sábado, 24 de abril de 2010

O futuro em terras tupiniquins...

Tecnoblog - 16/04/2010

Esse é mais um daqueles posts que vão fazer os geeks afoitos por velocidade na web e/ou aqueles que baixam grande quantidades de torrents lamentar por não viver pelos lados asiáticos do planeta. Então tenha aí ao lado do seu teclado um dois dois itens: uma caixa de lenços de papel para enxugar as lágrimas de inveja ou um cartão de crédito com um limite de mais de 5 dígitos para comprar uma passagem só de ida para Hong Kong assim que chegar ao final do texto.

Desde a quarta-feira dessa semana, a operadora de telefonia e banda larga City Telecom baixou o preço do seu serviço de link de 1Gbps. Ele passou a custar apenas (o equivalente a) US$ 26,00. E ele não é servido como a conexão brasileira, em que a velocidade de upload chega a ser um décimo da velocidade de download. Lá, a velocidade é completamente simétrica: 1 Gbps de download e 1Gbps de upload. Esse serviço joga Hong Kong para o topo das lista de cidades com melhor custo por velocidade em serviços de banda larga.

Para entregar tamanha velocidade a operadora usa cabos de fibra óptica direto nas casas dos assinantes. O slogan da campanha para o lançamento do novo preço foi “Transforme sua vida”. Nada mais plausível, já que uma velocidade de UM GIGABIT POR SEGUNDO pode transformar a vida de qualquer um.

Transformaria a minha, com certeza. Eu assisto atualmente a 43 séries diferentes. É verdade. Mas e você, o que faria se tivesse 1Gbps de conexão disponível?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Decreto de Lula reativará Telebrás com poderes em internet e telefonia

Tele.Síntese - 23/04/2010

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) deverá ser anunciado para a Nação na próxima semana. Entre os documentos mais importantes a serem divulgados, estará presente o decreto assinado pelo presidente Lula, cujos termos são praticamente os mesmos àqueles da versão de 30 de dezembro de 2009, que o Tele.Síntese publicou com exclusividade em 29 de janeiro de 2010.

A Telebrás será reativada com mais poderes do que já teve e "passará a ter por finalidade a prestação direta de serviços de telecomunicações", conforme os dizeres do decreto, que foram mantidos na versão final.

Mas haverá algumas restrições para a sua atuação: ela será usada para:

- a implementação da intranet do governo federal;

- apoio e suporte a políticas públicas de conexão à internet e provimento de acesso em banda larga para universidades, centros de pesquisa, escolas, hospitais, postos de atendimento, telecentros comunitários e outros pontos de interesse público;

- provimento de infraestrutura e de redes de suporte a serviços de telecomunicações prestados por empresas privadas e conexão à internet;

- e provimento de acesso em banda larga para usuários finais, pelo menos em municípios onde inexista a oferta daqueles serviços.

O Decreto irá transferir ainda para a Telebrás a infraestrutura de redes de telecomunicações de propriedade ou posse da Administração Federal Direta e Indireta. No caso das estatais (empresas de economia mista), das empresas da administração indireta (como Serpro ou Dataprev), o uso da infraestrutura será realizado mediante contrato de cessão.

Além de reativar a Telebrás, conferindo maiores poderes à estatal, o decreto lista cinco diretrizes do governo e lista uma série de medidas regulatórias que deverão ser implementadas pela Anatel, para que a política de banda larga se efetive. Por fim, o decreto cria o Comitê Gestor do Programa de Inclusão Digital - CGPID.

Acesse aqui o link com a versão publicada pelo Tele.Síntese, em 29/01/2010, que refere-se à versão do dia 30/12/2009. O documento final tem poucas mudanças em relação a esta minuta, por isso decidimos disponibilizar o link de acesso.
Qual seria o Plano de Banda Larga ideal?

InfoOnline - 23/04/2010


Qual seria o Plano de Banda Larga ideal?
Às vésperas da decisão, sobram indefinições sobre os detalhes do Plano Nacional da Banda Larga: Demi Getschko, um dos pais da internet brasileira, comenta sobre o que acha do projeto

SÃO PAULO – Se a internet tivesse que optar por apenas um patrono em cada país, é bem provável que, no Brasil, o eleito seria Demi Getschko, atual diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1975, Getschko foi um dos principais responsáveis pela primeira conexão TCP/IP no Brasil, em 1991, ligando a FAPESP, onde trabalhava, ao Energy Sciences Netword (ESNet), nos Estados Unidos.

A partir do feito, o “pai da internet brasileira” continuou intermediando conhecimentos e conexões tecnológicas em diversas empresas e universidades pelas décadas seguintes, tanto no Brasil quanto fora dele, sempre ligado às questões de internet e seus desdobramentos. Em seu currículo, estão passagens com grandes cargos em Agência Estado, iG, Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), além de ser Conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) desde 1995.

Como bom engenheiro, Getschko evita usar o adjetivo “larga” para se referir ao termo banda, pois, segundo o próprio, a palavra carrega diversas conotações que podem variar de profissional para profissional e, sobretudo, de um país para outro – exemplificando, ainda que a grosso modo, a velocidade de banda larga na Índia pode ser uma conexão pífia no Japão, e por aí vai.

Ele também sempre procura a tangente quando é procurado para falar do Plano Nacional de Banda Larga, visto que não participou sequer indiretamente do projeto e sabe da complexidade de um assunto cujo futuro nem mesmo os envoldidos do governo ousam palpitar.

Mesmo com todas essas ressalvas, Getschko topou conceder uma entrevista a INFO Online em que não faltou nenhuma opinião: falou sobre inclusão, infra-estrutura, velocidade, incentivos, empresas privadas, iniciativas governamentais e tudo mais que envolve o Plano Nacional de Banda Larga a ser apresentado nas próximas semanas.

Confira o bate-papo abaixo:

Demi Getschko, um dos responsáveis pela chegada da internet no país e diretor do NIC.br

INFO: Qual a importância ou urgência do Plano de Banda Larga no Brasil?

DEMI GETSCHKO: Em primeiro lugar, é um fato que o mundo está preocupado com banda larga. Não só os EUA têm um plano para isso, como a Austrália anunciou dois anos atrás, como a Coréia do Sul, Inglaterra e outras nações também. Então há uma óbvia necessidade de prestar atenção nisso se queremos ser um país competitivo com uma população que está, digamos, incluída tanto nos destinos do seu país como na discussão global. Minha posição pessoal é que há fundamental importância tratar de banda larga do ponto de vista de estratégia inicial, porque isso dará aos brasileiros amplitude/ respiração para continuar evoluindo. Está claro em alguns lugares, como na Austrália, que o modo de incluir as pessoas nem sempre é atingível pela iniciativa de mercado. Isso acontece porque, mesmo nos Estados Unidos, normalmente as opções que você tem para acessar banda larga de certo lugar que não seja Nova Iorque ou em uma cidade pouco povoada, há uma, no máximo duas opções. Não há, de fato, uma diversidade de ofertas. Isso não acontece porque as infra-estruturas estão ligadas a estruturas físicas que são esparsas – cabo, fibras, às vezes rádios -, e não há uma enxurrada de ofertas. A competição nessa área, nos Estados Unidos, é muito escassa. Posso dizer que a competição no Brasil é pior. Raramente, você tem competição; em São Paulo você pode escolher se você quer via cabo ou via DSL , ou seja, tem algum tipo de escolha, mas a medida que você vai saindo para regiões um pouquinho mais remotas, você tem uma ou zero escolha; ou você tem o fornecedor local ou você não tem acesso.

INFO: Quem deve tomar a iniciativa: o mercado, o governo, ou ambos?

DEMI GETSCHKO: Há espaço e a Austrália detectou isso, assim como outros também, para que seja uma iniciativa não só do mercado, porque se deixar por conta dele, isso vai acontecer daqui trinta anos, à medida que a economia evoluir e passar a ser atrativo o ato de ligar regiões que hoje não estão ligadas. Isto é, regiões que não estão economicamente ligadas não serão ligadas simplesmente pelos players do mercado no esquema de competição atual porque não há atração, ninguém é doido de investir onde não há retorno. Sem entrar no mérito do que diz o Plano ou deixa de dizer, penso pessoalmente que há espaço para uma coleção de atores na área. Isso não quer dizer que se deva tratar de uma forma puramente estatal, mas também não pode tratar de uma forma que o mercado resolverá, porque não resolverá. Há necessidade de que exista uma combinação de esforços, de estímulos, de participação multisetorial na área em que algumas regiões você tenha que usar mais esforço governamental e outras regiões eventualmente mais esforço privado, em geral uma cooperação.

INFO: Quais seriam os principais obstáculos do Plano?

DEMI GETSCHKO: Um ponto que é absurdo no Brasil é que temos uma dificuldade de incluir os brasileiros tendo uma coleção de fibras ópticas ociosas no país. É uma barbaridade independente se elas pertencem ao espólio de A ou B, ou se tem a ver com a empresa X ou Y. Num lugar onde você precisa desesperadamente passar conectividade, isso não pode ocorrer. Na Austrália, estão fazendo um backbone em anel que vai cobrir toda região do litoral porque só há população lá e não precisa ir para o meio, onde só tem deserto, mas nós brasileiros temos fibras, pelo que se sabe, e isso precisa ser usado. Obviamente, é um luxo absurdo você ter condição de chegar a algum lugar porque uma hidrelétrica chegou lá, porque uma empresa chegou lá. Em geral, essas coisas têm que chegar sempre em combinação. Por exemplo, qualquer política decente diz quando você passa uma estrada em algum lugar, você passa do lado uma manilha para poder passar fibra; quando você passa um oleoduto, você passa uma manilha para passar fibra; então, essas coisas têm que ser usadas para o bem geral, quer dizer, quando você tem um problema geográfico de passar um treco por rio ou ponte, tem que levar junto a fibra, que agora finalmente passa a ser algo obrigatório.A própria companhia que passou, evidentemente, tem o direito de usar, mas o fato de ganhar o direito de passagem, devia ceder aos demais o direito de uso da telecomunicação que foi gerada. Comparando, você, ao fazer uma estrada, têm direito de passagem por diversos municípios que alguém outorgou, então esse direito deve ser devolvido, do ponto de vista da informática, deixando que aquele duto que foi criado possa ser também usado pelos outros. Acho que a fibra óptica existente deve ser usada, porque não tem sentido deixar trechos da população isolados pelo simples fato de existir uma pendência sobre como usam ou deixam de usar.

INFO: Você acha que o melhor caminho é a banda larga a cabo?

DEMI GETSCHKO: Acho que o único caminho existente é a banda larga com fibra óptica para longas distâncias, cabo na cidade, ou coisa assim; o resto são soluções paliativas, como, por exemplo, a DSL que é usada em cidades serve apenas para distâncias curtas, como há muito se sabe. Sobre energia elétrica, não acredito que funcione para longa distância, só para distâncias muito curtas, para dentro do prédio, no quarteirão, do poste para casa; mas imaginar que a internet saia pela linha elétrica não vai funcionar, é muito ruim o meio. Já a fibra óptica, hoje, com a história do DWDM, usa vários comandos de onda e parece quase infinita a capacidade – não é, evidentemente -, mas atualmente a capacidade da fibra óptica tem ido muito, muito longe. Você tem hoje centenas de conjuntos de dez gigabits numa única fibra, então acho que o grande investimento é “fibrar” o país, é passar fibra óptica em tudo quanto é lugar. Nós não precisamos chegar com as fibras nas casas, como acontece no Japão, mas se nós pudéssemos pelo menos levar a fibra até cidades, ou até quarteirões e daí para frente distribuir por wireless ou DSL, ou por cabo de TV o que for, seria uma solução.

INFO: Tem-se falado que a velocidade seria algo em torno de 512 Kbps. Não seria melhor um investimento maior?

DEMI GETSCHKO: Veja, em geral, não gosta muito de adjetivos. Não sei o que significa “larga” quando se diz “banda larga”. Sei que uma banda de 512 é uma banda de 512, se isso é largo ou estreito, depende da cintura do observador. Certamente no Japão isso não é considerado banda larga, mas no resto do mundo pode ser. Temos aqui, acho, dois pontos diferentes. Em primeiro lugar, mais importante do que a banda ser larga ou estreita, é a banda ser perene, isto é, garantir que o sujeito não tenha um vaga-lume, que ele ligue e funcione. Mesmo que funcione mal e lento, não tão bom e rápido quanto gostaríamos, a primeira coisa fundamental seria uma banda perene e confiável. Então, acho que precisaria batalhar por qualidade e a primeira prioridade para o pessoal que vai ser incluído é perenidade – quer dizer, que a coisa exista e funcione.

INFO: Seria possível aumentar a velocidade com o tempo usando a mesma infra-estrutura?

DEMI GETSCHKO: A necessidade de banda larga mais veloz pode vir com o tempo, e se a estrutura for de fibra é muito simples fazer upgrade disso. Porque você troca os moduladores ópticos por moduladores novos DWDM, e a mesma fibra que transportava 10 gigas passa a transportar 20 vezes 10 gigas, dado você usa “n” modulações na mesma. Você consegue fazer trocando só os equipamentos na ponta. Agora, até as casas é que o grande investimento, então talvez pudesse começar mais modestamente e depois evoluir. Não acredito que a gente consiga ter fôlego para fazer o que o Japão faz, de botar a fibra óptica chegando até as casas, porque são concentrações populacionais muito mais densas e fáceis de se tratar. Temos que ter noção das comparações que fazemos. Nós somos muito mais próximos da China e da Índia do que de Japão, Coréia do Sul ou até mesmo Cingapura.

INFO: Esse processo poderá ser rápido, barato e duradouro?

DEMI GETSCHKO: Veja por exemplo, por que a DSL é um sucesso em São Paulo e em outros lugares? Porque já havia uma estrutura de cobre que levava telefone até sua casa, então se botou um modenzinho do lado e usando a mesma estrutura passou a aumentar a velocidade. Se houvesse fibra chegando a sua casa, você teria um infinito de evolução para sua casa, mas não tem. O que acontece quando você precisar de 10 megas na sua casa? O seu fio de cobre não vai suportar, não tem como levar isso se você tiver a quatro quilômetros de distância da central telefônica. Aí tem que ter outra estrutura; ou você vai para o cabo, que vai mais alto que a DSL, ou vai para a fibra óptica, ou inventa-se outra solução via wireless – mas nessa velocidade sabemos que não é bom. Tem que usar a estrutura existente na velocidade que a tecnologia permite, mas de repente, alguma estrutura vai passar a ser obsoleta com o tempo. Mas a fibra óptica tem um grande fôlego pela frente.

INFO: As operadoras atuais têm condição de entregar um serviço de qualidade?

DEMI GETSCHKO: É, isso é mais complicado. Na verdade, o que acontece é o seguinte: cada caso é um caso. Muitos problemas do passado se deveram a uma abordagem extremamente complexa da rede interna que foi instalada – não vou entrar em detalhes nisso aí. Do ponto de vista econômico, o que acontece é o seguinte: no agregado de bandas, como no agregado de telefonia e de qualquer serviço publico, ninguém faz uma conta de somar, faz-se uma conta estatística. Por exemplo, você pensa lá em São Paulo com dez mil leitos hospitalares que atendem dez mil paulistas doentes. Mas se tiver toda a população doente, não tem leito para todo mundo, então esse número é bom ou é mau? Depende da estatística e do grau da peste que afeta a população. Então na telefonia também é assim, se todo mundo da Lapa for ligar para todo mundo da Penha ao mesmo tempo, não é possível. Não há um caminho que atenda todos os habitantes da Lapa para a Penha. Existe um fator estatístico que é colocado em cima daquilo que diz que a cada cem habitantes da Penha, um liga para Lapa naquele horário, e o resto liga para outro lugar. Então, na internet, quando você ganha uma conexão de 512, ela é somada a do vizinho e a de outro, e no fim, cem caras com 512 ficam com 5100, isto é, você multiplica por dez, não por cem. Existe esse fator normal, ninguém vai mudar isso. Seria cretinice dar 512 para cada um. Da mesma forma que o número de ônibus não atende toda a população de um lugar para outro lugar. Aí entram os fatores econômicos, que vão colocando mais e mais gente, e nem sempre se aumenta o canal de saída, então o razoável fica atulhado de mais e mais gente. Um prédio de dois gigas, quando tinha dez apartamentos estava bom, mas quando havia cem, começa a ficar ruim. Se não faz upgrade desse conjunto agregado para a rede, até porque economicamente é uma vantagem, você acaba gerando um serviço que, com o tempo, pode apresentar uma degeneração.

INFO: Na sua opinião pessoal, o Plano Nacional da Banda Larga está bem encaminhado?

DEMI GETSCHKO: Olha, eu acompanhei mal. O que me preocupa é que a coisa não está indo; uma hora é para um lado, outra vai para outro. Não ficaria chocado, nem acharia um absurdo, se houvesse uma estatal que cuidasse de infra-estrutura. Isso, claro, deveria ser dentro das regras de competições normais. O pessoal tem que mostrar que há jeitos eficientes de fazer isso e que há jeitos de diminuir custos. Você não pode fazer isso com privilégios específicos, porque toda comparação desmorona. Ideal seria uma solução que mostrasse uma estatal pequena, não monstruosa como eram as de antigamente, e que trabalhasse dentro do esquema de mercado, conseguindo mostrar o ser auto-sustentável dentro dos padrões. Se isso for possível, é um estímulo para que todos melhorem serviços e custos. Minha posição não é radical, do tipo “precisa ter isso”, ou “só vai funcionar assim”. O que é importante é que funcione e seja realista. Não acredito em coisas que você vá soterrando dinheiro lá, a troco de que um dia alguma coisa funcionará. Se você conseguir provar que dá para operar eficientemente em regiões onde hoje não têm atendimento, concordarei. Mas acho que sempre terá que haver parcerias, porque ninguém não vai conseguir chegar ao usuário final sozinho; terá que chegar até a cidade e ver como internamente se distribui, se os provedores locais podem ajudar, se as operadoras podem ajudar... É uma coleção de esforços que levaria a integração de todos os brasileiros. Sou muito favorável a esse esforço enorme e não sou contrário que haja participação governamental no processo, mas gostaria que isso fosse feito de uma forma sustentável e competitiva.




Banda Larga: Acessos móveis superam os fixos ainda no 1º tri de 2010 no Brasil

Convergência Digital - 23/04/2010

A participação da Internet móvel no mercado brasileiro já ultrapassa os índices apresentados em países mais desenvolvidos. Enquanto no Brasil a participação da Internet móvel é de 9%, do total de 8,1 milhões de usuários de banda larga, o mesmo índice nos EUA é de apenas 6%, revela estudo produzido pela E-Consulting.

Do total de 10,5 milhões de conexões registradas em janeiro, 94% foram realizadas a partir de celulares e apenas 6% em modems. Com este dado, Domeneghetti afirma que “o smartphone tenderá, em poucos anos, a ser o principal dispositivo de acesso à Internet, superando o PC. E logo no primeiro semestre de 2010, o volume de acessos móveis no Brasil deve ultrapassar o de banda larga”, destaca o executivo.

O estudo mostra ainda que os celulares orientados a voz continuarão sendo maioria, no entanto, já em 2011, os chamados “Converged-function handsets” (aparelhos com funções convergentes) deverão alcançar 30% do mercado. Os smartphones também mostram sua força e a tendência, observa o relatório, é que eles superem os PCs como principal forma de acesso à Internet emm alguns anos. No quarto trimestre de 2009, por exemplo, foram vendidos 90 milhões de PCs e 52 milhões de smartphones, mundialmente.

A América Latina, no entanto, viu sua participação relativa no mercado mundial de smartphones retrair em 2009. O mercado da região ainda está em fase inicial de desenvolvimento e consome apenas 5% das unidades fabricadas. Desse total, cerca de 35% são encaminhados para o Brasil.No entanto, a região deverá capturar até 30% do Market Share até 2015, quando cerca de 50 milhões de unidades deverão ser adquiridas na região.

Repórter Brasil: Brasil quer 3º lugar no mercado de informática

O Brasil está muito perto de conquistar a terceira colocação do mundo no mercado de informática. Consumidores e lojas especializadas comemoram a boa fase.

Blog Capital Digital - 23/04/2010


Os gritos do silêncio

*Leonardo Araujo

Via de regra, todos os grandes movimentos telúricos são precedidos por um silêncio quase sepulcral da natureza. Tempestades, tsunamis, terremotos e outros do mesmo tipo são percebidos com antecedência pelos animais e por alguns tipos de plantas, fazendo com que a fauna se cale e a flora "móvel" se recolha, todos em busca de proteção contra as forças da natureza.

Essa introdução, embora pobre na comparação, é feita apenas para ressaltar um "inexplicável" silêncio governamental sobre um dos maiores projetos que já foi planejado neste País e que está em vias de ser lançado.

O silêncio das autoridades parece ser mais eloquente do que tudo que já foi dito. Não se ouve mais nada sobre a reunião com o Presidente ou sobre qualquer outra coisa a respeito do PNBL. Todos estão mudos...

Uma das hipóteses possíveis - talvez a mais provável - seja a de que o governo esteja se "recolhendo" e "protegendo" para evitar quaisquer danos que uma palavra dita em hora errada possa causar. Ou, ainda, para impedir que os inimigos do PNBL possam ter argumentos para tentar, na justiça ou na política, impedir sua execução.

Seja como for, o silêncio é gritante, parecendo indicar que algo grande e poderoso esteja em vias de acontecer.

*Leonardo Araujo é analista de informações

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Momento interessante para coisas grandiosas...

Governo divulga terça-feira a lista de telecentros que serão apoiados


Tele.Síntese - 22 de April de 2010


O governo divulga na próxima terça-feira (27) a lista dos projetos selecionados na primeira fase do Programa Nacional de Apoio à Inclusão Digital nas Comunidades (Telecentros.BR). O colegiado de coordenação do programa, composto pelos Ministérios do Planejamento, Comunicações e Ciência e Tecnologia, está avaliando as 1.071 propostas encaminhadas, envolvendo 14.925 telecentros para serem apoiados pelo programa.

Mais de 10.400 telecentros solicitam o recebimento de kits com dez novos computadores e mobiliário, e outros 709 centros pediram kits com cinco e dez computadores recondicionados. Já conexão à internet é solicitada por 12.461 telecentros.

Outros três mil telecentros pediram a concessão de uma bolsa para jovem monitor por unidade no valor de R$ 483,0. Já 11.555 telecentros solicitaram obtenção de duas bolsas para cada um deles no valor de R$ 241,50 e outros 214 centros pediram a concessão de uma bolsa no valor de R$ 241,50.

Além dos 14.781 telecentros que solicitaram bolsas, existe demanda para formação de agentes de inclusão digital por parte de 13.815 telecentros sem o auxílio financeiro previsto pelo programa.

O total dos recursos envolvidos no Programa é da ordem de R$ 165 milhões e o objetivo é apoiar a implantação de três mil centros gratuitos de acesso à internet e no fortalecimento de outras cinco mil unidades em todo o país.
Internet brasileira cai duas posições no ranking de velocidade da Akamai

Por Redação do IDG Now! - 22 de abril de 2010

País ocupa o 37.º lugar no ranking de velocidade de internet; em origem de ataques, também houve queda de duas posições, para o 4.º lugar.

A Akamai Technologies divulgou na terça-feira (20/4) o relatório State of the Internet do quarto trimestre de 2009. O estudo aponta dados gerais sobre o acesso mundial à rede, como ataques e velocidade média de conexão.

A internet brasileira, que no terceiro trimestre de 2009 ocupava a 35.ª posição em um ranking de 45 países, fechou o ano caindo para o 37º lugar com uma velocidade média de 1.312 Kbps.

Os três primeiros lugares do ranking foram conquistados pela Coréia do Sul (11,7 Mbps), Hong Kong (8,6 Mbps) e Japão (7,6 Mbps), nesta ordem. São os únicos três países que têm velocidades acima de 7,5 Mbps no último trimestre de 2009. Os Estados Unidos aparecem em 22.º lugar, com média de 3,8 Mbps.

Das cem cidades com maior velocidade de internet, 48 estão localizadas no Japão e 21 nos Estados Unidos.

Em termos de internet móvel, a velocidade média de conexão variou de 3,2 Mbps na Áustria a 106 Kbps na Eslováquia.
Banda larga no Brasil: como está ela em 2010 e quais as perspectivas para o futuro?

Por Douglas Ciriaco - Quinta-Feira, 22 de Abril de 2010

Somos um país continental, porém, no Brasil, a banda larga ainda é cara e não alcançou todo o território nacional. Conheça um pouco mais dessa realidade e saiba também o que vem por aí.

Mesmo com um crescente número de acessos devido ao barateamento dos computadores, algumas regiões do país ainda estão presas em uma espécie de “apartheid” que impede a conexão de milhares de brasileiros à internet.

Seja por motivos econômicos – afinal os preços de banda larga continuam salgados (e intragáveis em algumas localidades) -, seja por motivos de infraestrutura – pois alguns lugares simplesmente não têm nenhum tipo de cobertura banda larga -, o Brasil ainda tem muito que melhorar.

A banda larga no Brasil hoje

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 35% da população brasileira teve acesso à internet no final de 2008. Transformando em números exatos, isso significa que 56 milhões de brasileiros utilizavam a rede mundial de computadores.

Em 2009, o Ibope apontou um crescimento de 8,2% e, ao todo, 67,5 milhões de brasileiros foram considerados digitalmente incluídos, acessando a web regularmente de casa, do trabalho, da escola, de lan houses ou de bibliotecas.

Apesar do crescente número de "brazucas" conectados, que em 2005 eram cerca de 1 milhão de residências, nossa realidade ainda deixa muito a desejar. Contudo, previsões apontam que a conexão via banda larga deve chegar a um número maior de brasileiros ainda neste ano.

Tratando do número de assinaturas de internet banda larga, ou seja, número de residências que possuíam a conexão, no final de 2009 eram 10,2 milhões a uma taxa média de R$ 96 de acordo com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e o Comitê Gestor da Internet (CGI).

O caso da região Norte

Se há crescimento de acesso, logo deve haver aumenta da cobertura, certo? Mais ou menos. Se tomarmos como exemplo a região Norte do Brasil, verificamos uma realidade totalmente diferente das demais: de acordo com os deputados federais Marcelo Serafim (PSB-AM) e Janete Capiberibe (PSB-AP), dos 62 municípios do estado do Amazonas, apenas a capital Manaus tem cobertura completa de banda larga e celular.

Os parlamentares propuseram um debate pela maior atenção à região, na Câmara dos Deputados, na Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Regional. Do encontro, saiu a previsão de um representante do Ministério das Comunicações de que até o final de 2010, todos os municípios da região norte tenham cobertura para conexões banda larga.

Apesar de Manaus ser a única cidade completamente coberta por sinal de ADSL, o preço deixa muita gente fora da web. Isso porque uma conexão de 600 Kbps, maior velocidade disponível na região e oferecida pela operadora Oi, custa nada mais nada menos de que R$ 429,90, valor bem acima dos R$ 35 reais propostos pelo governo federal em seu plano de universalização da banda larga no Brasil.

Plano Nacional de Banda Larga

Levar internet de até 1 Mbps a preços acessíveis a 50% dos domicílios urbanos brasileiros até 2014: esse é o objetivo principal do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), um estudo elaborado pelo Ministério das Comunicações e entregue ao presidente Luís Inácio Lula da Silva no segundo semestre de 2009.

Com investimento girando em torno de R$ 75 bilhões, a ideia é usar redes de fibra ótica já existentes no Brasil e que não vêm sendo utilizadas, para criar redes móveis e expandir o acesso à rede mundial de computadores até localidades que ainda não possuem o acesso. O plano ainda está em fase de elaboração, pois muito se discute em torno de sua implementação.

O Plano não deixa de lado a internet móvel e pretende atingir, até 2014, 60 milhões de usuários pessoais. Outras metas do PNBL incluem internet banda larga para a totalidade de unidades da administração pública (federal, estadual ou municipal) e unidades de saúde, além de bibliotecas públicas e órgãos de segurança pública.

Para a zona rural, o PNBL projeta a implementação da banda larga em 15% dos domicílios, o que representa cerca de 1 milhão de pontos de acesso, bem como a implementação integral em unidades de saúde e escolas.

PNLB: público, privado ou misto?

O PNBL reaviva uma discussão sobre a necessidade ou não da intervenção estatal para democratizar o acesso à internet no Brasil, pois uma das possibilidades do plano é a reativação da Telebrás, estatal brasileira criada em 1972 e responsável por padronizar e modernizar os serviços de telefonia no país, mas privatizada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Modelo estatal

Essa posição, de um modelo estritamente estatal, é mantida pelo Ministério do Planejamento. Obviamente ela apresenta pontos positivos, como a facilidade de conferir um cunho social ao plano, visto que empresas do Estado não visam lucro e podem muito bem oferecer um serviço amplo e de qualidade.

Além disso, os planos disponibilizados pela estatal forçariam as empresas privadas a reverem seus preços. O ponto negativo fica por conta de uma hipótese: se a banda larga do governo não fosse a mais eficiente o consumidor sairia prejudicado. Contudo, a insatisfação em relação à qualidade e ao preço aplicado pelas telefônicas faz crer que pior não deve ficar.

Modelo privado

O Ministério das Comunicações, por sua vez, defende a gerência privada do PNBL, ou seja, o governo cede apoios fiscais às telefônicas para que elas comercializem os planos com os consumidores, inclusive em locais afastados dos grandes centros urbanos, aumentando o alcance e a qualidade e diminuindo o preço das mensalidades da internet banda larga no Brasil.

As vantagens de um plano gerenciado única e exclusivamente pela iniciativa privada seriam a experiência das empresas já existentes e também a possibilidade de novos investimentos no setor. Por outro lado, deixar novamente a banda larga sob a “mão invisível do mercado” não garante aos usuários nem melhoria na qualidade dos serviços, muito menos preços baixos.

Modelo misto

Por fim, a terceira via do PNBL é a economia mista, ou seja, com partição pública e privada. Essa via é defendida pelo Ministério da Casa Civil e nela a gestão da rede ficaria sob a tutela da Telebrás, contudo, a empresa não faria a venda direta para o consumidor, mas, sim, para pequenos provedores privados.

O Estado atuaria como provedor somente em locais mais distantes e menos povoados, ou seja, onde não houvesse interesse comercial por parte das empresas privadas. Com essa medida, com certeza surgiriam milhares de novos concorrentes no mercado, o que ajudaria a baixar o preço.

Além disso, a participação do Estado evitaria concorrência desleal e garantiria os preços baixos e também a oferta de serviços com qualidade por parte dos provedores. Essa medida também não agrada aos grandes “barões” das telefônicas no Brasil e acabaria por colocar o governo federal como único responsável por infraestrutura no setor, o que nem sempre é um ponto negativo.

Banda larga econômica

Adiantando-se um pouco ao projeto do governo federal, a Telefônica, em parceria com o governo do Estado de São Paulo, oferece o serviço de banda larga com velocidade de 256 Kbps por R$ 29,80. Isso é possível pois o governo estadual isenta a empresa do ICMS, valor que corresponde a 25% do cobrado pela operadora.

É uma iniciativa louvável, porém, com um pouco mais de boa vontade isso poderia ser revisto. Claro que 256 Kbps é bem melhor do que os 56 Kbps de uma internet discada, contudo, ainda é muito baixo. Pelo valor cobrado, a empresa poderia oferecer uma velocidade maior, quem sabe de até 1 Mbps como versa o PNBL.

Classe C e a banda larga

Pesquisa do Programa de Estudos do Futuro da Fundação Instituto de Administração (Profuturo/FIA) aponta que, até 2020, metade da população que compõe a classe C terá acesso à internet. Desse montante de acessos, 60% será via conexão banda larga. De acordo com a mesma pesquisa, em 2008, apenas 7% do grupo tinha acesso a esse tipo de conexão.

As estimativas do Profuturo são de que, em dez anos, 99% da classe A esteja conectada na web via banda larga, valor também superior aos 64% de 2008. Para a classe B, a projeção indica um salto de 26% (2008) para 90%. Por fim, a classe D deve ascender de 1% para 25%.

A mesma pesquisa indica que quem mais sairá ganhando com a expansão serão as operadoras que oferecem serviço via cabo modem ou sem fio, que devem crescer 33%. Outro mercado em ascensão será o de conexão via rede WiMax, com 31%. Contudo, essencialmente no caso das classes C, D e E, o ADSL será a principal forma de conexão.

Internet móvel

A telefonia móvel de terceira geração (3G) começa a se consolidar no mercado de internet móvel brasileiro, seja para aparelhos de telefone celular ou computadores portáteis. Os novos padrões de telefonia utilizados permitem aos usuários muito mais do que apenas enviar e receber mensagens e completar ligações.

Internet móvelO suporte cada vez maior para novos serviços abre um mercado interessante para novas empresas no setor. Contudo, a relação custo-benefício acaba fazendo da internet 3G uma opção não muito viável para usuários caseiros quando se compara com planos de conexão banda larga via ADSL ou cabo.

As quatro principais operadoras de telefonia celular do Brasil, Oi, Vivo, Tim e Claro, oferecem o serviço de internet móvel. O plano com velocidade de até 1 Mbps (na verdade a velocidade varia de acordo com condições climáticas, posição e deslocamento do usuário) variam em algumas operadoras de acordo com o pacote de dados, porém, custam em média R$ 119,90.

O Plano Nacional de Banda Larga, porém, não deixa de lado a internet móvel. Como foi dito anteriormente, a meta é que até 2014 haja 60 milhões de pontos de acessos em todo o Brasil suportados pela rede de telefonia. Quem sabe com as melhorias da rede 3G e o advento de uma nova rede, a 4G (clique aqui para ler mais sobre a 4G), a internet móvel se popularize ainda mais por aqui.

Banda larga pelo mundo

É importante ver os esforços do governo federal para democratizar a banda larga e levar acesso aos locais mais ermos do enorme país que é o Brasil. Contudo, ao olhar para fora, é possível notar a enorme diferença tecnológica que há entre nações mais desenvolvidos e o Brasil.

Em Hong Kong, por exemplo, é possível acessar a internet com uma velocidade de 1 Gbps pagando apenas US$ 26 (cerca de R$ 45). A cidade de Berklye, na Califórnia, Estados Unidos, registrou a maior média de velocidade de transferências de dados: 18,7 Mbps para fazer um download.

A Finlândia, terra da Nokia e de Linus Torvalds (criador do Linux), é o primeiro país do mundo em que o acesso a banda larga (e com velocidade de 1 Mbps) é direito garantido por lei a todo cidadão. Ou seja, ninguém precisa pagar para ter uma conexão com excelente velocidade e qualidade. A partir do fim de 2016 nenhuma residência poderá estar a mais de 2 km de um ponto de acesso de 100 Mbps.

A realidade brasileira é bem diferente da de outros países também na internet móvel. Na Áustria, por exemplo, uma conexão de 21 Mbps custa, mensalmente, US$ 25 (cerca de R$ 44) com um pacote de dados de 19 GB. Obviamente, a operação de uma rede nacional na Áustria é bem mais barata, devido ao tamanho do país. Mas, de qualquer forma, a diferença de preço é exorbitante.
Oi nega proposta ao Governo de R$ 27 bilhões para banda larga

InfoMoney - 22/04/2010

SÃO PAULO – Em reposta à consulta da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a Oi (TNLP4) – divulgou nota de esclarecimentos sobre matéria publicada no jornal Folha de São Paulo na última segunda-feira (19).

Segundo o comunicado publicado nesta quinta-feira (22), a reportagem menciona um suposto pedido de incentivos e benefícios federais para universalização da banda larga no País por parte da Oi.

“A companhia esclarece que não procedem as afirmações contidas na matéria veiculada”, diz o comunicado, que nega a formulação de proposta ou solicitação de incentivos e benefícios ao governo, no valor de R$ 27 bilhões.
Googlenet - A cure for America’s lame and costly broadband?

Apr 1st 2010 | LOS ANGELES | From The Economist online

THEY plunged into icy waters, swam with sharks, performed aerobatic feats, offered to name their cities, even their first born, after it—all to get Google to pick their communities as test-beds for the ultra-fast fibre networks it plans to start rolling out in the near future. By March 26th, the deadline for submissions, no fewer than 1,100 towns, cities and states across America had put their names forward. Altogether, nearly 200,000 individuals wrote letters beseeching Google to consider their places of residence.

The overwhelming response to the search company’s announcement in February that it aspired to build a handful of fibre-optic networks to connect settlements of 50,000 to 500,000 people to the internet at speeds of up to one gigabit a second—over 200 times faster than typical access speeds in America today—showed just how hungry people around the country are for better, faster internet access. By raising the stakes two orders of magnitude, Google hopes to find out what the killer applications will be when speed of access is no longer a constraint and capacity is effectively infinite. The firm did something similar when it launched Gmail with unprecedented storage space at no charge. There is no question that if Google’s giganets come to fruition, they will change the competitive landscape of broadband America, and force incumbent ISPs (internet service providers) to scrap their existing business plans.

Two out of three Americans are said to have broadband access, whatever that means. The Federal Communications Commission (FCC) requires transmission rates to be greater than 768 kilobits a second for a service to be classed as broadband. That has not stopped ISPs from delivering far less and charging a hefty premium over the price of dial-up connections to the internet. And do not believe their adverts claiming download speeds of so many megabits a second. The FCC reckons most web surfers are lucky to get half the advertised speed.

For fixed-line connections to the home, the average download speed across the United States is—despite what various ISPs claim—little more four megabits a second. Compare that with download speeds of up to 100 megabits a second available in the more advanced countries of Asia and Europe. In terms of broadband speed, the United States ranks 19th among the 30 industrial countries that are members of the OECD.

Worse, because they have so little choice, Americans pay through the nose for the privilege of going online. According to the New America Foundation, a 100-megabit connection costs $16 a month in Sweden and $24 a month in South Korea. In high-price Japan, your correspondent gets 160 megabits a second for ¥6,000 ($65) a month. That is 200 times faster than the “end of the line” service he gets in California, for only three times the price. Where they can find it, Americans pay $145 a month for 50 megabits a second.

Over the past year, hopes have risen among Americans that something might finally be done about the third-world quality of their internet access. People tolerated such things when all they used the internet for was e-mail, searching for information and uploading musings to Facebook accounts. But smart-phones and internet-connected television sets have changed that. The future is not simply about watching jerky YouTube clips or episodes from Hulu on a personal computer. Internet-connected HDTV needs broadband access capable of at least six megabits a second if it is to download high-definition programmes from internet sources.

And that is just within the home. In the commercial world, applications like Telepresence (which lets remote participants feel they are all in the same room together) demand rates of 24 megabits a second. Remote surgery needs more than 10 megabits a second. The same goes for video instant messaging. A whole host of applications in education, government, health care, public safety and energy management become possible once bandwidth is no longer a constraint. This is what Google intends to investigate.

The FCC’s national broadband plan, foreshadowed by last year’s economic stimulus bill and published on March 16th, was supposed to provide a way to drag the country’s woeful broadband infrastructure into the 21st century. In short, to give affordable high-speed access to the internet to places in the countryside that cannot get it at the moment, and to boost dramatically the speed of service to those that can.

The report—all 376 pages of it—has, however, been greeted by a resounding raspberry. It calls for 100m households to get 100-megabit access by 2020, while the rest of the country is assured at least four megabits a second. Americans, in other words, will have to wait another decade to get what other wealthy countries now take for granted.

That raspberry may be a little unfair. At least, the FCC recognises that the main reason why prices have remained so high and speeds so low in America is the lack of effective competition. Many countries have devised ways for telecommunications companies to share the cost of building their broadband networks while competing ferociously for customers over that infrastructure once it has been built. Others have achieved something similar by having an independent authority build and maintain the network and then leasing access to all and sundry.

America, by contrast, has put its faith in rival forms of the infrastructure itself—supplied, on the one hand, by telecom companies like Verizon and AT&T and, on the other, by cable-television firms such as Comcast and Time Warner. Unfortunately, the result has not been competition to beat down prices and boost speeds, but cosy duopolies that keep bandwidth scarce and carve the market up between incumbents.

The FCC thinks it can liven things up by giving wireless carriers a better chance to compete in the broadband business. To that end, it plans to release a further 500 megahertz of bandwidth over the next decade and auction it to the mobile carriers.

There are two problems here. One is that the largest chunk of the airwaves in question—some 20 television channels—is owned by broadcasters, who will be reluctant to part with it, even if offered a slice of the auction profits to do so. The other is that the biggest wireless carriers—namely, Verizon and AT&T—are an integral part of the duopoly as it is. It is difficult to see them as lively sources of competition. If anything, giving wireless carriers a greater role in broadband access could make life easier still for the incumbents. It is, perhaps, no coincidence that just days before the FCC released its final report, Verizon quietly pulled the plug on its FiOS fibre-optic “triple-play” of television, telephone and broadband service, the only one in America that came close to rivalling speeds available in Japan and South Korea. A third of Verizon’s customers (your correspondent included) will now be left without the fibre option.

Though it cost Verizon a hefty $1,350 to bring fibre into a home, the $19 billion investment in FiOS was considered worthwhile. It stemmed the tide of telephone subscribers defecting to cable companies, which offered faster internet access bundled in their television and telephone packages at the time. In future, presumably, Verizon will offer customers who missed out on FiOS a chance to get high-speed broadband over the airwaves instead of through an optical pipe. The LTE (long-term evolution) technology that Verizon and other wireless carriers are testing is vastly cheaper to install than fibre. And with tweaks, LTE should be able to offer data rates of 150 megabits a second or more—much the same as the DOCSIS 3.0 broadband technology being deployed by the cable companies.

Nevertheless, in the absence of serious competition, broadband capacity throughout the United States will continue to be constrained—and Americans will remain stuck with extortionate internet charges. No wonder there was such a rush for a piece of Google’s promised giganet.

Velocidade para todos

B2B Magazine - 19/04/2010

Pesquisa realizada pelo Profuturo/FIA (Programa de Estudos do Futuro da Fundação Instituto de Administração), sobre o futuro da Banda Larga nos próximos dez anos no país, revela que metade da população de classe C terá acesso à Internet em 2020, sendo que 60% das conexões via banda larga. Levantamento indicou que, em 2008, apenas 7% das conexões desse segmento econômico era de alta velocidade.

Além da classe C, outras esferas também terão grande aumento na utilização dessa tecnologia. Na classe A, em 2008, 64% das conexões de Internet eram por meio de banda larga, porém, em 2020, a projeção é de que esse índice suba para 99%. Na classe B, as conexões saltarão de 26%, em 2008, para 90% em 2020; e as classes D e E saltarão de 1%, em 2008, para 25% em 2020.

Dessa forma, a tecnologia que mais terá crescimento no tipo de conexão em 10 anos, com 33%, será a "Conexão via cabo modem ou wireless (oferecida pelas operadoras de TV por assinatura)", seguida da "Conexão via redes WiMAX", com 31%. Outras tecnologias também figuram entre as que conquistarão uma fatia maior do mercado como o acesso via 3G/4G (celular) e a conexão por rede elétrica, indicadas, respectivamente, por 17% e 11%.

Considerando especificamente o acesso das classes C, D e E à Internet banda larga, o estudo destaca que o principal meio para navegação na web até 2020 será a ADSL (oferecida pelas operadoras de telefonia fixa, por cabos telefônicos), pois será a opção com menores custos e maior viabilidade financeira, dado que outras tecnologias, como a TV a cabo, não conseguem alcançar os locais onde moram as pessoas destas classes sociais.

Para o professor James Wright, coordenador do Profuturo e um dos autores da pesquisa, dois fatores de destaque serão responsáveis pelo crescimento desse tipo de conexão no país. "O menor custo da banda larga, impulsionado pelo Plano Nacional de Banda Larga, em que o preço anunciado pelo governo deve custar em torno de R$ 25 e R$ 35, e o incentivo para a compra de computadores terão caráter determinante para essa expansão", explica.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A Claro e a banda larga

Estadão - 21 de abril de 2010

O presidente da Claro, João Cox, não acredita que o governo escolherá a Oi como principal instrumento do Plano Nacional de Banda Larga. Na visão dele, as empresas de celular já estão popularizando a internet, enquanto as concessionárias locais, como a Oi, não conseguiram nem universalizar o telefone fixo. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O que o senhor acha da proposta da Oi para a banda larga?

Acho que a sociedade tem de ver e o governo tem de ver. Você quer o monopólio?

O que poderia acontecer com o mercado, se o pleito da Oi fosse atendido?

Eu acho que o governo é soberano. Fico muito feliz enquanto brasileiro de ver a preocupação do governo em permitir o acesso à internet a todos os brasileiros, numa velocidade maior possível. Tenho certeza que esse é o desejo do governo, que está disposto a conversar com toda e qualquer empresa que ajude a atingir esse objetivo.

O senhor vê alguma possibilidade de a Oi se tornar a empresa do plano de banda larga?

Não consigo enxergar a lógica econômica, a lógica política e a lógica democrática em evitar que o cidadão, principalmente o de poucos recursos, possa acessar um serviço essencial para privilegiar uma empresa. Tenho certeza de que o governo não está discutindo isso, privilegiar uma empresa em detrimento do cidadão.

As concessionárias locais dizem que, até o fim do ano, todas as cidades estarão conectadas à web. O que o senhor acha disso?

Não quero dizer que somos melhores que outras empresas ou que não erramos. Agora, a gente procura ter coerência no que fala. Se elas são tão boas para o usuário, por que só existem 40 milhões de telefones fixos no Brasil? Será que é por que, neste caso, onde existe o monopólio, as pessoas têm de pagar quarenta e poucos reais por mês caso usem ou não usem o telefone? Será por que não oferecem a opção do pré-pago na telefonia fixa? A telefonia celular foi habituada desde a privatização à competição, e a competição exige, entre outras coisas, que a empresa seja eficiente. É o modelo de Darwin aplicado à economia. Monopólio não incentiva a redução de preços.

Qual é a sua opinião sobre o plano de banda larga?

É a mesma de quando começou a ser discutido, quando fomos todos chamados para uma reunião no Ministério das Comunicações, no ano passado. No fundo, no fundo, vai existir banda larga em todos os municípios do Brasil. Está na regra da Anatel. Quem comprou 3G, vai ter de levar 3G a todos os municípios. A gente tem de discutir é quando. Banda larga é essencial e viabilizá-la é extremamente importante. Para discutir isso, temos de discutir o produto. Daí, você consegue definir o tempo. Vamos fazer uma analogia. A gente está discutindo quem vai ser o diretor da fábrica, o presidente, a gente está discutindo um monte de coisa, mas não está discutindo o que a fábrica vai produzir, e quanto vai produzir. Não há dúvida nas empresas, na sociedade e no governo. O que falta é afinar a sintonia, é qualificar o que é banda larga e em quanto tempo queremos tê-la.

O que precisaria ser discutido?

Acho que a questão de impostos está totalmente equivocada na banda larga. Já me perguntaram: vocês estão querendo isenção tributária? Quem paga o ICMS não sou eu, é o consumidor. E ainda tem o PIS e Cofins, ainda tem o Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações). Quem estava obrigado a promover a universalização da telefonia era a fixa, que não fez nada disso, que começou com 30 e poucos milhões de clientes há 10 anos e hoje tem 40 milhões. Abdicaram da obrigação que tinham de instalar telefones públicos em nome de uma fibra óptica que ninguém vê. Quem fez de fato a universalização da telefonia foi a celular. Quem está fazendo a expansão da banda larga e promovendo o acesso à internet é a telefonia celular. No Capão Redondo (periferia de São Paulo), quem leva a banda larga é o celular. Quem está chegando às zonas periféricas é o celular.

Plano Nacional de Banda Larga quer o preço da conexão 70% mais baixo para os usuários (entrevista com Rogério Santanna)

Portal VoIT 17 a 20/03/2010




Nesta entrevista com Rogério Santanna dos Santos, Secretário de Logística e TI do Ministério do Planejamento, durante o evento IT4CIO Brasil GOV2010 realizado em Porto de Galinhas, PE, o assunto foi o Plano Nacional de Banda Larga.

Veja alguns pontos da entrevista:
Redução do preço da banda larga
Segundo Santanna, uma das metas do plano é fazer com que o preço da conexão rápida à Internet baixe 70% para o usuário final e seja disponibilizado para mais 20 milhões de pontos de acesso, em um prazo máximo de quatro anos.

A mais cara banda larga do mundo
Diz que o Brasil precisa de qualquer maneira desenvolver o plano internamente, pois só assim o país sairá do "42º lugar e com a banda larga mais cara do mundo".
Modelo de negócios das Teles
Afirma que, devido às mudanças de paradigma que vem ocorrendo na telefonia hoje no mundo, as operadoras de telecomunicações terão que repensar seus modelos de negócio.

TelebrásXTeles
Quanto à Telebras, diz que "...esse escândalo que se monta na verdade é uma reação das companhias telefônicas à essa mudança de paradigma que irá tirá-las da zona de conforto..."
Cidadania e Tecnologia
Santanna afirma que o Brasil faz hoje 83% dos processos de compras do governo por meios eletrônicos e que não dá para haver inclusão digitral e social sem a expansão da Banda Larga.
Naus supersônicas

Carta Capital - 21/04/2010

O grupo português Ongoing elegeu o Brasil como centro de sua expansão internacional. A criação de novos jornais e a compra de O Dia parece ser só o começo

Consta que Pedro Álvares Cabral levou 43 dias entre a partida de Lisboa e a primeira visão do Monte Pascoal, na Bahia, em 22 de abril de 1500. Passados cinco séculos, foram necessários poucos dias a mais para um grupo português pôr o pé em solo brasileiro e colocar em pleno funcionamento uma redação em São Paulo – o Brasil Econômico, lançado em outubro de 2009. Seis meses depois, a mesma holding adquiriu uma empresa de mídia no Rio, o grupo O Dia, que edita três jornais de perfil popular. Mais um diário será lançado nos próximos meses, desta vez em Brasília. Tampouco será surpresa se a investida chegar à tevê.

Não há limites à expansão territorial pretendida pela Ongoing, companhia criada há apenas três anos pelos remanescentes de um tradicional clã industrial lusitano, com a intenção de atuar no relativamente novo mercado TMT (tecnologia, mídia e telecomunicações). Mas apesar da rapidez, a chegada ao Brasil foi planejada. A começar pela escolha a dedo do CEO do grupo no País. O calabrês Carmelo Furci comandou as operações da Telecom Italia e conhece bem o mercado local de telecomunicações.

As naus da Ongoing seguem, céleres, rumo à conquista do mundo lusófono, com prioridade para Brasil, Angola e Moçambique. Navegar era preciso. Antes, porém, o grupo preparou em solo português as bases para o crescimento. É dono do título Diário Económico, maior jornal de economia do país e matriz do jornal lançado recentemente em São Paulo. Tem uma empresa de tecnologia, a Mobbit, focada na distribuição de conteúdo, além de uma agência de criação de marcas, a Mybrand. A mais jovem aposta do grupo é a CTN Transnational Contents, uma consultoria na área televisiva. Outras controladas são a filial portuguesa da empresa de recrutamento de executivos Heidrick & Strugles e a consultoria de gestão Accelerator.

A Ongoing ainda detém participações relevantes na Portugal Telecom (6,74%), no Espírito Santo Financial Group (cerca de 3%), holding que detém o Banco Espírito Santo (BES), na operadora de tevê por assinatura Zon Multimédia e no grupo de mídia Impresa (23%), dono de uma das maiores redes de tevê de Portugal, a SIC, e do jornal semanal Expresso. O nome Ongoing começou a ganhar notoriedade em Portugal em 2006, quando o grupo colocou-se ao lado do BES para barrar uma oferta hostil da Sonaecom pela PT e aumentou em alguns pontos porcentuais sua participação na operadora de telecomunicações.

Por trás de tantas atividades está o peso do sobrenome Rocha dos Santos, que despontou para o mundo dos negócios há exatos 150 anos, com a fundação da Sociedade Nacional de Sabões. Em mea-dos do século XX, a companhia era um dos maiores conglomerados industriais portugueses. O comando foi mantido pela família até o início da década de 1990, quando morreu João Rocha dos Santos, responsável pela fase áurea do grupo. A família vendeu as empresas e a retomada só ocorreria em 2003, quando o neto mais velho de João, Nuno Rocha dos Santos Vasconcellos, decidiu criar a Ongoing.

“O Nuno não queria que os bancos fossem responsáveis pela administração do patrimônio da família”, conta Rafael Mora, que trabalhou com o herdeiro dos Rocha dos Santos na Heidrick & Strugles e depois tornou-se sócio e vice-presidente da Ongoing. É ele quem fala sobre o recente périplo do grupo pelo Brasil. Para fundar o Brasil Econômico e comprar o grupo O Dia – em uma transação de 74 milhões de reais que incluiu os jornais O Dia, Meia Hora e Campeão e um parque gráfico – e atender ao limite máximo de 30% de participação de estrangeiros em empresas de comunicação brasileiras, a holding portuguesa associou-se à família da mulher de Nuno, a carioca Alexandra Mascarenhas Vasconcellos. Os brasileiros assumiram 70% da Empresa Jornalística Econômico S.A. (Ejesa), responsável pelas publicações.

A criação do jornal de economia foi feita a toque de caixa, para preencher o vácuo deixado pela Gazeta Mercantil, que parou de circular no fim de maio de 2009, e fazer concorrência ao Valor Econômico, associação entre as famílias Marinho e Frias. Comprar o tradicional título brasileiro foi uma alternativa descartada por conta do alto preço pedido, conta Mora. “Com o dinheiro que pediram pela marca (Gazeta Mercantil) podemos manter por quatro anos o Brasil Econômico”, afirma o executivo. “Além disso, havia bons jornalistas no mercado. O desafio era encontrar quem acreditasse no nosso projeto.”

A proposta era fazer um jornal à imagem e semelhança do Diário Económico: formato tabloide, coloração salmão, com grande quantidade de informações em textos mais curtos. Hoje, a redação do Brasil Econômico tem cerca de cem funcionários, e a circulação, de acordo com o grupo, se aproxima de 20 mil exemplares. O número, ainda não auditado, dá ao produto brasileiro o mesmo tamanho do irmão português, que é distribuído em um mercado muito menor – a população de Portugal, com mais de 10 milhões de habitantes, é inferior à da região metropolitana de São Paulo. “Não estamos preocupados, por enquanto, com os resultados. Acreditamos que um bom produto atrairá leitores e anunciantes, naturalmente.”

Se o Brasil Econômico acrescenta algumas inovações ao mercado editorial brasileiro, é melhor não esperar grandes mudanças na condução de O Dia, avisa o vice-presidente da Ongoing. “No Rio temos uma experiência nova, que faz parte do caminho de crescimento do grupo. Temos um grande projeto de mídia, e não podemos nos centrar, exclusivamente, nas classes A e B”, explica. “Por isso não vamos alterar nada em O Dia. Não vamos declarar guerra ao jornal O Globo.” Apesar da declaração, espera-se que o novo controlador devolva ao jornal carioca parte do brilho e da participação de mercado, perdidos nos últimos anos.

O Dia foi fundado na década de 1950 pelo ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros e, em 1981, adquirido pelo empresário Ary de Carvalho, que durante 20 anos à frente do jornal chegou a levá-lo à primeira posição em vendas no estado do Rio de Janeiro. Após sua morte, em 2003, a gestão passou a ser marcada por conflitos entre as herdeiras Gigi, Ariane e Eliane de Carvalho. A venda para a Ongoing foi fechada apenas três meses após a saída de Gigi da presidência da empresa. Com uma tiragem combinada na casa de 300 mil exemplares, os títulos colocaram a Ejesa entre as maiores empresas jornalísticas do País.

As próximas novidades estão reservadas para Brasília, onde o grupo começa as articulações para criar um novo jornal, com ênfase em política nacional e estrangeira. “Notamos que as grandes publicações brasileiras estão muito baseadas em gossip (fofoca) e em assuntos exclusivamente brasileiros”, avalia Mora. “Queremos algo que tenha análise e busque não a isenção total, mas seja uma plataforma para todas as opiniões. Não faz sentido, por exemplo, uma comissão importante como a de infraestrutura do Senado não ser citada pela mídia porque é dirigida pelo (ex-presidente Fernando) Collor.”

Outra frente da expansão da Ongoing no Brasil poderá ser a televisão. A unidade de conteúdo audiovisual do grupo, a CTN, foi criada para oferecer consultoria e conteúdos em países de língua portuguesa. À frente da empresa foram colocados executivos experientes no ramo. Um deles, José Eduardo Moniz, contratado pelo grupo no ano passado, foi o responsável pela arrancada da rede portuguesa TVI rumo à liderança de audiência. Sob sua direção, o canal ultrapassou a SIC, que distribui as telenovelas brasileiras da TV Globo no país, ao dar início a uma forte produção local.

No início de abril, a CTN fechou em Cannes, na França, a compra de um formato de reality show que promete permitir a interação dos telespectadores em tempo real, por meio de votações por celular e internet. “Queremos utilizar formatos que nos permitam tirar vantagem de nossa experiência em tevê e da capacidade tecnológica do grupo”, afirma o diretor da Ongoing Media (braço de mídia do grupo) e presidente da CTN, Fernando Maia Cerqueira. Os direitos de produção do programa estão sendo negociados, simultaneamente, com empresas em Portugal, no Brasil, em Angola e em Moçambique. Nos países africanos há parcerias fechadas com grandes grupos de mídia locais, respectivamente o Medianova e a Soico. Em paralelo, a empresa negocia a oferta de serviços de consultoria na China – e não só na região de Macau, antiga colônia portuguesa onde Cerqueira trabalhou por sete anos na implantação da tevê local. “Somente na província de Cantão (onde estão localizados Macau e Hong Kong) a audiência chega a 120 milhões de espectadores e há grande carência de bons programas.”

No ano passado, a Ongoing fez uma tentativa mais ousada de incursão no mundo televisivo. Ofereceu 160 milhões de euros por uma participação de até 35% no grupo Media Capital, controlador do canal TPI. A proposta foi barrada pela Autoridade da Concorrência (AdC), órgão encarregado de evitar concentrações de mercado. A entidade condicionou a compra das ações à alienação da posição do grupo na Impresa, dona da rede rival SIC. Para os dirigentes da Ongoing, a exigência inviabilizou a transação. Para analistas, a não realização do negócio deixou a companhia com o caixa mais folgado para as futuras apostas no Brasil.

Os primeiros passos da Ongoing, antes mesmo de definir o foco no mercado TMT, foram as compras de participações no BES e na PT, duas das maiores empresas portuguesas. A estratégia só se tornou mais clara após a aquisição do Diário Económico, em junho de 2008. No mesmo ano, o grupo incorporaria a Mobbit, e com o braço tecnológico foi posta em prática a ideia de transformar o veículo de imprensa em algo mais do que um jornal de papel. Focada na distribuição de conteúdo, desde sistemas de tevê corporativa até a produção de displays de venda e painéis informativos, a Mobbit cuida das páginas na internet do Diário Económico e do Brasil Econômico, que incluem sistemas de web tevê. “O Económico não é um jornal, é uma marca”, afirma o diretor dos jornais, António Costa.

O investimento em uma redação totalmente integrada, em que jornalistas do meio impresso produzem também conteúdo para a internet e, eventualmente, fazem até inserções na tevê, tem dado os primeiros resultados. Em março, o site do jornal ultrapassou, pela primeira vez em audiência on-line, o concorrente Negócios, depois de praticamente triplicar o número de leitores internautas em pouco mais de um ano. Instalado em nova sede, no tradicional bairro de Alcântara, em Lisboa, o Diário Económico também ganhou um estúdio audiovisual, que no início de maio deverá colocar no ar um canal de tevê por assinatura, com transmissão em alta definição, nos moldes da Bloomberg.

Segundo Costa, o lançamento de um jornal no Brasil nos moldes do projeto português tem facilitado as sinergias entre as publicações. Algumas coberturas são feitas em parceria por jornalistas dos dois países, como no episódio da disputa de grupos brasileiros por uma participação na cimenteira portuguesa Cimpor. A colaboração foi responsável ainda pela adoção de alguns elementos gráficos introduzidos no tabloide brasileiro em Portugal. “O Brasil Econômico é totalmente feito em cores desde o primeiro dia, algo que só passamos a fazer no Diário Económico depois de conferir o resultado”, cita Costa.

O intercâmbio de empresas do grupo com o Brasil não termina por aí. A Mybrand trabalhou no Brasil na gênese da operadora de celular Vivo e auxiliou a Embratel a tornar a marca 21 independente. Até o fim de março, a empresa era sócia do grupo Totalcom, na Fischer Portugal, com 40% do capital. De acordo com o sócio da Mybrand, Aníbal Pires, divergências na condução do negócio levaram a venda da participação aos brasileiros pelo valor nominal das ações. Com isso, ficou aberto o caminho para a Mybrand criar a própria agência publicitária e, quem sabe, ampliar a atuação em terras brasileiras. “O mercado português é relativamente pequeno, qualquer empresa daqui que queira crescer precisa olhar para fora”, afirma Pires. “E o Brasil tem um papel fundamental nesse processo.”

terça-feira, 20 de abril de 2010

Banda larga atrai fabricantes nacionais

Valor Econômico - 20/04/2010

Concorrência: Fornecedores de equipamentos organizam-se para participar de plano de universalização

Fabricantes de equipamentos que atendem tanto operadoras de telecomunicações como usuários de serviços de banda larga se reuniram nas últimas semanas e, juntas, bateram à porta de ministérios, em Brasília, para dizer que podem dar conta da universalização do serviço. A expectativa é de que o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), menina dos olhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seja uma oportunidade para quem desenvolve tecnologia no país.

Há uma enorme discussão a respeito do tema. Mesmo que as operadoras privadas participem diretamente da universalização da banda larga, como é intenção da Oi, que apresentou uma proposta à Casa Civil, cresce no governo a intenção de utilizar as fibras ópticas sem uso da Eletronet. Após longa guerra na Justiça, essa infraestrutura está voltando às mãos do sistema Eletrobras.

Segundo o secretário de logística do Ministério do Planejamento, Rogério Santana, envolvido diretamente no projeto, o uso da fibra independe da presença privada no PNBL. Santana diz que todas as operadoras serão recebidas pelo governo, caso queiram apresentar suas propostas, como fez a Oi. " O BRASIL tem três grandes backbones (redes principais): da Embratel, da Oi e da Intelig, que foi comprada pela TIM. Há muitas outras redes espalhadas, mas sem presença nacional. Se existem as fibras ociosas (da Eletrobras), por que não usá-las? É um erro avaliar que essas fibras são da Eletronet. Não são. A Eletronet é uma massa falida, mas as fibras que atendem aos clientes continuam com a empresa " , diz.

Santana reconhece, entretanto, que a rede que está sendo transferida para o sistema Eletrobras não chega à casa do consumidor final. Essa rede precisa de complemento e o que vai ser feito neste sentido ainda será definido. Ele não antecipa quais seriam as propostas, mas afirma que o plano está formatado. " A maior parte das dúvidas levantadas estão sendo sanadas. Há (dentro do próprio governo) posições diferentes e cada área tem sua proposta. O mais difícil vai ser uma posição final, mas vamos fechar [a proposta] e apresentá-la ao presidente Lula em data que depende da agenda dele " , afirma.

O governo pretende criar uma rede de mais de 30 mil quilômetros de fibras ópticas, unindo os 17 mil quilômetros de fibras que haviam sido transferidos para Eletronet. A essa rede seriam agregadas fibras de outras EMPRESAS do sistema Eletrobras, como Eletronorte, Furnas e Chesf. A proposta é utilizar também o chamado " backhaul " (que faz ligação entre redes) das operadoras, o que está causando polêmica. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estabeleceu por meio da Resolução 530, que trata das metas de universalização da telefonia fixa, normas para a cobrança do uso do backhaul. Para a Abrafix, entidade que reúne as operadoras, a agência não pode fixar regra relativa à cobrança, pois o serviço de banda larga não está sujeito à tarifa determinada pela agência. José Fernandes Pauletti, presidente da Abrafix, diz que esse movimento da Anatel indica que o governo quer utilizar a infraestrutura das operadoras no plano de banda larga.

Com a presença das operadoras no projeto e na ativação das fibras ópticas da Eletrobras, os criadores de tecnologia nacional vislumbram uma oportunidade de colocar no projeto os produtos criados no país, como diz José Ellis Ripper, um dos sócios e criadores da Asga, que produz equipamentos ópticos de telecomunicações para transporte de informações.

Um trunfo para a indústria nacional é o BNDES. O banco já tem linha de apoio aos produtos concebidos dentro do país com condições bem mais atraentes do que os que atendem às exigências de montagem local, estabelecidas pelo Processo Produtivo Básico (PPB). Esse processo segue etapas de FABRICAção fixadas pela Lei de Informática de 1991, que prevê a concessão de benefícios fiscais.

Para a Datacom, fabricante de equipamentos de telecomunicações sediada em PORTO Alegre, a atuação do BNDES como financiador de investimentos de banda larga pode ter um papel crucial na expansão da indústria nacional de equipamentos. " Hoje o BNDES já tem inúmeras linhas de financiamento para a área de inovação e isso é extremamente favorável para o SETOR, mas com essa nova medida ele passa a atuar diretamente no MERCADO, movimentando toda a cadeia " , diz Antonio Carlos PORTO, diretor executivo da Datacom.

Mais do que financiar suas próprias operações, PORTO afirma que o maior interessado nos recursos do BNDES são as operadoras. " É uma medida necessária. Estamos sofrendo muito com a concorrência externa, principalmente dos chineses " , diz ele. Com 500 funcionários, dos quais 270 são engenheiros, a Datacom sentiu profundamente os efeitos da crise no ano passado. A companhia, que em 2008 teve um faturamento de R$ 240 milhões, viu sua receita cair para R$ 130 milhões em 2009.

O vice-presidente de marketing e estratégia da Ericsson, Lourenço Coelho, também considera " positiva " a oferta das linhas de financiamento para os fabricantes nacionais. " A ampliação do financiamento a juro baixo pode ajudar a estimular o crescimento da PRODUÇÃO nacional de toda a cadeia " , afirmou. O executivo disse acreditar, no entanto, que o banco definirá regras que contemplem também as EMPRESAS internacionais com fábrica no BRASIL, como é o caso da Ericsson. " A PRODUÇÃO de alguns itens ainda é feita em pequena escala no país " , observa Lourenço. Para o executivo, parte do plano de expansão terá de ser cumprido com banda larga móvel, em função do alto custo para a instalação de fibra óptica nas regiões mais distantes e com baixa densidade demográfica. De acordo com Lourenço, a Ericsson avalia investimentos para ampliar a capacidade de PRODUÇÃO de sua fábrica em São José dos Campos (SP).

A questão ainda pouco clara é como serão as condições estabelecidas pelo governo para beneficiar o produto feito no país, uma vez que frequentemente sistemas importados da China, com preços mais baixos do que os da indústria nacional, são os vencedoras das concorrências. O fato da Oi, empresa que fez proposta de operar o PNBL, estar negociando financiamento com a China, fez com que as EMPRESAS ficassem ainda mais preocupadas. Executivos do SETOR dizem que esses financiamentos são geralmente atrelados a compras na indústria do país de origem. Procurada, a Oi, por meio da área de comunicação corporativa, disse que a companhia não comentaria o assunto. Fontes do MERCADO dizem que o financiamento é de US$ 1 bilhão, sendo parte para capital de giro e parte para equipamentos.

Segundo fontes do governo, as atuais linhas de financiamento do BNDES atendem ao perfil para o fornecimento de equipamentos para o plano de universalização de banda larga. Hoje, nas linhas do banco, os produtos que se enquadram no PPB podem ser financiados em até 80% e os de tecnologia concebida no país em 100% mais serviços. Os juros para ambos os casos é de 4,5% ao ano até junho; depois passam a 5,5%.
Telebras gains govt support on broadband plan (Brazil)

Wireless Federation - On 04.20.10, In Mobile, By Editor

After declaring Brazil’s largest telecom company Oi too expensive, the Brazilian government has expressed its support for the plan to revive former state telecom operator Telebras to run its broadband Internet program to the poor.

Two weeks ago, Oi came with a proposal to run the government’s project to provide broadband to poor and isolated parts of Brazil. According to the local media, Oi has asked 27 billion Brazilian reals ($15.3 billion) in government incentives and tax breaks over five years to do it, while, under the proposal to revive Telebras, investments would total just BRL6 billion.

The officials at the Presidential Chief of Staff’s office and the Treasury, a former opponent to Telebras’ involvement, have been swayed towards the revival of the former state monopoly due to the difference in price.

Government-owned fiber-optic networks will be utilized to expand broadband coverage, leading to complaints from private telecom companies of unfair government competition.

Eleições dificultam discussão sobre banda larga

O Estado de S. Paulo - 20/04/2010

A ideia de se criar um Plano Nacional de Banda Larga foi anunciada no ano passado para que o governo não chegasse ao período das campanhas eleitorais com as mãos abanando nessa área. A única proposta existente no governo era a da volta da Telebrás, e a discussão partiu daí.

Acontece que o objetivo de curto prazo, que é ter algo a mostrar durante a campanha, está se chocando com os de longo prazo, que é ampliar o acesso à internet no País - que é o que realmente importa.

Ante a proposta da Oi, os defensores da volta da Telebrás viram uma oportunidade de mostrar que o uso da empresa é uma forma de fazer alguma coisa agora, mesmo que de pouco impacto, sem ter de arranjar dinheiro para isso, já que a empresa tem R$ 300 milhões em caixa.

Com esse dinheiro, cria-se um piloto de banda larga em uma ou outra comunidade carente e fica para o próximo governo decidir como vai ser dada continuidade ao plano.

A decisão sobre o plano tem sido constantemente adiada pelo governo. Agora, a expectativa é que aconteça uma reunião na semana que vem.

A entrada da Oi na discussão também pode ser vista nesse contexto eleitoral. A operadora tem recebido amplo apoio oficial, e o grande exemplo foi o movimento que culminou na compra da Brasil Telecom no final de 2008. A entrada da empresa no Plano Nacional de Banda Larga neste ano poderia ser vista como um "seguro" para a empresa ante as incertezas trazidas pela troca de governo em 2011.

Acontece que universalizar a banda larga custa dinheiro. O plano que tem a Telebrás como principal protagonista prevê investimento de R$ 5,8 bilhões até 2014 para chegar com a rede de banda larga até as cidades. Trata-se de uma estimativa modesta, já que corresponde a menos de um terço dos R$ 18,7 bilhões que foram investidos pelas empresas privadas somente em 2008. Mas o problema é que o número não inclui a última milha, segmento de rede que chega à casa do consumidor, que exige o investimento mais alto na prestação desse tipo de serviço.

A internet rápida é um serviço essencial para o desenvolvimento do País. No Brasil, os acessos são caro e lentos. Até mesmo os Estados Unidos criaram um plano de banda larga.

Depois de todo o atraso, a pergunta que se impõe é se o plano precisa mesmo ser decidido agora, às vésperas da eleição, para ser colocado na rua até o fim do ano. Aproveitar o caixa da Telebrás para começar o plano, já que não existe previsão orçamentária para ele, não é um bom argumento para os objetivos de longo prazo do plano.

Nos EUA, o plano foi anunciado depois das eleições, foi elaborado pela agência reguladora Federal Communications Commission (FCC) e foi enviado para o Congresso para o debate.

Por aqui, corre-se o risco de o plano se transformar numa imagem bonita para ser mostrada durante a campanha, de uma localidade remota que acessa a internet pela primeira vez, sem o resultado concreto de uma inclusão mais ampla.

Proposta da Oi reforça divisão no governo

Estadão - 20/04/2010

A expectativa de a Oi apresentar uma proposta foi um dos principais motivos de a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seus ministros, para discutir o Plano Nacional de Banda Larga, terminar sem nenhuma conclusão há duas semanas. Depois disso, o presidente da operadora, Luiz Eduardo Falco, conversou com a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, e com o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, em Brasília. Ele apresentou um plano em que a Oi se tornaria o principal instrumento para popularizar a internet no País.

Havia uma expectativa do governo de que houvesse uma proposta mais barata da iniciativa privada?, disse uma fonte do governo. Mas os valores que a Oi apresentou são muito altos, e acabam inviabilizando o projeto. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a Oi quer R$ 27 bilhões em incentivos do governo até 2014 para universalizar a banda larga, prevendo um investimento privado de R$ 60 bilhões. O governo diz agora que vai discutir o plano de banda larga com entidades representativas do setor de telefonia antes de dar a largada para a disputa pelo comando do modelo de fibra ótica no País.

O principal defensor da Oi no plano de banda larga é o BNDES, que tem 31,4% do controle da companhia. O Ministério do Planejamento defende o uso da Telebrás, ou outra estatal, como gestora do plano. Nesse cenário estatal, o investimento previsto é de R$ 5,8 bilhões para chegar às cidades, dependendo de parcerias com empresas privadas para o acesso - o segmento de redes que chega às casas das pessoas. Uma parceria com a Oi não está descartada, disse um técnico do governo. A Oi preferiu não comentar o assunto.

Segundo uma fonte do mercado, estão sendo comparadas coisas diferentes, pois grande parte dos recursos públicos previstos na proposta da Oi viria de redução de impostos, enquanto o plano da estatal dependeria de recursos diretos do governo. Essa redução de impostos não teria impacto no nível de arrecadação, porque incidiria sobre as contas de novos clientes de banda larga, e não sobre os atuais. Não faz diferença se é dinheiro que o governo deixa de arrecadar ou se é desembolso, rebateu um técnico do governo.

Discussão

A expectativa é que o assunto seja decidido na semana que vem, mas ainda não existe uma data marcada. Segundo a fonte do governo, a única alternativa à volta da Telebrás, em discussão, seria a criação de uma nova estatal. No começo do mês, o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) propôs que o Serpro fosse o gestor do plano. O Ministério da Fazenda, dono do Serpro, não propôs essa alternativa, disse um técnico do governo.

O Serpro chegou a avaliar, há alguns anos, a compra da Eletronet, empresa falida que tem a Eletrobrás como acionista, mas o negócio não foi em frente. A Telebrás assumiria a rede óptica da Eletronet e de outras estatais para colocar em prática o plano de banda larga. Os defensores da Telebrás apontam que a estatal tem R$ 300 milhões em caixa, e que isso permitiria iniciar o plano este ano em até 100 cidades nas regiões Norte e Nordeste.

A proposta prevê a Telebrás deficitária por alguns anos, o que poderia levar a reclamações de acionistas minoritários. É possível reclamar, mas seria um contrassenso, disse a fonte. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.