimativa é que, por lá, aproximadamente 100 mil empregos foram criados sob o impacto da internet. O Brasil, como é maior e mais populoso, precisará investir em uma combinação de acessos fixos e móveis. Para atingir as áreas rurais, o uso de tecnologia sem fio será muito importante.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Minoritários da Oi não têm o que comemorar


Tele.Síntese - 04 de Agosto de 2010 17:46 por Miriam Aquino

O preço a ser pago pela PT aos papeis da AG e La Fonte é desproporcionalmente muito maior ao que será oferecido pelas ações dos minoritários

A entrada da Portugal Telecom na Oi é uma aposta que pode dar certo. Pode dar certo para quem defende a existência de uma empresa nacional com presença também no mercado externo, pois ela irá atuar com mais desenvoltura e alcançar novos horizontes. Pode dar certo para a operadora portuguesa, que não tinha mais como rejeitar a bilionária oferta espanhola e não podia desistir do grande e promissor mercado brasileiro. Pode dar certo para o consumidor brasileiro que deverá contar com uma empresa com mais dinheiro em caixa para ampliar a oferta de serviços, melhorar a sua qualidade e competir mais agressivamente.

Se há boas perspectivas para o futuro, o negócio foi muito desproporcional nos ganhos auferidos pelos controladores e acionistas minoritários. Os minoritários não tiveram o que comemorar, depois que entenderam que são os controladores privados – AG Telecom e La Fonte – que vão ficar com grande parte do dinheiro do sócio português, que vai colocar mais de R$ 8 bilhões para manter-se no mercado brasileiro.

Como tudo o que envolve a questão acionária da Oi e seus controladores, a entrada da Portugal Telecom no grupo é de grande complexidade, pois ela vai ser sócia minoritária nas empresas privadas Andrade Gutierrez e La Fonte, que exercem o poder de mando da Oi, e vai também contar com participações acionárias diretas nas três “caixinhas” (Telemar Participações que controla a Tele Norte Leste, que por sua vez controla a Telemar Norte Leste, a operadora), que são hoje os veículos da Oi.

O acordo entre a PT e a Oi prevê participação de 22,38% da portuguesa no capital total, diluída entre os três veículos. Para atingir essa participação, ela comprará 10% da Telemar Participações (a holding); terá 35% de participação nas duas empresas privadas que controlam esta mesma holding, vai comprar diretamente dos sócios pára-estatais 10% e vai ainda adquirir uma parte das ações durante o aumento de capital a ser realizado na primeira etapa.

Se já se sabe quanto será a participação acionária da Portugal Telecom no final de tudo, não se sabe, porém, quanto de participação a PT terá na TNLP e na operadora Tmar, pois, como ela não é acionista originária, não terá direito de preferência na aquisição das novas ações a serem lançadas no mercado. A PT terá que esperar o aumento de capital de cada uma das duas outras empresas e a desistência dos sócios minoritários de acompanharem o aumento de capital, para comprar, enfim, as ações que ficarem disponíveis e chegar à participação total acordada.

A partição

Os R$ 8,4 bilhões, a serem pagos pela Portugal Telecom, representam, conforme as contas da própria operadora lusa, 6,3 x o Ebitda (fluxo de caixa) da Oi. Trocando em miúdos, a Portugal Telecom aceitou pagar um ágio de pouco mais de seis vezes o valor da Oi para se tornar uma de suas sócias.

Até aí, tudo bem, visto que a Telefónica pagou bem mais do que isso (os cálculos mudam, mas tem analista que achou até 10 x o Ebitda da Vivo no preço pago pela espanhola, de mais de R$16 bilhões). Para os seus acionistas e patrícios, a Portugal Telecom pode dizer que fez um bom negócio.

E para os acionistas brasileiros, quem vai dizer que foi um bom acordo? Conforme os fatos relevantes divulgados pelos interessados, a PT vai pagar para os acionistas da Telemar Participações, R$ 4,7 bilhões. Quem são esses acionistas? Unicamente os controladores: Andrade Gutierrez, Jereissati, fundo de pensão dos funcionários da própria Oi (privados), além dos pára-estatais - BNDES, e os três fundos de pensão (Previ, Funcef, e Petros), visto que esta empresa é de capital fechado.

O núcleo duro do controle (com maior poder de decisão) é exercido pelos dois sócios privados – AG e La Fonte – e pela Fundação Atlântico (o fundo dos funcionários da Oi), que somam 50,1% das ações ordinárias, contra 49,9% em poder dos agentes pára-estatais. Mas a oferta de R$ 4,7 bilhões não vai para todos esses controladores. A operação prevê apenas o ingresso da Portugal Telecom em AG e La Fonte e a compra de 10% das ações de um dos sócios estatais.

Em grandes números, isso significa que os dois sócios privados vão levar pouco mais R$ 3 bilhões, um dos fundos de pensão, R$ 1,1 bilhão e os R$ 600 milhões restantes, acredita-se que será usado pela PT para manter sua posição de sócia minoritária com 10%, durante o aumento de capital da Telemar Participações.

Mesmo que os acionistas privados retornem com uma parte deste dinheiro durante o aumento de capital da TmarPart, a valoração de seus papeis, comparando-se com o preço oferecido pelas ações dos minoritários, é bem maior.

Embora o mercado não conheça as exatas posições de caixa de AG e La Fonte na TmarPart, estima que o preço pago pela PT a esses dois sócios foi muito alto. Conforme o banco Goldman Sachs, a PT estaria pagando R$ 210,00 por cada ação de controle dos sócios privados, valor que representaria nada menos do que 15 vezes o Ebitda da corporação! Qual acionista que não quer uma valorização deste tamanho?

Para compensar uma oferta de tamanho calibre, a Portugal Telecom terá que pagar bem menos para os acionistas minoritários, presentes nos outros dois veículos da Oi e conseguir, assim, ficar dentro da valorização de 6,3 vezes o Ebitda anunciada para o mercado português.

É por isso que, no aumento de capital a ser feito na TNLP e na Tmar, os preços dos papeis foram estabelecidos pela média dos últimos dois meses, sem qualquer valoração a mais, representando um pouco mais de 3,5 vezes o Ebitda da Oi. Ou seja, as ações em poder dos minoritários foram “precificadas” de maneira muito diferente às dos controladores. Esta operação é ilegal? Não. Mas, convenhamos, o desânimo dos minoritários tem razão de ser, não?
O sorriso de Biondi

A Telebrás está de volta. Até hoje, a melhor forma de contar a história de estatais como a Telebrás e de travar a batalha da memória contra o esquecimento é revisitar o livro de Aloysio Biondi, “O Brasil privatizado: um balanço do desmonte do Estado”.

A Telebrás está de volta. Desde o dia 3 de agosto, ela retornou às operações. Seus antigos funcionários foram reconvocados e têm pela frente o desafio de reerguer a empresa, demonstrar a excelência do serviço público e, mais especificamente, implementar o Plano Nacional de Banda Larga.

Quando se informou que a Telebrás seria reativada, houve uma grita geral de algumas empresas telefonia e um ataque feroz da mídia tradicional. Ressuscitar a estatal foi tratado como verdadeira heresia. Na crítica mais amena, um disparate.

A volta da Telebrás não apenas provocou a ira do liberalismo como representou uma derrota amarga, pois incidiu no setor que até hoje é apresentado como modelo do processo de privatização e das benesses dele decorrentes. O tratamento dado ao tema mais uma vez foi acometido de uma patologia crônica, apontada por diversos estudiosos da mídia: a falta de contextualização ou mesmo a descontextualização de um assunto.

Uma falta de contextualização primária esteve na ausência de um diagnóstico sobre o setor, que sabidamente oferece serviços caros e de péssima qualidade. Suas empresas são campeãs de reclamações de usuários e de ações junto aos órgãos de defesa do consumidor.

Outra falta de contextualização, ainda mais importante, está em que poucos se deram ao trabalho de trazer à tona a história da Telebrás e de seu processo de privatização. Lacuna curiosa, pois, afinal, a quem interessaria relembrar tal passado? Resposta: interessaria à maioria das pessoas, aos que têm e aos que não têm acesso aos serviços de telecomunicação.

Até hoje, a melhor forma de contar essa história e travar a batalha da memória contra o esquecimento é revisitar o livro de Aloysio Biondi, “O Brasil privatizado: um balanço do desmonte do Estado”. O livro teve sua primeira edição em 1999. Sua 11ª edição se encontra disponível, gentil e gratuitamente, no site da Editora Fundação Perseu Abramo.

Biondi, como se sabe, foi um monstro sagrado do jornalismo brasileiro, grande mestre do jornalismo econômico. Faleceu há 10 anos (em julho de 2000). “O Brasil privatizado” abria seu capítulo “As estatais: sacos sem fundo?” justamente falando da Telebrás. Biondi relembrava que, entre 1996 e 1997, a empresa teve um salto de 250% em seu lucro, desmentindo categoricamente a mensagem fabricada de que as estatais só davam prejuízo. No livro que tornou-se um clássico para a compreensão sobre o que fizeram com o Brasil nos anos 90, Biondi contextualizava que tanto os prejuízos quanto os lucros das estatais tinham sido fabricados para atender a interesses muito bem identificados.

Dizia ele:

“Os prejuízos que o achatamento de tarifas e preços trouxe para as estatais teve efeitos que o consumidor conhece bem: nesses períodos, elas ficaram sem dinheiro para investir e ampliar serviços. Explicam-se, assim, as filas de espera para os telefones, ou as constantes ameaças de “apagões” no sistema de eletricidade. Ou, dito de outra forma: não é verdade que os serviços das estatais tenham se deteriorado por “incompetência”. Como também é mentira que “o Estado perdeu sua capacidade de investir”, como diz a campanha dos privatizantes. O que houve foi uma política econômica absurda, que sacrificou as estatais.” (pág. 30).

Lembrava ainda de uma decisão incrível: em 1989, um decreto do presidente da República proibia o BNDE (hoje BNDES) de realizar empréstimos a empresas estatais.

Biondi era um “antifukuyama”. Só para lembrar, Fukuyama foi um dos garotos propagandas do neoliberalismo, muito badalado durante o Governo Reagan, autor de uma tese espalhafatosa sobre o “fim da história” e da vitória do capitalismo sobre tudo e sobre todos. Hoje, se alguém fizer um Google sobre os “francis” existentes na face da Terra, Fukuyama sequer aparece nas sugestões do motor de busca. Fica atrás de Francis Bacon, Francis Ford Copola, Francisco Cuoco e Francisco Alves. Indício de que quem corre o risco de desaparecer é o próprio Fukuyama.

Enfim, Biondi desmentia a tese do fim da história, mostrando que a moda era tentar “cancelar” a história. Contextualizava a esdrúxula decisão que proibia o BNDES de financiar empresas estatais lembrando ter sido ele criado, no governo Juscelino Kubitschek, “exatamente com o objetivo de fornecer recursos para a execução de projetos de infra-estrutura, que exigem desembolso de bilhões e bilhões – e precisam de alguns anos para sua execução” (pág. 30).

A memória do texto de Biondi é mais uma vez útil a um momento em que o BNDES também se tornou alvo de ataques violentos e virulentos à gestão de Luciano Coutinho, veja só, por fazer exatamente aquilo para o qual o banco existe: levantar investimentos e fazer financiamentos.

Biondi também usou o exemplo da Telebrás para relembrar uma diferença básica do setor público em relação ao privado: além de prestar serviços, as estatais deveriam ser utilizadas com o objetivo de justiça social. Tais empresas não têm como objetivo fundamental o lucro, nem têm como sina acumular prejuízos. Seu objetivo fundamental é garantir o atendimento à população em serviços essenciais. O fato de que muitas vezes acumularam prejuízos, além das malversações que acompanharam algumas de suas gestões, decorria das condições de desigualdade do país. A pobreza criava um obstáculo sério ao modelo de negócio de muitas estatais. Milhões de brasileiros excluídos do mercado interno de massas por um modelo de desenvolvimento excludente não tinham como contratar serviços em níveis que garantissem a rentabilidade de certas empresas estatais.

Por isso, na atual situação do país, de expansão acelerada do mercado interno de massas, de ascensão de um contingente expressivo de pessoas à classe média e da tendência de crescimento da economia, do emprego e da renda dos brasileiros, o discurso contra as estatais está obsoleto. É como o relógio quebrado que homenageia a nostalgia e a ostentação, mas é incapaz de fornecer uma informação correta.

As estatais, diante do novo quadro econômico, já podem se dar ao luxo de serem extremamente lucrativas. Mas estão longe de constituir uma ameaça ao setor privado. Elas podem atuar em atividades nas quais empresas privadas têm demonstrado dificuldades crônicas em dar conta do recado ou, como no caso da Petrobrás, podem funcionar como grandes alavancas do crescimento econômico, responsáveis por irrigar inúmeras cadeias produtivas que sequer existiam, ou que haviam sido desativadas.

Passados dez anos desde que perdemos Aloysio Biondi, tem-se a exata dimensão da importância daquilo que ele nos mostrou e de sua contribuição para reverter a cegueira que tomava conta do País. Me arrisco a dizer que, se vivo estivesse, o autor daquele texto célebre e indignado estaria tomado por um sorriso satisfeito com a volta dos elefantes. Até porque, “três elefantes incomodam, incomodam…. incomodam muito mais”.

*Antonio Lassance é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor de Ciência Política.