O físico gaúcho Marco Antônio Raupp, novo Ministro da Ciência e Tecnologia, é um ardoroso defensor da participação da Telebras no Programa Espacial Brasileiro, através da parceria com a Embraer.
Entre suas ideias, está a
"da constituição de uma empresa integradora, capaz de fornecer sistemas espaciais completos (satélites, foguetes e sistemas de solo) que favoreça a organização de uma cadeira produtiva de fornecedores e serviços do setor espacial, orientada para os mercados interno e externo".
Veja algumas reportagens de hoje e de 2011.
Cientista respeitado e bonachãoZero Hora - 19/01/2012Um físico e matemático gaúcho de Cachoeira do Sul do tipo bonachão e corpulento, contador de histórias e de piadas, foi anunciado ontem como o novo ministro da Ciência.
Desgarrado do Estado desde os anos 60, quando iniciou o doutorado em Matemática na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, Marco Antonio Raupp teve a sua indicação aclamada pela comunidade científica brasileira.
Profissionais que já atuaram com Raupp não se cansam de destacar o caráter afável, a respeitada trajetória e a capacidade de articular politicamente os diferentes grupos em torno de projetos, habilidade rara entre os ministros de perfil eminentemente técnico. Afora o currículo, a indicação de Raupp, que preside a Agência Espacial Brasileira, também foi ensejada
por ele integrar um grupo de cientistas simpáticos ao PT. O futuro ministro ganhou a confiança da presidente Dilma Rousseff por ter a mesma visão do Planalto para o setor.
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Ele vai dar continuidade ao trabalho de Mercadante, reforçando o papel das empresas em articulação com a pesquisa científica e as universidades – destacou a ex-reitora da UFRGS Wrana Panizzi, que até o final de 2011 convivia com Raupp na condição de vice-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O trabalho de desenvolvimento dos polos tecnológicos, envolvendo empresários, especialistas e instituições de ensino, é um dos principais destaques na trajetória de Raupp. Não há um especialista da área que deixe de citar a sua liderança como
fundador e presidente do Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), referência nacional no campo da inovação, conceito que preconiza a transformação do conhecimento em riqueza e bem-estar.
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Ele liderou uma experiência considerada campeã no tema da inovação. O Raupp sempre foi exemplar em termos de visão estratégica e na capacidade de se relacionar – disse Guilherme Ary Plonski, que presidiu, até dezembro de 2011, a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), onde Raupp atuou como conselheiro.
Embora Raupp tenha
nascido em Cachoeira do Sul, passou a maior parte da infância em Rio Pardo, município vizinho. Adorava correr com os primos pela Fazenda Santa Bárbara, na localidade de Passo do Adão, que era de seu avô, Teófilo Raupp. Concluiu o Ensino Médio em Santa Cruz do Sul e, em seguida, mudou-se para Porto Alegre, onde estudou na UFRGS. Desde então, retorna às origens sempre que pode. Quem o conhece, garante que
não abre mão de bombacha, churrasco e chimarrão.
– A última vez que nos vimos foi no ano passado, no aniversário de um dos irmãos dele. Estamos muito felizes com a novidade. Ele merece – diz o primo Roberto Raupp, 48 anos, morador de Rio Pardo.
Raupp: o físico que vai assumir a Ciência e Tecnologia
Marco Antônio Raupp foi presidente da Agência Espacial Brasileira e desenvolveu projeto de lançamento de foguete na base de Alcântara
Exame - 18/01/2012São Paulo – À semelhança de outros ministros escolhidos pela presidente Dilma Rousseff, Marco Antonio Raupp, que deve substituir Aloízio Mercadante na pasta da Ciência e Tecnologia, tem um perfil essencialmente técnico.
Ele ocupa desde março de 2011 a presidência da Agência Espacial Brasileira (AEB). Durante os meses que permaneceu no cargo, Raupp se concentrou em desenvolver o programa espacial brasileiro dando ênfase a importantes projetos, como o projeto do satélite geoestacionário e o lançamento de um foguete ucraniano na base de Alcântara, no Maranhão, em 2013.
Antes de chegar à presidência da AEB, Raupp foi diretor geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e vice-presidente e conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC).
Graduado em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Raupp é PhD em Matemática pela Universidade de Chicago e livre-docente pela Universidade de São Paulo. Foi professor adjunto da Universidade de Brasília (UnB), analista de sistemas do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, pesquisador titular do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e professor associado no Instituto de Matemática e Estatística da USP.
Raupp assume MCT no lugar de MercadanteTIInside - 18/01/2012O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, será substituído por Marco Antônio Raupp, atual presidente da Agência Espacial Brasileira. Mercadante deixa o MCT para ocupar a pasta da Educação. A transmissâo de cargo, segundo informações divulgadas pelo Palácio do Planalto, será dia 24 de janeiro. Raupp tem uma vida dedicada à área acadêmico-científica. Graduado em física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ele é é PhD em Matemática pela Universidade de Chicago e diretor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Foi professor da UnB e do IME/USP e pesquisador do INPE.
Recentemente, Raupp se destacou junto ao governo por sua posição com relação à importância de que o trabalho de integração do satélite brasileiro fosse feito pela Embraer, em estudo coordenado pela AEB que acabou convencendo a presidenta Dilma Rousseff da necesssidade da criação de uma joint-venture entre a Embrater e a Telebras, anunciada no final do ano passado.
Dilma anuncia Marco Antonio Raupp para o MCTIConvergência Digital :: 18/01/2012A presidenta Dilma Rousseff anunciou nesta quarta-feira, 18/01, as mudanças que fará em seu ministério. Em nota oficial divulgada pela Imprensa do Palácio do Planalto, a presidenta informou que Aloízio Mercadante irá ocupar a vaga de Fernando Haddad no Ministério da Educação. Para o lugar de Mercadante no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Dilma Rousseff escolheu um nome técnico: Marco Antonio Raupp - atual presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB).
Vai se confirmando uma previsão feita por fontes do governo ao portal Convergência Digital de que a presidenta Dilma preferiu um técnico ocupando o MCTI, de forma a evitar que haja uma debandada na atual equipe montada por Mercadante naquele ministério. A presidenta, segundo fontes governamentais,avalia que o MCTI com Mercadante deu certo, uma vez que a equipe escolhida por ele é competente e só levou para ela novos projetos - muitos já em andamento.
Apesar disso, existe a possibilidade de pelo menos duas secretarias mudarem de titulares. Mercadante deverá levar para o MEC o atual secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social, Marco Antonio de Oliveira, e já é dada como certa a saída, a pedido, de Ronaldo Mota, da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação.
SepinCom relação a Virgílio Almeida, nome que interessa diretamente à indústria de TI e Telecom, permanece a expectativa de sua permanência no cargo de secretário de Política de Informática (Sepin), assim como Carlos Afonso Nobre, deverá permanecer na Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento.Mercadante teria chegado a convidá-los para ir com ele para o MEC, mas ambos declinaram do convite, sob o argumento de que gostariam de terminar a execução dos projetos que estão em andamento no MCTI.
O ministro agradeceu o empenho deles na sua gestão no MCTI e deixou claro que à frente do Ministério da Educação contará com ambos no apoio ao desenvolvimento de novos projetos, os quais demandarão uma maior integração entre as duas pastas.
ProjetosAntes mesmo de deixar o MCTI, o ministro Aloizio Mercadante solicitou uma série de estudos aos secretários sobre a viabilidade, por exemplo, de se implantar nas escolas, matérias que tratem sobre o uso das TICs, com a possibilidade de criação de laboratórios para os alunos. Mercadante quer que os estudantes cheguem às Universidades, com um mínimo de conhecimento em tecnologia, entre eles, o bom uso das redes sociais.
O futuro ministro da Educação também pensa na informatização das Olimpíadas Escolares, tornando a competição mais ágil. Também planeja o desenvolvimento de matérias que incentivem os estudantes a pensar em desenvolvimento de games e, claro,
quer o massivo uso dos tablets pelos estudantes das escolas públicas.
Sobre esse último aspecto, o próprio Fundo Nacionbal do Desenvolvimento da Educação (FNDE) já adquiriu, em recente pregão realizado em dezembro, 300 tablets e tem previsão de novas compras ainda no começo deste ano através do Proinfo - o programa que visa a informatização das escolas particulares.
Como essas compras estão sendo feitas com base em Registro de Preços junto ao fornecedor vencedor do pregão, bastará uma decisão do futuro ministro para que novas aquisições de equipamentos sejam feitas pelo MEC.
AEB: não há como construir satélite com recursos públicos sem indústria nacional
Hora do Povo - 12/01/2011Em audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB),
Marco Antonio Raupp, disse que o programa do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) ao ser desenvolvido através de uma sociedade entre a Telebrás e Embraer, para atender o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) na banda Ka e as necessidades militares na banda X, irá canalizar investimentos nacionais no setor. “A escolha da Embraer como parceira da empresa que ficará responsável pela construção do satélite vai permitir a formação de um consórcio maior de empresas dispostas a investir em um projeto que é caro e demanda recursos intensivos”, afirmou.
De acordo com o presidente da AEB, “não podemos enveredar com dinheiro público em um programa ambicioso de construção de veículos espaciais sem que haja o envolvimento da indústria nacional”.
Conforme Raupp, “apesar do esforço dos últimos 30 anos, o programa [espacial] não vem atendendo a muitas das grandes demandas da sociedade, como é o caso da internet de banda larga para regiões de difícil acesso e o fato de que não há satélites brasileiros para previsão do tempo”. “Utilizamos satélites norte-americanos para a previsão. E muitas vezes ficamos na mão”, constatou Raupp. Atualmente, as comunicações estratégicas do país são transmitidas por meio de satélites da Star One, subsidiária da Embratel da América Móvil, de Carlos Slim.
A sociedade entre a Telebrás e a Embraer para a construção do satélite se dará com a participação minoritária (49%) da estatal, com a empresa privada ficando com 51%. Mesmo do ponto de vista estritamente econômico, sem levar em consideração o fator estratégico do empreendimento, não há nenhuma necessidade de o Estado ser minoritário nessa associação, mesmo sendo a Embraer uma empresa sob controle nacional. Em todos os setores, tem sido o Estado o fator de desenvolvimento, como no caso das telecomunicações e aeronáutico. O fato de terem sido privatizados só revela o entreguismo dos governos que levaram a cabo a venda das estatais, como no caso da empresa de aeronáutica. Além disso, é bom lembrar o caso das demissões de 4,2 mil funcionários da Embraer de uma só vez em 2009, o que mostra que antes de tudo a empresa privatizada põe os cifrões na frente.
Brasil terá nova política espacial com participação privada para estimular a produção de satélites
Agência Brasil - 05/12/2011Brasília – O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Agência Espacial Brasileira (AEB) já acertou o
modelo da nova política espacial que visa a estimular a produção nacional de satélites e o domínio de tecnologias consideradas críticas pelo governo para o desenvolvimento de satélites de comunicações, de observação espacial e de meteorologia. A nova política estará na Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação que a presidenta Dilma Rousseff lançará ainda este mês.
A proposta ainda inclui a criação do Conselho Nacional de Política Espacial, vinculado à Presidência da República, e um novo do modelo de governança para projetos de satélite. A ideia é replicar a forma de gestão do programa do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) – em que um comitê diretor (no caso, composto pelo MCTI, Ministério da Defesa, Ministério das Comunicações e Telebras) aprova planos, orçamentos, cronogramas para a construção do equipamento e é o responsável final pela operação do sistema.
O SGB, criado para atender a demandas militares e o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), serão construídos em parceria entre a Telebras e a Embraer. No começo do mês passado, as duas empresas assinaram um memorando de entendimento para constituição de sociedade (com participação de 51% da Embraer e 49% da Telebras).
“A escolha da Embraer como parceira da empresa que ficará responsável pela construção do satélite vai permitir a formação de um consórcio maior de empresas dispostas a investir em um projeto que é caro e demanda recursos intensivos”, afirmou Marco Antonio Raupp, presidente da AEB, em audiência pública na semana passada na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) no Senado Federal.
O desenho de governança do projeto da SGB esvaziou as participações do Instituto Nacional de Políticas Espaciais (Inpe) e do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) na antiga política espacial e
criou um arranjo institucional, com a participação da iniciativa privada, o que pode, segundo Raupp, dar mais agilidade à indústria nacional.“Isso é um corolário da nossa política de incrementar o número de projetos e passar esses projetos para as empresas, não ficar nas mãos exclusivas dos institutos de governo. Por que esses institutos de governo estão sob o regime legal que atrapalha demais a condução de um projeto industrial. Não é o universo legal adequado para a execução de um projeto. É o óbvio ululante, mas tem que dizer”, defendeu o presidente da AEB, Marco Antonio Raupp, em entrevista à Agência Brasil após a audiência.
A preocupação do presidente da agência é “criar carga para a indústria para que ela tenha condições de investir em capacitação”. A falta de continuidade das encomendas do programa espacial brasileiro é apontada por especialistas como um dos entraves para o estabelecimento, no Brasil, de uma indústria no setor.
Membro da CCT, o senador Walter Pinheiro (PT-BA) defendeu a parceria público-privada entre a Telebras e a Embraer. “É uma parceria importante. Cabe ao governo brasileiro um controle maior para que esse investimento possa ser feito e que a gente possa ter domínio sobre a operação, a destinação e o uso do satélite.”
Raupp, da AEB, quer conselho ligado à Presidência para definir políticas públicas
Teletime - 01/12/2011O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Raupp, quer criar um Conselho Nacional de Política Espacial, órgão que seria centralizador das políticas públicas da área. Esse órgão seria composto por representantes dos ministérios cuja atividade está relacionada ao uso de satélites e seria subordinado diretamente à Presidência da República.
Abaixo do Conselho estaria a Agência Espacial Brasileira (AEB) que seria a principal executora das políticas definidas. Em um terceiro nível, como braços tecnológicos e também executores de políticas públicas específicas, estariam o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) – que hoje é vinculado ao Ministério da Defesa.
Além desses órgãos, a AEB poderia delegar a execução de projetos a empresas privadas (como já foi feito com a joint-venture da Telebras com a Embraer para o SGB) e universidades.Raupp, que participou nesta quinta, 1º, de audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática do Senado, explicou que o desenho final, entretanto, ainda está sendo elaborado e será apresentado ao Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloízio Mercadante. Para que as mudanças se concretizem, o Executivo precisaria enviar um projeto de lei a Congresso Nacional ou implementá-las através de um decreto.
Situação atualDe acordo com Decreto 1.332 de 1994, que criou o Sistema de Desenvolvimento das Atividades Aeroespaciais (Sindae), a AEB já é o órgão central de execução das políticas públicas na área. Entretanto, como explica o diretor para assuntos internacionais da AEB, José Montserrat Filho, na prática, isso não tem acontecido “com a força que seria necessária”. “Queremos aplicar a Lei do Sindae”, resume ele.
Durante a audiência, Raupp destacou que a proposta de reorganização atende a uma necessidade de fortalecimento institucional do Programa Aeroespacial Brasileiro, cuja efetividade se perde pela falta de um comando centralizador. O presidente da AEB também confirmou a notícia de que a proposta de fusão com o Inpe está descartada, já que o diretor geral do Inpe, Gilberto Câmara, foi contra a ideia. Raupp, entretanto, garante que a ideia de criar o Conselho Nacional de Política Espacial já existia antes da proposta de fusão ser engavetada.
RecursosMarco Antônio Raupp ressaltou a necessidade de mais recursos para o setor. Inclusive, para que sua proposta de reestruturação tenha êxito, é necessário “um novo patamar orçamentário”. Segundo ele, o lançamento do Ciclone 4, projeto desenvolvido pela binacional Alcântara Cyclone Space, só acontecerá em 2013, conforme a mais nova previsão da companhia, se o Congresso aprovar a proposta de emenda orçamentária apresentada pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. A emenda destina mais R$ 165 milhões para o programa. “A emenda é vital para o lançamento do Cyclone em 2013”, diz ele.
Espaço: Instrumento de poder e soberania para o BrasilPanorama Espacial - Marco Antonio Raupp - 17/04/2011O Programa Espacial Brasileiro contribui diretamente com a soberania e a capacidade de auto-gestão do País por meio de suas aplicações de observação e monitoramento do território, proteção ambiental e coleta de dados meteorológicos. Entretanto, para uma atividade iniciada em 1961, resta um histórico de poucos resultados, atrasos e baixa prioridade em comparação com outras políticas públicas.
Decorridas cinco décadas, restam três tentativas de lançamento do veículo lançador de satélites (VLS), que deixam como legado um importante progresso no desenvolvimento tecnológico de lançadores, dois satélites de coleta de dados (SCD) em funcionamento, três satélites de observação desenvolvidos e lançados em cooperação com a China, e a cooperação com a Ucrânia para lançamento de foguetes daquele país a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Comparado com países como a Índia e China - originalmente em estágios de desenvolvimento semelhantes ao nosso - o Brasil apresenta resultados bastante sofríveis.
Tal situação aponta para a necessidade de formular novas ações, de natureza estruturante e mobilizadora, capazes de redirecionar o Programa Espacial, nos seus aspectos político e estratégico de longo prazo, alinhando melhor a sua execução com os grandes objetivos de desenvolvimento sócio-econômico nacionais. Nesse sentido, as principais linhas de ação deverão estar focadas em alguns eixos principais.
Em primeiro lugar, o Programa Espacial deverá passar a ser considerado como verdadeiro programa de Estado, co foco no atendimento às principais necessidades governamentais e da sociedade, atrelado a uma estratégia de política de encomendas/compras governamentais. A Estratégia Nacional de Defesa e ações voltadas à previsão e gerenciamento de desastres naturais estão entre as prioridades a serem atendidas.
Pelo lado do desenvolvimento industrial, almeja-se a constituição de uma empresa integradora, capaz de fornecer sistemas espaciais completos (satélites, foguetes e sistemas de solo) que favoreça a organização de uma cadeira produtiva de fornecedores e serviços do setor espacial, orientada para os mercados interno e externo.
Para tanto é imprescindivel que o Brasil tenha o domínio de algumas tecnologias críticas, muitas delas já dominadas por outros países, e de novas tecnologias para o futuro, por meio de uma rede de parcerias entre a academia e a indústria. Os projetos em cooperação internacional deverão privilegiar a transferência tecnológica.
Esse esforço de redirecionamento deverá ser apoiado pela melhoria e pelo aperfeiçoamento do sistema de gestão das atividades espaciais, com a maior capacitação técnica e gerencial de suas instituições, entre as quais, a Agência Espacial Brasileira (AEB), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespaciais (DCTA).
Esses eixos e problemas, há muito identificados e conhecidos, deverão ser atacados sem medo caso o País queira contar com um verdadeiro programa espacial, estratégico em sua natureza, capaz de fornecedor, a tempo e com eficiência, as capacidades de observação, de previsão meteorológica, de comunicações e de acesso ao espaço, que lançarão o Brasil com poder e soberania no cenário geopolítico atual.
Brasil fora de órbitaVermelho - 04/07/2011Entre as mudanças que Raupp vem defendendo está a que permite que empresas possam ser prime contractors, exercendo a função integradora dos projetos de satélites e lançadores, hoje a cargo do Inpe e DCTA. Prime contractor ou main contractor são os nomes dados à instituição executora responsável pelo projeto da missão espacial, que pode ser um órgão público ou uma empresa privada.
“Ele [o prime contractor] faz a concepção, todos os planos de desenvolvimento e contrata a indústria para fazer aquilo que ele deseja, da maneira que ele deseja, fiscalizado da maneira que ele deseja”, explica Amauri Silva Montes, gerente de projeto do Inpe e há mais de 40 anos no instituto.
Empresa integradoraEm artigo, Raupp defendeu a constituição de “uma empresa integradora, capaz de fornecer sistemas espaciais completos (satélites, foguetes e sistemas de solo) que favoreça a organização de uma cadeia produtiva de fornecedores e serviços do setor espacial, orientada para os mercados interno e externo”. A ênfase à participação do setor privado não implicará, porém, em privatização do Inpe ou do CTA, declarou Raupp.
Defendeu, também, que a Embraer – fabricante de aviões privatizada durante o governo Itamar Franco – seja o main-contractor do programa espacial brasileiro, durante reunião realizada em São José dos Campos, em maio, com empresários do setor aeroespacial e a própria Embraer. A Caros Amigos procurou o presidente da AEB para comentar a possível privatização do programa espacial, mas, por meio de sua assessoria, Marco Antonio Raupp disse que não poderia dar entrevistas antes do final da revisão do Pnae, que está sendo realizada juntamente com o Ministério da Ciência e Tecnologia, que tem Aloizio Mercadante à frente da pasta.