Telebrás - um tiro no pé para as oposições?
*Leonardo Araujo
As repercussões da publicação da Folha já começam a pipocar nos setores da imprensa diretamente interessados. Inicialmente, no mesmo dia, a replicação chegou aos influentes blogs do Noblat (O Globo) e do Reinaldo Azevedo (Veja). Ainda hoje e nos próximos dias estará também em blogs e boletins ligados à oposição e/ou sob patrocínio das grandes operadoras de telefonia. No final de semana é provável que já esteja em mais órgãos de grande circulação regional e/ou nacional.
É o jus esperneandi (o direito de espernear) sendo exercido com toda a força que o dinheiro e a política podem produzir, mas nada que deva ser surpresa para quem está "mexendo em ninho de marimbondos".
No entanto, antes de continuar argumentando, vale colocar três considerações fundamentais para o momento:
- não há tempo hábil para criar uma nova empresa estatal até junho e fazê-la gerir algo tão complexo como o PNBL;
- não há como repassar o PNBL para uma outra empresa estatal existente (uma elétrica tipo Eletrobrás, por exemplo), pois as alterações estatutárias e práticas teriam que ser tantas que só daqui há um ano ou mais estariam prontas. Além disso, o ministério que as gere não é do PT;
- não há como o PT abrir mão ou adiar o PNBL, pois, embora habitação e saneamento sejam bandeiras importantes, a "alma" do PAC-2 é esse plano, já que encarna a filosofia do Novo Desenvolvimentismo da candidata e é o programa que mais frutos políticos imediatos poderá render neste ano eleitoral junto ao "povão".
Voltando à publicação da Folha e às demais que estão sendo feitas, é possível que estes sejam apenas o início dos fogos da artilharia inimiga. Há ainda a força aérea, a cavalaria e a infantaria a serem empregadas... ou seja, a batalha está apenas começando.
No entanto, não nos enganemos pensando que as grandes operadoras de telefonia não querem o PNBL - querem sim, pois isso lhes garantirá excelentes lucros futuros! O tiroteio todo apenas sinaliza ao governo que elas têm um bom poder de fogo e que podem causar estragos se não forem ouvidas.
Com isso, a resposta do PT poderá ir em dois sentidos básicos:
1) Cenário 1: aceita a luta e parte para o combate frontal, o que não é recomendado em nenhum manual de estratégia política ou militar, desde Sun Tzu, Maquiavel e Golbery.
2) Cenário 2: aceita a luta (como não poderia deixar de ser), mas manobra com muita força pelos flancos no sentido de "virar o jogo" a seu favor, implementar o PNBL e, simultaneamente, garantir às teles uma fatia um pouco mais gorda do plano - que é o verdadeiro interesse destas.
Ainda quanto às teles, uma das chaves para resolver essa equação chama-se Hélio Costa. Se o "simpático" e televisivo ministro ganhar o apoio do PT em suas pretensões políticas, a coisa toda pode mudar de figura repentinamente - e essa é mais uma peça importante a ser manobrada nesse xadrez a que estamos assistindo.
No entanto, interesses econômicos são relativamente fáceis de acomodar, pois têm um viés prático e objetivo.
O problema maior são os interesses políticos, pois possuem uma componente subjetiva muito forte que, ao contrário do que alguns pensam, não se acomodam facilmente apenas com dinheiro.
A oposição jogará pesado e sujo, com ou sem as teles como aliadas, pois há um projeto político e muitas vaidades e interesses futuros nessa arena. Todavia, as raposas velhas do PT não se mantém no poder há tantos anos por serem ingênuas, fracas ou incompetentes.
A tendência agora, logo após Dilma ser entronada como pré-candidata, será o governo mostrar o peso da "mão do poder", agindo em defesa daquilo em que acredita e que sabe necessário para lhe garantir os dois próximos mandatos presidenciais que almeja.
Foram 32 milhões de brasileiros que ascenderam das classes "E" e "D" para a classe média ("C") em poucos anos. Com o PAC-2/PNBL, a estes e a outros tantos cidadãos de poucas posses estarão sendo oferecidas novas oportunidades em habitação, saneamento e, principalmente, em inclusão digital - e isso tem um peso enorme!
Neste novo cenário, "o interesse do povo e dos pobres" tende a ser reforçado como o principal argumento do governo para emplacar o PNBL no desenho por ele formatado. Afinal, não foi isso que garantiu a Lula cerca de 80% de popularidade? Não foi assim que prevaleceram as "bolsas" de todo o tipo, apesar dos esperneios da chamada "burguesia" e da oposição inteira? Não foi isso que manteve o PT no poder nos últimos oito anos?
Cutucar o governo através da Telebrás pode ter sido uma jogada muito arriscada e perigosa para as oposições – um legítimo “tiro no pé”, pois, ao tentar sensibilizar a opinião pública desta maneira, está atacando, não só o cerne da campanha de Dilma Rousseff, como também o que é mais caro para a imensa massa populacional que faz de Lula um dos presidentes mais populares na história deste País.
Como consequência, a campanha eleitoral que se avizinha poderá passar a exprimir uma batalha entre alguns "ricos" e milhões de "pobres", e isso tenderá a levar para Dilma os votos que até agora Lula não tinha conseguido lhe repassar.
*Leonardo Araujo é analista de informações
É o jus esperneandi (o direito de espernear) sendo exercido com toda a força que o dinheiro e a política podem produzir, mas nada que deva ser surpresa para quem está "mexendo em ninho de marimbondos".
No entanto, antes de continuar argumentando, vale colocar três considerações fundamentais para o momento:
- não há tempo hábil para criar uma nova empresa estatal até junho e fazê-la gerir algo tão complexo como o PNBL;
- não há como repassar o PNBL para uma outra empresa estatal existente (uma elétrica tipo Eletrobrás, por exemplo), pois as alterações estatutárias e práticas teriam que ser tantas que só daqui há um ano ou mais estariam prontas. Além disso, o ministério que as gere não é do PT;
- não há como o PT abrir mão ou adiar o PNBL, pois, embora habitação e saneamento sejam bandeiras importantes, a "alma" do PAC-2 é esse plano, já que encarna a filosofia do Novo Desenvolvimentismo da candidata e é o programa que mais frutos políticos imediatos poderá render neste ano eleitoral junto ao "povão".
Voltando à publicação da Folha e às demais que estão sendo feitas, é possível que estes sejam apenas o início dos fogos da artilharia inimiga. Há ainda a força aérea, a cavalaria e a infantaria a serem empregadas... ou seja, a batalha está apenas começando.
No entanto, não nos enganemos pensando que as grandes operadoras de telefonia não querem o PNBL - querem sim, pois isso lhes garantirá excelentes lucros futuros! O tiroteio todo apenas sinaliza ao governo que elas têm um bom poder de fogo e que podem causar estragos se não forem ouvidas.
Com isso, a resposta do PT poderá ir em dois sentidos básicos:
1) Cenário 1: aceita a luta e parte para o combate frontal, o que não é recomendado em nenhum manual de estratégia política ou militar, desde Sun Tzu, Maquiavel e Golbery.
2) Cenário 2: aceita a luta (como não poderia deixar de ser), mas manobra com muita força pelos flancos no sentido de "virar o jogo" a seu favor, implementar o PNBL e, simultaneamente, garantir às teles uma fatia um pouco mais gorda do plano - que é o verdadeiro interesse destas.
Ainda quanto às teles, uma das chaves para resolver essa equação chama-se Hélio Costa. Se o "simpático" e televisivo ministro ganhar o apoio do PT em suas pretensões políticas, a coisa toda pode mudar de figura repentinamente - e essa é mais uma peça importante a ser manobrada nesse xadrez a que estamos assistindo.
No entanto, interesses econômicos são relativamente fáceis de acomodar, pois têm um viés prático e objetivo.
O problema maior são os interesses políticos, pois possuem uma componente subjetiva muito forte que, ao contrário do que alguns pensam, não se acomodam facilmente apenas com dinheiro.
A oposição jogará pesado e sujo, com ou sem as teles como aliadas, pois há um projeto político e muitas vaidades e interesses futuros nessa arena. Todavia, as raposas velhas do PT não se mantém no poder há tantos anos por serem ingênuas, fracas ou incompetentes.
A tendência agora, logo após Dilma ser entronada como pré-candidata, será o governo mostrar o peso da "mão do poder", agindo em defesa daquilo em que acredita e que sabe necessário para lhe garantir os dois próximos mandatos presidenciais que almeja.
Foram 32 milhões de brasileiros que ascenderam das classes "E" e "D" para a classe média ("C") em poucos anos. Com o PAC-2/PNBL, a estes e a outros tantos cidadãos de poucas posses estarão sendo oferecidas novas oportunidades em habitação, saneamento e, principalmente, em inclusão digital - e isso tem um peso enorme!
Neste novo cenário, "o interesse do povo e dos pobres" tende a ser reforçado como o principal argumento do governo para emplacar o PNBL no desenho por ele formatado. Afinal, não foi isso que garantiu a Lula cerca de 80% de popularidade? Não foi assim que prevaleceram as "bolsas" de todo o tipo, apesar dos esperneios da chamada "burguesia" e da oposição inteira? Não foi isso que manteve o PT no poder nos últimos oito anos?
Cutucar o governo através da Telebrás pode ter sido uma jogada muito arriscada e perigosa para as oposições – um legítimo “tiro no pé”, pois, ao tentar sensibilizar a opinião pública desta maneira, está atacando, não só o cerne da campanha de Dilma Rousseff, como também o que é mais caro para a imensa massa populacional que faz de Lula um dos presidentes mais populares na história deste País.
Como consequência, a campanha eleitoral que se avizinha poderá passar a exprimir uma batalha entre alguns "ricos" e milhões de "pobres", e isso tenderá a levar para Dilma os votos que até agora Lula não tinha conseguido lhe repassar.
*Leonardo Araujo é analista de informações
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