terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A permanência de Paulo Bernardo e a reativação da Telebrás

*Leonardo Araujo

Publicada hoje, a confirmação da permanência do ministro Paulo Bernardo à testa da pasta do Planejamento é um reforço importante para a versão palaciana do PNBL e, consequentemente, para a reativação da Telebrás.

Segundo Bernardo, o presidente Lula enfatizou que não quer mudar a equipe econômica neste que “será o ano de consolidação das políticas de governo”. Além disso, destacou o ministro, o Presidente disse que quer dar um sinal de que não haverá mudança na política econômica e a política fiscal continuará a ser conduzida com austeridade.

O ministro Paulo Bernardo, que foi cotado também para a Casa Civil, vinha sendo chamado por alguns de "Tio do PAC", tal seu envolvimento com esse Plano. Bernardo mantém uma atuação muito ativa no Ministério, mas discreta junto à imprensa. Ele é membro do PT e funcionário do Banco do Brasil. Entrou na política pelo sindicalismo. Foi deputado federal pelo Paraná e secretário de Fazenda do Estado de Mato Grosso do Sul. Foi novamente eleito deputado federal em 2002.

No seu ministério, o funcionário mais importante e próximo se chama Rogério Santanna dos Santos, Secretário de Logística e Tecnologia da Informação. Rogério Santanna trabalhou com Dilma Roussef no governo do Rio Grande do Sul, onde dirigiu a Procempa (Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre) por 10 anos. No governo federal, além do cargo que ocupa, coordena as ações de governo eletrônico da administração federal, o e-gov.

Santanna goza de toda a confiança de seu chefe direto e da ministra Dilma. Sob orientação e apoio de ambos, costurou, desde 2007, o PNBL e a reativação da Telebrás. Logo, Paulo Bernardo, Dilma Roussef e Rogério Santanna são pessoas em quem Lula confia. E ouve. Fechando o ciclo dos articuladores do PNBL e da Telebrás", Erenice Guerra é a braço-direito de Dilma (e sua substituta a partir de abril) e César Alvarez é a pessoa que aconselha Lula sobre inclusão digital - a alma do PNBL.

Certamente, o Presidente, ao convencer seu Ministro do Planejamento a permanecer e, em consequência, não concorrer a nenhum cargo eletivo nas próximas eleições, cria um fato bastante significativo. Além de prestigiá-lo e garantir a continuidade dos planos e projetos do governo em 2009, é provável que a Bernardo tenha sido oferecida uma posição de destaque caso Dilma seja eleita, talvez no próprio Ministério.

É provável também que o discreto Bernardo seja o ministro a quem caberá a responsabilidade de gerenciar e garantir recursos para o PAC-2 e, consequentemente, para o PNBL.

Por fim, se esse time de ministros e assessores tão próximos e de total confiança do presidente foi que planejou pacientemente o PNBL e a reativação da Telebrás durante dois anos e até este mês, seria lícito supor que agora Lula fosse "virar a mesa" e decidir por algo totalmente diverso?

Como reza o dito popular, a resposta mais pertinente para esta questão é: "nem a pau, Juvenal"!

*Leonardo Araujo é analista de informações

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