sábado, 31 de julho de 2010

Afinal, será que eu sou eu mesmo?

*Pedro Valls Feu da Rosa - A Tribuna

Até semana passada eu achava que eu era eu mesmo, que eu morava na minha casa e dava expediente no meu local de trabalho. Bom, isto era o que eu achava até aparecer lá no Tribunal Regional Eleitoral o processo de renovação de certificado relacionado à área de informática. Logo de cara fui convocado a apresentar duas cópias autenticadas da minha Carteira de Motorista. Como o direito de espernear é constitucional, eu timidamente cheguei a argumentar, em voz baixa e com tom respeitoso, que eu era eu mesmo, que havia tomado posse lá no TRE em sessão pública, devidamente registrada pelo Diário Oficial. Meu tímido protesto, no entanto, foi logo sufocado pela expressão "é assim mesmo, eles exigem e sem isso a renovação não será possível".

Deve estar certo – afinal, quem não sabe dirigir carro não deve poder dirigir um Tribunal. Pelo menos foi a esta conclusão que cheguei. Em seguida fui chamado a apresentar duas cópias autenticadas do meu comprovante de residência. Até aquele momento, eu achava que habitava a minha casa – afinal, as administrações municipal, estadual e federal sabem onde ela fica já há uns 30 anos.

Mas eis que me comunicaram que eu teria que comprovar onde moro com a conta do meu telefone celular. Aí eu comecei a não entender mais nada! O horror tomou conta da minha pessoa! De uma hora para a outra, eu passei a morar onde eu achava que morava só enquanto uma conta de telefone celular emitida por uma empresa privada atestasse isso. Passei a me dar conta, naquele momento, que o registro do meu endereço, constante dos bancos de dados oficiais, não serve para nada no mundo real.

Como são comuns os casos de fraudes nos cadastros das empresas privadas, algo largamente noticiado, passei a ter pesadelos com a possibilidade de que minha operadora de telefone celular diga que alguém que não eu mora lá em casa, ou que eu não more lá. A partir daquele momento cheguei à conclusão de que tenho que manter a assinatura de um celular até morrer, sob pena de virar um "sem-casa" de uma hora para outra. O mais incrível foi constatar que o Estado não aceita uma informação do próprio Estado sobre onde moro! Ele só confia se meu endereço e nome estiverem em uma conta de celular.

Fiquei preocupado por minha esposa – como todas as contas lá de casa estão em meu nome ela simplesmente não mora lá. Aliás, talvez ela nem exista. Mas o desfile de absurdos não acabou aí. Fui convocado a apresentar duas cópias autenticadas do meu Título de Eleitor. Vejam que curioso: o presidente do TRE, que lá só pode estar após comprovar ser eleitor, tem que apresentar duas cópias autenticadas do seu título para renovar o certificado digital do órgão que só pode presidir por ser eleitor! Confuso, não? O mais cômico é que o prazo para a renovação vencia naquele dia. O jeito foi eu determinar a expedição da segunda via do meu Título de Eleitor para mim mesmo, e assinada por minha própria pessoa, para provar que eu era eleitor!

É assim que o Brasil perde bilhões com a burocracia, enquanto assiste impassível a morte de 20 crianças a cada dia, vítimas da falta de um simples esgoto. Dizem alguns filósofos alemães que o Estado foi criado porque as pessoas dependem dele para existir – afinal, é ele a nos dar nome, qualificação e direitos. "Se não o Estado, quem?", exclamaram os maiores filósofos da humanidade.

Hoje, eu já posso responder esta pergunta: as operadoras de telefonia celular do Brasil.

*Pedro Valls Feu Rosa é desembargador e preside o TRE do ES.
Australia begs residents to accept free fiber connection

Ars Technica - 30/07/2010

O governo da Austrália vai descontinuar o uso de cabos de cobre em 8 anos e por isso está instalando gratuitamente fibra óptica em 93% do país. Mas uma certa região está dando trabalho, mais especificamente da Tasmânia. Para que a instalação aconteça, os donos das propriedades devem dar autorização para que o governo escave as propriedades e instalem as fibras. Segundo notícias locais, apenas metade dos habitantes da primeira zona de escavação autorizou.

If your government had decided to install a national, open-access fiber-to-the-home network to 93 percent of all residents, if the installation was free, and if the fiber hookup had no effect on your existing phone or cable service and committed you to nothing... wouldn't you take it?

Not if you live in Tasmania, where the Australian government's ambitious new National Broadband Network is getting underway with its first fiber deployments. The government-created NBN Co. has the right to dig up streets and trench along rights-of-way, but to install that "last-mile" connection to a home or apartment it needs permission—and Tasmanians have been slow to offer it.

According to local news accounts, only half of the homes and business in the first dig zone have given permission to access their property. That led to this week's rather pathetic press release from NBN Co. in which the CEO basically begged "residents and businesses within the Willunga and Kiama First Release Sites to sign up."

Those who don't accept the free install when crews pass through their area will need to pay for an install at some later date if they need service from the network.

And they will need service, eventually. Under the government's plan, the incumbent telco Telstra will turn over its old copper phone lines to the government, and all of these will be disconnected within eight years. Telstra, along with other telecommunications and Internet companies, will then compete by offering IP phone service and 'Net access through the new fiber network. Consumers can pick their choice of provider.

As Communications Minister Stephen Conroy put it this week to Australia's ABC News, "Ultimately with the agreement we've reached with Telstra we will be disconnecting the copper, the only fixed line connection. The only way to make a fixed line phone call will be on the national broadband network so we ultimately will have to connect every single home in Tasmania."

But people's reluctance to sign consent forms could add serious costs and delays to the entire project. And if everyone will be hooked up eventually, why not just make the fiber installations mandatory now?

That's the direction in which Australia is moving. Conroy and the Tasmanian Premier, David Bartlett, are now both talking about ways to shift to an "opt-out" model in which the NBN Co. has the right to install on your property unless you explicitly object.

Opposition figures in Tasmania have been pushing the idea for more than a month. "I am sure there would be plenty of people that would not want the government rolling up onto their property and installing fibre without permission," said MP Michael Ferguson. "Nonetheless it would be an enormous cost to the community if we only do get half of our homes connected to the fibre."

To make the change, though, the government would need to alter its laws, so the process could take time. In the meantime, NBN Co. desperately wants people to sign consent forms by August 31 to get their free fiber line and optical network terminal.

Especialistas não veem ganhos para o consumidor em parceria no setor de telecomunicações

Agência Brasil - 31/07/2010

Brasília - A parceria entre a operadora brasileira Oi e a Portugal Telecom, anunciada esta semana, não deverá trazer benefícios imediatos para os usuários brasileiros, de acordo com especialistas. Para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a notícia da fusão só seria positiva para o consumidor se viesse acompanhada de metas de qualidade de atendimento.

O advogado da instituição, Guilherme Varella, lembra que o serviço de telecomunicações é um dos principais alvos de reclamação no país, ao lado de planos de saúde e bancos. “É um serviço extremamente caro para não ter a qualidade que ele demanda e pela essencialidade da telefonia e da banda larga no Brasil hoje”, disse.

Segundo ele, um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) realizado no ano passado mostra que o brasileiro gasta 7,5% da sua renda com telefonia móvel e 5,9% com telefonia fixa.

Para Varella, se a negociação entre as empresas resultar em um aumento de investimentos na banda larga, como prometido, isso pode gerar benefícios para os consumidores. “Mas isso deveria ser tratado de forma mais concreta do ponto de vista público e não do ponto de vista privado por meio de empresas”, critica. O Idec defende que a banda larga no Brasil seja tratada como um serviço prestado em regime público.

Na última quarta-feira (28), a Portugal Telecom anunciou um acordo para adquirir 22,4% da Oi. Caso a operação se concretize, a Oi assumirá um percentual de 10% no capital da operadora portuguesa. A negociação ainda terá que ser aprovada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A coordenadora institucional da ProTeste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, Maria Inês Dolci, lembra que o governo mudou as regras do setor de telecomunicações para permitir que a Oi comprasse a Brasil Telecom, permitindo a criação de uma “supertele”.

“Falou-se muito da supertele nacional, mas hoje percebemos que não vamos ter essa empresa, vamos ter um controle internacional, portanto entendemos que todo o modelo tem que ser discutido”, afirma. Ela defende uma revisão no marco regulatório do setor.

O professor Arthur Barrionuevo, da Escola de Administração da Fundação Getulio Vargas (FGV), também critica a entrada de uma empresa estrangeira na Oi, que se uniu à Brasil Telecom com o objetivo de ser uma grande empresa nacional.

Foi feita uma enorme concentração no setor de telecomunicações, teve que se mudar o Plano de Outorgas para fazer isso, e o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] e o Banco do Brasil entraram com dinheiro de origem pública para beneficiar os grupos controladores da Oi. Foi utilizada a justificativa do grupo nacional para esse tipo de operação”, avalia o professor, que é especialista em concorrência e regulação ex-conselheiro do Cade.

Ele acredita que, com a participação minoritária da Portugal Telecom na Oi, não haverá grandes mudanças para os consumidores. “A única vantagem é que Portugal Telecom já é uma operadora de telecomunicações e tem mais expertise [conhecimento, experiência] no setor. Na prática não muda agora, vamos ver quais serão os desdobramentos.”
Telebrás: obras já em outubro

O Globo - 31/07/2010

Em outubro, devem começar as obras para implementar a internet em alta velocidade nas primeiras cem cidades previstas no Plano Nacional de Banda Larga, disse ontem o presidente da Telebrás, Rogério Santanna. Segundo ele, serão ser lançados para consulta pública, na segunda semana de agosto, os editais para contratar empresas que vão construir, operar e manter as redes de banda larga.

GVT estreia no mercado paulista com telefonia fixa e banda larga

Planos. Controlada pela francesa Vivendi, empresa elevou expectativa de investimento de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,5 bilhão, solicitou licença de TV paga via satélite para a Anatel e prepara-se para lançar serviços na capital de São Paulo no próximo ano

O Estado de S.Paulo - 31/07/2010

"O cenário competitivo ficou mais complicado e mais desafiador para todos nós", afirmou Amos Genish, presidente da GVT, referindo-se aos grandes negócios anunciados esta semana no setor de telecomunicações. "Com este cenário, precisamos acelerar nossos planos de alcançar uma presença nacional."

Controlada pela francesa Vivendi, a GVT tem planos ambiciosos. Semana passada, a empresa decidiu ampliar de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,5 bilhão seu plano de investimento do ano. Trata-se de um montante 128% maior que os R$ 658 milhões investidos no ano passado. A empresa está estreando em São Paulo e prepara o lançamento de sua TV paga.

A GVT nasceu como concorrente da Brasil Telecom, nas regiões Sul e Centro-Oeste. Em 2007, a companhia expandiu sua atuação para a área da Oi, empresa que absorveu a Brasil Telecom, e hoje está em Minas Gerais, Espírito Santo e Nordeste.

Amanhã, a empresa lança a campanha para divulgar sua chegada a Sorocaba e Jundiaí, no interior de São Paulo, como concorrente direta da Telefônica. "Chegaremos à capital durante 2011", afirmou Genish. "Estamos na fase de projetos. Já conseguimos algumas licenças para instalar a rede, mas teremos mais um ano de obras até que a infraestrutura seja suficiente para lançar os serviços."

Na quarta-feira, a Portugal Telecom anunciou a venda de sua fatia na Vivo para a Telefônica, por 7,5 bilhões, e a compra de 22,4% da Oi, por 3,7 bilhões. Com isso, essas rivais da GVT ficam mais fortes. A Telefônica integrará a Vivo à Telesp, concessionária de telefonia fixa de São Paulo, tornando-se o maior grupo de telecomunicações do País. E a Oi receberá um reforço de caixa e um sócio com experiência de operação.

"O consumidor não vai escolher os produtos pelo tamanho da empresa", disse Genish. "Já nascemos numa área de concorrência e temos um modelo vencedor." A GVT investiu R$ 40 milhões para lançar nas duas cidades telefonia e banda larga com velocidade de até 100 megabits por segundo. A rede da GVT cobre 30% das cidades, e tem capacidade de 38 mil acessos de banda larga e de voz.

Lady Gaga.
A Vivendi é dona da Universal Music, e a GVT quer tirar vantagem disso, para que seu serviço de banda larga não seja somente uma "conexão burra" (dumb pipe, em inglês). "Vamos lançar um serviço inovador em outubro", afirmou Genish. "Nosso cliente de banda larga terá acesso gratuito a áudio e vídeos, incluindo shows ao vivo."

A GVT planeja patrocinar dois shows de artistas da Universal no Brasil em 2011, um no fim de março no Rio e outro em setembro ou outubro em São Paulo, para comemorar a sua entrada na capital desses Estados. "Ainda não está fechado, mas queremos que o primeiro show seja com a Lady Gaga", disse. A chegada ao Estado do Rio deve ser ainda este ano, primeiro em Niterói.

Com a compra da fatia dos portugueses na Vivo pela Telefônica, e a intenção (ainda não confirmada oficialmente) de o empresário mexicano Carlos Slim integrar a Claro e a Embratel, muitos analistas têm apontado a falta de uma operação móvel à GVT.

Segundo o presidente da empresa, essa não é a sua grande preocupação hoje. "Nossa prioridade é a TV paga", disse Genish. "Os pacotes no mercado são de telefonia, banda larga e TV por assinatura. O Brasil tem a menor densidade de TV paga da América Latina, e esse mercado precisa mudar imediatamente."

A GVT cansou de esperar a mudança na lei que impede empresas de TV a cabo de ter controle estrangeiro, e resolveu pedir à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) uma licença de TV via satélite (DTH, na sigla em inglês), para a qual não existe impedimento.

"Vamos lançar no ano que vem uma solução híbrida, de satélite e IPTV (televisão via banda larga), num só aparelho", disse Genish. Ele promete um serviço interativo, em que as pessoas possam assistir a toda programação que passou nos últimos 30 dias no momento em que quiser e acessar serviços como YouTube, Facebook e Orkut no aparelho de TV.

O lançamento do serviço depende da disponibilidade de capacidade de satélite, que não existe hoje. "Aguardamos o lançamento de novos satélites, o que deve acontecer em junho ou julho de 2011", afirmou Genish. "Já começamos a negociar os pacotes de programação e, se a legislação mudar antes disso, lançamos direto com a tecnologia de IPTV."

CVM.
A compra da GVT pela Vivendi está sendo investigada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo Genish, a discussão diz respeito a informações sobre opções que o grupo francês comprou. "A Vivendi tem até 15 de agosto para responder à CVM, e estamos muito seguros de que tudo foi feito dentro da lei."
A libertação no mundo por meio da banda larga

Rede é capaz de revolucionar indicadores socioeconômicos

*Shashi Tharoor - O Estado de S.Paulo - 30/07/2010

Participei recentemente de um grupo de 30 homens e mulheres de todas as partes do mundo - ministros, burocratas e estrategistas - em um encontro da União Internacional de Telecomunicações (ITU, na sigla em inglês), em Genebra, para discutir como a banda larga pode transformar o mundo para melhor. A "Comissão da Banda Larga" foi presidida por Paul Kagame, presidente de Ruanda, e pelo magnata das comunicações do México, Carlos Slim.

Não por acaso, a ITU estabeleceu a comissão em parceria com a Unesco. A ONU reconhece que, para a revolução da informação avançar mais, precisará de um esforço público-privado. Para Hamadoun Touré, secretário-geral da ITU, "no século 21, redes de banda larga serão tão cruciais para a prosperidade econômica e social quanto as redes de transporte, água e eletricidade".

Max Frisch, escritor e dramaturgo suíço, certa vez menosprezou a tecnologia, definindo-a como "a arte de manipular o mundo de forma que não precisemos mais experimentá-lo". Hoje, entretanto, a tecnologia é para uma efetiva participação no nosso mundo. E, embora a humanidade não possa viver apenas de tecnologia, a revolução da informação libertou milhões de pessoas.

A informação é um instrumento libertador no sentido político tradicional do termo: a divulgação da informação exerce uma influência direta no grau de responsabilização e transparência de que os governos precisam para sobreviver. É também libertadora do ponto de vista econômico. As tecnologias da informação são uma forma de capital eficiente em termos econômicos. A Estônia e a Costa Rica são exemplos bastante conhecidos de como as estratégias de acesso à informação podem contribuir para acelerar a expansão da produção e elevar os níveis de renda.

Alguns dos países menos desenvolvidos, como Mali e Bangladesh, mostraram que, com apoio internacional, uma liderança determinada e estratégias inovadoras conectam regiões rurais remotas à internet e à telefonia móvel, ajudando a libertar os camponeses que vivem da agricultura de subsistência, anteriormente presos ao conhecimento local e aos mercados locais. Redes móveis oferecem serviços de assistência médica às regiões mais remotas da Índia.

Não há dúvida que a internet pode ser um instrumento de democratização. Em alguns países do mundo - e certamente na maior parte do Ocidente - ela já é isso, pois enormes quantidades de informação, agora, são acessíveis a quase todos. A dura realidade do mundo de hoje, porém, é que é possível distinguir os ricos dos pobres por suas conexões com a internet.

Na realidade, o desenvolvimento econômico dos nossos dias exige mais do que pensar apenas na linha da pobreza. É preciso pensar também em outras linhas, como a do acesso à banda larga e a de fibra ótica.

A tecnologia da informação e das comunicações é um instrumento poderoso para a solução de problemas, como subdesenvolvimento, isolamento, pobreza, falta de transparência e liberdade política. No entanto, as pessoas precisam, antes de mais nada, do acesso. A banda larga pode melhorar tudo, incluindo a gestão dos transportes à distância e a produtividade agrícola. Proporcionar esses benefícios a um número cada vez maior de pessoas exigirá recursos, cooperação internacional e vontade política.

*Shashi Tharoor foi Subsecretário da ONU e Chanceler da Índia
Acordo espinhoso

Ministério Público reabre investigação sobre os R$ 254 milhões pagos pela Telebrás à empresa de amigo do ex-ministro das Comunicações Hélio Costa

IstoÉ - 31/07/2010


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O líder na corrida ao governo de Minas Gerais, Hélio Costa (PMDB), voltou a ser assombrado por um fantasma que o atormenta desde seus primeiros anos como ministro das Comunicações no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por decisão do Ministério Público (MP), foram reabertas as investigações envolvendo um milionário acordo judicial entre a Telebrás, em última instância sob o comando de Costa, e a VT UM Produções, do empresário Uadji Menezes Moreira, amigo de longa data do então ministro. O caso foi revelado por ISTOÉ em 2006 e, na época, o que mais intrigou o Ministério Público não foi o valor pago pela Telebrás nem o fato de Moreira ser íntimo de Costa. As investigações foram motivadas pelo fato de a estatal ter aberto mão de recorrer das decisões em instâncias judiciais superiores, como determina a lei. Após uma breve batalha nos tribunais, a Telebrás simplesmente desistiu da briga e optou por fazer um acordo com a VT UM.

PREJUÍZO
Decisão da Telebrás de fazer o acordo, avalizada pelo então ministro Hélio Costa,
teria causado perdas de quase R$ 170 milhões aos cofres da estatal

Por meio de sua assessoria, o ex-ministro afirmou que esse processo já foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e que nenhuma irregularidade foi encontrada. De fato, o STF inocentou a direção da Eletrobrás e o próprio ministro. O problema é que, ao julgar o caso os ministros do Supremo não tinham conhecimento de um relatório da Advocacia-Geral da União (AGU), ligada ao próprio Executivo, mostrando que os cofres públicos tiveram um prejuízo de ao menos R$ 169 milhões pelo fato de a Telebrás não ter recorrido da decisão judicial que a considerou ré em um processo movido pela VT UM, por conta de um imbróglio envolvendo um sistema de sorteios por telefone. De posse desses documentos, o procurador do Ministério Público no Tribunal de Contas da União, Marinus Marsico, decidiu reabrir as investigações, que devem ter como destino final o mesmo STF.

Nos próximos dias, Marsico vai pedir ajuda ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, para rastrear tudo o que já foi pago pela União ao empresário Moreira. “Vamos rastrear esse dinheiro todo para ver onde ele foi parar”, diz Marsico. “Vamos pedir a cooperação dos órgãos da administração pública para ter acesso a informações sigilosas e verificar como o dinheiro saiu do orçamento”, completa. Ele também pedirá o bloqueio de parcela do dinheiro ainda não paga a Moreira, calculada pelo próprio procurador em algo próximo a R$ 120 milhões.

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ACUSAÇÕES
A AGU e o Ministério Público querem saber por que Costa, quando era ministro,
não determinou que a Telebrás recorresse da decisão judicial, como manda a lei

A reabertura das investigações ocorre exatamente no momento em que a disputa pelo governo de Minas Gerais entra em sua fase mais crítica. Costa afirmou que tudo não passa de perseguição política. Entre outras questões que o procurador do MP quer ver respondida está o crescimento do patrimônio do ex-ministro. Em 2002, sua declaração de bens somava R$ 359 mil. Este ano, Costa informou ao Tribunal Regional Eleitoral mineiro ter R$ 1,3 milhão. O patrimônio do ex-ministro teria crescido a partir de 2006, após o acordo entre a Telebrás e a VT UM. Naquele ano, Costa teria comprado o 27º andar de uma das torres do luxuoso complexo imobiliário Top Green, no bairro Belvedere, em Belo Horizonte, avaliado em R$ 2,5 milhões, segundo corretores ouvidos por ISTOÉ. O ex-ministro, no entanto, declarou à Justiça Eleitoral ter comprado apenas uma “fração do apartamento em Belvedere”, por R$ 1 milhão. “Não me preocupo com essas acusações. Tenho como comprovar minha condição financeira, como ex-senador e ex-ministro, para comprar o imóvel”, afirmou o candidato ao governo mineiro.

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“Acho que o Uadji já deu o dinheiro que tinha que dar para o Hélio Costa”
Roberto Talma, diretor da Rede Globo

O acordo de R$ 253,9 milhões também atingiu antigas amizades de Costa e de Moreira. O diretor da Rede Globo Roberto Talma por exemplo, vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça para tentar garantir sua parte no que a VT UM recebeu da Telebrás. Ele diz ter ajudado Moreira financeiramente, em troca de 20% da bolada da Telebrás, conforme contrato registrado em cartório. Mas Talma diz não ter recebido nada. O diretor de tevê suspeita que o dinheiro tenha ido parar na campanha de Costa. “Acho que o Uadji já deu o dinheiro que tinha que dar para o Hélio Costa”, afirma Talma. “Por que, de repente, essa coisa toda é de graça? Pensa bem. O processo não tinha tramitado nem tinham julgado tudo. Havia recursos na Justiça”. É isso o que o Ministério Público quer saber.

Competição em novo cenário

Aumenta rivalidade entre as operadoras, que começam a invadir mercados e a lutar para oferecer aos clientes o maior número de serviços

Carta Capital - 31/07/2010

Ao realizar um telefonema de longa distância, o mais provável é que quem faz a ligação tenha a voz convertida em bits e transportada via internet até o interlocutor. As vozes continuam as mesmas, mas o custo de colocá-Ios em contato deixa de depender de qual canto do mundo cada um se encontra. Se estiver utilizando um celular, o mesmo usuário pode optar depois por assistir tevê no aparelho, checar sua correspondência na caixa de e-mails ou ler seu horóscopo na versão on-line de um jornal.

A convergência digital está ao alcance de qualquer ser humano, mas, para a indústria, o fenômeno continua a representar uma grande incógnita. Quem sobreviverá à intensa mudança de regras no novo tabuleiro global das telecomunicações? As tradicionais barreiras à concorrência caem por terra ao lado de conceitos como tempo e distância, que a tecnologia torna cada vez mais etéreos. Encontrar modelos de negócios capazes de garantir o retorno dos bilhões investidos nas redes de comunicação é um desafio que passa pela descoberta das novas necessidades e desejos do público.

"Trabalhar sob esse novo modelo pode ser um problema, mas também traz muitas oportunidades para as empresas do setor", afirma Roberto Atayde, executivo do Solution Center da IBM para a indústria de telecomunicações na América Latina. Ele comanda uma equipe de especialistas encarregados de apontar às operadoras o caminho a ser seguido para não naufragar no processo de convergência.

Atayde analisa a atual oferta de tevê e internet pelos mesmos meios e diz que já seria possível permitir ao espectador usar o controle remoto para comprar on-line um produto exibido durante o comercial. "Basta usar os aplicativos certos", diz. Da mesma forma, o cliente que ainda telefona para reservar mesa em um restaurante descoberto pela internet deveria poder garantir seu lugar com apenas um clique.

Além das tecnologias visíveis ao consumidor, o executivo da IBM ressalva que boa parte das ferramentas convergentes é usada nos bastidores pelas empresas. Uma delas é a que permite à empresa de telefonia móvel identificar o cliente que, embora use celular pré-pago e gaste pouco com o serviço, recebe tantas ligações de usuários de outras operadoras que acaba se tornando um grande gerador de receita. "De repente, o cliente mais importante é o recebedor, não o ligador", diz Atayde, nos termos da última campanha publicitária da ai.

Um obstáculo ao desenvolvimento mais rápido das ferramentas tecnológicas, e, sobretudo, à expansão da oferta, seria a defasagem da rede de telecomunicações brasileira, ainda constituída, em quase toda a extensão, por fios de cobre. "Só nas grandes capitais temos as malhas de fibras ópticas, que têm capacidade infinitamente maior para o tráfego de informações", explica o executivo.

Atayde afirma que o próximo grande salto de modernização da infraestrutura será dado até 2014, em função da Copa do Mundo, sob pena de o País não conseguir oferecer aos turistas os serviços mínimos em áreas como a saúde e a segurança. Um mapeamento das necessidades do Brasil na área de comunicações para a Copa está em andamento no Solution Center da IBM, e deverá ser divulgado nos próximos meses. "As necessidades são bilionárias, mas os investimentos vão deixar em troca uma série de serviços à população fundamentais para dar suporte ao desenvolvimento sustentável", garante Atayde.

Com 185,1 milhões de linhas de celular, 41,4 milhões de números fixos, 11,8 milhões de lares conectados à internet por banda larga e 8,2 milhões de famílias dispostas a pagar pela programação de tevê, o Brasil é um grande mercado para o modelo de multisserviços, que está na raiz de quase toda a atual movimentação entre as grandes operadoras. Sob a denominação de triple ou quadruple play, o modelo consiste em oferecer serviços diversos, como telefonia fixa e móvel, acesso rápido à internet e tevê por assinatura de uma só vez, todos cobrados na mesma fatura.

Embora a maior parte da oferta no Brasil seja de pacotes triple play, sem a telefonia celular, a modalidade já permitiu mudanças importantes, como o avanço da Net na região metropolitana de São Paulo, área de domínio da Telefônica. Em parceria com a Embratel, a operadora de tevê paga conseguiu roubar até mesmo clientes de telefonia fixa, com a oferta de linhas 100% digitais.
A Telefônica não assiste ao ataque de mãos atadas. Uniu-se à TVA para oferecer pacotes triplos que incluem a tevê por assinatura sem fio, pela tecnologia de micro-ondas (MMDS). Na terça-feira 20, a operadora anunciou ter atingido 3 milhões de assinaturas do serviço de banda larga Speedy, disponível em todo o estado de São Paulo. "Temos também uma alta aceitação entre os estratos sociais onde a renda familiar mais cresce no País, as classes C e D", afirma o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente.

A forte demanda por serviços de telecomunicações em São Paulo atraiu também a GVT, a mais bem-sucedida das empresas-espelho -lançadas à época da privatização para concorrer com as concessionárias privatizadas. Sob o comando do grupo francês Vivendi, a operadora tem planos de entrar no mercado paulista com um agressivo pacote triplo, em parceria com a operadora de tevê por satélite Sky.

A Oi é a única operadora, até agora, a oferecer o chamado quadruple play. Até conseguir incluir a tevê no pacote, foram necessários três anos de negociações na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e driblar restrições impostas às concessionárias de telefonia. Em julho de 2006, a concessionária adquiriu a mineira Way TV. Somente em 2008, a marca se transformou em ai TV, meses antes de o grupo obter a licença para operação de tevê por satélite (DTH). a lançamento comercial foi feito em julho de 2009 no Rio, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Em maio deste ano, o pacote quádruplo foi lançado no Nordeste, por enquanto em Salvador e Aracaju. O avanço das concessionárias de telefonia na seara da tevê por assinatura ocorre sob as críticas e os recursos administrativos e judiciais das empresas do segmento.

A situação das empresas de tevê é singular: de um lado, são elas as mais bem posicionadas do ponto de vista tecnológico para a disputa no cenário convergente. As modernas redes de fibras ópticas e as tecnologias de transmissão de conteúdo sem fio são ferramentas poderosas para o envio de dados e voz. Além disso, como os receptores são instalados dentro das casas dos clientes e o histórico de uso dos canais é acompanhado de perto, elas conhecem bem os anseios do público consumidor.

Mas as empresas de tevê perdem feio para as concessionárias de telefonia quando o assunto é capilaridade. A rede de fios de cobre é a mais abrangente do País e pode ser usada, com algumas limitações, na oferta de outros serviços, por meio da tecnologia ADSL. Além de contar com uma clientela muito maior, as telefônicas trabalham em outra ordem de grandeza do ponto de vista financeiro.

Ao justificar a fuga de um confronto aberto com as concessionárias, o presidente da Associação Brasileira de Tevê por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, costuma comparar a receita de 180 bilhões de reais do setor de telefonia com os 8 bilhões de reais de faturamento com a venda de conteúdo televisivo. "A receita da venda de tevê por assinatura é muito pequena para as concessionárias de telefonia, mas elas estão preocupadas com o avanço da concorrência na oferta de banda larga, porque sabem que não estão bem preparadas para oferecer acesso à internet com qualidade", afirma Annenberg.

O executivo também se queixa da dificuldade encontrada pelas operadoras de tevê a cabo para estender a oferta de serviços para outros municípios, além dos 230 hoje atendidos. "Há dez anos, a Anatel não abre licitações para novos mercados", diz. No caso das tecnologias sem fio, o uso de satélites, embora atinja todo o território nacional, não viabiliza recursos de interatividade, enquanto o uso de micro-ondas (MMDS) depende de uma disputa de frequências de transmissão com as operadoras de celular. "Se o espectro não for confiscado para o serviço móvel, o MMDS será uma plataforma ideal para a expansão da oferta de tevê e acesso à internet sem fio."

Não por acaso, a "revolução da convergência" será o tema da próxima edição do congresso do setor de tevê paga, que será realizado em São Paulo entre 10 e 12 de agosto. A possibilidade de morder uma fatia do mercado das concessionárias de telefonia tem estimulado o crescimento das operadoras de tevê. De acordo com dados da Anatel, somente em 2007, o número de assinantes do serviço ultrapassou a barreira de 5 milhões. A partir daquele ano, o ritmo de crescimento passou à casa de 1 milhão de adesões ao ano, até atingir 8,2 milhões em maio deste ano.

Enquanto a ai espalha a oferta dos pacotes pelo País, especialistas esperam um grande reposicionamento da N et/Embratel e da Telefônica, com a entrada de operadoras de celular na briga. No primeiro caso, tudo depende de um rearranjo societário, dado como certo pelo mercado, que deixará Net, Embratel e Claro - todas empresas do magnata das telecomunicações mexicano Carlos Slim - sob um mesmo guarda-chuva. A empresa nega, por enquanto, que o processo esteja em andamento.

No caso da Telefônica, tudo depende do êxito do grupo na empreitada para assumir o controle da Vivo, hoje compartilhado com a Portugal Telecom (PT). a objetivo não se restringe a oferecer pacotes de serviço quadrup/e p/ay. Uma vez de posse da rede de vendas da Vivo - presente em quase todo o País -, os espanhóis passariam a contar com uma plataforma para avançar fora do mercado de São Paulo.

a episódio da disputa do controle da Vivo pelos dois grupos ibéricos é emblemático do papel do mercado brasileiro para empresas com origem em mercados amadurecidos. No dia 16, vencia a terceira e última oferta feita pela Telefónica de Espana à PT pela operadora celular, no valor de 7,15 bilhões de euros. A cifra se equipara à capitalização da empresa portuguesa em bolsa e é mais de duas vezes superior ao valor de mercado da Vivo antes do início do embate. Os acionistas concordaram com a venda, mas o governo português fez uso de uma golden share (cota que garante poder de veto em questões societárias) para impedir a transação.

O caso foi parar no Tribunal de Justiça da União Europeia, que se declarou contrário à interferência estatal nas negociações. As ações da PT só pararam de cair quando se consolidou entre os investidores a crença em que as duas empresas vão chegar a um acordo e a venda será anunciada em breve.

Antes mesmo de um desfecho ser anunciado para o caso da Vivo, começaram a crescer os boatos de que os portugueses, tão logo concluam a venda da operadora, tentarão assumir uma posição na Oi. Mesmo que a participação seja minoritária, garantiria a presença da PT no crescente mercado brasileiro. A entrada de capital novo seria bem-vinda na operadora brasileira, que ainda luta para manter o ritmo de expansão de suas operações depois de se endividar para arrematar a Brasil Telecom. As conversas estariam em andamento, embora ambos os lados neguem.

O redesenho dos principais grupos de telecomunicações será decisivo na definição do cenário competitivo na era da convergência, mas não impede que boa parte das mudanças sejam vistas desde já pelos consumidores. Um relatório do Gartner Group sobre os investimentos do setor na América Latina, divulgado no fim de junho, mostra que a convergência das redes de voz, vídeo, dados e telefonia celular é a principal transformação prevista pelas empresas num horizonte de 6 a 12 meses. As mudanças tecnológicas, portanto, devem ocorrer em um prazo relativamente curto. Mas representam apenas o começo de profundas transformações nas relações entre os clientes e as operadoras que souberem se adaptar aos novos tempos.
Banda larga contra a desigualdade

A ampliação da oferta de acessos a Internet impulsiona a economia, diz Paul Katiz, da Columbia Bussinesse School

Carta Capital - 24/07/2010

No jogo global das telecomunicações, a bola está com os fornecedores de conteúdo e serviços - responsáveis por atrair o consumidor e fazê-lo gastar com a ampla gama de produtos à disposição na era da convergência digital. Mas o equilíbrio pode mudar num futuro não muito distante, com uma transferência de poder para as empresas de infraestrutura, de acordo com o diretor de pesquisa de estratégia de negócios do Instituto de Teleinformação da Columbia Business School, Raul Katz. Em entrevista a CC, o especialista prevê que em algum momento grupos como Google e Apple vão ter de se render à necessidade de maiores e melhores redes de tráfego de informação, e terão de pagar por isso.

Autor de livros e pesquisas que associam diretamente o desenvolvimento econômico e a expansão do acesso à internet em banda larga, Katz defende a adoção de políticas de estímulo à oferta desse serviço nos países latino-americanos como forma de reduzir as desigualdades sociais. Da última vez em que esteve no Brasil, em junho, o professor evitou a polêmica sobre o plano de reativação da Telebrás para ampliação da cobertura da malha de conexão à internet, frisando apenas a necessidade de aproveitar os recursos disponíveis no setor privado. Nesta conversa, acrescentou que para levar os pontos de acesso às áreas mais remotas do território nacional será necessário incluir no plano a montagem de redes sem fio.

CC: Que tipo de empresa tem condições de se sair melhor na era da convergência dos serviços de telecomunicações, as provedoras de conteúdo ou deinfraestrutura?
Raul Katz: Não podemos ter conteúdo sem infraestrutura, são duas atividades complementares. A questão relevante é quem tem mais poder hoje, provedores de aplicativos e conteúdo ou de infraestrutura. Eu diria, dado o modo como a indústria tem evoluído, que as primeiras têm demonstrado deter mais poder. Em parte porque elas oferecem o que os consumidores querem, ou seja, participam diretamente do processo de escolha do consumidor. Por outro lado, o conteúdo precisa de boa infraestrutura, seja a banda larga, sejam os links sem fio de alta velocidade, e isso requer capital a ser investido. Se os produtores de conteúdo e aplicativos não quiserem pagar por esse acesso, como tem sido até agora, os fornecedores de infraestrutura não terão como obter o retorno dos investimentos em redes. Grupos como AppIe e Google conseguem ter mais força hoje, mas essa não é uma situação que vai se perpetuar indefinidamente. Em algum momento, se os fornecedores de infraestrutura não conseguirem bons retornos, terão de reduzir a velocidade dos investimentos, forçando um reequilíbrio de forças.

CC: No futuro, todas as grandes operadoras serão obrigadas a ter pacotes quadruple play (telefonia fixa, móvel, tevê por assinatura e banda larga) para se manter competitivas? Isso não tornará toda a oferta de serviços muito parecida?
RK: Todo mundo pode se movimentar para o quadruple play, mas vão ter :Ie oferecer isso em diferentes plataformas de multicomunicação. Vamos :er alguém como a TIM Brasil, que é ~ssencialmente uma empresa sem fio )ferecendo serviços de banda larga, l1ém da telefonia móvel e potenciall1ente outras aplicações sem fio. Ela erá de conviver com um concorrente :omo a Oi, que é capaz de ofertar pa:otes de serviços diferentes, em plataormas diferentes. Mas ainda vejo al;umas oportunidades para quem fiar com um só serviço, porque nem tolOS os consumidores desejam comprar todos os serviços de uma mesma companhia. Há uma parcela muito grande dos clientes que vai comprar banda larga de um provedor de serviços, como uma companhia de TV a cabo, usar o celular de outra companhia e, talvez, comprar uma linha fixa de outra companhia. São usuários que, depois de avaliar todos esses serviços em conjunto vão descobrir que colocar tudo em um só pacote não traz vantagens suficientes para justificar a compra de um mesmo fornecedor.

cc: Ao mesmo tempo que se movimentam para oferecer mais serviços, as companhias brasileiras mostram grande preocupação em proteger seus própríos mercados. Isso mostra que elas não estão prontas para a nova forma de competição?
RK: É normal que as concessionárias queiram proteger seus mercados, é de lá que vêm os retornos ao investimento. Eu não concordo que as empresas brasileiras não estejam preparadas para competir. Algumas são bastante agressivas na disputa. A briga entre a Net e a Telesp (Telefônica) pelo mercado paulista é pesada. A GVT tem sido muito agressiva, assim como a ai. Há uma competição forte em várias áreas e é possível dizer que o preço da linha móvel no Brasil é baixo graças à rivalidade entre os fornecedores. Quando me perguntam quem vai sobreviver nesse mercado, eu respondo apenas que ainda haverá alguma consolidação. Não será nada dramático, mas alguns players vão desaparecer com o tempo. Acho que vamos para uma estrutura de não mais do que três grupos de larga escala.

cc: a senhor se refere à Telefônica, ai e Embratel?
RK: Para chegarmos a esse cenário, a aquisição da Vivo pela Telefônica é o que falta ocorrer, e acho que vai acontecer. Sei que não será fácil, mas é preciso considerar o capital envolvido. A Telefônica está oferecendo pela Vivo o equivalente a toda a capitalização de mercado da Portugal Telecom. Em segundo lugar, a Comissão Europeia já falou que o governo português não deveria ter usado agolden share (ação que dá direito a veto em transações societárias) para impedir uma venda aprovada pelos acionistas da PT.

cc: Os três maiores grupos brasileiros ainda têm boa parte das receitas provenientes da telefoniafixa, que é um negócio em fase declinante. Ainda será sustentável, no futuro, vender linhas fixas?
RK: Há mais e mais pessoas desconectando suas linhas fixas, e o que ocorre nos Estados Unidos é um exemplo disso. Hoje, 22% das residências não têm mais linhas fixas porque as desligaram. Esse contingente está crescendo ano a ano. A expectativa é que, em 2012, serão 40% das casas que não terão telefone fixo, só celular e serviços de banda larga. Não há dúvida de que o movimento é nessa direção. Ao olhar para o futuro, teremos um ambiente em que os telefones móveis e a internet rápida serão as modalidades dominantes de comunicação. Mesmo assim, não acho que as linhas fixas vão desaparecer por enquanto, ainda haverá uma parcela da população que manterá a linha, como um dispositivo de segurança. Mas será um mercado pequeno, porque a população jovem, que estará adulta daqui a dez anos, será uma geração sem fio, que não fará questão de ter telefone fixo.

cc: o governo brasileiro anunciou um plano ambicioso para ampliar o acesso da população à internet em banda larga. Conectar mais gente à rede pode contribuir para reduzir a desigualdade no País?
RK: Acredito que contribui porque o acesso à banda larga tem um impacto direto sobre o desenvolvimento econômico. Segundo meus cálculos, para cada 10% de aumento na entrada da banda larga, há uma contribuição de 0,18 pontos porcentuais ao PIE. Em segundo lugar, porque esse processo cria empregos. Entre o desenvolvimento econômico e a criação de empregos, consegue-se diminuir a desigualdade de renda e isso contribui para a redução da pobreza. Assim, a universalização teria, definitivamente, um impacto positivo para o País. Todos os meus estudos apontam nessa direção.

cc: Há bons exemplos a serem seguidos pelo Brasil na área de expansão da oferta de banda larga?
RK: Fiz estudos no Chile, que é o país mais avançado em banda larga na América Latina, com 10% de cobertura. Minha estimativa é que, por lá, aproximadamente 100 mil empregos foram criados sob o impacto da internet. O Brasil, como é maior e mais populoso, precisará investir em uma combinação de acessos fixos e móveis. Para atingir as áreas rurais, o uso de tecnologia sem fio será muito importante.

http://bit.ly/99TkfKk
Teles: serviço cresce 703% após privatização

Doze anos depois, número de clientes saltou de 29 milhões para 240 milhões. Mas tarifa é das mais caras

O Globo - 31/07/2010

BRASÍLIA. A privatização das telecomunicações no Brasil completou 12 anos, na última quinta-feira, com um crescimento de 703% na oferta de serviços, um dos maiores índices do mundo. O número de clientes passou de 29,9 milhões em 1998 para 240 milhões, entre aqueles que usam telefone fixo, celular, banda larga e TV por assinatura. A população brasileira é de aproximadamente 193 milhões de habitantes, o que significa que a mesma pessoa já contrata mais de um tipo de serviço. Os dados são do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel e Celular e Pessoal (SindiTelebrasil).

- São 12 anos do maior programa de inclusão social do Brasil - disse Eduardo Levy, diretor-executivo do sindicato.

A telefonia celular foi o segmento que mais cresceu: 2.320%. Passou de 7,4 milhões de clientes, em 1998, para 179,1 milhões no primeiro trimestre deste ano. Já a telefonia fixa saiu de cerca de 20 milhões para 41,4 milhões no período, ou seja, praticamente dobrou. Os clientes da TV por assinatura, que eram 2,6 milhões em 1998, passaram a 7,9 milhões (204%).

Mais recentemente, a banda larga chegou ao cotidiano do brasileiro. São 23 milhões de acessos em todo o país. No primeiro trimestre, foram habilitadas 882 mil novas conexões. Tratam-se de 30 novos acessos ativados a cada minuto do dia durante o horário comercial. A estimativa é que a banda larga pelas redes fixas esteja nos 5.565 municípios do país até o fim do ano. A infraestrutura de terceira geração da telefonia celular (3G), hoje em 740 municípios, deve chegar a três mil em 2011.

A ampliação dos serviços significou receitas cada vez maiores para as operadoras e o aumento expressivo do recolhimento de impostos. O setor, que pagou R$8 bilhões em tributos em 1998, recolheu R$42,8 bilhões no ano passado (435%). Para o sindicato, a carga tributária onera o cidadão em mais de 43% sobre o preço dos serviços.

As operadoras de serviços de telecomunicações investiram R$180 bilhões nos últimos 12 anos na expansão, modernização e melhoria da qualidade da prestação de serviços. Até o fim do primeiro trimestre de 2010, o setor empregava 400,9 mil pessoas. Mas, apesar do aumento da oferta de serviços, o consumidor brasileiro paga a fatura mais cara do mundo pelo uso do celular, segundo o índice de Paridade de Poder de Compra (PPP).

Para o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), o Brasil tem o sistema de banda larga caro, lento e mal distribuído por seu território. O setor também é campeão de reclamação de consumidores, segundo o Sindec, que reúne Procons de 23 estados mais o Distrito Federal, sobretudo em relação a cobrança indevida.

Capitalização da Oi será R$1 bi abaixo do previsto e enfraquecerá minoritários Portugueses e controladores poderão ter maior participação, diz fonte

RIO e BRASÍLIA. O aumento de capital da Oi (ex-Telemar) chegará no máximo a R$11 bilhões, de acordo com um executivo envolvido no negócio com os portugueses. O valor ficará R$1 bilhão abaixo do esperado pela companhia brasileira, que assinou na última quarta-feira acordo de intenções para vender parte de suas ações para a Portugal Telecom (PT) por até R$8,44 bilhões, em operação que será concluída até o fim do ano.

Segundo essa mesma fonte, os controladores da Oi - Andrade Gutierrez Telecom, de Sérgio Andrade, e La Fonte Telecom, de Carlos Jereissati, assim como os fundos de pensão e o BNDES - e a PT vão aplicar até R$10 bilhões. Já entre os minoritários estima-se que o valor investido ficará em no máximo R$1 bilhão. Com isso, os acionistas com pequena participação ficarão ainda menores.

- Os minoritários ficarão menores, e os atuais controladores da Oi terão maior participação. Nessa operação, os portugueses terão muito mais que os 23,5% das ações da Oi - disse essa fonte.

Segundo um executivo, o aumento de capital que os fundos de pensão e o BNDES terão de fazer juntos na Telemar Participações, holding que controla o Grupo Oi, para não perder fatia da empresa, é de cerca de R$1,5 bilhão. Trata-se do mesmo valor que a PT tem de pagar para ter 10% das ações na holding.

- Muita coisa ainda está sendo discutida. Mas os acionistas que venderem ações para a PT usarão esses recursos para a capitalização - observa a fonte.

Supertele agora luso-brasileira

Analistas veem projeto de Lula desandar e reforço da Oi

BRASÍLIA. O rearranjo do mercado das telecomunicações, com a transformação da Portugal Telecom (PT) em maior acionista individual da Oi, muda a cara da estrutura que o governo vinha costurando, desde 2008, para criar uma grande empresa nacional. O novo formato fez desandar o projeto da supertele brasileira acalentado pelo Executivo - que acabou por alterar as regras do jogo para permitir a união de Oi e Brasil Telecom (BrT). Mas fortalece a companhia que, sozinha, já não tinha fôlego para investir na modernização de seus serviços, o que agrada aos especialistas do setor. A operação, à época, foi turbinada por R$6,7 bilhões em créditos de bancos estatais.

- Era impossível segurar empresa deste porte sem participação de capital estrangeiro. Na aquisição da BrT, o discurso era este. Mas a mudança, agora, é muito bem-vinda - afirmou o ex-ministro das Comunicações Juarez Quadros.

- O que é melhor: uma empresa forte, associada a um grupo estrangeiro, ou sozinha? - indagou Ruy Coutinho, ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ex-diretor do BNDES.

Mais do que investidores que reforçarão uma empresa nacional, que já não tinha como aplicar recursos necessários para cumprir as metas de prestação de serviços e honrar dívidas - a Oi ainda não concluiu o pagamento da compra da BrT e tem enorme passivo herdado da Telemar -, os portugueses terão 22,4% do capital da companhia. Além disso, representantes no conselho, o direito de indicar um diretor e o poder de vetar a decisões dos maiores acionistas nacionais, a Andrade Gutierrez e a La Fonte, de Carlos Jereissati. Especialistas admitem até uma participação estrangeira maior na Oi.

- Eles vão querer mudar lá na frente. A empresa tem histórico de má governança. A estrutura da Oi é complexa e deve ser simplificada a médio prazo, atraindo capitais estrangeiros - diz um analista de banco.

Em outros momentos, já se tentou reorganizar o comando da empresa, que tem acionistas muito pulverizados e, no mercado, isso deve vir à tona novamente. Mas não agora para o alento do governo. Quando comentou a operação da PT, o ministro das Comunicações, José Artus Filardi, ressaltou que o mais importante era que a Oi continuaria a ser controlada por grupos nacionais.

- Vai continuar com capital nacional. É uma injeção de capital que vai permitir mais investimentos, principalmente para a banda larga, que é hoje uma meta do governo.

O próprio presidente Lula garantiu que, enquanto estiver no cargo, a Oi continua nacional. Mas o mercado não descarta, no futuro, fundos de pensão e BNDES não terem fôlego ou interesse em pôr mais dinheiro no negócio. Há quem diga ser uma questão de tempo.

- A empresa continua brasileira, mas não é mais 100% capital nacional. Se for comparar a outros acionistas, quem tem mais dispõe de 19% - diz Filardi.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Reviravolta na telefonia

IstoÉ Dinheiro - 30/04/2010


A compra da Vivo pela Telefônica e a entrada da PT na Oi é o começo de uma nova batalha épica no mercado brasileiro de telecomunicações. Mas será que o consumidor ganha com isso?

Para Yon Moreira da Silva Júnior, ex-executivo da Brasil Telecom, todos saíram mais fortes das operações realizadas no setor de telefonia. Confira entrevista abaixo:


Já passava da meia-noite, na quarta-feira 28, quando Roberto Lima, presidente da Vivo, recebeu uma mensagem de texto no celular. O remetente era Zeinal Bava, presidente da Portugal Telecom.

Curta, ela comunicava que a disputa societária entre espanhóis e portugueses pelo controle da maior empresa de telefonia móvel do Brasil estava encerrada. A Telefônica assumia o controle da Vivo por 7,5 bilhões euros. E a Portugal Telecom comprava 22,4% da Oi por E 3,75 bilhões.

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Os dois negócios somam E 11,25 bilhões, mais de R$ 25 bilhões, o que significa R$ 3 bilhões a mais do que o governo federal arrecadou com a privatização da Telebrás há quase exatos 12 anos, em 29 de julho de 1998 na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Na ocasião, foram vendidos o controle de três holdings de telefonia fixa, uma de longa distância (Embratel) e oito de telefonia celular. Em apenas uma troca de ações entre Telefônica, Portugal Telecom e Oi movimentou-se muito mais do que a privatização de todas as operações de telefonia da época.

O tempo provocou profundas mudanças no setor de telefonia. Do emaranhado de companhias criadas a partir de 1998, que previa empresas-espelho para concorrer com as teles privatizadas, sobraram apenas três grandes grupos que devem atuar a partir de agora como os protagonistas no mercado brasileiro. Eles terão capacidade de investimento, escala superior aos demais concorrentes e abrangência nacional.

Os espanhóis da Telefônica se transformaram na maior operadora de telecomunicações do Brasil com a compra da Vivo. A Dedic, empresa de call center da Portugal Telecom, também entrou no negócio, mas seu valor ainda precisa ser definido. Em agosto, um banco de investimento será contratado para fazer a avaliação da companhia, que tem 22 mil funcionários e fatura R$ 600 milhões no Brasil. A Telefônica já atua nesta área com a Atento, que fatura E 1,3 bilhão mundialmente.

Com a compra da Vivo, a Telefônica passa a ter mais musculatura, com uma receita líquida de R$ 32 bilhões em 2009 e mais de 70 milhões de clientes. Os mexicanos da América Móvil, que são donos da Claro, da Embratel e tem participação na Net, preparam-se para unir suas operações.

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E a supertele brasileira Oi – que tem como seu principal acionista individual a Portugal Telecom – ganha fôlego para retomar os investimentos e reduzir sua dívida líquida de R$ 20,9 bilhões com o dinheiro que vai entrar do novo parceiro além-mar.

Em comum, as três operações são capazes de oferecer serviços de telefonia fixa, celular, banda larga e tevê por assinatura de forma integrada. “O nosso objetivo é atuar no mundo convergente”, afirmou à DINHEIRO o presidente da Telefônica no Brasil, Antônio Carlos Valente, logo após o fim das negociações de mais de dois meses com a Portugal Telecom. “Vamos ampliar a cobertura e a gama de serviços.”

Sem uma presença nacional, a compra da Vivo é um passaporte para que a Telefônica rompa as fronteiras do Estado de São Paulo, onde tem uma concessão de telefonia fixa. A companhia espanhola herda da Vivo uma estrutura de 11 mil pontos de venda e 500 mil de recarga de celular espalhados pelo Brasil.

“Temos uma equipe comercial agressiva”, declarou à DINHEIRO o presidente da Vivo, Roberto Lima, após uma longa reunião de diretoria um dia depois da venda da companhia que dirige no Brasil. Na sexta-feira 30, ele se encontrou com Luis Miguel Gil Perez, da Telefônica Internacional, e com José María Álvarez Pallete López, da Telefônica Latinoamérica.

Na agenda, os primeiros passos da integração. “Esse momento não é ponto de chegada. É o ponto de partida”, afirmou Lima. Indicado pelos portugueses da Portugal Telecom para assumir a Vivo em 2005, Lima sabe que terá muito trabalho daqui para a frente sob o comando exclusivamente dos espanhóis.

A entrada de seu ex-patrão no bloco de controle da Oi indica que a supertele brasileira terá mais capital para investir, aumentando a competição. A companhia arquitetada em 2008 com o apoio do governo federal é cercada de polêmica.

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Criada com um discurso nacionalista, ela tem agora um sócio estrangeiro como principal acionista individual da operação. Mas isso só foi possível graças a acordo que mantém a gestão nas mãos dos sócios brasileiros, a Fundação Atlântico, dos funcionários da Oi, a AG Telecom, de Sérgio Andrade, o grupo LaFonte, de Carlos Jeiressati. “A Oi continuará sendo brasileira da Silva”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ser questionado sobre o tema.

Apesar de o governo negar, o negócio entre a Oi e a PT teve o aval de Lula. A solução atual para a entrada dos portugueses na telefonia brasileira foi dada pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho. A proposta foi apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes da viagem que ele fez à Espanha e a Portugal, na terceira semana de maio.

O tema foi discutido em Lisboa, no dia 19 de maio. O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, recorreu ao presidente Lula para resistir ao assédio da Telefônica para comprar a Vivo.

Lula pediu que o governo português procurasse Luciano Coutinho. Mas foi só no dia 13 de julho que as negociações avançaram. Zeinal Bava, presidente da Portugal Telecom, ligou para Otávio Andrade, presidente da Andrade Gutierrez. “A partir daí, elas entraram em um ritmo alucinante”, diz uma fonte que participou das conversas entre portugueses e os acionistas da Oi. “Trabalhava-se dia e noite, inclusive nos finais de semana.” A principal resistência ao negócio era de Carlos Jeirissati, do grupo LaFonte.

Em apenas 15 dias, chegaram a um acordo. “Não queríamos vender, mas temos de ser realistas: não havia mais condições de manter a parceria com a Telefônica”, disse um alto executivo da Portugal Telecom.

Desde a privatização da Telebrás, há 12 anos, o setor brasileiro de telecomunicações mudou radicalmente. A telefonia celular foi o segmento que mais evoluiu. Em 1998, o Brasil tinha 7,4 milhões de assinantes móveis. Atualmente, conta com 185,1 milhões de usuários, um crescimento de mais de 2.500%.

A telefonia fixa dobrou o número de acessos, passando de 20 milhões para 41,4 milhões. Os clientes de tevê por assinatura somavam 2,6 milhões. Agora, são 8,4 milhões. E nem havia banda larga naquele período. O número de conexões da internet rápida fixa é de 11,8 milhões. Na móvel, 11,9 milhões. São números de encher os olhos de todos os que defenderam o processo de privatização.

Mas há um esquecido nesta história: o consumidor. Ao mesmo tempo que a oferta de serviços explodiu, o preço pago por eles, comparado internacionalmente, é alto. O Brasil tem uma das tarifas mais caras de celular pré-pago do mundo. Por aqui, os consumidores gastam, em média, US$ 45 para realizar 30 chamadas e enviar 30 mensagens de texto, segundo pesquisa da organização Diálogo Regional sobre a Sociedade da Informação.

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Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que o Brasil paga dez vezes mais pelo acesso à conexão banda larga do que países desenvolvidos. A qualidade deixa também a desejar. Os serviços de telefonia ocupam o primeiro lugar em número de reclamações no ranking do Procon-SP, com 45,8% das queixas registradas em 2009.

“Os altos impostos, as tarifas de interconexão de redes e a ineficiência das operadoras são as causas destes problemas”, afirma Yon Moreira da Silva Jr., consultor de telecomunicações, que já foi vice-presidente de estratégia da Brasil Telecom, empresa adquirida pela Oi m 2008 (assista entrevista em vídeo no site da Dinheiro).

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que deveria regular isso, está cada vez mais enfraquecida e esvaziada. A instituição, que tem 750 funcionários em Brasília, está perdendo 60 deles para a Telebrás, que foi recriada para tocar o Plano Nacional de Banda Larga. Em razão das eleições, a agência não poderá substituí-los antes de janeiro de 2011.

A concentração do mercado de telecomunicações brasileiro em três grandes grupos é uma notícia pouca alvissareira para os consumidores. Mas os otimistas hão de lembrar que três competidores são melhores do que dois ou do que um monopólio, como há 12 anos.

“Os serviços de telecomunicações dependem de escala. E, a partir do momento que há mais volume, os preços tendem a cair naturalmente. Os consumidores podem antever boas propostas”, afirma Valente, da Telefônica.

Até agora, espanhóis, mexicanos e luso-brasileiros se enfrentaram para valer na área de celulares. Em telefones fixos, banda larga e tevê por assinatura, a competição sempre foi restrita. Com operações nacionais e convergentes, a briga pelo mercado brasileiro chega a outro patamar.

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Antônio Carlos Valente, presidente da Telefônica no Brasil

“Vamos ampliar a cobertura e gama de serviços”
A Vivo é da Telefônica. Quais são os planos agora?
Nosso objetivo é atuar no mundo convergente. Vamos ampliar a cobertura e a gama de serviços. Gosto de usar o exemplo da tevê por assinatura via satélite. Podíamos ter levado para o Brasil inteiro, mas ela só está em São Paulo. No momento em que começamos a ter uma operação nacional, com logística e equipes comerciais, é natural a oferta. As sinergias são de E 3,9 bilhões.

Podemos esperar o avanço da Telefônica para o Brasil, atuando no varejo com banda larga, telefonia fixa e tevê a cabo?
É o nosso objetivo. Não só da Telefônica, mas de todas as empresas do setor. Afinal, essa é uma exigência do mercado.

A Telefônica vai adotar o nome MoviStar no Brasil?
O Brasil será o último a analisar a mudança de nome. Temos de 18 a 24 meses para estudar as alternativas e tomar essa decisão.

Com a integração com a Vivo, podemos esperar preços menores para os consumidores?
Os serviços de telecomunicações dependem de escala. E, a partir do momento que há mais volume, os preços tendem a cair naturalmente. Os consumidores podem antever boas propostas.

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Roberto Lima, presidente da Vivo

“Consolidação deve levar à queda de preços”
Sem uma integração da Vivo com uma operadora fixa e de banda larga, ela não ficaria isolada?
Até agora, não tivemos problemas. O nosso desempenho tem sido muito bom. Mas precisávamos atuar de forma integrada. Senão ficaria difícil concorrer no mercado.

Por que a tarifa de celular é tão cara no Brasil?
A consolidação do mercado de telefonia deve levar à queda de preços. Mas as comparações de tarifas brasileiras com padrões internacionais não são benfeitas. As pesquisas levam em conta o preço nominal das tarifas, sem levar em consideração as promoções. E há uma carga de imposto de 45%, o que você não encontra em nenhum lugar do mundo.

Qual a decisão mais difícil que o sr. tomou na Vivo?
Foram várias. Uma delas foi sair da tecnologia CDMA e migrar para a rede GSM. Fizemos isso em tempo recorde. E deu certo. Marcou a nossa virada.

O sr. teve receio de que a briga dos acionistas atrapalhasse a operação da Vivo?
Nos esforçamos para blindar a companhia. Com a extensão das discussões e com a briga jurídica sendo levada a público, tive sim receio de que ela contaminasse as reuniões do conselho e atrapalhasse a velocidade de aprovação dos projetos.
Banda larga já chegou nas cidades em que há pedidos de TV a cabo

Um bom ponto de partida para entender o potencial impacto da expansão da TV por assinatura é a listagem de 1,1 mil pedidos de concessões de cabo acumulados na Anatel desde 2000. Ressalte-se que esta listagem não contempla, por exemplo, o interesse de empresas como Oi, GVT e Embratel, três operadoras que declaradamente pretendem expandir a sua cobertura de TV por assinatura por meio de redes físicas e que ainda não estão na lista. Ao todo, estes pedidos estão restritos a 762 municípios. O que aconteceria se estas cidades passassem a ter uma operadora de Tv por assinatura imediatamente?

Do ponto de vista de infraestrutura para banda larga, o impacto é quase nulo. Quase todas são atendidas por serviços de ADSL. Apenas 81 não têm nenhuma rede de acesso banda larga, e em 92 já existem outras operadoras de cabo, com redes de Internet em alta velocidade. E se forem consideradas outras tecnologias, há 210 cidades em que existe o atendimento à Internet em alta velocidade com redes de rádio ou fibra. Ou seja, mesmo nessas pequenas cidades em que existe demanda manifestada por redes de TV por assinatura, existe oferta do serviço de banda larga e a TV a cabo entraria apenas como complemento à oferta que já chega pelo DTH.

Olhando do ponto de vista de do mercado, a população nesses 762 municípios em que a Anatel já recebeu pedidos de outorgas soma cerca de 68 milhões de pessoas, ou 20,3 milhões de domicílios. Mas excluindo aquelas 92 cidades cidades em que já existe operadores de TV por assinatura, o potencial de mercado nessas cidades é bem menor. A população das cidades em que há interesse manifestado por novas outorgas cai a 30 milhões e o total de domicílios, a 8,8 milhões.

Vale lembrar que a Anatel vai fazer uma verificação desses 1,1 mil pedidos antes de elaborar as regras para a outorga das novas concessões. O prazo para esse recadastramento de interessados é de 60 dias, que devem se encerrar em começo de outubro.

http://bit.ly/bsjcdxx
Propostas para implementações de ações do pnbl devem ser enviadas até 10/8

Brasil Conectado - 30/07/2010

Conforme já divulgado no post Chamada para a próxima reunião, o encontro de 26 a 29 de agosto do Fórum Brasil Conectado será organizado em onze sessões temáticas (listadas abaixo). Em cada sessão, ações práticas categorizadas no “nível 2″ pelo Programa, ou seja, aquelas que já foram decididas mas estão abertas a propostas para suas implementações, serão discutidas com o intuito de coletar contribuições das 56 entidades participantes do Fórum.

Para isso, onze formulários com as descrições de ações e espaços em branco para preenchimento das aspirações, necessidades, problemas e propostas da entidade foram enviados aos seus representantes. Agora, é imprescindível que os membros da rede CulturaDigital.Br se organizem para sistematizar nossas contribuições e participar da formulação do Programa Nacional de Banda Larga.

Com o objetivo de facilitar a navegação pelos tópicos, separei as ações em posts diferentes de acordo com a sessão. Assim, cada membro pode enviar suas contribuições para as sessões específicas nos comentários dos posts:

Pequena livraria sai da crise com ajuda da internet

A Broadway Books, em Portland, estava prestes a fechar as portas, vítima da crise econômica americana. Até que o Twitter e a blogosfera surgiram em seu socorro, provando que as novas tecnologias podem, sim, resgatar velhos modelos de negócio

Pequena Empresas, Grandes Negócios - 30/07/2010

Por John Brant, da INC.
Robbie McClaran
Encontro de gerações | Roberta Dyer contou com a ajuda do filho, Aaron Durand, e do seu blog para impedir o fechamento da livraria Broadway Books

Em janeiro de 2009, a crise econômica mostrava sua face mais opressiva. Por toda parte, o que se via eram negócios fechando as portas e funcionários antigos perdendo seus empregos. Era um fim de tarde quando parei na livraria do meu bairro em Portland, estado de Oregon, para pegar alguns livros que minha mulher precisava para um curso. Eu era o único cliente. O silêncio parecia assustador. "Como vão as coisas?", perguntei à proprietária, Roberta Dyer, enquanto ela recebia o meu pagamento. Eu era um cliente habitual da Broadway Books havia mais de uma década, mas há meses não entrava na loja. Roberta fez uma pausa antes de responder, e imaginei o pior. "Nosso ano foi péssimo", admitiu. "Mas, em dezembro, aconteceu um milagre."

Há 17 anos, Roberta enfrentava com coragem o desafio de manter a loja aberta, mesmo diante da concorrência das franquias e das livrarias on-line. Nunca pensei nela como alguém que acreditasse em milagres. Por isso, ao ouvir sua resposta, imaginei que ela ainda estivesse abalada pelos fatos do ano anterior. Qualquer que fosse o golpe de sorte que havia salvado a livraria - uma herança de família, uma doação de um cliente ou outro fato inesperado - , o mais provável era que ainda estivesse muito emocionada para pensar claramente.

Eu estava enganado. A história que ela me contou a seguir era absolutamente surpreendente. Não é todo dia que as novas tecnologias, consideradas as destruidoras das antigas tradições, colaboram para manter de pé dois pilares da velha cultura - os livros e a tradicional loja de bairro, comandada pelo dono. Mas não era só isso. O que eu ouvi de Roberta Dyer era uma história sobre uma mãe e um filho que se conectaram, apesar de sua diferença de gerações; sobre blogs, burritos e tempestades de neve; e sobre o poder de resistência quase místico das pequenas empresas locais. Só o cético mais insensível não chamaria aquilo de milagre.

Tudo começou na manhã de 8 de dezembro de 2008, durante a temporada de compras de fim de ano, quando a Broadway Books normalmente alcança 25% de suas vendas anuais. Sentada atrás do balcão de sua livraria vazia, cercada de pilhas de livros não vendidos, Roberta percebeu que o seu faturamento estava prestes a desabar. Ela havia aberto a livraria em 1992, depois de passar duas décadas trabalhando para uma loja de departamentos. Quando eu me mudei para o bairro, no ano seguinte, a Broadway Books já estava estabelecida. Era pra lá que os moradores do bairro se dirigiam quando queriam encontrar um bom livro.

Foi assim até setembro do ano passado. Mas aí tudo mudou. "Comecei a ver um olhar triste nas pessoas", lembra Roberta. "Era como se elas tivessem perdido a fé nas coisas mais básicas. Ninguém comprava mais nada nas lojas do bairro." Os meses de outubro e novembro foram igualmente sombrios. Diante dos maus resultados do início de dezembro, Roberta começou a perder a fé: talvez fosse mesmo hora de fechar as portas. Antes de tomar qualquer decisão, porém, decidiu ligar para o filho. Precisava dizer a ele que não encontrara aquele livro de música encomendado havia alguns meses. Mas, acima de tudo, precisava ouvir a voz do único filho. Aaron Durand, de 28 anos, estava em seu trabalho, numa empresa de calçados Birkenstock USA em Novato, na Califórnia, quando recebeu a ligação.

"Não consegui aquele livro para você", disse ela. "Tudo bem", respondeu o filho. "Não tenho pressa." Ela insistiu. "Você não entendeu, eu não posso te ajudar. Meus distribuidores não trabalham com essa editora. Você vai ter de entrar on-line, fuçar um pouco e encomendar o livro." Estranhando o tom desanimado da mãe, Aaron perguntou: "Está tudo bem com você?". Ela disse apenas: "Sinto muito, filho, não posso te ajudar". Encafifado, Aaron mandou um e-mail para o pai. "O que está acontecendo com a mamãe?" Foi David Durand quem deu a notícia ao filho: a Broadway Books ia fechar suas portas.

Aaron ficou atônito. Ele tinha 12 anos quando sua mãe abriu a loja. Roberta era tão dedicada à livraria que a família costumava dizer que ela era sua filha. Perdê-la seria um golpe terrível. Sem pensar, Aaron abriu o laptop, entrou em sua página no Twitter e começou a digitar: "Se você estiver em Portland, pode me fazer um favor? Compre um livro na Broadway Books. Não, espere, compre 3...". Ele costumava entrar no Twitter para contar aos amigos que música estava escutando ou falar sobre minigolfe. Mas, naquele momento, as palavras vieram com mais força. Aaron teve uma inspiração, e completou: "...e eu lhe pagarei um burrito na próxima vez que for à cidade", digitou.

São Paulo é o calcanhar de aquiles na banda larga do Censo 2010

Convergência Digital :: 30/07/2010

Responsável por aproximadamente 40% dos dados do censo, uma vez que é o maior estado do país, São Paulo é onde o IBGE mais enfrentou problemas para viabilizar a transmissão de dados. Depois de meses de negociação, o IBGE não fechou acordo com a Telefónica.

Segundo o órgão - que realizará a coleta de dados em 58 milhões de domicílios do país - a concessionária afirmou que 'não era viável economicamente atender os postos temporários - cerca de 1000 no Estado - com ADSL de 1 Mbits. Solução foi reforçar 3G e transmissão via rádio.

"Lamentavelmente, após meses de negociação, a Telefónica não cedeu e não nos atendeu nas contratações de links ADSL de 1Mbits nos municípios onde a concessionária atende para os postos de coleta. A alegação foi puramente financeira", observou o coordenador de Telecomunicações do IBGE, Nelson Rezende. "Não compensava para eles ativarem os pontos. Foi essa a justificativa dada", completa o executivo.

Para contornar o problema, o IBGE partiu para soluções alternativas. Entre elas, a contratação de serviço de rádio, junto aos provedores Internet. Serão 154 pontos conectados via a tecnologia. Também houve uma demanda por 2G e 3G.

"A Claro, a Vivo e a TIM, especialmente esta última, vão cobrir os postos de coleta com infraestrutura 2G e 3G. Muitas das transmissões de dados virão do sistema móvel", observa Rezende. Dos 6823 postos temporários de coleta montados para a operação do Censo 2010, pouco mais de 3000 terão conexão banda larga. Os demais vão ficar desconectados por falta de infraestrutura de comunicação.

Censo 2010: Metade dos postos de coleta de dados ficou sem banda larga

Convergência Digital :: 30/07/2010

O principal trabalho de identificação da população brasileira, o Censo 2010 começa nesse domingo, dia 01/08, e será o primeiro da história 100% informatizado, mas padecerá dos males da pouca oferta de comunicação. Dos 6823 postos temporários de coleta, instalados ao longo dos 5565 municípios do pais, pouco mais de 3000 terão acesso à Internet a 1Mbits, por pura falta de infraestrutura de acesso nestas localidades.


Em entrevista exclusiva ao Convergência Digital, o diretor de TI do IBGE e responsável pela área de TIC do Censo 2010, José Bevilaqua, disse que a situação enfrentada pelo órgão governamental é o retrato atual da banda larga no Brasil, onde se fala muito em conectividade, em acesso disponível, mas na prática, não há como contrata-lo, a preços satisfatórios no chamado sul maravilha, ou nas regiões menos favorecidas. Um exemplo, cita o executivo do IBGE, é o fato de no Amazonas, Manaus - capital e sede da Copa do Mundo - e a terceira cidade do estado - Manacapuru - não estão ligadas por serviços de comunicações.

"Fato é que não existe infraestrutura do serviço disponível para todos. Até se pode ter banda larga numa localidade, mas ela já atende a tanta gente, que não há como ampliar a oferta para novos serviços. Falta fibra. E não é um problema apenas nas regiões mais distantes e rurais. Muitas cidades consideradas grandes também sofrem com uma oferta restrita. No caso do Censo, procuramos todos os tipos de oferta de conexão", lamenta.

E Podia ter sido pior. Se hoje, quase metade dos postos recebeu conexão ADSL de 1 Mbits, foi porque, em maio, durante o lançamento do Plano Nacional de Banda Larga, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, denunciou os problemas enfrentados pelo IBGE nas negociações com as concessionárias de telefonia. Mas a Oi, observa Bevilaqua, que se mantinha distante, se mobilizou e criou uma força de trabalho para servir ao maior projeto de diagnóstico da população nacional.

Para montar a infraestrutura de comunicação dos 6823 postos temporários de coleta, o IBGE começou a negociar com as operadoras de telecomunicações, principalmente com a oferta do serviço de banda larga fixo, em novembro do ano passado. A ideia era começar a montar a rede de comunicação em fevereiro deste ano.

Mas as negociações levaram muito mais tempo do que se esperava e, em muitos casos, simplesmente não prosperaram. Os editais de contratação - questionados diversas vezes - se arrastavam. Tanto é assim que a previsão de gastos com Comunicação era de R$ 30 milhões. Com a demora na contratação dos acessos, o custo caiu para R$ 18 milhões. "Não queríamos essa 'economia'. Preferíamos ter o serviço como o planejado", pondera Bevilaqua.

Se faltou competição no ADSL, sobrou no 3G

Ao mesmo tempo que negociava com as teles por banda larga fixa, o IBGE também buscou alternativas como a contratação de sistemas móveis via satélite para as áreas remotas - foram contratados 240 sistemas, a um custo de R$ 500 mil. O serviço será utilizado na Região Norte, Nordeste e em áreas rurais.

Acertou-se ainda com o Ministério das Comunicações, o uso do GESAC, contratado para as escolas, para auxiliar aos postos de coleta. Também houve uma mobilização para o serviço móvel celular 2G e 3G. Nesse item, inclusive, o diretor de TI do IBGE mostra a única satisfação com a área de comunicações.

"Se faltou qualquer indício de competição na oferta da banda larga fixa por ADSL, ela sobrou na 2G/3G. Tivemos uma disputa muito grande e chegamos a um custo bastante satisfatório. Compramos 1800 modems 3G para distribuir aos supervisores dos postos e ainda estamos contratando mais, se houver a necessidade", conta Bevilaqua. Os serviços foram contratados junto à Claro (principal fornecedora), Vivo e TIM (essa no estado de São Paulo).

Também foram adquiridos serviços de rádio, junto aos provedores de acesso à Internet. E aqui, Bevilaqua, faz uma constatação. "Em muitas localidades, o rádio é o único meio de comunicação disponível, tanto que eles são o meio de transporte de dados em 837 postos, dos pouco mais de 3000 conectados", observa.

Os demais postos sem conexão foram autorizados a buscarem meios para transmitir os dados, como a ida até o escritório do IBGE na localidade, ou nas escolas já conectadas pelo GESAC ou, por fim, os supervisores receberam autorização de transmitirem os dados pelas Lan Houses, se elas existirem nos municípios.

Para garantir a segurança do transporte de dados, o IBGE adquiriu 60 mil pen drives - 40 mil de 2GB e 20 mil de 16 GB. Todos criptografados e identificados com a logomarca do órgão governamental. Como cada posto de coleta possui 1 laptop, 1 roteador wi-fi e 1 impressora, os recenseadores da região levarão os dados - via pen drive para os escritórios, as informações serão armazenadas no laptop do posto e enviada para as unidades centrais do IBGE - Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília - via Internet pelos supervisores.Nos postos com conexão - fixa ou móvel -os dados serão transportados automaticamente.

A partir desse domingo, dia 01/08, os 191 mil recenseadores do IBGE começarão a visitar os cerca de 58 milhões de domicílios do país, com a meta de coletar informações sobre a vida dos brasileiros. Com a integração da infraestrutura de comunicação, os dados sobre a população brasileira serão conhecidos imediatamente após o encerramento oficial da coleta de dados. Não haverá mais a divulgação de resultados preliminares, que levavam de quatro a cinco meses para serem apurados.

"Os dados mais simples, como a contagem da população, serão conhecidos imediatamente após a coleta dos dados. Os diagnósticos mais detalhados serão conhecidos ao longo de 2011 e 2012. Vale lembrar que no último Censo, realizado em 2000, apenas em 2004, os primeiros dados foram divulgados. Esse é o grande impacto do Censo 2010 estar totalmente informatizado. Sem o uso de papel. Pena que não tivemos uma comunicação capaz de acelerar a coleta dos dados", completa José Bevilaqua