*Leonardo Araujo
No dia 19 de fevereiro passado, sob o título "Telebrás - um tiro no pé para as oposições", questionava-se, entre outras coisas, as consequências do início dos ataques das oposições ao Plano Nacional de Banda Larga e à reativação da Telebrás. Escreveu-se à época:
'Foram 32 milhões de brasileiros que ascenderam das classes "E" e "D" para a classe média ("C") em poucos anos. Com o PAC-2/PNBL, a estes e a outros tantos cidadãos de poucas posses estarão sendo oferecidas novas oportunidades em habitação, saneamento e, principalmente, em inclusão digital - e isso tem um peso enorme!
Neste novo cenário, "o interesse do povo e dos pobres" tende a ser reforçado como o principal argumento do governo para emplacar o PNBL no desenho por ele formatado. Afinal, não foi isso que garantiu a Lula cerca de 80% de popularidade? Não foi assim que prevaleceram as "bolsas" de todo o tipo, apesar dos esperneios da chamada "burguesia" e da oposição inteira? Não foi isso que manteve o PT no poder nos últimos oito anos?
Cutucar o governo através da Telebrás pode ter sido uma jogada muito arriscada e perigosa para as oposições – um legítimo “tiro no pé”, pois, ao tentar sensibilizar a opinião pública desta maneira, está atacando, não só o cerne da campanha de Dilma Rousseff, como também o que é mais caro para a imensa massa populacional que faz de Lula um dos presidentes mais populares na história deste País.
Como consequência, a campanha eleitoral que se avizinha poderá passar a exprimir uma batalha entre alguns "ricos" e milhões de "pobres", e isso tenderá a levar para Dilma os votos que até agora Lula não tinha conseguido lhe repassar.'
No dia 23 deste mês, o influente jornal de economia "Valor" publicou matéria intitulada "Telebrás vira mania com governo tagarela", onde mostra que um sem-número de investidores está migrando suas aplicações para as ações da Telebrás, em uma verdadeira "mania nacional" na bolsa de valores.
Nos últimos dias, em face do grande interesse que o assunto "ações da Telebrás" tem suscitado, diversos órgãos de imprensa publicaram matérias explicando aos leitores como verificar se aqueles que possuíam telefone nos anos 90 ainda são acionistas da empresa.
Para se ter uma medida de tal interesse, o Portal Terra publicou, em matéria de capa, a seguinte manchete: "Telebrás: investidor deve procurar banco para saber sobre ações". A publicação ocorreu às 15 horas de hoje e, às 15h41, a matéria já era a mais acessada do portal, com 7.016 visitas. Às 21h19 ainda era a campeã de acessos, com a marca de 7.289.
Na manhã do dia 27 de fevereiro, foi postada no Blog da Dilma uma matéria com o título "O Companheiro da Esperança", onde o autor discorre sobre o carisma do presidente e o carinho que os brasileiros têm para com ele, mesmo aqueles que não simpatizam com o PT ou com sua ideologia. Por concorrer para o âmago desta análise, neste ponto vale a pena transcrever uma parte do texto, abstraindo-se, por óbvio, o entusiasmo do militante que o escreveu:
'O companheiro Luiz Inácio Lula da Silva - que já foi chamado de “O Pai dos Pobres” e de “O Filho do Brasil” por tudo que já fez por todos os brasileiros, em especial pelos menos favorecidos – talvez não tenha a exata noção, por estar no centro do poder, do carinho e da afeição que o povo brasileiro lhe dedica. E esses sentimentos são tão fortes e tão espontâneos que são encontrados mesmo em pessoas que nunca haviam votado no PT até agora, pelos mais diversos motivos.
Contextualizando essa mudança de atitude em alguns segmentos de eleitores antes avessos ao nosso partido, é possível se tomar o caso do PNBL e, principalmente, da reativação da Telebrás como exemplo. Ao defender a volta da empresa e pregar que, no Brasil atual, as estatais devem ser lucrativas, para que possam reinvestir os lucros em prol do povo, Lula está proporcionando a maior inclusão no mercado de ações jamais vista neste país.
Milhares de brasileiros com pequenas poupanças, principalmente jovens estudantes e trabalhadores de poucas posses, estão investindo seus tostões em ações da Telebrás. Seguros de que a palavra do Presidente é uma só, investem na esperança de que a empresa cresça e se fortaleça, contribuindo em muito para o Brasil e rendendo-lhes bons frutos no futuro. No entender de muitos destes, ser “sócio do Brasil” é um privilégio e uma garantia para os anos vindouros, pois o País, com Lula à frente, é uma “empresa” com a melhor administração de todos os tempos e, com Dilma na sequência, há de continuar assim e se fortalecer ainda mais.
Para a militância, é um orgulho ver o nosso partido liderar iniciativas que promovam, mesmo que de forma indireta, a inclusão do povo em setores antes dominados pelas oligarquias. Para toda a população é um orgulho ver seu Presidente ser aclamado como “Estadista Global” pelo mundo todo, inclusive por aqueles que antes lhe torciam o nariz e que agora a ele se curvam.
Por estas e por tantas outras, o ano de 2010 irá reservar uma grande surpresa eleitoral para a oposição e redundar em uma expressiva vitória da companheira Dilma, mesmo que as pesquisas até agora não reflitam este fato. É sabido, no Brasil, que a “maioria silenciosa” só se manifestará quando for às urnas - e isso só acontecerá em outubro.
Lula, Dilma e o PT estão no rumo certo, e as urnas irão refletir isso. Assim, quando passar a faixa presidencial à companheira Dilma, transmitindo-lhe a liderança de um País forte e pujante, Lula há de entrar para a história com um novo apelido: “O Companheiro da Esperança”!'
Em duas enquetes públicas publicadas no dia 26 pelo boletim especializado Teletime - Blog do Planalto e Folha de São Paulo - a inclusão digital ficou na preferência dos leitores. No Blog do Planalto, o tema "Inclusão Digital" foi escolhido por 57% dos 1.048 mil participantes, quando comparada a "saneamento" e "mobilidade urbana" nas prioridades para o PAC-2. Já na enquete da Folha, onde era perguntado se o leitor concordava com a reativação da Telebrás, o resultado foi mais expressivo: 93% dos 13.748 votantes responderam que sim.
No final da tarde de hoje, foi publicado o resultado da pesquisa Datafolha, dando conta da expressiva queda de José Serra e da subida de Dilma Rousseff, com a diferença entre ambos passando de 14 para apenas quatro pontos, de dezembro para cá.
Considerando-se que o período de férias não produziu fatos políticos de peso, à exceção das discussões sobre o PNBL/Telebrás e sobre o "mensalão do DEM", resta a pergunta: a que se deveu esse novo quadro eleitoral?
Como a influência do DEM é pequena no que tange aos reflexos sobre José Serra, é possível que o escândalo envolvendo o governador de Brasília possa ter influído, mas apenas em um nível estimado de até 30% nessa pesquisa. Mesmo que fosse maior, ao redor de 50%, ainda restariam outros 50% como incógnitas. Na falta de outros fatos, poder-se-ia pensar na influência do congresso do PT e da aclamação de Dilma como pré-candidata oficial, mas isso, além de ser totalmente esperado, é algo que diz mais respeito à militância do PT, sem um decisivo reflexo na população. Mesmo assim, se considerarmos a hipótese de a soma do escândalo do DEM com o congresso do PT ter produzido metade dessa nova diferença entre os dois candidatos, ainda restariam os outros 50%.
É neste ponto que entra a discussão sobre o PNBL e a reativação da Telebrás. Esse foi o grande e denso fato político que, no período antecedente à pesquisa, esteve na pauta dos grandes órgãos de imprensa. De um lado, Lula afirmando veementemente que quer levar banda larga ao povo através da Telebrás. De outro, acusações de todo o tipo contra o projeto.
Resta, pois, a conclusão já escrita anteriormente, agora sem emprego do condicional e com as devidas adaptações:
Cutucar o governo através da Telebrás e do PNBL está sendo mesmo uma jogada muito arriscada e perigosa para as oposições – um legítimo “tiro no pé”, pois, ao tentar sensibilizar a opinião pública desta maneira, estão atacando, não só o cerne da campanha de Dilma Rousseff, mas, principalmente, o que é mais caro para a imensa massa populacional que faz de Lula um dos presidentes mais populares na história deste País.
Como consequência, a campanha eleitoral pode já estar exprimindo uma batalha entre alguns "ricos" e milhões de "pobres", e isso está levando para Dilma os votos que até agora Lula não tinha conseguido lhe repassar.
*Leonardo Araujo é analista de informações
A oposição ataca de forma dispersiva e sem foco um projeto que visa trazer para a população algo que representa hoje o principal veículo de acesso à informação e a todas as oportunidades inerentes a ela. Ignoram ainda que além da "inclusão digital" a Telebrás já se tornou um dos maiores fenômenos de acesso da população à Bolsa de valores. Um processo que pode ser visto como "Inclusão sócio-econômica" criando de forma livre e auto-evolutiva um processo de educação financeira.
ResponderExcluirPenso exatamente assim, Alex.
ResponderExcluirAbraço!